Enigma - Segredos e Mentiras
36 Capítulo 35
Notas iniciais
Para alguém que esperava desde o final da tarde, meia hora de atraso não era considerada normal. Nervoso, Edward se colocou a janela para olhar a noite, ainda clara àquela hora. De onde estava não tinha a visão da estrada, mas podia ouvir o som dos veículos que iam e vinham; nenhum reduziu sua velocidade ou entrou no estacionamento. Bella não iria, era a verdade. Aflito, fechou a cortina listrada de tecido barato e foi até o pequeno sofá do quarto escolhido. Não sentou sobre ele e sim no chão, recostando contra a base.
Manteve os olhos fixos na garrafa de conhaque deixada sobre o criado mudo. Comprou-a num impulso na mesma loja de conveniência em Wells onde conseguiu os preservativos que trazia no bolso traseiro de seu jeans.
Riu escarninho ao recordar o constrangimento durante o pagamento; era um clérigo otimista com a possibilidade de reconciliação e de usar camisinhas. E que consumia álcool, acrescentou alcançando a garrafa. Achou que poderia evitá-la, mas naquele momento precisava do mesmo calor atenuante que sentia ao beber na boate.
Recordar o motivo que desencadeou a briga e logo após, sua péssima conduta, agravou a inquietação de Edward. A função de Bella naquele lugar maldito o transformava; lutou como um arruaceiro, surrou-a e como se não bastasse a violentou. Pensando friamente, deveria ser grato caso ela ainda quisesse alguma coisa com alguém tão instável.
Não, argumentou consigo mesmo. Bella não tinha como saber que brigou. E tirando o ocorrido na noite anterior, ela havia gostado tanto quanto ele das palmadas recebidas; tão eróticas ao final.
Somente por vislumbrar a cena o padre estremeceu de pura luxúria e antecipação, contudo as reteve. Estava naquele motel primeiramente para recuperar a confiança de Bella. Caso tivesse a chance, considerou finalmente rompendo o lacre da garrafa. Lamentou não ter um copo, mas não se importou em beber no gargalo.
Pondo-se de pé, passou a andar de um lado ao outro; logo estralava os dedos da mão livre. Ainda com a garganta seca e desejosa de alguma ardência, tomou outro gole. Aquele sim, aquecendo-o por inteiro.
A noite seria longa, mas estava convicto que a esperaria. Não era hipócrita; desejava-a mais depois do encontro desastrado. Tão logo a reconquistasse terminaria o que começou. O padre que sufocasse sua mortificação diante do ato que cometeria; aquela noite era do homem apaixonado que habitava em seu íntimo. Decidido, tomou seu terceiro gole.
– Cadê você? – Edward murmurou.
Impaciente, deixou a garrafa no chão para verificar além da janela. Escurecia. Fora isso, nada novo. Cerrando as cortinas, Edward voltou ao sofá e mirou a cama. Não a experimentou. Quando caísse sobre ela seria com Bella. Não antes, não sozinho. Onde ela estaria? Em resposta ouviu batidas tímidas; tão fugidias que acreditou tê-las imaginado.
– Senhor?... Ainda está aí? – soou a voz incerta.
E então não era o álcool que o aquecia. Sem saber nomear o que sentia, Edward cruzou a distância até a porta com longas passadas e a escancarou. E Bella estava lá. Em segundos registrou sua beleza jovem – não abalada pela notável palidez – e reparou como estava desejável metida num vestido de festa azul escuro. Ao perceber o brilho receoso nos olhos castanhos, todo seu corpo vibrou.
– Desculpe-me a demora eu...
Antes que terminasse a frase, Edward a puxou bruscamente contra o peito e sem maiores reservas capturou-lhe a boca de forma voraz. Segurou-a em um dos braços para fechar a porta com a mão livre, então a prendeu novamente num abraço esmagador enquanto explorava os recantos de sua boca com a língua sedenta. Estimulada, a moça gemeu languidamente deixando a bolsa que trazia escorregar até o chão para poder abraçá-lo.
Nesse instante Edward a carregou até o sofá. Depositou-a lentamente se acomodando acima do corpo trêmulo sem quebrar o beijo; ou seria ele quem tremia? Não saberia. Bella estava com ele, era o que importava. Quando aquela sua porção violadora pulsou impaciente, o padre se obrigou a interromper o beijo invasivo e se ajoelhou diante dela.
– O que houve? – Bella perguntou arfante e confusa. Sem esperar resposta se sentou diante de Edward para retirar a camisa amarela que ele usava sobre a camiseta branca; gostava da recepção acalorada que não lhe permitia pensar na vergonha sentida durante o dia.
– Espere. – ele pediu segurando-lhe as mãos juntamente com os lados de sua camisa. – Temos que conversar.
Evidente; ela pensou. Preparou-se para a conversa durante todo o trajeto até o motel, mas continuava sem coragem como no momento que deixou sua casa.
– Desculpe por ontem. Não quis machucá-lo. – ela falou a um só fôlego, mirando um ponto aleatório do peito largo que ousou chutar. Atônito com as palavras, Edward demorou alguns segundos para entender.
– Está se desculpando por se defender? – inquiriu incrédulo. – Por favor, não faça isso comigo... Eu quem devo todos os pedidos de desculpas possíveis. Deveria ter acreditado em você; acha que pode me perdoar?
– Acredite. – começou sentindo o rosto corar. – Se tivesse alguma coisa a perdoar eu nem teria vindo...
– Foi assim tão horrível? – perguntou preocupado, segurando-a pelo queixo para que o encarasse. – O quanto eu a machuquei?
Na hora a dor fora lancinante, mas passou. Não havia motivos para agravar a culpa nos olhos azuis. Ainda mais depois de ignorá-lo durante todo o dia; agora que percebia não ser tão perturbador encará-lo, considerou estarem quites. Sorrindo-lhe o tranquilizou.
– Se eu dissesse que foi pouco estaria mentindo, mas já estou bem... – e querendo mudar o assunto, se valeu da curiosidade a cerca de uma novidade: – O senhor esteve bebendo?
– Não desconverse – ele falou muito sério. – O quanto a machuquei?
– Bom... – disse sem jeito, desconhecendo-se por se sentir constrangida: – Não vamos pensar que me machucou, afinal é assim para todas... O que posso dizer é que doeu... “muito”. Sangrei um pouco, mas amanheci bem, de verdade... Sem dores.
Seus sorrisos encorajadores não surtiam efeito sobre Edward. Poderia ser ruim para todas, mas ajudaria se não tivesse agido como brutalidade. Diante daquilo já não estava tão certo quanto ao que fariam naquele motel. Talvez fosse o caso de poupá-la até a completa recuperação.
Bella parecia não compartilhar de sua reserva. Como prova, puxou-o pela nuca e o beijou. O padre retribuiu sem o mesmo ardor e logo se desprendeu; confundindo-a. Fora ele quem disse que nada havia mudado, não?
– O que aconteceu? Você não...
– Não mudei de ideia se é o que está pensando – disse juntando sua testa a dela e fechando os olhos. – Como poderia quando não tenho um mísero minuto de paz longe de você?
– Então...? – ela indagou num suspiro ainda receoso.
Como dizer sem soar como um covarde ridículo? Nunca esteve numa situação como aquela – não que se lembrasse –, apenas sentia que deveria fazer tudo corretamente para não repetir o fiasco da noite anterior. Não desperdiçaria uma nova chance com seus arroubos.
– Seu silêncio me assusta... – Bella sussurrou mais uma vez, tirando-o de seus pensamentos.
– Não tenho pressa – respondeu com a verdade, abrindo os olhos.
Devia a ambos uma noite perfeita; aquela ou qualquer outra seria considerada a primeira de Bella e no seu caso, um rito de passagem no qual iria contra sua doutrina definitivamente.
– Ah... – foi a exclamação silábica antes que ela se afastasse e, depois de retirar os sapatos, ir até a janela que por várias vezes naquela noite ele mesmo se recostou para olhar o estacionamento praticamente vazio.
– Bella?
– Desculpe-me – ela falou enquanto olhava pela fresta mínima entre os dois lados da cortina. – Eu entendo que não tenha pressa... Minha reação o assustou não foi? Se lhe deixei com alguma dúvida acho que devo respeitar. – era admirável que ele tivesse ido até ali quando o evitou durante todo o dia; não podia forçá-lo.
– Não é o caso – assegurou se aproximando para girá-la pelos ombros. – Não ter pressa não significa que tenho dúvidas. Quero apenas preservá-la depois do que fiz. Acho que devemos apreciar esse momento como se ontem nem tivesse existido... Vamos apenas ver o que acontece, pode entender?
– Tem certeza?
– Absoluta! – disse sério, correndo as costas dos dedos ao longo do rosto agora ansioso, delineando os lábios rosados pela violência do beijo recente, acrescentou: – Está cansada de saber que aceitei o óbvio... Não consigo ficar longe de você amore mio.
Como não acreditar em suas palavras quando Edward as pronunciava de forma languida e terna, olhando-a com aqueles pedaços de céu escurecidos como a noite do Maine? Com o coração acalentado, abandonou sua postura defensiva e sorriu contente, deliciando-se com o contato dos dedos que ainda tocavam seus lábios.
– E o que tem em mente para “apreciar o momento”?
– Não sei ao certo. – Edward retribuiu o sorriso luminoso, apenas para ocultar seu nervosismo. – Já se deu conta que essa é a primeira vez que ficamos completamente sozinhos?
– Já. – Bella abandonou o sorriso para dizer num fio de voz: – Justamente por isso estava ansiosa para chegar. Por causa de meu atraso perdemos minutos preciosos.
– È vero!... . – o padre concordou ainda acariciando seu rosto. – O que houve?
– Não viu meu recado? – Bella perguntou com as sobrancelhas unidas. – Avisei que minha mãe não queria que eu saísse, mas que já estava a caminho.
– Então finalmente me enviou um recado! – exclamou exagerando a surpresa. – Fico honrado depois de tanto silêncio.
– Não seja um chato – ela pediu com um sorriso tímido, não confessaria que esteve fugindo por vergonha; justo ela. – Onde está seu celular afinal?
Como resposta o padre olhou para o móvel ao lado da cama onde seu presente repousava ao lado das chaves e do documento de seu jipe.
– Nem viu meu recado?
– Por que procuraria por um quando não me respondeu antes? – comentou sem ser acusador.
– E me esperou mesmo assim? – murmurou. Decididamente Edward era inacreditável. Envaidecida, não cabendo em si de contentamento, Bella se atirou em seu pescoço para beijá-lo. Com um gemido abafado, Edward retribuiu, içando-a pelas coxas para carregá-la de volta ao sofá. Não a deitou. Sentou-se, acomodando-a em seu colo para se entregar ao beijo; permitindo que ela o guiasse.
Quando Bella aventurou a boca por seu pescoço, Edward pendeu a cabeça sobre o encosto para que os lábios vagassem por uma área maior. Logo sua porção enrijecida protestou sob seu jeans limitador. A reação não passou despercebida a moça que lhe mordiscando a pele, liberou um gemido alto. Movendo-se sobre seu colo, provocando-o; iam rápido demais. Segurando-a pelo quadril para refrear aquela dança perturbadora, Edward pediu:
– Aspetta un attimo, per favore...
– O que...? – encarou-o aturdida, a respiração entrecortada.
– Apreciar o momento... – ele a lembrou também com certa dificuldade em respirar.
– Eu estava apreciando senhor – seu sorriso era matreiro –, mas vou me comportar.
– Obrigado!
– Sabe como me sinto? – Bella perguntou. – Como se roubasse sua virtude de vez.
– Já roubou. – Edward disse subitamente sério. Já não tinha tanta certeza de ser virtuoso. – Isso a incomoda?
– De forma alguma... – ela lhe sorriu. – Agora sabe que seremos dois ladrões de virtudes.
– Agora sei... – jamais esqueceria. Ela não o acusava, apenas tentava fazer graça da temeridade sofrida. Antes assim, pois ninguém poderia julgá-lo quando a experiência de seus atos sempre a desmentiram.
– E já que temos virtudes a roubar – Bella murmurou languida enquanto retirava-lhe a camisa –, determino que já apreciamos o momento até demais...
– Infelizmente não... – Edward lamentou, tentando ganhar tempo. Ou talvez fosse a leveza que o entorpecia incutindo nele a necessidade de dizer o que pensava. – Há tanto que eu gostaria de partilhar com você e que minha condição jamais permitirá.
– No momento eu só consigo pensar numa coisa proibida...
Quando a moça afundou a cabeça em seu pescoço e o beijou, Edward fechou os olhos mais uma vez se rendendo aos leves espasmos, mas se conteve. A recordação da declaração inflamada de que não tinham nada um com o outro, que não era sua mulher, dera-lhe o que pensar. Acabou por reconhecer que queria partilhar momentos – tolos na verdade – que jamais aconteceriam.
– Nem tudo o que desejo fazer com você é proibido Bella, mas com certeza tudo é inadequado.
– O que seria inadequado? – perguntou interessada. Depois de lhe perscrutar o rosto com exagerada atenção, o padre expôs sua lista arrumando delicadamente uma mecha persistente de seu cabelo escuro atrás da orelha, causando-lhe leves arrepios.
– Tocá-la sempre que sentisse vontade... Segurar sua mão durante uma refeição ou enquanto caminhássemos pela praia... Poder consolá-la quando chorasse. Dividir um sorvete ou passear com você... Acompanhá-la ao cinema... Ou...
– Ou... ? – Bella encorajou-o expectante.
– Ou dançar com você como tantos outros o fizeram na noite do baile.
– Resumindo... – a moça murmurou comovida: – O senhor queria ser meu namorado!
Edward não colocaria daquela forma, mas as palavras ditas pela boca rosada eram a expressão da verdade; queria poder ser reconhecido de alguma forma. Ainda sem se importar com a exposição sinceramente assentiu:
– Sì, credo di sì...
Poder assumi-lo era o que Bella mais desejava. E também queria as mesmas coisas, contudo ambos sabiam que não aconteceria. Seu futuro era incerto e sem muitas esperanças, restando a eles viverem um dia de cada vez. Ou uma noite, ela pensou antes de deixar aquele colo perturbador para alcançar sua bolsa. Precisava pegar algo.
– Aonde vai? Eu disse alguma coisa errada? – ele indagou sério; o cenho franzido.
Flagrando a expressão consternada, a moça depositou a bolsa ao lado do sofá e sorriu para tranquilizá-lo antes de voltar sua atenção ao celular, movendo os dedos rapidamente sobre a tela.
– Não vou a lugar algum. Já aceitei que seremos “não namorados”... Sei que dificilmente faremos tudo que citou, mas não vejo problema em segurar minha mão por alguns instantes quando estivermos na praia e agora...
– E agora...? – foi a vez de Edward incentivá-la.
– Podemos aproveitar essa noite em que vamos quebrar todas as regras e dançar... – ao terminar a frase, clicou uma única tecla e então a música os envolveu. Depositando o aparelho sobre o braço do sofá, ela se colocou em posição e o chamou.
– Dance comigo, meu senhor.
Comprazendo-se com a oportunidade, Edward se deixou envolver pelo calor que o tratamento formal sempre lhe causava antes se aproximar da moça, pegá-la pela cintura e trazê-la para si.
– Já pedi para não me chamar assim... – ele a lembrou roucamente.
– Estou apenas me resguardando de desentendimentos futuros – retrucou passando os braços ao redor de seu pescoço. – “Se” um dia nosso relacionamento ganhar um nome eu paro... Ou quando pedir de coração.
Edward se obrigou a rir, descartando a seriedade da declaração, pois dificilmente seriam mais que amantes. Contudo era inspirador perceber que mesmo alegando o contrário, Bella o conhecia bem; apreciava ser tratado daquela forma. Depois de um pigarro, focou sua atenção ao que ela lhe propunha e admitiu mudando de assunto.
– Também sou inexperiente nesse negócio de dança...
– É impossível que nunca tenha dançado! – Bella se afastou com um sorriso descrente.
– Como não me lembro, vamos dizer que você será a primeira com quem danço.
Sem retrucar ao comentário estranho, ela alargou o sorriso satisfeito e pegou seu aparelho para voltar a música ao começo, então se colocou diante do padre para explicar:
– Bom... Dançar é bem fácil, venha...
Ao menos a posição das mãos Edward conhecia bem. Durante o baile desejou ser ele a segurá-la daquela forma enganadoramente inocente, que apenas disfarçava a possessividade de seus pares. Refreando um ciúme inoportuno, ele novamente a tomou nos braços.
– Isso... – ela exclamou. Depois de colocar as mãos nos seus ombros, mantendo distância suficiente para que ele visse seus pés, falou: – Agora me acompanhe... Dois para lá, dois para cá... Dois para lá, dois para cá...
Antes de sua repetição, Edward já estava familiarizado com o movimento, então a trouxe para junto de si; era sua vez de ser possessivo. Quando Bella estreitou os braços em seu pescoço, ele fechou os olhos e se deixou envolver pelo ritmo da música. Estavam dançando.
O tempo pareceu suspenso enquanto se movia junto a Bella. Completamente à vontade com ela junto a si, Edward correu uma das mãos pelas costas delicadas, até alcançar-lhe a nuca. Talvez estimulada por seu movimento a moça o imitou e passou a desenhar pequenos círculos na linha entre seu cabelo e a pele; provocando-lhe sucessivos tremores. Tentando não se influenciar pelas palavras da cantora, somente se prendendo ao ritmo lento da balada, o retribuiu o carinho.
– Tem certeza que nunca dançou antes? – Ela perguntou junto ao seu peito.
– Como já disse não me lembro... – repetiu roucamente enquanto escorregava sua mão pelas costas femininas até chegar ao quadril e estreitá-lo contra o seu. Deliciou-se com a compressão do ventre plano contra a excitação que considerava não mais domar.
– Nossa! – Bella arfou.
Edward sorriu; satisfeito por afetá-la tanto quanto era afetado, mas sem conseguir se render completamente, por estar cada vez mais incomodado com a letra da canção. Iria questioná-la sobre a escolha, mas se calou ao sentir sua camiseta ser erguida. Os dedos delicados subindo por sua pele roubaram-lhe o raciocínio. Quando o tecido chegou aos seus ombros, Edward deixou que ela o despisse. Ao novamente abraçá-la, Bella afundou o rosto diretamente sobre seu peito e correu o nariz por seus pelos; excitando-o.
– Seu cheiro é tão bom!... – exclamou; sua voz abafada.
– Bella... – foi tudo que ele conseguiu exalar junto ao seu gemido.
Desejando senti-la, ele novamente correu a mão por suas costas, daquela vez descendo lentamente o zíper do vestido. Ao tê-lo frouxo, afastou-se para que escorregasse para os pés de Bella que logo o chutou para longe. Esquecido da música determinou já terem esperado o suficiente.
Cada vez mais ansioso por tocá-la, Edward procurou pelo fecho do sutiã rendado. Enquanto duelava com a peça, Bella apoiou a cabeça em seu peito e correu os dedos por seu abdômen até chegar ao cinto. Antecipando o que viria, ele paralisou sua ação. Expectante esperou que ela o desafivelasse e abrisse o botão da calça. Retendo o ar e acreditando que sucumbiria lentamente, ele sentiu a mão pequena descer mais para tentá-lo.
– Bella... – ele arfou.
Finalmente respirando, se deu conta de que – juntamente com o carinho ousado – ela havia aberto o zíper e insinuou a mão além, tocando-o sobre a roupa íntima sem nenhum receio, agravando toda urgência. Sem refrear sua paixão, Edward segurou-lhe os cabelos da nuca para obrigá-la a erguer a cabeça.
– Edward? – exalou surpresa.
– Questo sono io... solamente Edward. Non signore... non sacerdote... solamente un uomo innamorato di te...
– O que...?
Bella queria entender o que ele dizia, mas não teria tradução. Ainda segurando-a firmemente pelos cabelos, o padre prendeu-lhe a boca e a beijou apaixonadamente. A ferocidade destoante do clima romântico surgido com a dança a confundiu; e excitou-a na mesma medida. Fraca, rendeu-se às sensações que a língua áspera e exigente lhe despertava. Sem conter um gemido agoniado ou temer o que viria, atirou-se sobre ele, obrigando-o a segurá-la pelo quadril enquanto o envolvia pela cintura.
– Serpente tentatore... – Edward gemeu enquanto a levava para a cama. Era chegada a hora de experimentá-la. Ao ser depositada sobre o colchão, Bella foi novamente esmagada pelo corpo grande e forte do padre que se acomodou sobre ela para que sentisse sua dureza.
– Ah... – expirou, arqueando-se inconscientemente.
Edward abandonou-lhe a boca e afundou o rosto na curva de seu pescoço enquanto baixava as alças de seu sutiã. A moça soergueu o dorso para ajudá-lo. Tão logo Bella retirou a peça delicada sentiu as mãos grandes conferirem a pujança de seus seios. A despeito da maciez da palma, ele foi impiedoso lhe causando uma mistura perturbadora de prazer e dor.
– Devagar... – pediu, um tanto ressabiada.
O pedido lembrou a ele a necessidade de gentileza, ainda assim continuou a rolar um mamilo entre o polegar e indicador enquanto provava o outro avidamente, mais uma vez arrastando-a as ondas de prazer doloroso. Logo estava pronta, ansiando pela posse. Como se pressentisse que o esperava, Edward espalmou a mão em seu ventre e a desceu até tocá-la.
– Sempre con la pelle senza peli...
Ainda sem entender uma palavra, apenas desfalecendo com o som cantado e os carinhos vigorosos que recebia em sua parte mais secreta, Bella se moveu contra a mão agora delicada. Obrigando-se a sair da inércia, acariciou-lhe as costas e correu as mãos sobre as cicatrizes, como resposta Edward gemeu e lhe mordeu o mamilo que rolava em sua língua.
– Ai... – ela choramingou.
– Questo fa male? – não era sua intenção machucá-la, mas era inevitável se excitar ao imaginar que lhe causava alguma dor.
Melhor era terminar com a tortura que os afligia. Decidido, Edward deixou a cama e, sem deixar de olhá-la – seminua como por três vezes a viu – retirou a calça para expor seu corpo também à contemplação feminina; ainda que levemente incomodado.
E Bella o admirou; sem reservas ou falsos pudores correu os olhos por seu dorso até deter os olhos languidos naquela parte de seu corpo antes tantas vezes repudiada. Sem desviar o olhar, a moça se livrou da peça restante e se afastou até a cabeceira. Livre de qualquer temor separou os joelhos minimamente, deixando evidente que se oferecia a ele; era a hora.
Ajoelhando-se sobre a cama, Edward engatilhou até estar sobre ela. Trêmulo por sua ansiedade, incapaz de qualquer palavra diante do passo irreversível que daria, o jovem padre se colocou entre as pernas da moça.
– Por favor, seja gentil... – ela pediu, retesando-se momentaneamente.
Ele seria, mesmo que sua vontade fosse fundir seus corpos de imediato. Contendo a respiração, moveu-se com cuidado, entrando lento onde antes simplesmente invadiu e então parou. Bella aproveitou a imobilidade para se acostumar com o incômodo dolorido. Passada a estranheza, logo queria mais, então se moveu de forma mínima e incitante, causando forte estremecimento no homem teso sobre si.
– Amore mio. – Edward urrou antes de imitá-la ritma e cautelosamente, satisfazendo-se com a pressão luxuriante em seu membro que lhe entorpecia os sentidos. Mesmo alheio a tudo em sua volta, ainda tinha consciência de Bella. Não desejava magoá-la mais do que já havia feito mesmo estando disposto a tomar tudo que considerava ter direito.
– Senhor... – ela choramingou à crescente cadência, agarrando-se às suas costas. – Não aguento...
– Não conseguiria parar, bambina... – anunciou gutural. Mesmo verdadeiramente preocupado seria incapaz, pois sentia algo poderoso se formar em seu âmago.
– Não pare senhor... – de verdade; uma vez que nenhum incômodo era sentido, apenas ansiava pela libertação daquela agonia desesperadora abaixo do ventre que lhe prometia a morte quase certa.
– Repita! – ele ordenou, cobrindo-lhe os olhos com uma das mãos enquanto atendia a um instinto primitivo que o compelia a ir e vir dentro dela. Presa a dança desesperadora, Bella arqueou o dorso sob o peito forte. E lamentando ter perdido o contato com os olhos muito azuis, obedeceu.
– Não pare meu senhor...
– Angelo mio... – ele exalou antes de reclamar a boca arfante da moça para sufocar o grito que lhe subiu à garganta quando o gozo explodiu em fagulhas por todo seu corpo fazendo-o estremecer violentamente. Deleitava-se com a satisfação plena de finalmente despejar seu fruto na cavidade morna de Bella, quando a sentiu se contrair e então vibrar como uma corda musical tensa ao mais leve toque.
Enquanto aprofundava o beijo para igualmente calá-la, Edward considerou que a comparação era válida; Bella era um instrumento novo e tenso que ele adoraria afinar e tocar para extrair as mais finas notas. E ele saberia como, pois depois de todo o prazer sentido tinha certeza; aquela não fora a primeira vez. Para sua amante, apenas ofereceu sua castidade, pois a virgindade – ainda que não recordasse os detalhes – há muito estava perdida.
Confirmou a importância do momento vivido ao não se interessar pela descoberta. Primordial a Edward foi prolongar o beijo silenciador antes de se estender sobre a moça por alguns instantes até que seus corações sossegassem; seus corpos estabilizassem. Somente depois – parcialmente recuperado – foi que se apartou dela e imediatamente a trouxe para si, envolvendo-a em seus braços. Quando Bella pousou a cabeça em seu peito, apenas um detalhe o incomodava.
– Perdoe-me... Ontem deveria ter sido assim.
E teria sido tão bom? Ela se perguntou passando a brincar com a cruz e a chave do cordão preso ao pescoço de Edward, muito satisfeita por estar viva depois da força avassaladora que ele fez desprender dela. Difícil acreditar que teria sido melhor. Tudo na vida tinha hora e lugar certo para acontecer; agora acreditava. Ainda assim falou sorrindo, brincando com o que lhe arreliou o dia inteiro.
– Se eu não tivesse fugido talvez terminasse assim.
– Ou talvez se eu não agido como um animal – replicou sério, assistindo-a rolar os pingentes de seu cordão entre os dedos.
Com um suspiro profundo, Bella parou o que fazia e ergueu o rosto a procura dos olhos azuis; encontrou-os brilhantes demonstrando todas as emoções que atravessavam o coração do jovem padre. Sem nada dizer, aproximou uma das mãos do rosto sisudo e fez um carinho leve desde a linha do cabelo, passando entre suas pálpebras e, depois de atravessar o contorno o do nariz, chegou aos lábios rígidos e os delineou.
– O traço de seu perfil é bonito – disse serenamente. – Forte. Dificilmente um animal seria assim tão bem desenhado... – depois de beijá-lo levemente, acrescentou: – Por favor, vamos esquecer o “talvez” e fazer de conta que ontem nem existiu? Acredite... Independente de qualquer dor que eu tenha sentido, “hoje” estou infinitamente feliz.
– Eu seria incapaz de estragar sua felicidade – ele afirmou, segurando-lhe a mão que o acariciou e a prendeu junto ao peito. – Apenas me diga que está bem.
– Estou muito bem senhor! – exclamou no momento exato de um protesto audível de seu estômago. Rindo, acrescentou: – Acho que somente minha barriga não está...
– Está com fome? – Edward indagou franzindo o cenho. Preocupado, mas no fundo satisfeito por mudar de assunto, pois não sabia como agir. – Quando comeu?
– Bom... Não tive muita fome durante o dia... Minha mãe me forçou a comer um sanduiche, mas recebi seu recado avisando que estava aqui... então o apetite sumiu de vez – ao terminar encolheu os ombros instintivamente.
Como em muitos aspectos, agora bem o sabia, não tinha moral para repreendê-la, mas não se furtou de fazê-lo quando tinha certa experiência com longos períodos em jejum.
– Não pode ficar sem comer... Ainda mais quando vai pegar a estrada. E se algo lhe acontecesse?
– Mamãe é você?! – Bella indagou olhando-o com falso espanto. Renée dissera exatamente o mesmo; apenas variando as palavras.
– Não tente fazer graça. – Edward ordenou sério. – Você não deveria ter ficado sem comer.
– Bom... – ela sorriu tentando dissipar a carranca – o senhor pode me levar na lanchonete aqui ao lado.
– Deixar o quarto? – Edward perguntou intimista; para ser sincero não queria nem ao menos deixar aquela cama. Era cedo demais. – Não acho prudente.
– Não somos conhecidos aqui Sr. A. Hughes. – brincou e acrescentou. – Depois pode me contar o porquê desse nome? O significa o A?
Anthony; pensou automaticamente, distraído do assunto “deixar a cama”. Este facilmente se explicava, pois fora sugerido em forma de apelido por Paul, seu salvador. O sobrenome era uma incógnita, viera-lhe a mente tão logo imaginou usar a variante de seu próprio nome. Muito a descrever quando tudo o que queria era demovê-la da ideia estapafúrdia de deixarem a segurança do quarto.
– Nem eu mesmo sei. – disse apenas. – Quanto a sairmos...
– Por favor... – ela pediu suplicante. – Não há perigo. Estamos a 35 km de Wells, muito longe.
– Em tempo isso dá pouco mais de meia hora dirigindo a velocidade permitida; estamos é muito perto. Odeio ter que lembrá-la, mas não podemos ser vistos juntos. Ainda mais aqui.
– Se é assim – ela retrucou sem se dar por vencida. – também odeio lhe lembrar de que depois dessa noite, talvez nunca mais tenhamos a oportunidade de irmos a uma lanchonete juntos. Não foi o senhor mesmo quem disse que gostaria de passear comigo?... Eis sua chance!
Colocado daquela forma lhe pareceu tentador; Edward gostou de dançar com ela. Guardaria a lembrança para sempre. E friamente pensando, depois daquela noite, poderiam fazer amor – não copular – em qualquer lugar desde que fosse seguro, contudo todo o resto continuaria sendo impossível. Subitamente desejou acumular lembranças boas em sua mente apenas ocupada por espaços vagos ou perturbações.
– Está bem... Vamos à lanchonete – concordou. Em troca recebeu um sorriso radiante e um beijo estalado no rosto antes que ela deixasse a cama e, muito a vontade com sua nudez, o chamasse.
– Então venha! Vamos tomar banho para podermos sair...
– Vá você – falou horrorizado pela simples ideia de dividir o Box com alguém. Ao que parecia as propostas absurdas não teriam fim. – Eu irei quando terminar.
– Seria mais divertido se viesse junto – ou assim lhe parecia, Bella pensou. Segundo Alice, era costume fazer o mesmo com seu irmão. Agora, passada a expectativa e livre da vergonha idiota que a dominou, queria que estivessem juntos todo o tempo. – Sem contar que é um dever cívico e ecológico economizar a água de nosso planeta.
Edward apenas sorriu manso. Depois de um dia mergulhado em dolorosa incerteza e culpa, estava tranquilo como nunca antes em sua vida. Satisfeito, congratulou-se por manter alguém como ela em sua vida. Bella possuía defeitos? Talvez os piores, mas mantinha o espírito leve que o fazia se sentir da mesma forma. Ainda assim era muito cedo para mudanças radicais, então falou seriamente:
– Posso ter dado uma falsa impressão de que não me importo, mas não gosto de estar despido. Nem ser visto quando estou.
– O que é uma pena – ela fez uma careta pesarosa, avaliando-o descaradamente –, pois o senhor é bem bonito de se ver... Veja e aprenda – falou indo para o banheiro despreocupa.
– Prefiro ver e apreciar – replicou novamente sorrindo. – E se está tão preocupada com as reservas naturais, não demore.
A saída de Bella, Edward saltou da cama para vestir sua cueca e a camiseta. Realmente era muito cedo para mudanças. Ao recolher sua calça o conteúdo do bolso traseiro caiu ao chão. Os envelopes laminados pareceram zombar de seu amadorismo que o fez se esquecer de algo tão vital. Com sua inédita tranquilidade fortemente abalada, pegou os preservativos e se sentou na beirada da cama, imaginando quais as chances do pior acontecer logo na primeira relação.
Ao deixar o banheiro, enrolada na toalha áspera oferecida pelo motel, Bella se deparou com Edward parcialmente vestido a olhar o vazio. Ignorando a visão das coxas grossas coberta de pelos espessos, analisou-o atentamente e se aproximou até tocá-lo no ombro. Precisou se conter para não saltar após a reação sobressaltada dele.
– O que houve? – indagou preocupada.
– Fomos irresponsáveis – ele exclamou sem rodeios. Em choque, a moça deu um passo atrás. Edward não poderia se arrepender; não tão rápido. Antes que o sufocamento a tomasse de vez, ele acrescentou: – Esquecemos isso.
– Ah... – ela exalou juntamente com a respiração contida ao ver os preservativos. Sentiu-se aliviada, somente para novamente se abalar: – Está assim só por causa disso?
– “Só”?! – Edward levantou assombrado com a limitada compreensão da moça. – Não posso engravidá-la Bella.
– Seria assim tão ruim se acontecesse?
– Não seria ruim – falou conciso. – Seria um desastre!
– Entendo... – Bella murmurou. Para ela não seria tão horrível. Como se lesse seus pensamentos, Edward a fez encará-lo, segurando-lhe o queixo.
– Não basta entender menina. Para que isso dê certo, jamais pode se esquecer de quem sou. Um filho jamais seria aceito.
Por ele e sua igreja; talvez até mesmo seus pais ou toda Sin Bay, mas ela o aceitaria e amaria com todo o seu coração. Engolindo o choro e a tristeza que ameaçava macular uma noite perfeita, Bella decidiu não sofrer por conjecturas. Era nova e maternidade também não estava em seus planos. Ainda mais quando seu “isso” com Edward estava apenas no início. Pigarreando para limpar a garganta, tratou de acalmá-lo.
– Pois saiba que está preocupado a toa. Não há como esquecer quem é senhor... E justamente por isso já tomei providências para que desastres não aconteçam.
– Como? – perguntou ainda preocupado.
– Passei a tomar pílulas anticoncepcionais dias atrás, quando disse que iríamos ficar juntos – endossou a explicação com um sorriso. – Estamos seguros. Agora vá ao seu banho, pois toda essa conversa séria agravou meu apetite.
Já vestida no jeans e na camiseta que havia levado em sua sacola, Bella abraçou as próprias pernas sem se importar em colocar as sapatilhas sobre o sofá. Com os olhos fixos na garrafa de conhaque que descobriu ao lado enquanto se vestia, recriminou-se por ter cogitado chorar quando somente tinha motivos para comemorar. Não deveria dar importância à consternação que viu nos olhos azuis antes que Edward a deixasse. Tudo corria a perfeição. E ao pensar em perfeição, seu padre deixou o banheiro já vestido, dispersando o odor de sabonete que tanto apreciava pelo quarto. Depois de lançar-lhe um olhar terno, calçou-se, pegou sua carteira e a chamou
– Pronta?
– E faminta – brincou.
Enquanto contornavam a construção térrea, caminhando pelo corredor externo e cruzando por portas fechadas, Edward se arrependeu de ter cedido ao pedido da moça; sentia-se muito exposto e observado, como se uma assembleia invisível o condenasse por exibir seu erro. E a sensação pareceu piorar quando Bella tentou caminhar de mãos dadas. Permitiu o contato por parcos segundos então se soltou. Depois de acariciar-lhe o rosto para atenuar o gesto, prendeu as duas mãos em seus bolsos.
Bella tentou não se entristecer; sabia que seria assim. Estavam juntos, era o que importava. Ao chegarem a lanchonete, praticamente vazia àquela hora da noite, deixou-se ser guiada até a mesa mais distante da porta talvez por não haver nenhuma que os ocultasse. Sentaram-se um de frente ao outro e logo foram atendidos.
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