Notas iniciais
Oieeeeeeeee... Bom sábado amores! Quero agradecer à vc que me presenteou com uma indicação. Ganhei mais três; lindas!... Obrigada. E tbm à todas que me deixaram um review, obrigada!... Mil desculpas por não responder à todas. E como não respondi todos vou deixar um resumão do que foi mais comentado, certinho?... Agora vamos ao que deu essa saída da Bella de junto do padre... BOA LEITURA!

Bella corria para junto de Jacob com o coração pequeno, ainda tentando ordenar as cenas recentes em sua mente alarmada. Jamais imaginou presenciar a fúria vinda daquele cuja função era pacificar os ânimos exaltados. O momento era tenso, seu amigo provocou, porém Edward simplesmente pareceu surtar, esquecendo-se de quem era ou de onde estava. Por esse motivo que também ia até Jacob. Estava claro que não poderia deixar o padre sozinho, mas lhe preocupava o que aquela agressão poderia acarretar para ele.

Olhando para o galpão, confirmou que não havia ninguém à porta, nas imediações estava os mesmos casais a namorarem. Mesmo sendo poucos, deveria tomar cuidado com as testemunhas. Com medo que vissem o rosto machucado de Jacob, ela correu e segurou pelo braço para não chegasse mais perto.

– Me deixa! – exclamou livrando- se bruscamente para seguir seu caminho. Sem atendê-lo a moça adiantou o passo para novamente alcançá-lo.

– Pare Jacob. – pediu. – Por favor, não vá por aí. Eles não podem ver como está.

Dito isso o rapaz estancou abruptamente e se voltou para encará-la, sentido.

– É com isso que está preocupada? Que alguém veja o que o padre esquisito é capaz de fazer?

– Não! – ela negou sem muita convicção, afinal aquela era uma das razões. Porém estava preocupada com ele. Ainda mais depois de ver o lábio partido. Com pesar no olhar e na voz, falou enquanto erguia a mão para tocar-lhe o rosto. – Estou preocupada com você também.

– Dispenso. – Jacob retrucou afastando a mão e lhe dando as costas, rumando duramente para longe do jardim. Sua voz soou alta. Ao ver aqueles que estavam próximos olharem em sua direção, Bella teve a confirmação que poderiam ser ouvidos, fazendo com que o deixasse seguir caminho, apenas o seguindo de perto. Melhor que saíssem das imediações da cooperativa de uma vez. Estava noite e ninguém poderia ver os machucados.

– Pare de me seguir Bella! – ele vociferou já destravando a porta de seu carro.

– Eu vou com você. – falou se colocando rapidamente no banco do carona.

– A porra que vai, sai! – gritou.

– Não! Precisamos conversar sobre o que viu...

Com mais um impropério, Jacob ligou o carro e partiu rápido demais.

– Vai me dizer que não era o que “estou pensando”? – zombou sem olhá-la.

– Nem teria como? – Bella falou preocupada com a velocidade. – Só quero fazê-lo entender que não tem por que ficar assim... Você sabe que eu gosto dele.

– O cara é um padre! – novamente gritou. – Justamente por isso é um filho da puta sem vergonha. Se bem que isso não é novidade para mim... Eu sempre soube que ele não prestava.

– E o que vai fazer Jake? – ela inquiriu séria. Estava confusa, mas os xingamentos dirigidos a Edward a incomodavam. – Vai denunciá-lo? Teria coragem de me expor? Aproveite e diga a todos que eu também sou uma filha da puta sem vergonha que fica pelada semanalmente em troca de dinheiro.

– Talvez eu devesse fazer isso mesmo. – o rapaz retrucou freando subitamente, fazendo com ela se apoiasse no painel para se segurar. – Quem sabe assim o cego do seu pai não te mande para longe daqui ou talvez aquele padre dos infernos não volte para o buraco do qual saiu. Se for para você se ferrar, que se ferre de vez e de preferência bem longe daqui. Qualquer coisa seria melhor que assistir vocês dois juntos.

Estava claro que tudo se resumia ao ciúme. Assim como seu pai, Jacob não era seguidor de nenhuma religião específica, então pouco lhe importava que Edward fosse padre. Ele era apenas um homem que tinha dela o que nunca ofereceu a ele.

– Eu não amo você Jake. – disse cansada. – Não da forma que você queria. Acredite. Se eu pudesse escolher, eu escolheria você. – nesse momento ele a encarou.

– Claro! Diz isso como se eu fosse acreditar... Não precisa se esforçar tanto. – debochou.

– Estou falando a verdade. Apesar de todas as brigas e de... todas as vezes que o machuquei de alguma forma, você é meu melhor amigo. Você é bonito, a gente se diverte junto e eu confio cegamente em você. Como poderia não escolhê-lo?

– Talvez pelo fato de que mal suporta que eu a toque. – ele retrucou acusadoramente.

– Não “suportava”. – ela corrigiu. – Quando Jasper tentou me abraçar depois que me contou sobre a boate eu entendi o que acontece. Desculpe dizer assim, mas eu senti o mesmo nojo. – independente de sua vontade, ao ver-lhe o sofrimento pela palavra empregada, lágrimas lhe vieram aos olhos.

– Você tem nojo de mim? – ele murmurou.

– Não de você Jake, mas que me deseje e me toque como mulher... – disse embargada. – Eu descobri que você representa o mesmo que Jasper... Eu o amo sim, mas como meu irmão. A simples ideia de que ele me viu pelada e me desejou, assim como você, foi demais para mim e eu também o afastei. Somente por isso não podemos ficar juntos... Esse meu sentimento nunca vai mudar. Por favor, Jacob... Tente entender.

O rapaz a encarou por um minuto. Então, como se testasse a veracidade da correção anterior, estendeu a mão e tocou-lhe a bochecha úmida pelo choro manso. Bella não cogitou se mover. Apenas deixou que os dedos delicados seguissem o caminho das lágrimas e depois por seus lábios, rezando aos céus que ele a tivesse entendido e não tentasse beijá-la.

– Eu não tenho irmãs para fazer a mesma comparação. – falou por fim, sem recolher a mão. – Talvez eu nunca entenda, mas posso ver que alguma coisa mudou em você. Antes era uma leoa selvagem... Agora parece uma gata castrada.

– Só uma garota apaixonada Jacob. – murmurou.

– Por um maldito padre. – ciciou finalmente encerrando o carinho em seu rosto. – Eu sei.

– Não posso mandar no meu coração, ninguém pode.

– É verdade... Ninguém pode. – repetiu segurando o volante. Sem olhá-la, pediu. – Agora sai do meu carro.

– Não! – exclamou alarmada, dando-se conta pela primeira vez que estavam na praça. – Precisamos conversar... Não me disse se entendeu nem o que vai fazer...

– Se é isso que espera não tem mesmo o que fazer aqui. Eu preciso pensar. Minha cabeça está explodindo.

– E o que vai dizer ao seu pai?

– Sai do carro Bella. – ele pediu um tom mais alto. – E se preocupe com o que eu possa dizer ao “seu” pai.

Não havia nada mais a ser dito. Mais uma vez estava nas mãos de Jacob sem que nada pudesse fazer. Secando o resquício das lágrimas, pediu antes de atendê-lo.

– Só não acabe comigo Jacob.

Já na calçada o viu partir em alta velocidade. O som do motor do velho Rabbit tomou o espaço amplo, cortando o silêncio como um lamento enfurecido de seu dono. Não era para nada daquilo estar acontecendo. A noite que começara estranha – apesar da inesperada aproximação de Edward – terminava ainda pior. Olhando para a igreja, a moça caminhou até um dos poucos bancos da praça e se sentou. Não poderia ir até o padre quando chegasse, na verdade nem sabia se o queria, mas ao menos veria que ele deixou o jardim sem maiores problemas.

Mesmo com o clima ainda ameno, Bella abraçou o próprio corpo após um calafrio. Era como se depois da agressão de Edward as palavras de seu padrinho ganhassem novo sentido. Parecia possível que ele tivesse sido uma pessoa violenta e o sacerdócio o mantivesse sob algum controle. Talvez aquele fosse o recado que Carlisle tentou lhe passar sem comprometer o afilhado. Com isso, a nova pergunta era; estava preparada para conhecer aquele outro Edward? Ele já havia lhe ameaçado na lanchonete, demonstrando que “em outros tempos” costumava aplicar corretivos. Havia o chicote que usava sem piedade contra si mesmo; seria capaz de usá-lo em outra pessoa?

Pelo o que fez a Jacob, poderia julgar que sim. E agora também havia aquele lado possessivo que antes mesmo de nomear o tipo de relacionamento que teriam já se achava no direito de ditar com que ela se relacionava. Ou melhor, ditar que não se relacionasse com ninguém. Enquanto derretia sob a palma de sua mão, era fácil não questionar e atendê-lo prontamente, mas de volta à razão via que não seria tão simples. Não sabia o que Rosalie e Emmett haviam decidido e para todos os efeitos estavam juntos. E como faria com Jacob? Não estava disposta a voltar-lhe as costas; ele era seu melhor amigo.

– Inferno de vida complicada. – falou em voz alta. – E inferno de Edward que não volta nunca.

O que teria acontecido? O mesmo pensou pela irmã. Não haviam determinado o término do encontro dela com Emmett. Ou melhor, ela própria que não deveria ter deixado James sozinho no baile. Nesse ponto todo o resto desandou. Se antes não queria, no momento não poderia voltar para casa. O que diria aos pais caso estivessem acordados?

Com um suspiro cansado, Bella passou as mãos pelos cabelos. Com todo o alvoroço e tensão anteriores nem se lembrava de que Edward os havia soltado. Massageando o ponto levemente dolorido onde ele lhe puxou pelo rabo de cavalo, ela novamente se sentiu estremecer. Friamente pensando via o quanto fora cega no que se referia ao padre. Apesar das reações assombradas no início de suas provocações ou sua vulnerabilidade pelo ocorrido com o tio, quando ele passou a aceitá-la deveria ter visto que exalava força e certa violência – até aquela noite não no sentido negativo da palavra.

Sua intempestividade podia ser sentida na forma arrebatada com que a pegava. E como pegava, pensou sentindo o rosto afogueado. Ainda assustava, não sabia o que faria a seguir, apenas desejava que Jacob não arruinasse a chance de ver até onde todo aquele furor sufocado por uma batina poderia chegar. Isso se ele ainda a quisesse, depois de ter ido contra o que ele havia acabado de pedir para correr atrás do rapaz.

– Mil vezes inferno. – exclamou contrariada.

– Bella?! O que faz aqui sozinha sua maluca? – ouviu a voz da irmã que lhe cortou os pensamentos. Olhando em sua direção, descobriu-a de pé ás suas costas. James estava ao volante de seu carro e, desconfortável em novamente encará-la, mirava um ponto além de seu para brisa. – Procuramos por você em toda parte. Só agora a pouco que fiquei sabendo que estava com Jacob. Por que saiu com ele sem avisar? E cadê ele afinal?

– Jacob já foi. – respondeu agradecida por não ter que inventar uma desculpa. – Fiquei com preguiça de voltar para o baile então resolvi esperá-la aqui.

– Certo, então vamos embora. James ainda precisa pegar a estrada para Wells.

Perguntando-se o motivo da demora de Edward, Bella lançou um último olhar à igreja e seguiu a irmã. Tão logo se acomodaram James deixou a praça. Seguiram todos em silêncio e já em sua porta, a moça saltou depois de murmurar sua despedida. Nada a ajudaria aquela noite, mas esperava que um banho morno a livrasse do suor e da tensão. Não aconteceu. A água apenas limpou seu corpo, não o relaxou.

De volta ao quarto, descobriu-o ainda vazio e agradeceu. Rosalie fatalmente iria colocá-la a par do seu encontro e sinceramente não estava com ânimo para narrativas suspiradas de romances possíveis.

Enquanto Edward arrumava a estola que usaria durante a missa, ainda tentava sufocar o incômodo de ter sido preterido. Entendia que naquele momento Bella não pudesse ficar, mas não gostou que ela se fosse. E seria de admirar se voltasse depois de presenciar seu destempero. Por conta daquele moleque insolente a maltratou sem nem se importar. Pois tudo que queria era finalmente surrar aquele que sempre se interpunha entre eles.

– Você está bem Eddie? – Carlisle perguntou pela terceira vez naquela manhã.

– Já disse que sim. – respondeu seco.

– Eu estive pensando – começou receoso – se não teria ficado impressionado com o que aquele rapaz falou... Sobre o tal retrato.

– Não tenho motivos. – replicou ainda sem expressão. Seu problema era com as faltas reais, não com crimes desconhecidos cometidos por um sósia. – Agora se me der licença, vou para a porta receber os que chegam.

Sua intenção era receber somente Bella. Ver em seus olhos, mesmo que num breve contato que não lhe guardava mágoa pelo ocorrido. Essa certeza já seria suficiente para que esperasse conformado até que tivesse outra chance de lhe falar e pedir desculpas por sua brutalidade. Contudo ela não apareceu; somente seus pais.

– Bom dia senhor! – Charlie cumprimentou após Renée lhe pedir a benção.

– Bom dia! – disse simulando tranquilidade. – E o restante de sua família?

– Jasper não está na cidade e deixamos as meninas dormindo, pois chegaram tarde do baile.

Quão tarde era a pergunta; Bella ficou quanto tempo com Jacob?

– Por mim estariam aqui. – o pai replicou. – Responsabilidades vêm sempre em primeiro lugar.

– Releve senhor Swan... São apenas jovens. – o padre pediu sem seguir seu próprio conselho. Queria que ela fosse mais comprometida, mas sabia bem seu pensamento quanto suas idas á igreja e seus reais motivos. Sua falta naquela manhã talvez pudesse ser tomada como uma resposta muda ao que aconteceu na noite anterior. Maldito garoto

Assim como ela, boa parte de todos aqueles que estiveram no baile deixaram de comparecer. Com a assembleia desfalcada, o padre realizou sua missa de forma vaga e ensaiada. Algumas vezes Carlisle precisou lhe soprar ao ouvido qual passo seguir e já ao final da homilia se encontrava impaciente. Ao término do que para ele foi uma tortura de erros e tropeços, Edward liberou á todos saindo rumo á sacristia; não receberia o costumeiro aperto de mãos à sua porta.

– Por que eu sinto que devemos conversar? – Carlisle perguntou ao segui-lo.

– Por que está se tornando um velho tão bisbilhoteiro quanto a senhora Williams. – retrucou azedo.

– Acho que não preciso lembrá-lo do respeito que me deve.

– Não precisa. – Edward sustentou-lhe o olhar. – O respeito ainda existe, mas vou mostrá-lo quando o senhor fizer o mesmo me contando tudo o que esconde. E cuide de tudo por mim... Estou saindo.

Caso não corresse, seu peito seria capaz de explodir. Sentia-se preso; retido pela sensação de que quaisquer obstáculos possíveis se adiantavam á ele todas as vezes que resolvia ficar em definitivo com Bella. Talvez fosse obra da mesma providencia que enviou Charlie à sua porta para impedi-lo de trair seus votos. Contudo, depois de estar tão perto, quebrá-los era uma questão de oportunidade. Ou antes, uma questão de honra.

Bella esperou expectante pelo retorno de Renée e Charlie. Sabia ser impossível que alguém no jardim pudesse associar sua saída a do padre, mas ainda assim se preocupava. E havia Jacob que poderia abordar seu pai à saída da missa ou fazer um escândalo que os denunciasse. Não aconteceu uma coisa nem outra. A chegada dos pais fora sem novidades permitindo que ela respirasse com certo alívio.

Conseguiu até mesmo sorrir sinceramente para a irmã que aguardava por algum entusiasmo desde que narrou seu encontro em detalhes dispensáveis. Ficou feliz por Rosalie, somente não conseguiu externar por não gostar da ideia de manter a farsa. A irmã estudava uma forma de ser mais enérgica com o pai para romper o noivado e assumir seu verdadeiro amor, contudo tal atitude épica estava reservada para a volta da pescaria.

– Quanto tempo pretende ficar fora dessa vez papai. – perguntou para estimar quanto tempo teria que fingir.

– Acho que três ou quatro semanas.

– Quatro semanas?! – estranhou; seu pai nunca excedia as três.

– Trouxemos um bom suprimento, mas não alcançamos a capacidade de todos os frigoríficos. – ele explicou. – Como agora temos o novo contrato quero ver se conseguimos mais. Talvez alguns tubarões.

Se era assim estava bom para ela. Teriam um mês para dar um rumo em suas vidas. Na tarde seguinte ela se livraria da casa noturna, se possível teria uma conversa definitiva com Jacob quando ele a cercasse à saída da galeria, restando somente determinar o que faria em relação ao padre. Não que tivesse muito a pensar, pois apesar de temer a nova faceta estava mais atraída.

– E o senhor partirá mesmo na segunda? – a pergunta fora feita por Rosalie.

– Sim. E se lembre de que na minha volta vamos nos dedicar ao seu casamento. Eu iria conversar sobre isso com o senhor Cullen, mas ele não foi se despedir de todos como de costume. – comentou sério. – E quando foi procurá-lo na sacristia fui informado de que já havia saído.

– Reparou como ele estava estranho querido? – Renée perguntou entre uma garfada e outra.

– Era impossível não reparar. Teve momentos que o tio pareceu lhe lembrar do que fazer... Isso que dá misturar as coisas. Ele não deveria ter ido ao baile.

– Pois eu não vejo problema algum. – Bella falou sem nem pensar. – O antigo padre ia a todos... Por que o padre Cullen não deve fazer o mesmo?

– Ele é novo demais – o pai rebateu. – Pode se sentir tentado com tantas moças.

– E isso seria um escândalo quando tantos outros muito mais velhos são pedófilos ou homossexuais.

– Mas o que é isso?! – Charlie exclamou, largando o garfo sobre o prato audivelmente. – Que falta de respeito é essa?

– Não se falta ao respeito comentar a verdade.

– Certas verdades não precisam ser ditas, muito menos durante as refeições quando se espera conversas agradáveis. E não estou entendendo toda essa defesa.

– Não estou defendendo ninguém. – falou segura. – Só não acho certo julgar uma pessoa pela idade. Edward não...

– Edward?! – ele engasgou. Encarando-a duramente, falou. – Eu sabia que aqueles encontros na praia não dariam em boa coisa. Com essa suposta amizade você o considera seu igual... É a isso que me refiro.

– Foi apenas um ato falho. – se defendeu. – Afinal esse é o nome dele... E depois do piquenique mal nos falamos... Não estou confundindo ou supondo nada.

– E é bom que continue assim. Saiba que se eu perceber que a idade dele está atrapalhando o serviço que veio prestar aqui, eu peço que o transfiram.

Com a ameaça Bella cerrou os lábios. Havia ido longe demais e se insistisse o pai desconfiaria mais do que talvez já estivesse. Decididamente ele tinha que partir. Respirando fundo, revestiu seu rosto com indiferença e falou.

– Pois saiba que se isso acontecer terá meu apoio. Gosto do senhor Cullen e não vejo os problemas que o senhor aponta, mas se eles acontecerem é melhor mesmo que tome providências... Sin Bay já tem um caso sórdido na história de sua criação.

– Justamente. – ele disse olhando-a enviesado, mas recuperando o garfo para voltar á comer. Depois de engolir o tanto que mastigou demoradamente, prolongando o silêncio da sala de jantar, acrescentou. – Sinceramente espero que não aconteça. Ele é novo, ainda fico cismado, mas fora os deslizes de hoje tem feito um bom trabalho. Fiquei impressionado com o afinco que dedicou à recuperação da nossa capela. – daquela vez Bella não se atreveu a retrucar. Como Renée nada disse, assim como Rosalie, ele prosseguiu. – Devo dizer que ficarei feliz com a benção que dará ao meu pesqueiro antes de zarparmos.

Novamente ela calou, daquela vez seu espanto. O padre estaria no portinho. Assistiriam juntos à partida daquele que indiretamente se interpôs entre eles. A cada vez mais recuperada de seu temor, Bella rogou que a despedida tivesse seu simbolismo e marcasse o progresso de uma futura união.

Abraçada em suas pastas de desenho, Bella olhou para os dois lados da rua pela terceira vez. Nada de Jacob. Tentava não tirar conclusões precipitadas ao não encontrá-lo à saída da galeria. Outros tantos atrasos ocorreram quando ela em sua má vontade não o esperava, sendo somente seguida quando já se encontrava a caminho de casa, na estrada. Logo sua demora começou a preocupá-la, pois não sabia até onde o afastamento estava relacionado com o ocorrido na noite de sábado.

Precisava que Jacob a esperasse para saber que tudo estava como antes. E se assim fosse, também levá-la à The Isle e fosse seu apoio enquanto comunicasse a Barry que encerraria as apresentações. Enquanto olhava mais uma vez para ambos os lados, percebeu como o rapaz era importante em sua vida. Talvez por medo de ser denunciada ou somente dependência adquirida nos muitos anos de presença constante, não sabia. Apenas tinha certeza que ansiava fervorosamente que ele aparecesse.

Após meia hora sem que acontecesse, Bella se conformou e tomou o caminho para o ponto de ônibus. Teria que deixar sua conversa com Barry Reagin para o dia seguinte ou até para a quinta. Poderia ligar, mas preferia avisá-lo pessoalmente. Esperava que não tivesse maiores problemas, pois não haveria volta. Jamais correria o risco de ser descoberta por seu irmão, James ou qualquer outro.

Por sorte seu ônibus veio em poucos minutos, livrando-a de seus pensamentos até que se acomodasse, quando então sua mente vagou para Edward. Não o viu no dia anterior nem naquela manhã. Por ser sua última semana em terra, Charlie requisitou sua companhia na cooperativa. Na verdade agradecia a ocupação, uma vez que não sabia se deveria procurá-lo ou não. Agora que conhecia a extensão de sua complexidade não se sentia com coragem suficiente para provocá-lo como antes. Ainda cismava com sua súbita covardia quando seu celular chamou-lhe a atenção. Por um instante acreditou ser o Jacob; não era.

– Oi Emmett... – falou jovial, mesmo baixando o tom para que os poucos conhecidos que estavam no ônibus não a ouvissem. – Obrigada por ligar depois de ter ficado com outra.

– Liguei justamente por isso. – falou após rir. – Nem agradeci pelo o que fez. Acho que se fossemos esperar a reação só viria no dia de nosso casamento.

– Acho que nem assim, mas agora isso é passado. Rosie está bem decidida. Só está juntando um pouco mais de coragem para enfrentar nosso pai.

– Estou confiante que seja assim... Ela me disse que Charlie quer adiantar o casamento.

– Não vai acontecer. Assim que papai voltar de viagem nós daremos um jeito nesse rolo. Ele agora o tem em alta conta e isso deve mudar alguma coisa.

– Espero que sim. Ele me ligou para agradecer pelo FS 1 e reclamar por eu não ter ido pessoalmente levá-lo.

– Ele fez a mesma reclamação para mim essa manhã... Á propósito, o barco ficou perfeito. Com isso você ganhou o capitão Swan de vez. – Bella não poderia afirmar, mas queria que fosse assim. Estava cansada daquela confusão quando a sua própria vida já se encontrava bem enrolada. De toda forma, mesmo não tendo certeza era fato que seu pai estava muito satisfeito com o rapaz. Bom partido por bom partido, ele mesmo havia dito que Emmett era um melhor que James.

Os amigos conversaram por alguns minutos. Ao desligar, animada pela conversa amena, Bella resolveu tentar contato com Jacob. O amigo não a atendeu. Não era dada a alarmismos, mas não havia outra explicação senão estar sendo cortada descaradamente. Com certeza o rapaz ainda estava com raiva e esta nunca fora boa conselheira. Antes que sua mente a levasse ao desespero, considerou que já haviam se passado muitas horas desde a briga. Se a intenção fosse delatá-los ele já teria feito. Ou talvez estivesse ganhando tempo; tudo era possível.

– Jacob não pode fazer isso comigo. – murmurou, olhando pela janela sem ver a paisagem que passava ligeira.

Ao chegar a Sin Bay havia tomado uma decisão. Mesmo sem saber qual recepção teria Bella rumou para a igreja. Caso sua desconfiança tivesse fundamento, o mínimo que poderia fazer era alertar a outra parte interessada. Decidida caminhou pela curta nave central com as pernas bambas, pedindo aos céus que não encontrasse com Carlisle durante sua conversa com Edward. Seu pedido mudo não fora ouvido; o tio do padre foi o primeiro que entrou quando estava a alguns passos da sacristia.

– O que faz aqui?! – o senhor murmurou rispidamente vindo em sua direção, fazendo com ela fosse obrigada a recuar alguns passos. – Não disse que ficaria longe?

– Eu disse, mas preciso falar com ele... – falou em tom normal. – É urgente.

– Não acredito que tenha nada urgente para tratar com meu sobrinho. – Carlisle ciciou sempre fazendo com que recuasse. – Vá embora antes...

– Se a Srta. Swan tem algo a tratar comigo é melhor deixar que fale. – a voz cantada de Edward soou alto à porta da sacristia e ecoou pelo salão causando um leve tremor em Bella. – Venha.

Abraçando-se mais em sua pasta, a moça obedeceu passando ao lado de seu antagonista. Evitou olhar em seus olhos que chispavam enraivecidos. Bella caminhou lentamente à medida que suas pernas trêmulas lhe permitiam, sendo seguida de perto por Carlisle.

– Oi. – foi tudo o que conseguiu dizer ao se aproximar.

Estar diante dele depois do último encontro, despertava nela sensações contraditórias de temor e fascínio. Longe da escuridão do jardim dos Clearwater e à luz dos acontecimentos confirmava que Edward jamais voltaria a ser aquele padre arisco que saltou a distância quando o tocou com o pé ou o fragilizado que chorou em seu ombro. Agora era em definitivo aquele homem marcante que ao conhecer na praia, duvidou se um dia teria coragem de brincar como fazia com todos os outros. E o olhar duro que dirigia a ela, assim como sua postura rígida em conjunto com o famigerado colarinho branco somente endossavam sua grandeza.

– O que tem de urgente a tratar comigo “hoje”? – indagou enfático, sem se importar com a presença do tio.

– É... é particular senhor. – ela sussurrou, não para indicar sigilo, mas porque sua voz se recusava a sair.

– Totalmente inadequado – Carlisle falou às suas costas. – que assunto particular vocês podem ter?

– Saberei somente quando for colocado a par. – Edward retrucou sem desviar os olhos do rosto corado que tinha diante de si. Se Carlisle não estivesse presente a beijaria para aplacar a falta que sentiu. E também acalmar o persistente aperto no peito pelo temor de tê-la afugentado com seu descontrole. Agradecia que a moça o desobedecesse e viesse procurá-lo depois da forma conturbada que se separaram. Sem se importar quão urgente pudesse ser o assunto, apenas curioso quanto ao teor particular, moveu os olhos para o rosto muito vermelho do padrinho e pediu. – Por favor, deixe-me conversar com ela e quando sair feche as portas como pedi.

– Eddie eu...

– Por favor, senhor! – foi um pedido, porém tão incisivo que Bella não se surpreendeu que Carlisle não insistisse em ficar. Olhando novamente para ela com a mesmo intensidade anterior, o padre a chamou. – Vamos.

Seguiu-o com o coração aos saltos, a pasta como um escudo. Agora totalmente certa de que o desculpara pela agressão a Jacob. Se Edward fosse aquele homem que a cada minuto crescia ante seus olhos, era certo que jamais toleraria as ameaças de um moleque provocador. Seu amigo teve o que procurou, simples assim.

Havia passado por ele e dado um passo dentro da sala, quando o som vindo da maçaneta sendo fechada ecoou em todo seu corpo, estremecendo-o. Era como se soubesse o que viria e ainda assim se sobressaltou ao sentir a mão morna escorregar por sua nuca e girá-la repentinamente. Antes que tomasse fôlego Bella teve sua boca coberta para receber um beijo faminto. Incapaz de qualquer reação abraçou-se mais à sua pasta e permitiu que sua boca fosse invadida; sua língua capturada e provada, mesmo temendo serem descobertos por Carlisle.

Ao ficar a sós com Bella, a especulação cedeu à saudade fazendo com que o padre aproveitasse a presença inesperada para suprir o vazio deixado desde a noite de sábado. Recordar o último encontro apenas agravou a fome que sentia fazendo com que aprofundasse o beijo, sufocando um gemido em sua garganta. Não a abraçou, agradecendo a pasta entre eles que o mantinha distante não permitindo que esquecesse onde estavam e da gravidade em infringir as leis que jurou zelar.

Quando Bella acreditou que desfaleceria com o arrebatamento sufocante, Edward liberou seus lábios. Contudo não a soltou; manteve as testas unidas enquanto recuperava o fôlego tão comprometido quanto o dela.

Sonocontento che sei venuto. – falou sinceramente, sem pensar.

– Sabe que eu não entendo. – lembrou-o; confusa e amolecida pelo beijo e pelas palavras cantadas. E pela visão os orbes azuis escurecidos com a excitação quase palpável como nos momentos de fúria.

– Disse que estou feliz que tenha vindo. – repetiu.

– Então estou perdoada por ter ido com Jacob?

A pergunta sussurrada teve o poder de roubar a paz do reencontro, fazendo com que Edward a soltasse e recuasse um passo. Desejando ter mordido sua língua, Bella o viu colocar as mãos nos bolsos antes de falar secamente.

– Eu preferia que não tivesse sido daquela forma, mas não havia muito que pudesse fazer. Sei da importância daquele rapaz em sua vida então não tenho o que perdoar. – as palavras tinham gosto amargo e o faziam se lembrar da exigência interrompida. – Entendo que talvez não tenha o direito de lhe pedir, mas preferia que não tornasse a fazê-lo.

Bella não queria contrariá-lo justamente quando se tornava receptivo, porém se viu na obrigação de refrescar-lhe a memória.

– O senhor o agrediu. Também seria interessante se não tornasse a fazê-lo.

– Não me orgulho do que fiz. – estava satisfeito por tanto, mas verdadeiramente não se orgulhava. – Eu deveria ter tentado acalmar os ânimos, mas ouvir as coisas que disse ou a ameaça que fez... – Edward não pôde terminar a frase. Somente por se lembrar das palavras que confirmavam a relação que mantinham novamente se sentia cegar. Encarando-a seriamente, decidiu que era hora de resolverem aquela questão. – Já que estamos nesse assunto, gostaria de saber se pensou sobre o que lhe disse a respeito dos relacionamentos que mantém?

– Não há o que pensar a respeito. – assegurou. Somente mal-entendidos a serem desfeitos; muito para explicar quando não dispunha de tempo. Pedindo silenciosamente para que a entendesse, pediu. – Mas podemos conversar sobre isso outra hora? O que eu tenho a dizer é mesmo urgente.

O padre não se agradou da fuga a sua pergunta, contudo desde a chegada de Bella que sabia de sua pressa. A moça ainda se mantinha rígida como ao entrar na sacristia e durante o beijo, mesmo que tenha sentido nele toda entrega da qual ela era capaz. Não estava inclinado a liberá-la sem ter sua resposta, porém era preciso reconhecer que ali não era o melhor lugar para determinadas conversas.

– Podemos. – aquiesceu após um suspiro fundo e resignado. – Diga de uma vez o que tem de tão urgente tem para me dizer.

A moça não via como dar voltas, então foi direto ao ponto.

– Eu vim avisá-lo para que fique preparado. Jacob ficou muito alterado com o que viu.

– O que seu namorado secreto pode fazer? – a secura em sua voz demonstrava todo seu desagrado ao saber que o pirralho insolente era o tema da bendita conversa afinal.

– Pode denunciá-lo. – Bella disse apenas; não havia tempo para repetir que Jacob era somente um amigo.

– Ele não tem provas. – Edward murmurou soturno. – Seria a palavra de um namorado fantasioso contra a nossa.

– Fico tranquila em ver o quanto está seguro. Acho que me apavorei a toa.

– E tenho certeza que sim. – retrucou se aproximando. Quando estava novamente a sua frente, encarando-a abaixo de si, falou sério. – Talvez tenha sido por já ser presa a ele pela estória da boate. Se não gostasse tanto do que faz já teria resolvido essa dependência.

Bella não queria entrar naquele assunto, não com ele. E já avançava muito no seu tempo de voltar para casa então recuou um passo em direção à porta.

– Talvez seja isso senhor... Vou tentar resolver esse problema amanhã ou depois, assim nem preciso trabalhar na quinta.

A revelação era alvissareira, mas o padre não se permitia lhe dar crédito. Era testemunha do prazer que Bella sentia ao se despir diante de todos; diante daquele que ele odiava. Enquanto a encurralava junto à porta, descobriu ser um erro ter mencionando a maldita boate. Duvidando que a moça a deixasse tão facilmente, sibilou junto ao rosto corado.

– Tem certeza de que é capaz? Afinal lhe rende um bom dinheiro, não foi o que disse?

– Posso passar sem ele senhor. – Bella afirmou sem muita convicção, confusa com a proximidade e a expressão estranha no rosto anguloso. Sentindo os lábios ressequidos e ansiosos, lambeu-os para receber o beijo que a boca próxima a sua prometia. E mesmo que o ciúme o corroesse, Edward novamente a beijaria, porém batidas nervosas vindas da porta que dava ao corredor da casa anexa o freou. Teve tempo apenas de se afastar dois passos antes de Carlisle entrasse para se juntar a eles.

– Acho que o assunto urgente já se estendeu por demais, não? – falou olhando diretamente para a moça.

– Eu já estava de saída senhor Cullen. – anunciou com voz trêmula. Agradecendo a interrupção antes que os visse a trocar beijos onde decididamente não deveriam, disse a Edward. – Boa noite senhor... Acredito que agora só nos veremos durante a benção ao barco de meu pai, não?

– Se insiste em faltar às missas, acredito que sim. – falou desejando que fosse verdade. Sentiria sua falta durante toda a semana, mas preferia vê-la dali a oito dias do que flagrá-la sobre o palco, pois uma vez que não acreditava nela, iria conferir a anunciada desistência com seus próprios olhos. – Até a próxima semana, então.

– Até. – ela murmurou. Sem conseguir sustentar o olhar acusador de Carlisle, rodou nos calcanhares, girou a maçaneta e saiu. Bella atravessou a pequena igreja de cabeça baixa como se cada objeto sacro a apontasse e condenasse por se perder em beijos com o padre. Longe de se sentir arrependida apenas disse a si mesma que deveria se habituar a acusações, pois ainda havia muito a pecar caso Jacob não estragasse seu progresso.

– Edward, você testa minha paciência e a inteligência de todos ao receber essa moça a portas fechadas.

– Estávamos apenas conversando. – disse indiferente.

– Não foi o que me pareceu. – o tio rebateu sério.

Cansado da hipocrisia vinda daquele que acreditou cegamente durante anos, replicou.

– Flagrar Esme no seu quarto também me pareceu ser algo mais grave... Quer me falar a respeito?

– Eu já me expliquei quanto a isso. Até quando vai usar de desculpas para rondar essa garota? Isso tem que parar Edward, antes que seja tarde. – o padrinho não encobria sua preocupação. – Aquele cunhado dela já cismou com você... Imagina se descobrem o que estão fazendo...

– Assim como o senhor em relação à Esme, não estou fazendo nada. – falou impaciente. – E o que James poderia fazer caso eu estivesse... Além de me delatar junto à diocese diria a todos que o pai tem o retrato de um criminoso parecido comigo e que por eu ser na verdade esse homem procurado vivo a desencaminhar moças indefesas?

– Não brinque com coisa séria! – Carlisle ralhou enraivecido. – E esqueça o que aquele homem falou.

– Sinceramente estou cansado de esquecer as coisas. – depois de pegar as chaves para trancar as portas da igreja em definitivo por aquele dia, assegurou. – Se por acaso descobrir ser esse homem trouxesse minha memória de volta, acho que preferiria.

– Senhor misericordioso! – Carlisle exclamou alarmado. – Realmente não sabe mais o que diz!

– Ou o que faço. – acrescentou indo rumo à porta. – Então não se preocupe tanto quando ainda não estou fazendo nada que o senhor mesmo não fizesse. Estou indo trancar as portas, vai me esperar aqui?

– Não... Vou voltar e avisar à senhora Williams, que insistia em vir em meu lugar, que você logo irá jantar.

Então, no final das contas, mesmo que o recriminasse Carlisle o protegia. Aquela era mais uma prova de que havia algo de podre que ele tentava esconder. Não fosse isso, com certeza consideraria um bom castigo assustá-lo caso sua prestativa vizinha viesse bater à porta. Quando esta estava fechada Sarah jamais entrava sem bater o que lhe daria tempo mais do que suficiente para fazer Bella sair sem ser vista. Não fosse sua vontade de primeiro firmar-se com a moça, iria mais fundo naquela estória. Não precisava ter pressa, depois que Charlie partisse, facilitando o envolvimento com sua caçula, poderia se ocupar de remexer nos esqueletos que o valoroso tio escondia no armário.

– Onde você estava? – o pai a abordou tão logo pôs os pés na sala, visivelmente agitado. – Demorou tanto.

– Eu vim de ônibus. – explicou tentando decifrar o motivo do alvoroço. Como seu pai sabia das caronas, falou. – Esperei por Jacob, mas ele não apareceu.

– Nem poderia. – Charlie exclamou encarando-a. Temendo que o amigo tivesse estourado a bomba de vez o ouviu completar. – Billy me disse que ele sofreu um acidente.

– Um acidente? – o medo da exposição se foi como que por encanto. – Que tipo de acidente?

– Parece que ontem à tarde Jacob despencou do telhado.

– Despencou do telhado? – provável, ainda assim tão absurdo.

– Pare de repetir tudo o que digo Bella.

– Desculpe-me, estou assustada. – não havia como esconder o que sentia e o pai que entendesse como quisesse. – Preciso vê-lo. Posso ir, por favor?

– Iremos todos. – Renée falou contrafeita deixando a cozinha. – Essa visita vai atrasar o jantar.

– Jasper e Rosalie também vão? – sem dar maior importância às manias da mãe, Bella olhou a sala vazia inutilmente, não raciocinava.

– Rosalie ainda está na lanchonete e Jasper foi para Wells. – o pai explicou. – Seremos nós três. Vamos?

– Vamos. – Bella falou já saindo da casa.

Por sorte era seu pai quem dirigia, pois suas mãos não pararam de tremer um minuto sequer; antes somente pela preocupação e a medida que se aproximavam da casa dos Black, pelo receio do que a aguardava. Jacob poderia aproveitar a presença de seus pais e despejar toda a sujeira que por meses encobria. Era um risco, mas precisava corrê-lo. Não conseguiria dormir enquanto não o visse.

Logo estacionavam diante da casa simples. Todos saltaram e foram recebidos à porta por Billy. Bella reparou no quanto ele estava abatido enquanto apertava a mão de seus pais.

– Obrigado por virem! – agradeceu após liberar a mão da moça. – Entrem.

Bella evitou olhar para a maca disposta no canto da sala onde dias antes Edward fora atendido. Esperava que Jacob estivesse descansando no sofá, porém soube por seu pai que os danos da queda o deixaram de cama. Cada vez mais preocupada o seguiu pelo corredor até o quarto do amigo. Ao vê-los, ele ameaçou sentar, contudo seu pai o deteve.

– Fique deitado. Não force a costela.

– O que houve com a costela? – Bella indagou indo se colocar ao lado da cama. Vendo-o claramente duvidou ainda mais da versão dada. Como na queda de Edward, o rapaz tinha o queixo marcado – mais do que deveria estar depois dos socos recebidos – e um dos olhos escurecidos.

– Não tenho como ter certeza – Billy respondeu –, mas talvez esteja quebrada. Por via das dúvidas eu o imobilizei e tenho o mantido em repouso.

– Lógico que tem como saber Billy. – foi Charlie quem falou. – Vamos levá-lo ao hospital.

– Não precisa! – Jacob recusou. – Eu estou bem... Disse isso ao meu pai, mas ele é todo exagerado.

– Mas afinal menino – Renée começou – como foi cair do telhado?

– Ele estava trocando algumas telhas quebradas quando escorregou. – seu pai respondeu rapidamente por ele. – Agora tudo o que precisa é mesmo de repouso e sossego.

Charlie entendeu o recado, assim como ela. Billy dava a visita por encerrada logo no seu início, como se desejasse se livrar de todos rapidamente. O clima era estranho, mas não poderia forçar sua estada. E pela resposta de seu pai, soube que ficar não era sua intenção.

– Também acho melhor assim. Fiz questão de vir vê-lo, pois já estava em falta com você. Deveria ter me avisado quando adoeceu.

– Não gosto de perturbá-lo, sabe disso... – Billy falou levando-os para fora do quarto mínimo.

– Poderia ficar um minuto Bells? – Jacob pediu. – Queria falar com você.

Não satisfeito com o pedido, Charlie aquiesceu com um aceno de cabeça. Billy lhes lançou um olhar incerto, porém nada disse. Quando estavam no corredor a moça ouviu sua mãe resmungar algo sobre atrasar mais o jantar; Renée era inacreditável. Como não queria transformar aquele atraso em calamidade pública, Bella foi se sentar ao lado do amigo na cama e com um suspiro resignado, perguntou diretamente.

– Vai me contar o que aconteceu de verdade?

– Você sabe o que aconteceu. – falou encarando-a. – Eu caí do telhado.

– Sem essa Jacob. Alguém bateu em você.

– O único que fez isso foi seu padre esquisito.

– Fale baixo! – Bella pediu num sussurro alarmado, olhando em direção à porta.

– Não se preocupe. Foi por isso que pedi que ficasse. – correndo a mão pela coberta até alcançar a dela disposta sobre o colo, assegurou. – Pode ficar sossegada. Não vou contar à ninguém o que vi.

– Por quê? – Bella não via como se tranquilizar. – E como explicou seu rosto machucado para Billy?

– Não disse nada. Meu pai tem seus próprios problemas. Sempre tem alguém para remendar... Ele não repara muito em mim. E caí ontem cedo, então ele acha que o machucado foi por isso.

– Por que eu não acredito nessa sua queda? – perguntou séria.

Jacob se calou por um tempo sugestivo, então assumindo ar indiferente, retrucou.

– Acredite no que quiser acreditar Bella. E quanto a sua outra pergunta, não vou falar nada porque não sou dedo-duro. Se for esse o caminho que quer seguir, se perca sozinha. Está por conta própria agora. Já estava mesmo se tornando desgastante seguir você por todos os lugares... Minha única preocupação é com aquele monte de velho babão. Já que está disposta a parar nem volte naquele lugar Bella, simplesmente desapareça.

– Não posso. – confirmou embargada. Deveria estar contente por finalmente se ver livre da perseguição de Jacob, mas depois de tantos anos, saber que não o teria por perto lhe deixava um travo de perda na garganta. Pelo visto demoraria até abandonar de vez seu lado vaidoso e egoísta. – Mas vou mesmo parar. Eu prometo.

– Legal! – exclamou sem entusiasmo. Forçando um sorriso, acrescentou. – Mas não fique toda animadinha achando que se livrou de mim. Ainda faço questão da vaga para amigo.

Finalmente ela sorriu, e chorou ao mesmo tempo.

– Nunca pensei preenchê-la. Se você não a quisesse, ficaria vazia.

– Está bem! – novamente exclamou soltando-lhe a mão. – É melhor ir agora... Se continuar falando essas coisas para mim é bem capaz que eu me arrependa e continue no seu pé. Mesmo que agora seja uma gata castrada.

– Obrigada Jake. – Bella secou as lágrimas e somente sorriu. – Por não me expor nem denunciar o...

– Não fale! – ele a cortou bruscamente. – Não fale o nome nem o comente comigo. E não me agradeça por ficar de braços cruzados enquanto acaba com sua vida. Agora vá... Por favor, Bella.

Sentia que deveria consolá-lo ou se desculpar, porém achou melhor não forçá-lo. Fazia uma boa ideia do quanto lhe custava dizer tais coisas, então apenas levantou.

– Então se cuida Jake...

– Já estou fazendo isso! – afirmou sugestivamente. – Boa noite Bells.

Jacob finalmente estava se cuidando, pensou seguindo pelo corredor. Estava se precavendo dela e do rumo que dava a sua vida. Melhor para todos que fosse daquela maneira. Passado o surto egoísta, Bella respirou o ar da liberdade. Sem seu eterno guarda-costas e com seu pai no mar, poucos ou ninguém se colocariam em seu caminho até os braços do padre.

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Notas finais
Bom... Como foi? Espero que tenham gostado. Vou esperar os pareceres... ;) Agora o resumão: O que primeiro me chamou a atenção, foi o fato de muitas não entenderem a atitude defensora da Bella. Fiz um comparativo com as meninas do face e farei aqui tbm; apesar o relacionamento deles ser conturbado, eles são amigos desde crianças. São msm como irmão e quem os têm sabe que dentro de casa eles podem se matar, mas na rua dificilmente deixam outra pessoa machucá-los. Foi o que aconteceu. Jacob é um mala, provocou, mas Edward é maior, mais forte e já o havia derrubado no primeiro soco. Não tinha como ela assistir o amigo levar uma surra sem fazer nada. Quanto a ela o seguir, nesse vcs viram que msm preocupada com Jacob ela o fez mais para proteger o segredo do romance proibido e colocar um basta nas perseguições. Agora a segunda coisa que me chamou a atenção é o desejo de que Edward deixe a batina e vá viver feliz. Pode parecer fácil, mas não é bem assim. Tudo bem, ele se apaixonou, se sente deslocado às vezes, mas eles não têm nada de concreto. A vida que ele conhece é essa e não tem como abandonar para viver um amor que nem engrenou. Isso me leva ao terceiro e último ponto mais citado. O amor deles. Por favor, aguardem e confiem... Está claro que eles se amam e as coisas estão evoluindo entre eles. Era importante que Edward a aceitasse msm torta e isso já aconteceu. Então não sintam que eles estão se distanciando, pois não estão. Como comentei com uma leitora ontem na postagem... Vejam o copo meio cheio... ;) É isso... Espero ter sanado as dúvidas de todas... Qlq coisa comentem no review que se puder respondo lá, senão anoto e deixo aqui na próxima postagem, combinado? BJUS LINDAS... BOM FINAL DE SEMANA!