Enigma - Segredos e Mentiras
17 Capítulo 16
Notas iniciais
A terça passou arrastada e rarefeita para o padre. Á hora recomendada, Rosalie apareceu para fazer suas orações. O padre pôde notar que – diferentemente dele – ela parecia ter conseguido algum conforto para seu coração perturbado. Ao se despedir lhe tomou a benção e lhe beijou as mãos como forma de agradecimento. Edward nada sentiu àquele novo contato com a moça; apenas uma Swan o acendia. Por sorte pouquíssimas pessoas foram procurá-lo e todas somente para saber notícias de seu tio.
No final da tarde, ele fechou as portas da igreja e foi com certo alívio que se aprontou para ir á Wells. Separou roupas limpas para o padrinho e se muniu de um livro de salmos que pretendia ler á noite caso não conciliasse o sono. Tão logo terminou de se arrumar ele seguiu para seu jipe e se pôs á caminho do hospital. Naquele início de noite, guiar o relaxava. A quantidade de ar que entrava pelas janelas pareciam finalmente alcançar seus pulmões para que ele respirasse normalmente.
Apesar de seu eterno conflito e da saudade indesejada que sentia, o coração do jovem padre estava tranquilo. Edward decidiu que não sofreria por antecipação. Do presente dia até um improvável e futuro onde estaria casando Bella, haveria muitos outros. Quem sabe até lá, talvez já estivesse curado. Poderia acontecer; nada era impossível para àqueles que perseveravam. E ele, mesmo com seus deslizes, ainda se mantinha forte diante da tentação. Tudo era uma questão de tempo e paciência. Tempo e paciência.
Infelizmente, como que para mostrar á ele que nunca seria tão fácil, seu jipe cruzou com a caminhonete de Bella na auto-estrada deserta. Naquele rápido instante a paz paliativa que sentia se esvaiu quando sua surpresa e contentamento pelo breve contato visual que mantiveram foram roubados pelo olhar invasivo, acusador e odioso do ocupante do carro vermelho que a seguia. Por todo o restante do percurso Edward apertou o volante entre os dedos imaginando que ali pudesse ser o pescoço do moleque idiota.
Quando chegou ao hospital estava novamente agitado. Sua inquietação não passou despercebida pelo tutor e, ao que parecia, estava recuperado. Sim, suas costelas ainda mereciam atenção e seu rosto estava coberto de hematomas, mas o corte feito durante a cirurgia cicatrizava bem e ele apresentava uma disposição animadora.
– O que há Eddie? – ele perguntou horas depois da chegada do padre quando este voltou ao quarto com outro copinho de café.
– Queria poder levá-lo embora. – mentiu.
– É certo que receberei alta amanhã logo cedo, então se acalme... Em algumas horas iremos embora. Também não aguento mais esse lugar.
Edward lhe sorriu com simpatia, enquanto se recriminava pela mentira. Não poderia dizer ao padrinho que experimentava uma boa dose de ciúme e despeito temperada com o mais corrosivo ódio; era violenta a forma que antagonizava aquele moleque indolente que sempre estava onde não deveria estar. Naquela noite pouco importava ao padre que a figura deslocada fosse ele próprio. Pouco importava ser um capricho para Bella. Tudo que queria era ter de volta aquele aquecimento instantâneo em seu coração e que lhe foi parcialmente tomado.
Parcialmente porque, tão logo chegou ao hospital, foi informado que uma moça de cabelos castanhos – mais ou menos da mesma estatura da enfermeira que lhe contou – esteve lá no início da tarde á procura de informações sobre seu padrinho. A enfermeira não precisava descrever com tantos detalhes para Edward saber que a moça era Bella. Aquela atenção inesperada devolveu um pouco de calor ao seu coração, mas não o acalmou.
Como era de se esperar, Edward dormiu mal á noite. Foi um alívio para o padre que o médico aparecesse logo na primeira hora da manhã de quarta. Depois das últimas recomendações e de agendar a retirada dos pontos para a semana seguinte, ele liberou seu padrinho. O afilhado ajudou-o á se vestir e o amparou até o jipe. Edward estranhou a fraqueja nas pernas, mas nada disse. Provavelmente fosse a falta de sensibilidade por ter ficado tanto tempo sobre uma cama.
Quando Edward acessou a estrada, pediu ao tio que lhe mostrasse até onde o assaltante o havia levado ao que ele – depois de indicar três pontos diferentes – alegou não se lembrar. Depois disso não conversaram mais e a volta para Sin Bay foi silenciosa. Ao chegar á casa, o padre ficou levemente aborrecido. Esperava por aquilo, mas não imaginou que sua porta estivesse tomada pelos curiosos. Foi preciso usar um tom mais rígido com todos que se acercavam de seu padrinho. Alguns o olharam magoados, mas Edward não se importou. Precisava zelar pela recuperação de seu tutor e aquela agitação associada á necessidade popular de contato físico não lhe fariam bem.
Tão logo Edward colocou Carlisle na segurança de seu quintal, ele pediu desculpa á todos e, depois de dizer que os atenderia e responderia ao que quisessem saber depois que abrisse a igreja, conduziu o tutor para á casa. Queria deitá-lo, mas ele se recusou.
– Por favor, deixe-me ficar aqui... – pediu sentando-se pesadamente sobre o sofá. – Já fiquei muito tempo deitado naquele hospital. Sabe como isso é ruim...
– Sim, eu sei... – Edward respondeu. – Mas só um pouco. O médico recomendou repouso absoluto e se eu der chance é bem capaz que corra para cuidar do jardim.
– Por falar nisso, cuidou de minhas plantas?
Cuidou tanto que Bella até teve a chance de desfalcar a roseira. Á lembrança o alertou para que tirasse as rosinhas murchas da janela para que Carlisle não as visse.
– Sinceramente não me lembrei. – disse em voz alta. – Mas sei que a senhora Williams as regou na sua ausência e continuará á fazê-lo ouviu bem?
– Sim senhor. – o padrinho concordou. – Mas por pouco tempo.
– Está bem!... – Edward olhou em volta sem saber o que fazer, nunca havia cuidado de ninguém. – Está com fome?
– Ainda não, obrigado! – o padrinho disse recostando-se. – Quero apenas ficar aqui... Vá cuidar de seus afazeres. Se precisar de você eu o chamo.
– Está certo...
Edward ainda lhe lançou um olhar incerto antes de deixá-lo sozinho. Enquanto se arrumava decidiu que chamaria a senhora Williams para ajudá-lo. Seu padrinho precisar dele era uma novidade; o padre é quem sempre precisou de cuidado. Agora havia chegado o dia da retribuição e Edward não sabia como fazê-lo. Claramente precisaria da ajuda de uma mulher e a velha vizinha se mostrou satisfeita com a oportunidade de cuidar do tio do padre. Depois de feito o arranjo, Edward seguiu para sua igreja para abri-la.
Lembrou que estavam na quarta feira quando seus bancos foram rapidamente tomados pela legião de pecadoras. Dirigindo-lhes um olhar insatisfeito, porém resignado, o padre perguntou qual sei a primeira e deu início as confissões do dia. Manteve-se ocupado até pouco depois do meio dia. Aquela foi outra manhã que não viu Bella. A moça não estava entre todos que o esperavam na calçada, nem apareceu na igreja. A saudade o corroia, mas o padre lutou para manter-se focado.
Depois de comer um pouco da refeição preparada pela senhora, Edward obrigou o padrinho á se recolher e então voltou para segunda rodada de confissões. Por sorte foram apenas duas o que lhe deixou a tarde praticamente livre. Por um instante Edward pensou em correr, mas descartou á ideia. Por mais que seu corpo reclamasse tal ação, ele não tinha ânimo para a atividade física. Ao invés de cuidar do corpo, tentou acalmar a alma e passou boa parte daquela tarde, recolhido em oração.
Mais ou menos ás cinco horas, foi interrompido pela senhora Williams que entrou na sacristia alarmada e levemente aborrecida.
– Senhor padre. – ela começou. – Desculpe-me se o atrapalho, mas o senhor precisa fazer alguma coisa...
– O que aconteceu? – ele perguntou se colocando de pé.
– É seu padrinho... Nunca vi alguém mais teimoso.
– O que ele fez? – Edward inquiriu já rumando para a casa.
– Ele está lá no meio do jardim... Foi cuidar das plantas. Eu vi da minha casa e fui lá dizer á ele que fosse se deitar, mas ele não me ouviu e ainda brigou comigo, me acusando de ter arrancado as rosas dele... Eu nunca toque naquela roseira...
Imediatamente Edward se lembrou das rosas murchas na janela do banheiro; pensou, mas se esqueceu de removê-las. O padre sabia da fixação que o padrinho tinha por plantas, não poderia ter deixado que ele visse o arranjo improvisado de Bella. Certo, não poderia, mas tê-lo visto não era motivo para desobedecer às ordens médicas e se lançar ao trabalho. Quando Edward o encontrou, Carlisle estava regando a bendita roseira.
– Não acredito nisso! – ele exclamou em italiano sem se importar com a senhora que o seguia. – O que pensa que está fazendo?!
– Alguém tinha que cuidar delas. – ele disse simplesmente. – Fico fora por cinco dias e vocês as massacram... Sorte que não mataram as mudas de ervas.
– Que importa as plantas?... O senhor não pode pegar peso. Deixe esse regador aí e entre.
– Esse meu braço está bom. – o tutor retrucou. – Já termino num segundo.
– Agora! – Edward disse firme.
O padrinho lhe lançou um olhar desafiador, como aquele dos que pretendem replicar e não atender pedidos que não lhes interessavam. Contudo, depois de um resmungo baixo, deixou o regador no chão – depois de abaixar-se com dificuldade – e seguiu para o interior da casa. Edward o seguiu acompanhado pela senhora que prestava atenção à conversa mesmo sem entender uma única palavra. Quando Carlisle fez menção de se sentar no sofá, o padre não permitiu.
– Chega de ficar na sala... Vá para o quarto.
– Agora você manda em mim, é isso? – o tutor perguntou contrafeito.
– Pelo o que vejo, enquanto não se livrar dos pontos e o médico não o liberar para fazer esforço, acho que terei que mandar sim... Agora, por favor, vá se deitar...
– Depois que você me disser quem massacrou minha roseira... A senhora Williams jurou que não foi ela.
Como não poderia mentir, Edward disse.
– Foi Bella.
– O quê?! – o tutor engasgou. – Quando ela...? O que ela...? Edward!
– Calma... Ela veio aqui no sábado, esqueceu?... Para fazer a limpeza que eu arrematei no leilão.
– Ah... O bendito leilão!
– Sim... Eu tive que sair ás pressas para ir vê-lo no hospital... Se estivesse aqui não deixaria que ela tocasse na roseira... Agora que respondi, pode ir se deitar?
– Eu vou... Mas não vou esquecer nada!... Essa menina já está se metendo demais em nossas vidas. Não a quero aqui... E não sei como ficaram seus encontros com ela esses dias que estive internado, mas tão logo eu me recupere vou voltar á monitorá-lo. Não vou deixar que ela abale sua vocação. Não vou permitir que anos de sua vida sejam jogados fora por causa de uma...
– Padrinho! – Edward o cortou. – Saiba que não tive tempo livre nem mesmo para correr então não diga nada de que venha á se arrepender depois e... Não estamos sozinhos.
– Ela não entende nossas palavras. – Carlisle retrucou.
– Mas entende “nomes” e eu disse o da moça antes que o senhor explodisse. Não se esqueça que eu lhe disse como me sinto em confissão, então não me exponha.
– Perdoe-me. – padre mais velho pediu realmente arrependido. – É que tenho planos para você Eddie... Não o quero eternamente cuidando de paróquias em cidades pequenas... Você é capaz de alçar vôos mais altos... Podemos voltar para a Itália e quem sabe daqui á alguns anos você tenha a chance de ser indicado e ordenado bispo... Esse sempre foi seu desejo também, não se lembra?... Sua mãe ficaria orgulhosa.
Edward não gostava de ser lembrado de desejos que não guardava na memória, assim como não gostou de ouvir sobre sua mãe naquele momento. O padre lutava com todas as suas forças para se manter fiel ás suas obrigações com aquela paróquia, como o padrinho poderia desejar que ele se ocupasse com um possível bispado que só viria depois de anos e anos de dedicação á vida eclesiástica onde seu comportamento tinha que ser reconhecidamente digno e idôneo?
– Sim, ela ficaria orgulhosa... Mas como nunca estará comigo para ver é melhor eu cuidar do que tenho no momento. Agradeço a preocupação, mas agora quem precisa de monitoramento é o senhor. – então, voltando á falar em inglês, concluiu. – Agora vá para seu quarto, por favor...
O padrinho finalmente o obedeceu. Tão logo ele sumiu no corredor, a senhora falou ás costas de Edward.
– Ele ficou mesmo furioso porque a menina tirou as rosas, não foi?... Eu vi quando ela as colheu, mas não quis dizer...
– Meu padrinho sempre cuidou de plantas... E não gosta que ninguém mexa nelas... Bella não sabia. – ele a desculpou, aliviado pela senhora ter deduzido que o esbravejar de seu tutor tenha sido pelas rosas.
Tão logo a senhora se foi Edward resolver chegar as portas da igreja. O dia havia sido extenuante e tudo o que ele desejava era um bom banho, um prato de comida e cama. Dormiria cedo aquela noite. Ainda foi preciso esperar que duas pessoas deixassem a igreja para fechá-la. Depois disso, seu banho foi breve. Quando terminou de se arrumar – vestindo uma calça jeans e uma de suas camisetas de corrida, pois não pretendia sair – ele finalmente retirou as rosas da janela; o detalhe que lhe confirmava a visita de Bella na manhã de sábado, não mais existia.
Como ainda havia um pouco da comida feita pela senhora Williams, Edward a esquentou e dividiu entre ele o padrinho. Comeu sua porção sozinho, pois não queria estar com o tutor pelo menos por alguns minutos. Assim que terminou o padre foi até o quarto com o prato de Carlisle nas mãos. Encontrou-o dormindo e como não desejava acordá-lo, levou o prato de volta á cozinha. Permaneceu em sua cama por alguns minutos e quando faltavam cinco para completar uma hora, voltou ao quarto do tio.
Carlisle ainda dormia, mas algo em sua face chamou a atenção de Edward. Ele estava suado demais. Aproximando-se, o padre conferiu sua temperatura tocando-lhe a testa; o tutor estava com febre. O padrinho estava medicado, então ele resolveu fazer compressas com água fria para tentar abaixar-lhe a temperatura. Todas as vezes que retirava á toalha que usava ela estava quente demais. Enquanto cuidava da febre, Edward disse á si mesmo que aquilo era efeito do esforço físico e emocional. Sabia o quanto falar da moça o abalaria; deveria ter ficado quieto como a senhora Williams. Agora era tarde.
Parecia incrível como Bella estava presente em todos os momentos de sua vida; e mais vividamente nos piores. O padre gostaria de ser forte e aceitar o oferecimento do padrinho de conseguir uma transferência ou talvez o de voltarem para a Itália. Talvez, se seu coração não protestasse á ideia, aquele fosse mesmo o rumo que deveria tomar. Mas ainda era muito para decidir. Não estava inteiro para ser separado dela; não definitivamente, pois o dia que partisse, não teria volta.
– Tony... – Carlisle murmurou ao seu lado. – Tony...
Edward havia se esquecido daquele nome por completo. Nunca o ouviu; não sabia quem era aquele que o tutor chamava de forma tão agoniada. Compadecendo-se da expressão perturbada do tio, o padre murmurou.
– Shhhh... Estou aqui padrinho... Estou aqui...
– Meu Tony... – ao repetir o nome o padrinho pareceu relaxar.
Não, não era Tony, Edward pensou, mas se acreditar que era fazia seu padrinho se sentir melhor, não havia problema. Carlisle não voltou á chamar por qualquer outro nome enquanto seu afilhado trocava a toalha quente de sua testa, por outra fresca. Quando acreditou que ele conseguiria tomar o remédio, Edward o fez ingerir um antitérmico indicado pelo médico. Ainda era cedo, mas o padre se sentia cansado. Nunca havia visto o padrinho tão fragilizado. Seu rosto machucado parecia ainda pior com as gotas de suor que a febre provocava.
Quando finalmente a febre pareceu ceder, Edward se sentou ao seu lado, ali mesmo no chão. Novamente movido pelos momentos de afeto, segurou-lhe a mão – mesmo que o padrinho não retribuísse ao aperto – e assim a deixou. Carlisle era a única pessoa que ele tinha na vida. E sentado aos seus pés, enquanto segurava aquela mão imóvel, subitamente o padre tomou consciência da amplitude do que havia lhe acontecido. Se o tiro que recebeu tivesse se deslocado apenas alguns centímetros, Carlisle não estaria mais com ele. Àquela altura estaria sozinho no mundo. Tal pensamento o encheu de pavor.
– Ah... Cadê minha casa? – Bella choramingou ao volante enquanto seguia para Sin Bay. Nunca aquele caminho lhe pareceu tão longo. – Talvez seja porque você está indo á sessenta quilômetros por hora sua imbecil. – ela se ofendeu. – Sabe muito bem que Edward não vai cruzar com você hoje. Então vá embora de uma vez!
Sim, ela sabia, pois na tarde passada foi informada quando esteve no hospital. Depois de visitá-lo no quarto – o fez somente porque a enfermeira lhe avisou que o paciente dormia – a moça soube que Carlisle Cullen receberia alta naquela manhã. Por ela teria ido até a casa do padre para recebê-lo, mas seu pai requisitou sua companhia novamente então passou toda a manhã na cooperativa. Somente o que pôde fazer foi resignar-se e esperar pelo dia seguinte.
A droga toda é que agora até a estrada tinha a presença dele. Na noite passada precisou de toda sua concentração para guiar até em casa depois que seus olhares se cruzaram. O momento foi ínfimo representou muito para ela. Justamente por isso que agora o procurava inutilmente enquanto voltava para casa; seguida por Jacob. Bom, ao menos não tinha nada á reclamar do amigo. Ao menos naqueles dias ele estava cumprindo sua promessa e nas poucas vezes que conversaram ele não tocou no nome do padre. Tanto melhor.
Ainda assim agradeceu intimamente quando chegaram á cidade e seguiu seu caminho. Antes de entrar na rua que a levaria até sua casa, Bella olhou para a igreja; estava fechada como sempre àquela hora. Com certeza o padre já deveria estar descansando.
“Apenas algumas horas”, ela pensou esperançosa. E então estaria diante dele.
Quando chegou a sua casa descobriu que não precisaria esperar tanto.
– Bella. – Renée começou tão logo ela deixou seu material sobre uma poltrona. – Que bom que chegou!... Eu estava indo levar um pouco de sopa para o senhor Carlisle. Será que poderia me fazer esse favor?
Lutando para segurar seu grito na garganta, ela disse.
– Claro que não!... Deixe-me apenas tomar um banho rápido e trocar de roupa e já levo...
– Mas não demore. – disse seu pai que estava sentado diante de seu rádio. – Logo não será mais horário de bater na porta dos outros. – então resmungou. – Sua mãe só inventa!
E naquele minuto Bella agradecia todas as invenções maternas fora de hora. Com medo de o pai cismar e proibi-la de levar a sopa, a moça correu escada acima e, depois de cumprimentar a irmã que lia em sua cama, voou para o banheiro. Como na noite anterior Rosalie a respondeu educadamente, sem o mesmo tom enraivecido dos últimos dias. Bella queria saber o motivo da mudança, mas não se atrevia á perguntar.
E também não tinha tempo. Ao sair do banho escolheu um vestido leve de alças finas; era simples, mas um dos preferidos da moça. Depois de prender os cabelos e calçar chinelos confortáveis ela se despediu da irmã que assistiu todo o seu movimentar dentro do quarto e se foi. Mais uma vez a irmã lhe respondeu corretamente. Bella fez uma nota mental para não se esquecer de investigar qual o motivo daquele novo comportamento. Isso depois... Agora iria finalmente ver seu padre.
– Estou pronta! – anunciou ao chegar á sala e rumando para a cozinha, perguntou. – Cadê a sopa?
– Na caçarola sobre o fogão. – disse-lhe a mãe.
Ainda com medo de ser barrada, ela não voltou pela sala. Gritou uma despedida aos pais da cozinha mesmo e saiu pela porta de serviço. Fez todo o caminho com o coração aos saltos. Parecia que não via Edward há anos; sua ansiedade estava á mil. Quando chegou ao portão da casa pensou em chamar, mas imaginou que sua gritaria somente atrairia os olhares dos vizinhos, então entrou.
Bella bateu á porta da casa anexa á igreja; dois toques leves. Como não obteve resposta, testou a maçaneta. Estava destrancada. Vagarosamente ela a empurrou. Logo atravessava a pequena sala desocupada rumo á cozinha. Aproximando-se da mesa de madeira, depositou a caçarola de sopa sobre ela, antes de voltar á sala. Apurou os ouvidos, não escutou som algum. O certo seria ir embora, mas simplesmente não conseguiria então chamou baixinho.
– Edward... – nada.
Depois de chamar mais uma vez e não conseguir resposta, Bella se aventurou pelo corredor. Pé ante pé seguiu até os quartos; o de Edward estava vazio, então ela foi até o de Carlisle pedindo aos céus que o padre não a recriminasse pela invasão. Logo viu que não aconteceria. Edward estava ao lado do padrinho, sentado no chão com os braços sobre a beirada do colchão e a cabeça repousada sobre eles. Enquanto ela o observava, reparou que ele segurava uma das mãos do tio. Edward lhe pareceu tão desamparado que sua vontade foi acordá-lo para poder reconfortá-lo.
Ela queria saber como ele estava; conversar. O pároco sempre se mostrava forte, mas dormindo aos pés da cama onde o enfermo se encontrava ele era o retrato da fragilidade. Bella se divida em um dilema; acordá-lo ou deixá-lo velar Carlisle, quando ele se moveu. Ela sequer teve tempo de recuar antes que ele olhasse diretamente em sua direção. Sem jeito, por ter sido pega vigiando-o em um momento particular, Bella lhe acenou timidamente e saiu em direção á sala. Era melhor ir embora. Não queria ser acusada de bisbilhotice mais uma vez.
– Bella, espere. – Edward pediu alcançando-a no meio do corredor e segurando seu braço.
Como sempre acontecia naqueles breves contatos, todos seus pelos se eriçaram antes que ele a soltasse bruscamente.
– Desculpe-me ter invadido sua casa. – ela começou á guisa de explicação. – Vim trazer-lhes uma sopa feita por minha mãe. Não queria acordá-lo.
– Agradeço por tê-lo feito. – ele disse gentilmente. – Se tivesse ficado naquela posição por mais tempo ficaria travado.
Bella lhe sorriu mansamente depois do comentário, então voltando a ficar séria, perguntou.
– Como ele está?
– Se recuperando. Teve febre há pouco, por isso eu estava ao seu lado. Mas agora a febre cedeu e ele está dormindo tranquilamente.
– Sinto muito pelo o que aconteceu. – ela disse pesarosa, agora tentando não reparar em como o padre estava lindo com aquelas roupas simples e normais.
Não podia evitar analisá-lo então achou melhor aproveitar que havia sido bem recebia e ir embora, antes que sua mente divagasse e colecionasse imagens para mais uma noite de sonhos inquietantes e molhados. E definitivamente aquele não era o momento para pensar naquelas coisas; ainda não era hora de abusar da sorte e tentá-lo novamente. Como se existisse momento certo para se pensar obscenidades envolvendo um padre; maluca.
Alheio á seus pensamentos, Edward a fez seguir pelo corredor com a mão levemente pousada em seu ombro. Quando chegaram á sala, ele a conduziu até o pequeno sofá e se sentou ao lado da moça assim que a acomodou.
– Não consigo entender porque fizeram isso com ele. – Edward começou sem que ela perguntasse nada.
– Eu soube o que aconteceu; nunca imaginei que tal animosidade acontecesse em Wells... – ela disse solidária; finalmente conversava com Edward. – Sei tio não disse nada novo?
– Não. – respondeu consternado. – E não tem nada que se possa fazer.
Sabendo que sofreria as conseqüências depois e temendo ser repelida, Bella tocou as mãos quentes dele, dispostas sobre suas coxas.
– Não fique assim... – quanto notou que não seria afastada, apertou-lhe os dedos para confortá-lo. – Seu padrinho é um homem forte. Logo estará recuperado.
Antes de responder-lhe, Edward inverteu a posição das mãos para segurar á dela.
– Ele é toda minha família. Ficaria perdido se o perdesse.
Bella estranhou o tom embargado e quando ergueu os olhos para ele, viu incrédula que lágrimas furtivas umedeciam seus olhos. A cena inusitada de ver um homem chorando partiu seu coração. Esquecida do desejo que sentia por ele e do pedido para se manter distante, aproximou-se e o abraçou. Quando o padre retribuiu o abraço e liberou o choro contido em seu pescoço, Bella se sentiu desnorteada. Nunca em sua vida precisou consolar um homem, não sabia o que dizer ou fazer. Após breves minutos, começou a acariciar-lhe os cabelos, falando carinhosamente.
– Não precisa sofrer mais... Apenas agradeça por não ter acontecido o pior. – logo ela tentava ignorar os calafrios que aquele contato começava á provocar em seu corpo.
– Eu agradeço. – ele respondeu com o rosto afundado na curva de seu ombro e pescoço. – Assim como agradeço que tenha ido ao hospital e vindo aqui ver como ele estava.
Não era para ele saber, Bella pensou levemente alarmada. Contudo como sua invasão não o aborreceu, ela disse sinceramente.
– Queria ter certeza que ele estava bem... E agora vim ver como você estava também.
– Sei disso.
Ao falar, dessa vez, a boca masculina roçou na pele sensível do pescoço dela. Bella mordeu os lábios para que nenhum som vexatório saísse por eles, antes de explicar.
– Queria ter vindo antes, mas... Estive ocupada ajudando meu pai na cooperativa e... Também não sabia como seria recebida.
– Podia ter vindo sem medo. – ele sussurrou. — Prometi que não seria grosseiro novamente.
Mais uma vez a boca dele roçou em seu pescoço, causando-lhe um arrepio. Talvez fosse hora de afastar-se, pensou. Porém ao se mover, ele apertou-a mais. Aquilo aconteceu ou ela imaginou? Com o coração aos saltos, permaneceu imóvel até que o padre confirmasse seu gesto, repetindo-o. Dessa vez, ao apertá-la, comprimiu a boca contra sua pele demoradamente, provando que o toque suave não havia sido fruto de sua mente apaixonada e fértil. Adorou a iniciativa, mas decididamente era hora de ir embora, pois sabia como aquilo terminaria.
– Eh... Acho que agora...
– Seu cheiro é tão bom! – ele disse roçando a ponta do nariz ao longo de seu pescoço molhado por suas próprias lágrimas. Bella permaneceu estática entre aqueles braços fortes, decidindo que valeria ser expulsa depois. Mesmo que na manhã seguinte acordasse suada e excitada. Alheio á sua decisão, ele acrescentou. – Sua pele á tão macia... Os dias passam e eu não consigo esquecê-la.
“Como assim”?!... Além de ter confirmado que ela o perturbava, agora Edward; o padre bipolar confessava que não a tirava da cabeça?!... Definitivamente seu coração sairia pela boca, tão fortes eram suas batidas. Sim... Tal revelação valeria qualquer expulsão; era melhor que qualquer sonho. Como prova que era a realidade, sentiu a boca macia beijar o vão de seu pescoço. Inconscientemente inclinou a cabeça para que os lábios tivessem uma área maior de atuação. Logo a boca estava em sua orelha, chupando-lhe o lóbulo lentamente, fazendo com que ficasse úmida imediatamente.
“Edward nunca esteve com outra mulher daquela maneira, certo? Então, onde poderia ter aprendido a fazer tais coisas?”
Sinceramente Bella não queria saber, fosse onde fosse que tivesse aprendido, Edward havia passado com louvor. Soube disso quando a língua deixou sua orelha para traçar um caminho de fogo até sua clavícula. Ainda paralisada, sentiu uma mão quente tocar seu ombro. Precisamente na alça de seu vestido para baixá-lo. Aquilo estava acontecendo?... Sim, estava, pensou em choque. Talvez Edward tenha desejado aquilo desde a manhã em seu quarto, pois abaixou a alça até que o tecido leve escorregasse e deixasse um seio redondo, firme e empinado exposto.
Ainda sem acreditar no que estava acontecendo ali, no sofá de Edward, Bella o sentiu descer a boca, distribuindo seus beijos lentamente por seu colo até alcançar o bico rígido de seu seio.
– Ah... – foi impossível conter o gemido.
Agora a cavidade entre suas pernas se contraia e pulsava dolorosamente enquanto ele rolava o mamilo em sua língua de forma delicada, estimulando-o. A tortura não teve longa duração, pois logo Edward o abocanhou praticamente inteiro, passando a sugar com força e a gemer. Parecia que se alimentava dela.
Bella queimava naqueles braços e ainda não se atrevia a se mover. Aquilo era melhor do que a vez que ele a acariciou ao sentir-lhe o coração; melhor que qualquer masturbação que tenha feito pensando nele; era real e ela não queria que Edward parasse caso o interrompesse ao mudar de posição. Naquele momento estava ali para ele. O padre poderia fazer o que bem entendesse com ela.
Como se tivesse lido seu pensamento, Edward soltou um gemido gutural e liberou-lhe o outro seio para provar-lhe da mesma forma faminta que havia feito com o primeiro. Agora metade do corpo dela estava exposto sobre o sofá. Quando seu desejo se tornou insuportável, foi impossível não se mover então involuntariamente separou as pernas. Ao seu movimento Edward segurou o interior de sua coxa e apertou com força.
Surpresa, Bella abriu-se ainda mais. Imediatamente a mão em sua coxa avançou pela barra do vestido. Quando os dedos tocaram seu sexo úmido sobre a calcinha, a moça acreditou que desfaleceria. Edward ainda chupava-lhe o seio de forma voraz, quando seus dedos invadiram o elástico da peça e a tocaram diretamente; certeiros sobre o ponto que lhe dava maior prazer. Extremamente excitada Bella mordeu os lábios e, perdendo um pouco do medo, moveu o quadril minimamente na direção da mão provocadora. Bella desejou que ele fosse além e introduzisse os dedos em sua entrada, como Marcus tentou fazer certa vez em que lhe permitiu ir tão longe.
Com o ex-namorado não havia sentido nada; era apenas mais uma das tantas experiências na esperança de em algum momento “sentir” alguma coisa. Muito ao contrário do que acontecia naquele instante. Mais um pouco daqueles estímulos e gozaria ali, na mão do padre. Como se aquele fosse o objetivo, Edward atendeu seu pedido mudo e a estocou com dois dedos.
“Misericórdia!”, ela pensou retesando-se antes de relaxar novamente e se render á invasão.
Bella nem se lembrava mais de onde estava; apenas queria sucumbir ao prazer que sentia e morrer feliz. Gemendo baixinho, Edward insinuou seus dedos além, causando na moça uma mistura luxuriante de excitação e dor. Alucinada, ela perdeu o medo de que ele parasse e necessitando tocá-lo da mesma maneira, correu a mão por toda extensão da coxa até tocá-lo intimamente. Ao descobri-lo rígido em sua palma, não conseguiu reprimir um lamento alto.
– Oh Senhor!...
E então o encanto foi quebrado. O padre retirou os dedos de seu corpo e se afastou como se tivesse sido repelido por uma descarga elétrica indo o mais longe possível e lhe voltando ás costas.
– Perdonami, per favore!...
– Como?! – Bella perguntou confusa e ofegante.
– Me perdoe... – ele repetiu ainda sem se voltar. – Agi como um animal! Não mereço perdão!
Com o coração aos saltos ela ainda tentava entender por que ele havia se afastado bruscamente, então apenas balbuciou.
– Edward não...
– Poderia se cobrir? – ele pediu rouco, porém energicamente.
Antes de obedecê-lo, a moça olhou para o próprio corpo. O vestido erguido sobre suas coxas e arriado em seu dorso, assim como a pele marcada em volta de suas aureolas seriam a prova que não havia delirado depois que ele, mais uma vez, a mandasse embora. Resignada; ainda excitada e frustrada pela brusca interrupção, Bella arrumou a calcinha e ajeitou o vestido, abaixando-o e então erguendo as alças do vestido lentamente com as mãos trêmulas.
– Pronto! – anunciou para que ele a encarasse. – Estou coberta.
– Diga á sua mãe que agradeço á atenção... – recomendou sem virar-se ou comentar o ocorrido. – Poderia me deixar agora?
Aquilo não era certo, Bella pensou contrariada. Sem hesitar se pôs de pé e foi até ele.
– Acho que deveríamos conversar, não? – perguntou tocando seu ombro.
Mais uma vez Edward se afastou como se repelido por alguma força perturbadora, sem encará-la.
– Per favore! – suplicou. – Não torne pior do que já está. Não há desculpas para o que fiz, então... Apenas tente me perdoar e me deixe.
Sentindo-se rejeitada, Bella recolheu a mão que havia ficado erguida depois que ele se afastou de seu toque. Então era aquilo mesmo?... Prometia-lhe o céu e depois lhe dava as costas, literalmente, sem explicações. Engolindo seu orgulho ferido, ela também lhe deu as costas e saiu sem se despedir.
Quando Edward ouviu a porta ser aberta, olhou em sua direção em tempo de ver Bella sair e fechá-la sem olhá-lo ou se despedir. O padre disse á si mesmo que era melhor daquela forma. Teria morrido se flagrasse seu olhar carregado de desejo ou rancor como das outras vezes que praticamente a expulsou de sua presença. Ou talvez sucumbisse e fosse até ela para aplacar o seu próprio desejo.
Uma vez sozinho Edward se arrastou até o sofá onde sentou para acalmar o corpo excitado e o membro túmido e dolorido que ocultou dela. Mesmo que Bella o tenha sentido em sua mão, não resistiria caso ela o visse. Ao se lembrar do toque decidido sobre sua masculinidade, excitou-se ainda mais. Imediatamente reviu a própria ação; o gosto do seio em sua boca, o toque sobre a calcinha úmida e o desejo de descobrir com seus dedos de onde vinha aquele calor convidativo. Novamente alucinado, Edward cheirou a mão que usou para invadi-la daquela forma deliciosamente indecente e mundana.
Aquele odor novo e adocicado de mulher pronta para o pecado o enlouqueceu. Sem nem pensar o padre chupou os próprios dedos para provar o sabor mais íntimo da moça. Enquanto saboreava as delícias de Bella, ele soube que não haveria como retroceder, então, com a mão livre, liberou seu membro volumoso e pulsante para aliviá-lo da dor e da frustração de não ter se acomodado entre as pernas da moça. Edward nem atinava que ainda estava na sala; apenas moveu a mão vigorosamente pela extensão rígida de seu pênis até que explodisse em um orgasmo violento, porém incompleto.
Como se tivesse desfalecido depois do gozo ou tomado pela força das emoções recentes, Edward se deixou ficar onde estava; arriado no sofá, com o causador de seus infortúnios ainda exposto e semi ereto á tombar lentamente sobre os pelos de sua virilha, sem mover um único músculo. À medida que o entendimento o alcançava, o padre tomava conhecimento de seu ato. Onde estava com a cabeça para fazer tal coisa, pensou envergonhado. Sabia onde estava. Estava nela; Bella. E agora a moça havia se instalado definitivamente em sua cabeça, em sua língua; agravando sua fixação.
Como se não bastasse seu ciúme, sua saudade e seu desejo por ela, vê-la solidária á sua dor no momento em que se sentia sozinho, foi fator máximo para ter chegado ao limite. Nunca deveria ter tocado o colo dela pela segunda vez quando estavam em seu quarto; ou acariciado seu seio. Naquela noite, não deveria ter segurado a mão delicada; nunca deveria ter aceitado o abraço morno que o colocou diretamente na curva perfumada de seu pescoço.
“E céus, como ela era cheirosa e macia!”
A boca o padre formigou ao se lembrar dos bicos endurecidos que experimentou como um faminto. Todo seu corpo reagiu á lembrança enchendo-o de deleite e culpa. Temendo se excitar novamente, Edward retirou a camiseta que vestia e se limpou como podia antes de se recompor e seguir para o banheiro. Já no banho, enquanto estava sob os pingos do chuveiro, o padre dizia á si mesmo que o certo era se arrepender, agarrar-se com todas as forças àquele fio de remorso que sentia, mas não conseguia.
Conhecia-se; com certeza aconteceria depois, quando sua consciência eclesiástica voltasse á dominá-lo. Contudo, naquele exato instante em que sua metade desconhecida repassava seus atos libidinosos toda a vergonha e culpa eram gradativamente substituídas pelo mais puro contentamento. Esse sentimento novo só não era completo, pois não havia provado os lábios dela. Edward sabia... “Sabia de verdade” que não era inteligente de sua parte alimentar tais pensamentos, mas simplesmente não conseguia evitar.
Spoiler:
Não dormiria, mas ao menos precisava descansar seu corpo. Todos precisavam dele, principalmente seu padrinho, então não podia se dar ao luxo de esmorecer por conta de seu descontrole irracional nos braços de uma libertina. Ainda preso á esse pensamento, Edward entrou rapidamente na sala – tão distraído em suas cismas ressentidas – que seu coração quase parou ao encontrar a causadora de seus infortúnios de pé bem no meio do cômodo. Especulou como olharia para ela novamente; ali estava a oportunidade de saber. Simplesmente não conseguia desviar os olhos do rosto falsamente angelical. Em choque a viu se recuperar do próprio susto e encará-lo com olhos especulativos.
Somente então o padre se lembrou que estava praticamente despido diante da moça e que a toalha sobre seus ombros o tornava uma figura risível. Mais do que já deveria ser, pensou acidamente. Então, tomado por uma vaidade rancorosa que aniquilou seu embaraço, retirou o pano úmido de seu corpo e o juntou ás roupas que carregava, somente para derrubá-las ao chão. Odiava se sentir nu, mas queria que ela o visse. Talvez não tivesse comparação com o grandalhão loiro que Bella usava, mas Edward sabia ser maior e mais forte que o moleque indolente e irritante que a moça amava. Podia ser virgem e inexperiente, mas era um homem e queria ser visto como tal.
– Eu... – Bella começou gaguejante. – Você não... Não fechou a porta e eu...
– Você...? – ele a encorajou á falar encarando-a com uma sobrancelha erguida; o coração aos saltos.
“Minha nossa senhora!”; Bella pensou. “Misericórdia! Como é que se fala?”
Como poderia juntar duas frases coerentes com o padre daquela maneira á sua frente? Já seria um problema enfrentá-lo como desejava com ele estando vestido!... Como seria agora que tinha todo aquele peito musculoso coberto inteiramente por todos aqueles pelos mínimos e escuros – que ela sempre percebeu pela gola da camiseta – completamente revelados bem diante de seus olhos? Até mesmo aquele cordão que Edward sempre trazia ao pescoço e que agora ela via carregar um crucifixo e uma chave lhe roubavam o raciocínio. E para piorar, havia aquele cheiro de sabonete recém usado.
– Você...? – Edward repetiu com aquela voz que também roubava o juízo da moça. – Bella?
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