Notas iniciais
Oie... Hoje a postagem tem sabor especial para mim e eu espero que para vcs tbm... Vou deixá-las ler e no final explico o motivo... Como sempre quero agradecer os revirews... Vcs sempre são demais comigo... Inesquecíveis... Bom, BOA LEITURA!...

Os dias passaram corridos, envoltos numa nevoa de saudade e desencontros; premeditados ou não. No domingo seguinte á conversa tensa na sacristia, Bella se recusou a comparecer na missa. Se sua distância havia trazido o padre uma vez, confiava que o traria uma mais. Contudo dias se passaram sem que ele viesse. Como não havia mais a desculpa da restauração – apenas suspensa por tempo indeterminado para seus pais – ela não podia procurá-lo. Também foi inútil ir á praia onde somente sentia a presença de Jacob que se aproximou uma única vez.

Ia sempre sozinha, pois com a proximidade da entrega do Free Soul I, seu pai e irmão se tornaram voluntários na finalização da pintura da igreja. Por eles Bella soube que todos os bancos estavam recuperados e que em poucos dias, depois de um trabalho intensivo, as paredes estariam novamente brancas e imaculadas como sempre foram. Faltaria a colocação do pequeno sino, mas uma vez que este ainda nem havia sido encomendado, ficaria para a volta da próxima temporada no mar.

Por duas vezes não suportou a saudade e desobedeceu ao padre. Valendo-se da desculpa de falar com seu pai ou Jasper, foi até a igreja. Porém em nenhuma delas viu Edward que sempre “havia acabado de sair”. Bella queria crer que fosse apenas coincidência e não uma fuga. Numa dessas vezes se encontrou com o tio italiano. Como a conversa interrompida jamais poderia ser concluída diante de terceiros, trataram-se com fria polidez e nada mais.

Você está ficando paranoica Bella. – disse Alice depois que externou suas lamúrias durante seu intervalo nos ensaios na tarde de quinta. – Ainda não aprovo essa loucura de se envolver com um padre e acho extraordinário que ele tenha dito com todas as letras que quer ficar com você, mas já que foi o caso, apenas espere.

– E não é o que estou fazendo? – perguntou sinalizando para Kris que a chamava de volta ao palco. – Alice, eu preciso desligar... Tenho que voltar ao meu ensaio.

Espere! – a amiga pediu. – Não havia me dito que pararia de ir aí?

– Disse e talvez aconteça, mas como “ele” não me deu nada de concreto, não tenho por que parar ainda... E vir aqui me distrai, sabe disso.

Bela distração. – Alice zombou. – Começo á achar que isso tem outro nome, mas como não sou psicóloga nem nada... Sou só uma amiga nunca levada á sério, eu me calo.

– Ótimo! Guarde suas analises especulativas para si mesma... Agora preciso desligar.

Se cuida Bella. – a amiga falou carinhosamente.

– Estou me cuidado... – respondeu no mesmo tom. – Tchau.

– Tempos ruins novamente? – a colega de clube lhe perguntou tão logo se juntou á ela no palco.

– Acho que esses nunca vão me deixar. – Bella retrucou. – Mas não quero falar sobre isso... Vamos voltar ao nosso ensaio?

– Vamos! – Kristen concordou animada.

Ensaiaram por uma hora. Durante aquele tempo, a moça tentou ignorar o olhar insistente de Barry e focar no quanto a amiga era verdadeiramente parecida com ela. Enquanto ambas executavam a mesma série de movimentos – muitos dos quais ensinados por Kris – Bella alimentou a ideia maluca de que talvez o dono da casa noturna nem precisasse se preocupar com sua saída. Bastaria fazer uma substituição. Provavelmente nenhum dos frequentadores da casa notaria. Animada com a possibilidade, decidiu que a exporia no dia que fosse deixar a The Isle definitivamente.

Como disse á Alice, uma vez que Edward não mais a procurou, não tinha por que parar. Poderia ser alguém com sérios problemas, mas sentia que precisava daquilo. Contudo, apesar da necessidade libertadora, dançar naquela noite não lhe trouxe prazer algum. Antes disso, sentiu-se incomodada até mesmo com a presença de Jacob que parecia não somente julgá-la com sua postura sempre rígida, como também sentenciá-la como Alice provavelmente o fazia. Pois os dois amigos que fossem ao inferno, pensou irritada enquanto retirava a máscara, ela sabia de si.

Aquela noite era uma das exceções, nem sempre seria só prazeroso. Deixaria de ir á boate quando bem entendesse. Ao contabilizar seus ganhos, descobriu que sua falta de animação não refletiu nos seu desempenho, pois seu lucro havia sido praticamente o mesmo das outras semanas. Era aquilo que importava. O resto era mero detalhe. Sempre ignorando Tanya que se aprontava para sua apresentação, terminou de se trocar, pegou suas coisas e saiu. Naquela noite estava com a pick up do pai, tornando dispensável a carona com Jacob, contudo não era garantia de se ver livre de sua abordagem.

– Boa noite patroa. – ele a cumprimentou em tom alegre demais para alguém que a encarou sério durante toda sua apresentação.

– Não me lembre disso, pois posso querer despedi-lo. – ela retrucou se voltando para olhá-lo já á porta da caminhonete.

– Ei, calma! – ele pediu erguendo as mãos. – Amigo, lembra?

– Ah, desculpe... – ela falou desarmando-se. – Estou chata hoje e quero ir embora.

– Chata “hoje”? – Jacob troçou. – Quanta falta de autoconhecimento... Você é chata sempre.

Considerando que talvez ele tivesse razão, foi impossível não sorrir. Melhorando o humor, perguntou livre da má vontade.

– E o que o pobre amigo da chata congênita deseja?

– Só queria ver você. – disse simplesmente tomando a liberdade de tocar-lhe o rosto. – Nos falamos na terça... Estava com saudade.

– Está maluco Jake! – ela indagou sem afastá-lo. Talvez por uma carência deixada pelo afastamento de Edward depois de lhe oferecer-lhe o céu, o toque não a exasperou. – Você me levou para Sin Bay todos esses dias garoto.

– Levei uma amiga calada e emburrada. Como eu disse, conversamos mesmo na terça pela manhã e nada mais... “Oi” e “Tchau” não contam. Muito menos resmungos que não entendo.

– Tenho estado pior que o costume eu sei. – falou segurando-lhe a mão, sem afastá-la de seu rosto. – Desculpe por isso.

Provavelmente animado com a inédita receptividade, segundos após o pedido sincero, Jacob aproximou o rosto com a clara intenção de beijá-la. A moça desviou o seu prontamente, afastando-se um passo. Deveria estapeá-lo ou ofendê-lo como anteriormente faria, contudo ao se deparar com a expressão sofrida e expectante a pouca raiva que sentia arrefeceu. Naquele estacionamento escuro, percebeu o que se negou á ver em anos. Ela era péssima com ele e o pior, gostava de maltratá-lo.

Impossível não comparar aquela situação á sua com o padre. Edward ficava igualmente irritado quando o procurava ainda que indicasse que a queria por perto. Mesmo sendo frio e grosseiro ás vezes, o padre não era nem de longe tão cruel quanto ela sempre fora com Jacob. Rosalie tinha razão; aquela era uma relação doentia, pois ela incentivava o rapaz e o massacrava quando era atendida. Subitamente tomada pela ternura, Bella ergueu a mão para tocar o rosto do amigo. Vê-lo reagir prontamente e se esquivar foi o golpe final em sua recente compreensão.

– Eu não ia bater em você. – disse magoada, mesmo sabendo não ter o direito.

– Não ia?! – Jacob indagou com o cenho franzido e, olhou a mão ainda erguida, arriscou relaxar sua postura defensiva.

– Não. – ela confirmou, aproveitando para concluir o carinho que intencionou fazer. Jacob fechou os olhos e inclinou a cabeça na direção do afago, “como um cachorro que recebe carinho”. O pensamento pejorativo que confirmava os tantos comentários maldosos de seus conhecidos trouxe um travar dolorido á garganta da moça; ela era pior que se descobriu ser. Recolhendo a mão bruscamente, pigarreou e disse.

– Espero que não me entenda errado Jake, pois o que vou dizer não é uma aceitação ao que sempre me ofereceu. Só quero que saiba que nunca mais vou brigar com você.

– Você está bem Bells? – o rapaz a olhou unindo as sobrancelhas em estranheza. Seu tom era preocupado, agravando mais a culpa sentida. Como se brigarem fosse aceitável e certo.

– Estou. – disse á beira das lágrimas, se voltando para seu carro. – Boa noite Jake.

– Ei... – ele a deteve. – O que há?... Não pode dirigir assim.

– Eu estou bem, só me deixe ir embora Jacob. – pediu embargada.

– Uma droga que deixo! – ele exclamou segurando-a para abraçá-la.

Definitivamente estava carente, Bella determinou ao se deixar ser envolvida pelos braços acolhedores e liberar suas lágrimas. Descobriu naquele instante que as represou durante todos os dias passados daquela semana. Não somente por si mesma que sofria de saudade. Estava cansada de esperar por uma reação da irmã e de sentir a tristeza de Emmett ao telefone. Sentia-se culpada por desejar que seu pai e irmão fossem embora para pudesse dar início á um relacionamento proibido que talvez nem se concretizasse. E para piorar agora havia o remorso por todo o mal que causava á Jacob.

– Shhh... – ele exalou passando á acariciar seus cabelos presos em seu inseparável rabo de cavalo. – O que há?... – perguntou com voz mansa, então, como se recordasse de algum assunto indesejado, se apressou em dizer. – Na verdade não me conte... Acho que faço uma ideia e não quero ficar enjoado.

Bella riu levemente, ainda com o rosto comprimido contra o peito largo do rapaz.

– Você não tem jeito Jake... – murmurou. Sentindo-se melhor, imprimiu certa força para ser libertada. Dando um passo atrás, limpou o rosto com as mãos e forçou um sorriso. – Obrigada por me aturar.

– Fazer o quê? – ele perguntou revirando os olhos teatralmente. – Todos precisam “aturar” a sua sina.

Talvez o amigo tivesse razão e a sua fosse morrer de amores pelo padre sem nunca tê-lo na verdade. Expiar seus pecados sendo atraída e afastada até o fim de seus dias como castigo por corromper a pureza de uma amizade nascida na infância e por alimentar um sentimento proibido. Resignada com o que viesse por considerar bem merecido, novamente sorriu.

– Vou tentar ser mais “aturável”... Agora tenho que ir.

– Espere. – ele a deteve. Ao ter sua atenção de volta, indagou. – Vai ao baile?

Já seria naquele sábado? Como se perdia com o passar dos dias? Nem seria preciso se esforçar para saber. Com um suspiro, respondeu.

– Não perderia por nada.

– Vai dançar comigo? – ele perguntou ansioso, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans.

– Eu sempre danço. – falou sorrindo. – Marque uma vaga na sua caderneta. – então, depois de lhe piscar, acrescentou. – Agora preciso mesmo ir embora. Vai me seguir?

– Bem de perto como sempre. – Jacob afirmou subitamente sério.

Sem que pudesse resistir, Bella foi até o amigo e o beijou no rosto antes de entrar na pick up e partir. Em menos de um minuto ele estava colado á sua traseira como prometido. A viagem até Sin Bay foi reservada á ponderação. Bella repassou todas as decisões erradas e comportamentos inconsequentes. Assim como fora péssima com Jacob, o era com a irmã afinal não cabia é ela provocar qualquer tipo de reação; muito menos participando de uma mentira infantil.

Depois de buzinar sua costumeira despedida á Jacob, e lançar um olhar á igreja – agora reluzente á luz da lua –, Bella decidiu que era hora de fazer o mesmo ao que se passava em seu entorno e não somente para seu umbigo.

Como sempre àquela hora encontrou a casa às escuras. Ao passar pela porta do quarto do irmão descobriu que ele não estava – provavelmente passaria a noite com Alice. Seus pais dormiam em um silêncio sepulcral somente quebrado pelos soluços baixos que ouviu ao se aproximar do próprio quarto. À exemplo de toda a casa estava com as luzes apagadas sendo somente iluminado pelo luar que entrava pela porta aberta.

Ao perceber sua chegada, a irmã tentou calar o choro, porém sem sucesso em abafar seu soluçar e respiração entrecortada. Preocupada, Bella deixou a bolsa sobre a cama e foi se sentar na beirada da ocupada por Rosalie.

– O que aconteceu? – perguntou carinhosamente, tocando-lhe o ombro.

– Eu só quero ficar em paz... Vá dormir. – disse entre soluços.

– Essa de tentar fugir do assunto é minha, nem tente... – falou em tom trocista. – Conta.

– “Essa” é sua? – perguntou ressentida, sentando-se abruptamente. – Ao que parece tudo é seu.

– Está chorando por alguma coisa que eu fiz? Como pode ser eu acabei de chegar... – Bella indagou aturdida, pousando as mãos sobre o colo sem entender a volta do tom rancoroso.

– Não! – ela falou firme. – Você chegou á vinte anos e depois disso pouco sobrou para mim... Tudo passou á ser seu desde então.

– Ah, não... – a moça murmurou indo se sentar na própria cama. – Esse é mais um daqueles papos de irmã do meio com ciúmes da caçula?... Se for eu estou fora!

– Ciúme simplifica demais o que venho sentindo. – disse séria. – Deus que me perdoe pelo o que vou dizer, mas se você sumisse não me faria a menor falta.

– Rosalie! – exclamou por puro reflexo, no fundo sabia que merecia aquilo. E novamente agradeceu o tempo perfeito entre sua resolução e a oportunidade de ação. Estava ali a chance de esclarecer algumas coisas. – Está assim por causa de meu namoro com Emmett? Se for, lembre-se que eu disse á você que bastavam duas palavras e eu desistiria dele.

– E de que me adiantaria?... Por que desistir dele se eu nunca poderei... – a moça não pôde concluir a frase ao ser acometida de um novo acesso de choro compulsivo. Preocupada e expectante, Bella se pôs ao seu lado e passou o braço por seus ombros.

– Ei... Adiantaria sim... Gosto de Emmett, mas minha palavra ainda vale. É só você me dizer para parar que eu acabo com essa estória. – decidida á fazê-lo de toda maneira, arriscou dizer. – E não se preocupe com ele, pois... Emmett gosta mesmo é de você.

– Não diga isso... – a irmã pediu, chorando ainda mais. – Não hoje...

– Mas é verdade. – falou com mais firmeza para que Rosalie acreditasse. Então o final da frase chamou-lhe a atenção. – E por que não hoje?

– Porque hoje... – explicou embargada, afastando-se para olhar a irmã através das lágrimas – eu tomei coragem e procurei pelo papai para dizer que não gosto de James.

– Você falou?! – não era sua intenção soar incrédula, mas não pode evitar diante do extraordinário da informação. Com o coração aos saltos de puro orgulho, perguntou ansiosa. – E ele?

– E ele? – Rosalie repetiu amarga. – Não conhece mais o seu pai? Veio com toda aquela conversa do bom marido e que na minha idade logo nenhum homem decente iria me querer... Falou para eu deixar de bobagens românticas que não sustentam ninguém e aproveitar a oportunidade que a vida estava me dando... Foi isso que o capitão Charlie Swan, marido exemplar e pai zeloso me disse.

Não era surpresa, mas tentativa fora válida. Estava prestes á tentar animá-la quando Rosalie prosseguiu.

– E tem mais... Ele disse que eu deveria me espelhar em você.

– Em mim?!

– Você faz seu papel de boa filha direitinho. – a irmã comentou com renovada acidez. – Ele acha que você está com Emmett por considerá-lo o melhor mesmo que goste de outro.

Á revelação da percepção paterna Bella congelou. Mais uma vez questionou o quanto era transparente quando acreditava ser capaz de encobrir seus sentimentos. Com toda sua cautela, perguntou.

– E ele disse de quem eu gosto na verdade?

– Ora de quem?... Jacob. Papai acha que você gosta dele, mas que não assume porque ele é pobre e mais novo que você. Acredite, nem mesmo sendo filho do cara que ele diz ser o melhor amigo, papai abriria uma exceção. E o pior, tem orgulho de você pelo o que está fazendo. Esse é o belo exemplo que ele quer que eu siga... Devo ser fingida e interesseira.

Bella liberou a respiração, aliviada. O irmão possuía melhor visão que seu pai; seu segredo estava seguro. Contudo não relaxou completamente, afinal Charlie percebia sua falta de interesse em Emmett mesmo se mostrando tão receptiva. Aproveitando a deixa, suspirou e sugeriu.

– Então por que não faz como ele deseja?

– Já faço, caso não tenha percebido. – retrucou secamente. – E nem posso mudar. Tudo que consegui foi adiantar meu casamento... Papai ligou para James e acertou tudo com ele. Na volta dessa nova viagem vamos juntar as famílias para tratar de todos os detalhes.

– Esqueça esse casamento Rosie. – Bella falou séria. – Não estou falando em fazer o que determina, mas fazer parecer que sim.

– Ah, vai me dar lições de ser dissimulada como você? – escarneceu.

– Pare com isso Rosalie. – pediu. – Você pode não acreditar, mas não sou sua rival. Se ser dissimulada me trouxer alguma paz e deixar papai feliz no canto dele, melhor para mim... O que você ganha abaixando a cabeça para as maluquices machistas dele?

A irmã a encarou por alguns segundos. Depois de fungar e secar as lágrimas, falou livre do rancor e do deboche.

– Paz é que não foi. – arrumando os cabelos desgrenhados atrás da orelha, prosseguiu. – O senhor Cullen me disse que devia fazer como você e agora me diz o mesmo... Acho que os dois têm razão, mas não sei se posso. Eu...

– Você o quê? – a incentivou, recuperando-se após a simples menção á Edward.

– Eu sei o quanto é ridículo dizer isso, mas eu tenho medo do papai.

– Não acho ridículo, pois eu também tenho. – confessou. – A diferença é que não vivo refém desse medo... Eu arrisco. Se um dia ele me pegar... Bom, daí eu vejo como fica. Mas não vou sofrer por antecedência.

– Isso é sério? Sempre parece tão segura... A pequena dona do mundo!

– Certo! – Bella simulou mais seriedade do que sentia. – Se quer mudar tem que parar com a agressão verbal... Isso dói.

Então ambas riram cúmplices após alguns instantes em silêncio.

– Desculpe. – Rosalie pediu segurando-lhe a mão. – Vou tentar.

– Tentar não vale. Quero sua palavra... Senão não conto outro segredo meu.

A curiosidade não era algo que se pudesse ignorar em uma pessoa e Bella acertou seu alvo de forma certeira. Animada com a possibilidade de descobrir mais alguns podres da desprezível irmã caçula, prometeu.

– Nada de agressão verbal. – levantando a mão para um juramento contrito.

– Assim é melhor... – Bella sorriu. E feliz em se livrar da brincadeira que se tornou um fardo, falou de uma só vez. – Eu e Emmett não estamos juntos.

– Como é que é? – Rosalie indagou confusa, ainda sustentando um meio sorriso pela brincadeira recente.

– Foi isso que ouviu. Não namoramos... Todas essas ligações á noite, as visitas que me fez e os passeios de final de semana... Tudo fachada.

Bella esperou até que a irmã assimilasse a descoberta. Olhava diretamente seus olhos, mas a pouca claridade não lhe permitia descobrir as emoções que passavam por eles. Durante o silêncio, temeu a reação da irmã. Caso se sentisse traída e a desprezasse, seria merecido.

– Está mesmo com ele por causa de Jacob? – Rosalie perguntou por fim, sem encobrir o espanto. – Eu sempre pensei que sim, mas acho que no fundo duvidava que pudesse gostar dele de verdade.

– Não, não... – Bella exclamou alarmada. – Está confundindo tudo. A encenação não era para Jake... Era para você.

– Espere. Está me dizendo que todo esse teatro é por mim?!

– Foi o que eu disse. – Bella brincou. – Olha, está tarde, se ficar me fazendo repetir tudo não dormimos essa noite.

– Cale a boca Bella! – a irmã sibilou se pondo de pé. A moça esperava uma reação negativa, mas a violência sentida no tom baixo e incisivo a assustou. – Quanto você ficava toda saltitante pela casa por causa de um telefonema era para tripudiar sobre a minha dor?

– Confesso que no começo eu me diverti – disse a verdade –, mas logo eu me arrependi de ter embarcado nessa ideia.

– Depois de rir bastante... De tê-lo beijado.

– Tudo de mentira. E acredite; nós nunca rimos de você. Ele a ama de verdade. Não pense negativamente, leve em consideração todo o trabalho que citou. Todas as vezes que ele me liga é para perguntar de você... O beijo foi para fazê-la acreditar e tomar uma atitude, mas você não reagia nunca.

– E agora a culpa é minha?

– Não Rosie...

– O que está acontecendo aqui? – a voz de Jasper chegou até elas. – Eu as escutei da escada. Querem levar uma bronca do nosso pai caso ele as veja brigando á essa hora?

– Não. – responderam quase que simultaneamente. Como Rosalie apenas a encarasse ofegante, Bella falou. – Já terminamos.

– Uma ova que terminamos. – a irmã murmurou.

– Certo, então não terminamos – Bella falou ao se levantar –, mas conversamos quando amanhecer. Estou com sono e cansada desse assunto.

– Que assunto? – irmão perguntou dando um passo a frente. – Vão me dizer ou não?

– Não. – negaram em uníssono.

– Tudo bem... – ele recuou rumo á porta. – Então deixem mesmo para conversar depois. Boa noite!

Seguindo o conselho do irmão, Rosalie voltou á sua cama, deitou e se cobriu. Bella considerou resolver a questão definitivamente, mas achou por bem deixar as coisas como estavam. Rosalie precisava se acalmar e travesseiros costumavam serem bons conselheiros. Sendo positiva, consideraria ter atingido sua intenção em consolar a irmã ao descobri-la chorosa; ela não mais chorava.

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Notas finais
Bom, agora vou ao motivo que torna essa postagem especial... Queria dividir com vcs a minha alegria por Enigma ter sido escolhida para se tornar livro. Ainda não tenho os detalhes como data de lançamento, pois ainda começaremos a revisão, mas acredito que em breve padreco deixa a net e ganha vida no papel. Sei que com a minha alegria e espero que com a de vcs tbm, vem um certo incômodo, pois infelizmente terei que parar as postagens em alguns dias... Como leitora sei que é horrível ficar sem nossa estória, mas essa é uma oportunidade que eu não poderia deixar passar. Sonho com um livro publicado desde que escrevia minhas primeiras sandices em caderno capa dura de 200 folhas... Espero que todas possam me entender e festejar comigo, pois preciso do apoio de todas vcs. Da minha parte vou tentar postar até onde puder, mas não posso prometer... É isso... Conto com o apoio de todas... Bjus lindas... E obrigada por todo o incentivo que me dão...