English Boy
15 Capítulo 15
Estávamos no café da manhã. James e Tião travavam uma intensa discussão sobre os melhores núcleos de varinhas e Danilo estava para baixo naquele dia. Lina e Iara vieram com suas bandejas em nossa direção. Lina sentou ao meu lado, mas Iara passou reto indo para a mesa onde estava Reginaldo e seus amigos do quinto ano.
Encontrei o olhar de Lina a interrogando sobre que estava acontecendo e ela apenas deu de ombros. Danilo permaneceu encarando a própria xícara de café, de modo, que eu não sei se ele viu a cena. Na noite anterior, ele tinha chegado carrancudo no quarto, se jogou na cama e não quis conversar. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas não parecia ser coisa boa.
Depois do café da manhã, fomos para a aula de Eco. Teríamos a primeira saída de campo do ano na disciplina. James parecia animado sobre esse tipo de aula diferente. Quando estávamos todos reunidos na orla da floresta, a professora Núria se adiantou na frente da turma com suas roupas de campo e chapéu de couro. Núria nos explicou qual seria nossa tarefa e eu suspirei um pouco ao ouvir. Deveríamos buscar no meio da floresta áreas mágica. As áreas mágicas são regiões onde ocorre um tipo de aura especial e por isso criaturas e plantas também "especiais" habitam nesse local. Grandes florestas, como a que rodeava nosso Castelinho, são comumente compostas por áreas normais e mágicas, entretanto apenas bruxos conseguem encontrar essa última. As áreas normais eram ocupadas seres vivos que o Mundo Trouxa apresentava familiaridade.
ꟷ Formem os trios. ꟷ orientou a professora.
James automaticamente veio para perto de mim. Eu olhei ao redor e fiz sinal para Lina vir até nós, pois ela era muito boa em Eco.
ꟷ Lina. ꟷ Iara parou diante de nós um pouco sem jeito ꟷ Você se importa se eu fizer com eles?
Eu olhei entre elas tentando entender o que acontecia. Lina fazia uma cara de bronca e Iara tinha um olhar pidão.
ꟷ Tudo bem. ꟷ Lina concordou relutante, deu um beijo no meu rosto e saiu para perto de Danilo e Tião.
Olhei interrogativo para Iara, porque a mais de três anos ela sempre fazia trabalhos junto com Danilo.
ꟷ Desculpa, Luca. ꟷ ela pediu e desviou o olhar.
ꟷ Tudo bem, desde que você seja tão boa quanto Lina em demarcação de área mágica. ꟷ falei dando de ombros.
Iara sorriu para mim com isso. Ela era tão boa quanto Lina e eu sabia disso, o que me preocupava era a indiferença acontecendo ente Iara e Danilo. Eles tinham brigado feio, eu logo deduzi.
ꟷ Vou pegar o kit. ꟷ Iara falou e se afastou em direção a professora Núria.
ꟷ Vish! ꟷ comentou James, ao meu lado, olhando para a cara feia que Danilo fazia vendo Iara junto com nós.
ꟷ Vish mesmo. ꟷ repeti.
Iara voltou com a caixa de itens. Ela nos entregou as perneiras, garrafas de água, dois binóculos, o sensor de magia, um questionário que deveríamos preencher e um sinalizador mágico para ser usado em caso de emergência.
ꟷ Por que precisamos usar isso? ꟷ James perguntou quando vestimos as perneiras com dificuldade.
ꟷ Pro caso de pisar em uma cobra. ꟷ respondi enquanto também vestia as minhas.
ꟷ Tem muitas cobras venenosas por aqui. ꟷ Iara completou.
ꟷ Ah...cobras que se defende. ꟷ eu vi um desconforto passar pelos olhos dele.
Tiramos a capa e deixamos junto com nossos pertences, afinal não era recomendável usar capa no meio da mata fechada uma vez que ela iria atrapalhar a caminhada. Os trios começaram seguir o caminho que a professora os direcionava. Nós fomos mandados seguir a trilha da esquerda, enquanto Lina e os meninos foram para direção oposta. Caminhamos pelo o que era um corredor bem largo de terra batida, depois entramos em um segmento da trilha mais estreito, cercado por densa vegetação, até que finalmente chegamos na mata fechada, mas ainda dava para ver o rastro da trilha a se seguir. A intenção não era andar a esmo pela mata, nunca, mas acontece que a sucessão natural da floresta era muito rápida, assim a vegetação vivia invadindo nossas trilhas e às vezes até sumindo com elas.
Como nossa trilha era apenas um corredorzinho, Iara caminhava na frente com o sensor buscando a área mágica e eu ia em seguida com James bem próximo atrás de mim. Nossos pés afundavam na serrapilheira da floresta, desviávamos dos galhos e cipós no meio do caminho. Afastei um galho para passar e acabei soltando sem querer, quando ele escapou acertou em cheio o rosto de James.
ꟷ Owt! ꟷ ele exclamou aborrecido e eu comecei rir.
ꟷ Desculpa. ꟷ pedi tentando afastar as mãos dele do rosto para ver se havia se machucado.
ꟷ Não poderíamos usar um facão para abrir caminho igual aqueles exploradores? ꟷ James perguntou parecendo frustrado. Toda a animação anterior com a aula de campo parecia ter desaparecido da mente dele.
ꟷ Aqui respeitamos a natureza, nada de facão. ꟷ falei categórico.
ꟷ É claro. ꟷ James resmungou em tom levemente irônico.
Continuamos e entramos em uma parte quase totalmente inacessível, onde a trilha foi invadida completamente pela vegetação. Iara agitou a varinha fazendo alguns galhos de arbustos abrir passagem para nós sem causar danos às plantas, essa garota sabia exatamente o que fazer.
Novamente continuamos e então começamos a descer um terreno íngreme. James escorregou se agarrou em mim para não cair, o problema é que quase fomos os dois para o chão. Eu bufei quando senti uma dor no joelho causada pela tentativa de não nos deixar cair. Tentei entender que James não estava acostumado a fazer isso e, portanto, não me irritar.
ꟷ Aqui, segura minha mão. ꟷ ofereci sem pensar muito sobre isso.
James olhou para minha mão um pouco pensativo, mas acabou segurando. A palma dele encostou na minha e nossos dedos se fecharam em torno da mão um do outro, por um instante repensei se tinha sido uma boa ideia.
Eu desci a ladeira, sempre encaixando meu pé entre as raízes das árvores ou degraus naturais de pedra para ter suporte na descida. James seguia meus passos e ocasionalmente me usava como apoio. Percebi que Iara tinha desaparecido de vista, provavelmente porque estávamos muito lentos. Quando finalmente terminamos a descida, puxei James para alcançarmos Iara mais rápido. A encontramos parada um pouco à frente analisando o sensor.
ꟷ Tudo bem? ꟷ ela perguntou quando nos aproximamos.
ꟷ Sim. ꟷ respondi e soltei a mão de James que ainda estava agarrada na minha. ꟷ Achou alguma coisa? ꟷ perguntei e aproximei olhando o sensor por cima dos ombros dela.
ꟷ Acho que à nossa direita tem uma área. ꟷ ela disse apontando o local.
Iara deu alguns passos na direção e a luz púrpura do sensor ascendeu.
ꟷ É, achamos uma! ꟷ eu comemorei orgulhoso.
ꟷ Pega a fita para demarcar o quadrante. ꟷ Iara pediu.
Eu puxei minha mochila e tirei a fita de demarcação para ela. Então, Iara adentrou na área mágica que encontramos.
Busquei James atras de mim, antes de ir atrás de Iara, ele parecia muito incomodado com os mosquitos voando no rosto dele (infelizmente não podíamos usar poções repelentes nessas aulas, porque afastariam as criaturas que precisávamos encontrar). James lançava um olhar preocupado ao redor e se encolhia com alguns sons aleatórios que vinha das moitas. De repente algum animal pulou nos galhos acima de nós e James encarou a copa das árvores assustado.
Vendo que ele estava estático olhando para cima, segurei a mão dele e imediatamente recebi sua atenção.
ꟷ Vamos nos perder da Iara. ꟷ eu disse antes de começar a puxá-lo.
ꟷ Ok. ꟷ ele respondeu parecendo um pouco aflito.
Senti sua mão agarrar na minha com força e então...meu coração acelerou, o que considerei ser consequência da caminhada.
ꟷ Aqui parece perfeito. ꟷ Iara disse assim que a alcançamos.
James recolheu sua mão da minha e a usou para pegar sua garrafinha e beber água. Notei que imediatamente senti falta de segurar suas mãos e, um tanto incomodado, me foquei em começar fazer a tarefa para não pensar sobre isso.
ꟷ Vamos fazer um quadrante de cinco metros? ꟷ perguntei a Iara.
ꟷ Pode ser.
Iara me entregou a ponta da fita e a amarrei em um estaca que finquei no chão. Iara mediu a distância enquanto puxava a fita, ao dar cinco metros, ela posicionou outra estaca e amarrou a fita. Juntos desenhamos um quadrado 5x5,cercando a área.
James apenas nos observava fazer o trabalho, parecendo congelado no lugar. Fiz sinal para ele se aproximar e entrar no quadrado que demarcamos. Ele entrou e ficou ao meu lado esperando o que fazer. Iara pegou o questionário que deveríamos responder dentro da bolsa e me entregou o sensor para lhe dizer a leitura dos dados.
ꟷ 96.5% de aura mágica. ꟷ eu li para ela escrever ꟷ Iluminação: 220, temperatura: 28°C…
Iara anotou tudo que precisava e depois começamos a vasculhar a serapilheira do nosso quadrante em busca de criaturas mágicas. Haviam bastante insetos, a maioria não sabíamos identificar, o que não importava, pois o objetivo era contar o número de espécies diferentes. Entretanto, conhecíamos algumas e Iara achou uns três Limonitos escondidos embaixo de folhas, enquanto eu encontrei algumas Aranhas de Acônito. James tentava procurar os bichos, mas ele parecia receoso de enfiar a mão nas folhas secas e matéria em decomposição.
De repente uma criatura pequena pulou em James e o assustou fazendo cair de bunda no chão, eu quis rir. Normalmente eu ria muito de Danilo ou Tião rolando na terra durante as práticas de Eco, mas tinha algo no semblante de James dizendo que ele ficaria furioso se eu me divertir as custa dele naquele momento. Estendi as mãos para ajudá-lo se levantar e ao ficar em pé, James bateu a calça como se pudesse limpá-la.
Ao terminar de registrar o número de criaturas mágicas e suas espécies, desmanchamos o quadrante e continuamos a trilha em busca de mais duas áreas mágicas. O processo era sempre o mesmo quando encontrávamos: registrar os dados do ambiente e procurar por criaturas. Aos poucos James parecia estar menos desconfortável e sem medo de se sujar. No último quadrante, Iara nós mostrou uma pena verde que encontrou sob uma casca de tronco.
ꟷ Olha! É de um Gargaro. ꟷ ela sorria muito animada nos mostrando a pena.
ꟷ Eu posso ver? ꟷ James, curioso, pediu estendendo a mão.
ꟷ Uau! Quem é esse menino que fala português? ꟷ Iara brincou com ele e entregou a pena.
Eu sorri quando vi o rosto de James ficar escarlate com o comentário dela. Em seguida, o garoto analisou a pena muito fascinado.
ꟷ Pode ficar. ꟷ Iara disse a ele.
ꟷ Não. ꟷ James negou balançando a cabeça enfaticamente ꟷ Seu. ꟷ e estendeu a mão devolvendo a pena.
ꟷ Já tenho várias, James, pode ficar. ꟷ Iara insistiu e foi desamarrar a fita do quadrante.
ꟷ Acabamos. ꟷ suspirei de alívio.
ꟷ Ufa! ꟷ James bufou e guardou a pena de Gargaro dentro da bolsa.
ꟷ Você não gosta de mato, não é? ꟷ perguntei rindo da postura desconfortável que ele ainda mantinha.
ꟷ Não muito. ꟷ confessou encolhendo os ombros.
ꟷ Eu também não. ꟷ mudei o idioma para fazer minha confissão, pois não era bom dizer tais coisas na presença de amantes da natureza como Iara.
ꟷ Você parecia bem com tudo isso. ꟷ James me deu um olhar desconfiado sem acreditar em mim.
ꟷ Me acostumei. Eu não tenho muita opção, sempre tivemos aulas de campo. ꟷ expliquei dando de ombros.
ꟷ Sinto muito.
O suspiro de James e a expressão de pena me fizeram rir com gosto, porque se eu refletisse sobre a situação também "sentiria muito" por mim mesmo. No entanto, meus pais me ensinaram desde cedo que quase nada é como gostaríamos que fosse.
ꟷ Por que escolheu fazer o intercâmbio aqui afinal?ꟷ perguntei curioso. Aquela dúvida a tempos estava presa na ponta da língua apenas esperando a oportunidade perfeita.
ꟷ Ah! Não sei. Sabe quando você sente um chamado? ꟷ James piscou um olho e eu não entendi o que estava querendo dizer.
ꟷ Não. ꟷ respondi.
ꟷ Nem eu. Minha primeira opção era Ilvermorny, mas fui recusado. ꟷ por fim ele contou a verdade dando de ombros.
ꟷ Ah, agora faz sentido.
James não veio parar nesse fim de mundo porque tinha um grande interesse em natureza, claro que não! Ele estava aqui pois era uma das últimas opções e eu conseguia compreender isso perfeitamente.
ꟷ Eu só tinha certeza que queria ir para algum lugar, sabe, sair da bolha. ꟷ James fez o gesto que lembrava uma bolha de sabão estourando.
ꟷ Sei. Ano passado tentei intercâmbio para Ilvermorny, mas minha família não tem condições de me manter fora. De qualquer forma, não passei na seleção também. ꟷ contei a ele minha tentativa.
Obviamente, eu tentei sair do país, ver outros lugares e conhecer outras pessoas, mas essa oportunidade não acontece para todos.
ꟷ Melhor assim, porque a gente se conheceu. ꟷ James falou com seus dentes perfeitos a mostra em um sorriso que me contagiou.
ꟷ Esse papo parece bom, mas precisamos ir. ꟷ Iara disse interrompendo nossa conversa.
O caminho de volta foi bem mais rápido. Ao chegarmos na clareira, esperamos todos os outros alunos voltarem para a professora nos dispensar. Na semana seguinte teríamos que pegar nossos dados e fazer um trabalho escrito mega chato para entregar. Era incrível como Eco conseguia acabar com meu bom humor.
Era final da manhã, estávamos todos sujos de barro e folhas secas e após o almoço ainda teríamos aula. Alguns alunos se contentavam apenas com trocar de roupa, mas eu preferia um bom banho.
No banheiro masculino do sétimo andar do Alojamento tomei um banho demorado e me vesti em vestes limpas. Sai do compartimento de chuveiro e encontrei James de frente para o espelho, sem o tradutor.
James estava sem camisa, no entanto a pele vermelha de sol fez a marca perfeita da blusa do uniforme. A tatuagem de fênix nas costas era real e muito bonita. Ele tinha o dorso levemente definido, eu já imaginava isso visto que ele praticava esportes… não que eu ficasse pensando nele sem camisa. Sacodi os pensamentos e me aproximei de James.
ꟷ Eita! Isso parece doer. ꟷ apontei a pele queimada e ele fez uma careta. Usei o inglês, pois ele estava sem o tradutor.
ꟷ Muito. ꟷ concordou.
ꟷ Acho que Danilo tem algo para queimadura de sol, ele costuma ter esse problema também. ꟷ falei pensativo lembrando que Dani tinha um creme azul que costumava passar sobre a pele vermelha.
ꟷ Esse problema? ꟷ James riu fracamente como se fosse um esforço ꟷ Por acaso você é imune a queimaduras?”
ꟷ Depende, é difícil eu me queimar de sol. Geralmente só fico mais escuro, olha. ꟷ levantei a camisa e mostrei a diferença entre minha barriga mais clara que meu braço.
ꟷ Aham. ꟷ James me olhou brevemente e voltou para o espelho.
Ele pegou sua blusa e começou a vestir fazendo careta quando o tecido esfregou nos braços vermelhos. James parecia meio tonto quando deu um passo para o lado.
Eu cheguei mais perto dele e encostei minha mão em sua testa, depois na bochecha. James arregalou os olhos com meu toque repentino.
ꟷ Você está fervendo. Deve estar com insolação, vamos à enfermaria. ꟷ falei ficando preocupado que ele estivesse pior do que aparentava.
ꟷ Não se preocupe, estou bem. ꟷ James insistiu, mas eu não engoli essa.
ꟷ Não, não está. Eles só vão te dar uma poção e você já vai se sentir melhor, vamos.
Não dei chances para James discordar, pouco depois o levei para enfermaria e ele precisou ficar por lá mais tempo do que eu imaginava. A enfermeira iria dar-lhe uma poção para as queimaduras e afirmou que mais tarde James estaria bem. Com isso, o deixei com a Dona Esmeralda, a enfermeira, e fui embora, pois tinha aula em breve.
De noite não encontrei Lina no jantar. Comi apenas com Danilo e James, que estava bem melhor. Só fui encontrar minha namorada horas depois no Centrinho com seus amigos, Yasmin, Tai e Mateus que travavam uma discussão acalorada.
ꟷ Hey! Senhorita. Não vi você no Bandejão. ꟷ me joguei no sofá ao lado dela.
ꟷ Eu estava com a Yasmin e os meninos. ꟷ Lina sorriu e se aconchegou nos meus braços.
ꟷ ...ele é um ignorante mesmo! ꟷ escutei Yasmin dizer enfurecida.
ꟷ O que isso gente? ꟷ perguntei com curiosidade.
ꟷ Seu amigo. ꟷ respondeu Tai com tom amargo.
ꟷ Tai! ꟷ disse Lina para o garoto repreendendo.
ꟷ Ah, Lucas, me desculpe. Mas não é fácil ouvir algumas merdas que ele diz. ꟷ Tai pediu desculpa, mas parecia da boca para fora já que nitidamente a minha presença deixou ele irritado.
ꟷ Estão falando do Tião? ꟷ deduzi com a sensação que só poderia ser ele.
ꟷ Ele sentou com a gente no jantar. ꟷ Lina explicou.
ꟷ O que ele disse? ꟷ perguntei.
ꟷ Entre muita besteira, ele perguntou se não era apropriação cultural usarmos varinhas. Fala sério! ꟷ Yasmin falou revirando os olhos e cruzando os braços.
ꟷ Como se tivesse sido nossa escolha. ꟷ Mateus comentou, mas diferente dos outros dois, ele parecia mais calmo sobre a situação.
ꟷ A gente é obrigado a se adaptar às regras deles pra poder fazer magia e ainda tem que ouvir isso. Nossa que raiva! Apropriação é eles roubarem nossos rituais para se fazerem de "amantes da natureza". ꟷ Yasmin se exaltou fechando os punhos.
ꟷ Calma, miga. ꟷ Lina pousou a mão no ombros da outra garota.
ꟷ Você tem noção que minha vó fazia magia sem usar nada, simplesmente com as mãos! Quem me dera ter aprendido fazer isso. ꟷ Yasmin continuou, dessa vez, falando diretamente para mim.
ꟷ Eu entendo, na minha aldeia os mais velhos ainda são assim. ꟷ Lina falou compreensiva.
ꟷ Me desculpa, gente. ꟷ eu pedi ao me sentir ressentido pela atitude de Tião.
ꟷ Você não tem culpa, Luca. ꟷ Lina se apressou em dizer.
ꟷ Não tem, mas não entendo como pode ser amigo dele. ꟷ Tai falou como se estivesse me dando uma flechada que de certa forma machucava.
ꟷ Certo! Chega disso. Eu vou pro quarto, miga. ꟷ Lina falou para Yasmin, se levantou e me puxou junto.
Eu sabia que Lina só queria me levar pra longe deles, mesmo que durante o caminho ela não tocou no assunto. Subimos para o último andar, viramos à direita e paramos na porta do quarto dela. Trocamos alguns selinhos de boa noite e, com isso, Lina entrou em seu quarto e eu fui em direção ao meu. Quando parei em frente a minha porta e iria girar a maçaneta, avistei James saindo de seu quarto em direção ao banheiro e deixando a porta semiaberta. Sem esperar por mais fui ao quarto dos meus amigos e parei encostando na porta.
ꟷ Tião. ꟷ chamei de onde estava o garoto que se encontrava todo torto, jogado na cama e lendo um livro.
ꟷ Oi!...aah ela falou com você não foi? Olha, eu só estava... brincando não imaginei que fosse ofender. ꟷ Tião fechou o livro e se pôs de pé rapidamente.
Achei ironicamente engraçado como ele sabia o quê tinha feito e, por isso, devo ter fechado a cara.
ꟷ Claro, não foi nada ofensiva sua brincadeira. ꟷ eu falei sorrindo em tom de ironia e pouco me importei quando Tião encolheu um pouco.
ꟷ ...foi mal! Eu só queria puxar assunto com eles, na verdade, eu queria conversar com a Lina, você sabe, a gente não se dá muito bem, mas ela é sua namorada...enfim, só que toda vez que eu tento dá errado! Desculpa. ꟷ Tião disparou a se explicar.
ꟷ Peça desculpas a Lina, não a mim. ꟷ respondi secamente e me virei para corredor na intenção de sair.
ꟷ Lu, você está bravo comigo? ꟷ ele perguntou meio desamparado, vindo até a porta.
Dessa vez não respondi e fui para o meu quarto.
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