Endless Love

29 2ª Temporada Capítulo 3 - Recomeço


Notas iniciais
Olá a todas, estou de volta e espero que a partir de agora não demore tanto a voltar. Estou postando agora de tarde porque estava com saudade de todas e não queria adiar por mais algumas horas a curiosidade de vocês por esse capitulo, que está calmo e fofo, mas é super importante para o desenvolver da trama. Nos vemos nas notas finais. E ouçam as duas músicas acompanhando as letras ;). Apreciem Sem Moderação. Capitulo Postado Em: 05/03/14 *Primeiro do ano, e vamos em frente.

Seis anos depois...

POV Bella

Los Angeles – Junho de 2013

O sol entrando pela minha janela é o indicativo de que o dia já está prestes a começar. É uma sensação maravilhosa acordar com o céu já claro, olhar as pessoas ativas andando na rua, sentir o mormaço, em meio a um dia quente de verão.

Essa é uma das mágicas de Los Angeles, o calor incrível que a Califórnia é capaz de nos proporcionar, em nenhum dos meus planos de vida me imaginei morando na costa oeste do país, mas aqui estou com uma vida quase perfeita.

Formei-me com honras na UCLA no curso de administração e depois disso já fiz especializações na área da empresa que atuo. No meu terceiro semestre consegui um estágio em uma multinacional e fui expandindo meus horizontes, hoje assumo um cargo, que pessoas com mais anos de trabalho e experiência que eu, nunca almejaram alcançar.

Aos 24 anos tenho uma vida financeira bastante estável. Continuo dividindo o apartamento com minha amiga Angela. Não por falta de oportunidade de ter um só meu, mas com o passar dos anos me acostumei com a companhia da minha amiga maluquinha.

Não moramos mais no mesmo apartamento, depois de dois anos morando juntas tivemos estabilidade para comprar um maior com mais conforto e a comodidade de ambas melhorou consideravelmente.

Nossa amizade só se fortaleceu durante esse tempo, por todas às vezes que quis cair ou me desestabilizar com os casos da vida, ela esteve lá para me apoiar e vice-versa.

Somos a fortaleza uma da outra para todas as horas, as difíceis e as boas também, porque não somos de ferro. Eu que apresentei Benjamin ou só Bem, a Angela, o conheci em uma das minhas especializações e um dia que combinamos de sair com a galera levei Ang junto e foi quase que amor a primeira a vista entre os dois.

Dei um jeitinho de deixá-los a sós nesse primeiro dia e desde então os dois não conseguiram mais se largar, dali para o namoro foi um pulo e hoje quase três anos depois um noivado eminente está previsto para o jovem casal. Ben virou um grande amigo e parceiro na vida assim como sua namorada.

Minha amiga teve muita sorte em conhecê-lo e poder estar junto a seu amado por todo esse tempo. Também vivi um amor, com certeza bem diferente do deles, não foi à primeira vista e tão pouco durou para sempre, porém nunca fui capaz de esquecer completamente das coisas relacionadas a ele...

Obviamente tive contato com outros homens durante esse tempo, também não poderia ficar me guardando como uma virgem imaculada para sempre, só que parece provocação do destino que durante todos esses anos meu coração nunca mais tenha conseguido se abrir para alguém, nada do que passei jamais poderá ser comparado ao que vivi ao lado dele, Edward...

Durante muito tempo pensar no seu nome doía, como uma lança envolta em chamas atravessando meu peito, mas com a idade veio também o amadurecimento e a compreensão de que certas coisas realmente não têm porque acontecer, ou melhor, diferentemente do que julgamos pensar, as coisas são sim finitas e às vezes têm um período de validade muito curto.

É assim que observo minha relação com Edward, foi intensa, única e inesquecível, mas durou exatamente o que precisava para deixar-nos marcados, pelo menos a mim. E se não bastasse apenas às marcas do coração, ainda tive a benção de carregar para sempre algo físico, nosso filho, meu maior motivo de orgulho, Miguel.

Nunca imaginei que ter um filho me trouxesse uma graça tão grande como foi com o meu, talvez Miguel seja mais especial do que a maioria das crianças, mas posso dizer com certeza que ele só me trouxe felicidade nos seus quase seis anos de vida.

Ele é a luz da minha vida, o motivo do meu levantar, o sopro de ar que infla meus pulmões quando penso que a vida quer me sufocar. Desde o dia que ele nasceu tudo mudou completamente, mais do que um giro de 360º.

Passamos apenas três dias na maternidade antes de voltarmos para casa, estava muito nervosa admito, minha mãe e minha irmã estavam loucas para vir passar uns dias comigo e ajudar a cuidar do bebê no começo, mas as duas infelizmente estavam com afazeres demais em casa e não puderam vir.

Angela esteve ao meu lado disposta a ajudar em tudo, porém sempre soube que a responsabilidade sempre seria minha, confesso que fui uma daquela mães que verificava a cada dez minutos a respiração do bebê para ver se ele continuava vivo.

Tudo foi uma novidade diferente, o primeiro banho em casa, a primeira noite de sono, o primeiro choro por dor, manha ou apenas a falta do colo da mamãe, no início foi um pouco difícil identificar cada uma dessas ocasiões, mas as mães são obras divinas de Deus, quase que projetadas para entender ou pelo menos adivinhar o que seus filhos precisam e foi assim que aprendi a lidar com Miguel.

Tranquei minha matrícula da faculdade em seus primeiros seis meses de vida para poder cuidar do meu bebê com toda atenção, não queria negligenciar um momento tão importante em sua vida, e, afinal, era uma mãe tão babona que chegava a ser cômico.

Acabei de dar banho no Miguel e o estou levando de volta para o quarto, meu bebê está tão lindo todo enrolado em sua toalha, quando entramos o deitei na trocadora e fui pegar suas roupas.

Voltei para perto dele e comecei a conversar como sempre faço.

— Nossa. Como esse bebê está cheiroso. – Disse ao cheirar sua barriguinha. – O bebê da mamãe é muito limpinho, muito cheiroso, muito lindo o mais lindo do mundo. Não é verdade, meu amor? – Ele chacoalhou as perninhas em resposta. – Isso mesmo querido, vamos vestir uma roupinha para poder mamar, você já está com fominha? Não está? – Ele fez um barulhinho com a boca enquanto continuei a falar. – Deixa a mamãe passar talquinho para continuar limpinho e cheiroso por muito tempo, depois vamos colocar sua fralda e uma cuequinha linda que sua madrinha trouxe na última vez que veio te visitar, você lembra, não é? Daquela mulher escandalosa que não para de apertar suas bochechas quando te vê? Já falei a ela para não fazer isso que meu filho não gosta, não é meu amor? – Dei beijinhos em suas duas bochechas e ele colocou suas mãozinhas em meu rosto também. – Só a mamãe pode querer te morder todinho, sua madrinha Nessie não.

Ele abriu um sorriso babado e me derreti novamente.

— Pronto de fraldinha e cueca agora vamos colocar uma roupinha bem quentinha porque meu bebê ainda sente muito frio. – Coloquei um conjuntinho preto e branco, e ele ficou parecendo um mini panda dentro dela. – Meu filho, você está perfeito. Vou tirar uma foto e mandar para sua vovó e madrinha, que tal? Elas vão ficar loucas quando te virem assim, mas primeiro vamos ao mama, depois a foto.

O peguei da cama e fomos nos sentar na cadeira para que pudesse amamentá-lo, o ajeitei no colo e tirei meu seio para fora que foi logo abocanhado por ele.

— Você é sempre tão faminto, não é meu amor? Mas não tem problema à mamãe é só sua e me sinto como uma super heroína por ser sua única fonte de alimento, praticamente sua fonte de vida. Também me sinto conectada a você como se ainda fizesse parte de mim, igual quando estava na minha barriga, sinto seu corpinho quente perto do meu, tenho você nos meus braços e sei que nada poderá nos separar, não só nesse momento como nunca meu amor, mamãe promete a você, nunca vamos nos separar.

Parei de falar por um momento para apenas observar como ele suga o leite tão concentrado e constatar novamente o quanto ele é parecido com Edward.

Miguel não nasceu um bebê cabeludo, mas agora com cinco meses tem cabelo suficiente para achar parecido com os do pai, sem contar os olhos, mesmo que ele não tivesse nada mais parecido, os olhos sempre serão a chave da minha lembrança, a confirmação de algo bom que compartilhei com ele...

Depois que Miguel terminou de mamar o levantei para que pudesse arrotar e na sequência do ritual de amamentação iniciei a função de fazê-lo dormir. Cantando sua música de todos os dias, desde que cantei pela primeira vez e ele respondeu ainda na barriga, passei a cantar todos os dias à mesma música para ele dormir, tornou-se então, um elo nosso com seu pai.

Assim que ele adormeceu o coloquei no berço ao lado da minha cama e fiquei observando seu sono tranquilo.

— Será que seu pai ficaria feliz em estar aqui conosco se soubesse de você meu filho? Será que ele iria te colocar para dormir também e juntos cantaríamos sua canção? Não podemos saber, não é meu bem? Nunca poderemos, pois ele não está aqui, mas não se preocupe que eu estou e estarei sempre. Te amo Miguel e isso nunca vai mudar...

Fiz-me essa mesma pergunta durante todos esse anos.

Será que Edward seria feliz ao nosso lado se pudesse ter estado conosco? Participando de todos os momentos da vida do Miguel?

Desde os mínimos tropeços, quando ele ainda estava tentando encontrar firmeza nos ossos e aprendendo a engatinhar ou teria ficado enciumado quando Miguel disse mamãe como primeira palavra? Talvez se ele estivesse aqui meu bebê teria dito outra coisa, papai quem sabe?

Mas depois de um tempo parei de viver no talvez e me dediquei ao máximo a fazer com que não faltasse nada ao meu filho, transformando todos nossos momentos juntos em coisas gloriosas.

Quando tive que voltar a faculdade foi realmente difícil, não queria deixar Miguel sozinho pelo menor período que fosse, mas me convenci de que tinha que tocar a vida em frente e ser forte para poder criá-lo bem sem que lhe faltasse nada, então mais uma vez contanto com a ajuda da Angela voltei para meu curso no período da manhã e encontrei um estágio remunerado na parte da tarde, nesse tempo Angela ficava em casa cuidando dele e a noite quando chegava, ela ia para sua faculdade.

As coisas foram assim até Miguel completar dois anos e nunca serei capaz de retribuir totalmente tudo que ela fez ao abdicar da possibilidade de trabalhar por um ano e meio, foi mais do que qualquer pessoa poderia fazer. Tudo bem que sua família tem posses e ela foi mantida por seus pais nesse tempo, mas outros não abririam mão de tantas coisas assim para ajudar uma pessoa como ela fez ninguém.

Com a chegada dos dois anos tornou-se mais fácil transferir os cuidados, assim contratei a filha do Liam e da Siobhan, Maggie, para cuidar do Miguel como babá, eles também sempre estiveram presentes na minha vida ajudando em tudo o que podiam.

Realmente fui agraciada de boas almas ao meu lado por todo esse tempo, sem contar é claro com mamãe e Nessie, que mesmo estando longe fisicamente nunca deixaram de participar da minha vida e do Miguel.

Conseguimos manter bem a história que continuo viajando pelo mundo ao longo desses anos, e elas também conseguiram vir algumas vezes nos visitar, pode não ser todo mês ou a cada bimestre, mas elas sempre vieram, sejam juntas ou separadas.

Uma coisa que elas nunca perderam foi o aniversário do Miguel, desde o primeiro sempre fizemos festa e elas colocaram no seu roteiro de vida uma programação de que todo mês de agosto é o mês da mãe e filha, então as duas viajam para cá e ficam conosco nesse período.

Sem contar todas às outras vezes que as duas vieram nos ver, sinto muito por ter que fazê-las mentir, mas é uma decisão definitiva que ninguém pode saber onde estou e que tão pouco voltarei à Nova York, pois minha permanência em Los Angeles continua mais do que certa.

Nesses mais de cinco anos junto com Miguel minha vida foi muito mais do que feliz, cada pequena conquista do meu filho foi comemorada com grande entusiasmo por todos que o conhecem.

Me lembro de quando o vi andar pela primeira vez, fico sempre com lágrimas nos olhos quando recordo do dia que voltei da faculdade e Angela estava segurando-o pelas mãos, então ela o soltou e ele cambaleou um pouquinho, mas conseguiu chegar até mim, foi gratificante ver meu filho vindo em minha direção tomando a mim como seu ponto de apoio, porto seguro, como sempre foi.

Quando falou sua primeira palavra, depois de muitos ma, dada, mam, quando o mamãe surgiu para os meus ouvidos quis que ele repetisse aquilo para sempre e que mais palavras surgissem para que pudesse desfrutar do delicioso som da sua voz.

A primeira vez que ele comeu papinha, seu primeiro resfriado ou o dia apavorante que descobri sobre sua alergia a amora, o modo vermelhinho do seu corpo foi tão assustador, mas todas, todas as lembranças têm um significado único.

Seu primeiro dia no pré-escolar, o primeiro tombo, a primeira manha, o primeiro castigo por me desobedecer e consequentemente todos os outros atos mesmo que já com repetições, para uma mãe cada coisa que seu filho faz lhe traz um sentimento diferente, uma observação diferente de como a vida realmente é.

Sempre fiz questão de comemorar qualquer data importante ao lado dele, ensinei desde pequeno o valor do natal, que não é apenas sobre ganhar presentes, usar roupa nova e comer comida diferente, é sobre o renascer de uma vida, a consciência de que um ser puro estava surgindo para nos salvar e que devemos sempre respeitar isso.

Como sempre passamos essas datas sozinhos fiz questão de criar algo diferente, principalmente no ano novo, nos dois primeiros anos procurei conhecer lugares próximos, mas já com ele grandinho, fomos explorando outras cidades para festejar nossa virada do ano, dia das crianças, Halloween, quatro de julho, são dias de festa na nossa casa, estes sempre acompanhados dos amigos e de grupos de pessoas ao qual fazemos parte.

Mesmo tentando todos os dias não me deixar esmorecer pelos fatos da vida, nem sempre é uma tarefa fácil, a ideia de inovar ou fazer com que determinados momentos sejam comemorados com o máximo de alegria são uma fachada para tentar nublar a onda de dor e tristeza que me abate por saber que não poderei passar esses momentos especiais com as pessoas que mais amo, não estar presente nos aniversários dos meus familiares, minha mãe e Nessie podem vir no do Miguel, mas o meu é passado sempre sem eles.

Os natais que sempre amei estar ao lado da minha família e agora estar distante há tanto tempo, são situações que o tempo não pode apagar e que nenhuma lembrança feliz é capaz de acalentar.

Perdi a formatura dos meus irmãos e amigos, também não vi meus pais chorando de emoção na minha, cheguei a perder o casamento de uma das minhas melhores amigas e a pouco não pude comparecer também ao noivado do meu irmão. Não estive presente no momento em que ele tomou a decisão de deixar de ser um garoto para se tornar um homem disposto a construir família.

Tal ação ocasionou até em uma discussão séria com Nessie...

— Bella, por favor, você tem que vir. É o noivado do Emmett e da Rose.

— Nessie, não faça isso ser mais difícil do que já é, está bem? Sei que é o noivado deles, sei que os dois não mereciam uma desfeita dessas da minha parte, mas simplesmente não posso, não consigo.

— Você não consegue ou não quer? Tem uma grande diferença entre isso e você sabe.

— O que está querendo dizer?

— Que você está sendo egoísta! Entendo que teve que ir embora para proteger o Miguel, mas e agora? Você acha que se voltar o Edward vai fazer o que? No máximo dizer, muito bem meu filho é bonito, parabéns a mim. Que mal você acha que ele pode fazer ao menino pelo amor de Deus? Você encheu a boca durante todos esses anos dizendo que fez tudo o que fez para preservá-lo, mas agora isso não cola mais. Você não volta porque é covarde e tem medo de enfrentar a vida, você fugiu no primeiro obstáculo no meio do caminho, não lutou.

— Renesmee! Como você pode dizer uma coisa dessas? Mais do que qualquer pessoa pensei que você entendesse tudo que sinto. Admito, não quero me reencontrar com o Edward, mas esse nunca foi o fator principal para não voltar, construí uma vida aqui, não só minha, mas do Miguel também e não posso largar tudo agora.

— Isabella, não estou pedindo para que mude de volta a Nova York, apenas para vir ao noivado do nosso irmão.

— E você acha que se aparecer ai dizendo que fui apenas para o evento social da família eles vão me deixar voltar? E continuar dizendo que estou vivendo como nômade explorando o mundo? Não seja tão ingênua.

— Então é isso? No dia do meu casamento você também não virá? Ou melhor, no dia em que estiver grávida? Quando tiver precisando do apoio da minha irmã para me ajudar com meu bebê, você não vai estar aqui? Ah, claro, tem a hipótese de me transportar com o bebê para Los Angeles para que você e meu afilhado possam conhecê-lo. Até quando você vai viver nessa vida de fugitiva como se tivesse cometido um crime?

— Não sei Renesmee. Só digo que esse não é o momento de voltar à Nova York, você fica dizendo que Edward não pode fazer nada com meu filho agora, mas você está enganada, além de todas as coisas que ele pode fazer judicialmente, como querer tirá-lo de mim comprovando que o privei da convivência com o filho por todo esse tempo. Ele pode vir a magoar o Miguel, assim como fez comigo e não vou arriscar que isso aconteça.

— Você é absurda! Como se ele tivesse algum direito sobre o Miguel! Mesmo que ele não saiba sobre a criança, ele abandonou você. E para todos os efeitos não tem lembrança nenhuma de você ter saído grávida, então não poderá alegar nada sobre a paternidade do Miguel, mas as escolhas são suas, sempre foram. Só gostaria de entender até quando, talvez até o dia que algum de nós morra. Ai sim acho que você voltará a pisar os pés aqui.

— Que absurdo falar isso Nessie! Você diz como se não me importasse com vocês, como se não sofresse e chorasse por dentro todos os dias por não estar ai, não dividir todos os momentos da minha vida com as pessoas que amo. Isso também me dói e muito, mas simplesmente não posso arriscar tudo que conquistei aqui.

— Nunca te disse, quis te livrar de uma dor, mas acho que você merece saber que não é a única que sente, que as pessoas aqui ainda se importam, dão valor e quem sabe até esperam por você.

— O que foi que houve?

— No casamento da Alice, desde o início ela disse que uma da suas madrinhas era você, que ninguém ocuparia seu lugar naquele altar ao lado do irmão dela. Todos tentaram retirar essa ideia absurda de sua cabeça, Esme, Elisa, Rose, eu, os meninos também tentaram, mas ela não abriu mão da sua melhor amiga estar presente no seu casamento. Ela alugou vestido para você, colocou seu nome nas certidões, deixou seu lugar vago no altar, nas fotos, na mesa, até mesmo na hora dos votos de felicitações ela pediu que dispusessem de um minuto porque era o tempo que você falaria a eles. Sabe o que é no dia mais feliz da sua vida deixar que todos saibam que por mais que sua felicidade seja intensa, uma parte de você está partida porque alguém especial simplesmente partiu? As pessoas sentem sua falta Bella, elas precisam de você em suas vidas, então talvez devesse só por um momento tentar fazer o mesmo por elas.

Sem deixar com que respondesse alguma coisa ela desligou...

Naquele dia depois da conversa chorei por toda a noite, por tudo o que sofro e por fazer as pessoas que amo sofrerem também.

Não fui ao noivado do Emm, Nessie demorou dias para voltar a me atender, mas depois de um tempo tentamos esquecer aquilo e o que cada uma falou em um momento de estresse. Ao menos foi o que ela disse quando fizemos as pazes, mas sei que tudo foi mais do que um momento de estresse, foi um desabafo sincero e cansado de alguém que não aguenta mais.

Nesses momentos que paro para pensar se realmente fiz a escolha certa em partir. Poderia ter ficado em Nova York e criado meu filho sem necessitar da presença do Edward, poderia ter ido a Jacksonville e permanecer perto das pessoas que amo e que me querem bem, poderia ter feito várias escolhas diferentes, mas agora não é mais momento para pensar no que poderia ter acontecido, mas sim apenas olhar para frente.

Essa está sendo uma manhã de reflexões e lembranças...

Depois de ficar tanto tempo pensando parada em frente à janela resolvi que já é hora de seguir com o dia, tomei um banho e me arrumei já ficando pronta para o trabalho.

Sai do meu quarto e fui em direção ao do Miguel, quando entrei vi que ele ainda dorme serenamente, todos os dias me dá uma dó enorme acordá-lo e tirar do aconchego da sua cama, mas sei que é um sacrifício necessário.

— Bom dia meu amor.

Saudei me aproximando da cama e dando beijinhos no rosto do meu bebê.

— Hum. – Resmungou sonolento.

— Hora de acordar Miguel, não queremos nos atrasar.

— Ah, mamãe. Não posso ficar na cama só hoje?

— Não meu amor. Anda, sem preguiça, pode levantar, você faz essa manha, mas adora ir à escola que eu sei.

Ele rolou um tempinho entre os lençóis até que decidiu abrir os olhos e me deliciar com o brilho maravilhoso que vejo todos os dias.

— Além do mais, está um dia lindo lá fora e você não vai querer perdê-lo ficando preso aqui nesse quarto, portanto, levantando rapazinho. Vamos, sem demora.

O ajudei a levantar, fomos até o banheiro, ele escovou os dentes fez suas necessidades matinais e fiquei auxiliando-o no banho.

Depois o deixei se trocar e fui em direção à cozinha providenciar nosso café, ao chegar lá encontrei Angela passeando pelo cômodo.

— Acordou cedo moça. – Falei.

— O sol me despertou, então resolvi que uns minutinhos a mais acordada seriam bons para serem compartilhados com as pessoas que amo. – Respondeu.

— Quer ajuda para alguma coisa?

— Não, já estou terminando.

Angela sai para trabalhar uma hora mais tarde do que Miguel e eu costumamos sair, por isso é raro aproveitarmos o café da manhã em sua companhia já que ela usa a diferença nos horários para dormir um pouco mais.

— O Ben vem hoje?

— Sim, combinamos um programinha caseiro. Você e o Miguel estão convidados como sempre, você sabe.

— E super não aceitaremos. Você sabe disso também, não é mesmo?

— Então perderão um ótimo filme com chocolate, só isso. – Disse dando de ombros.

— Sei. Só chocolate.

— Você que deveria procurar fazer uns programinhas de vez em quando, sabe que cuido do Miguel sem problemas.

— Já conversamos sobre isso Ang, saio de vez em quando, mas acontece que nunca encontro ninguém legal. E se é para beber e dançar posso fazer isso aqui em casa mesmo com você e meu filho, que são companhias muito melhores do que as pessoas que ando encontrando por ai. – Ouvi os passos do Miguel se aproximando da cozinha. – E demos esse assunto por encerrado.

— Você que sabe.

— Bom dia tia Ang, já acordada?

— Você e sua mãe devem pensar que não faço nada da vida só porque saio uns minutinhos mais tarde que vocês, isso é totalmente injusto.

Com esse minidrama da Angela iniciamos o café da manhã, conversamos por um tempo, mas logo peguei minhas coisas e do Miguel e saímos.

O deixei na escola como todos os dias, dei muitos beijos e recomendações e quando ele desceu do carro o vi encontrar um coleguinha que estava com o pai, eles acenaram e eu devolvi o cumprimento seguindo para meu trabalho.

No caminho me lembrei de uma conversa um pouco recente que Miguel teve comigo.

Sozinhos em casa aproveitando uma tarde de domingo chuvoso, apesar disso Ang saiu para ir visitar os pais e mesmo nos conhecendo e eles adorando o Miguel, rejeitei o convite para acompanhar minha amiga preferindo fazer um programa típico de mãe e filho, assistindo um filme infantil e comendo pipoca, batatas, doces e refrigerantes, um cardápio nada saudável, mas também não é sempre que posso ficar assim totalmente despreocupada ao lado do meu filhote.

Porém observei que Miguel está muito quieto, o que é atípico dele, então resolvi puxar assunto.

— Não está gostando do filme, meu bem?

— Estou mamãe.

— E da comida? Não está boa?

— Está sim. Estou comendo batatinha, olha só.

Mostrou a mãozinha cheia do alimento.

— Então o que houve meu bem? A mamãe te conhece e está vendo que alguma coisa está preocupando essa cabecinha linda. Me conta. A mamãe já falou que você pode me contar qualquer coisa, não é verdade?

— Sim mamãe, eu sei.

— Pois fale.

— Mamãe, eu tenho um pai?

Se não tivesse sentada com certeza teria caído.

— Por que a pergunta?

— Primeiro responde, eu tenho um pai? Um pai de verdade?

— É claro que tem Miguel. De onde veio essa ideia de que você não tem um pai? Todos têm um pai e uma mãe.

— Então por que eu não conheço ele? Por que a senhora nunca fala dele? Nunca vi nem uma foto.

— Querido, muitas crianças também não moram com o pai.

— Não é isso que estou falando mamãe. Sei que nem todos os papais e as mamães moram juntos. Tenho amiguinhos na minha sala que moram com a mamãe e veem o pai só nos fins de semana, às vezes eles têm até outros papais que moram com as mamães e mamães que moram com os papais deles, outros irmãos...

— Eu sei querido. Alguns têm madrastas e padrastos, esse é o nome que se dá para quem se casa com o papai ou mamãe de uma criança e ajuda a cuidar deles.

— Isso e meus amiguinhos dizem que é legal ter duas casas, outros não gostam muito, mas todos eles têm um pai para ver, visitar, brincar, levar para passear, por que só eu não posso ter um papai também?

Meus olhos encheram-se de lágrimas, me ajeitei melhor no sofá e peguei Miguel para sentar no meu colo, quando ele olhou no meu rosto viu o choro e se assustou.

— Mamãe, por que a senhora tá chorando? É por que falei do meu papai? Nunca mais falo dele de novo prometo, eu te amo mamãe.

— Eu também te amo meu amor e não estou chorando porque você falou do seu pai, é porque não quero que você sofra. Desde que nasceu tenho tentando fazer de tudo para que seja feliz, sempre. Mas deixa a mamãe te explicar uma coisa, você tem um pai sim, um pai muito bom, eu juro. A questão é a seguinte, a vida de adultos é muito complicada, seu pai e eu não pudemos ficar juntos para poder criar você, entende? – Ele assentiu. – Mas não é que seu pai não queira ficar com você, é que ele mora em outro lugar, a vida dele é lá e a nossa aqui. E quando a mamãe teve você, ele não pôde ficar conosco, só que até hoje ainda não podemos ficar juntos e nem você pôde conhecê-lo, mas eu juro que mesmo estando longe ele te ama, acredita na mamãe?

— Sim mamãe acredito. É um pouco confuso entender os adultos e porque não podemos ficar juntos.

— Eu sei que é querido, queria que tudo fosse mais fácil para você, que pudesse ver seu pai assim como seus outros amiguinhos, mas infelizmente, por enquanto, a nossa vida é essa.

— Mas mamãe será que um dia vou poder conhecer meu pai?

— Te prometo querido, que se um dia for possível, à mamãe fará de tudo para que você possa conhecê-lo, tudo bem? Até lá, saiba que te amo e vou amar sempre.

— Eu também te amo mamãe.

Consegui contornar a situação por ora e voltamos a assistir o filme, mas meu coração ficou em pedaços por ter que submeter meu filho a esse tipo de sentimento e angústia.

Desde esse dia Miguel não perguntou mais sobre o pai, mas sei que ele sente muita falta e isso me mata por dentro.

Espantei esses pensamentos ao chegar ao prédio em que trabalho, concentrando-me no que terei que fazer hoje, estacionei o carro e peguei o elevador até meu andar.

Quando ia passando para minha sala, minha secretária falou que meu chefe quer falar comigo, deixei minhas coisas e logo após fui até a sala dele, dei uma batida na porta e entrei após a permissão.

— Senhor, me avisaram que queria falar comigo.

— Sim, Isabella sente-se. – Segui com a indicação aguardando o parecer. – Você sabe que sempre que expandimos nossas empresas, é um trabalho árduo assumir uma filial em outro lugar, tem que reunir equipe, produção para a nova cede e muitas outras coisas que sabemos bem. Só que o fator mais importante é escolher quem será o novo responsável e depois de muitas conversas com os outros acionistas decidimos que queremos você dirigindo a nova filial.

— Nossa. Posso dizer que estou surpresa com o convite, porém muito lisonjeada com a escolha. Espero não decepcioná-los em nenhum momento, o senhor sabe que tenho um filho e mantive residência fixa aqui em Los Angeles desde que me mudei.

— Sabemos disso Isabella e que será uma grande mudança na sua vida, mas garanto que a empresa irá arcar com todos os recursos para você se estabilizar em um novo local.

— Sim, sei como as coisas funcionam, estou disposta a aceitar, afinal, será um grande ganho para minha carreira, não teria porque recusar uma oportunidade dessas de crescimento, mas onde será a nova filial?

— Um lugar que a senhorita já conhece bem pelo que sabemos. A cidade escolhida é a de Nova York.

O que?

Estão querendo me mandar de volta à Nova York? O meu pesadelo particular?!

— Então Isabella, aceitará nossa proposta...?

POV Edward

— Você fez um bom trabalho hoje Edward.

Riley, meu colega de trabalho, parabenizou.

— Obrigado, toda equipe foi de grande ajuda naquele momento, você inclusive.

— Realmente estamos com um grande pessoal nesse setor, assim as coisas vão até para frente e não perderemos nenhum paciente.

— É o que espero sempre. Sei que teremos que lidar com isso uma hora ou outra, mas não posso me imaginar perdendo uma vida entre minhas mãos, então o que estiver ao meu alcance estou disposto a fazer. – Refleti sobre nosso assunto.

— Certo. Vou para minha sala dar uma descansada até o próximo chamado.

— Irei fazer o mesmo, meu turno está meio dividido hoje então vou sair ainda de madrugada, mas estarei aposto caso precisem de mim para alguma coisa.

Riley assentiu e seguiu em direção a sua sala e eu a minha.

Ao entrar fui até a mesa sentei tentando relaxar um momento. Acabei de sair de uma cirurgia com uma criança, ela tinha um leve tumor no cérebro, benigno, porém com necessidade da sua retirada.

Graças a Deus tudo ocorreu nos conformes, mas ficamos quase quatro horas confinados naquela sala e foi bom sair com a satisfação de dever cumprido.

Por esse e outros motivos que amo a profissão que escolhi, durante os anos de graduação na medicina fiquei muito tempo indeciso sobre qual área me especializar, mas quando chegou à época da decisão a neurologia/neurocirurgia foi a melhor opção. Tratar de problemas tão diversos envolvendo a mente, às vezes com aspectos tão distintos que é preciso analisar atentamente e com frequência cada mínimo detalhe, me deu o aval que precisava para seguir em frente e fazer disso meu projeto de vida. Minha residência também ajudou na escolha final, pois desde que vim trabalhar aqui no hospital, acompanhar cada dia todos os eventos cotidianos desse local foi me dando prazer em saber que no futuro seria muito útil trabalhando na minha profissão.

Olhei para os porta-retratos espalhados pela minha mesa, uma foto dos meus pais em uma viajem ao litoral que fizeram há dois anos. Outra com uma foto dos meus avós comigo e Alice ainda crianças, essa foto costumava ficar em casa, mas convenci dona Esme em ceder o porta-retratos para que também possa tê-los sempre próximos.

E o último, com uma foto de Alice, Jasper e eu no dia de seu casamento, foi um dia extremamente feliz para todos que puderam compartilhá-lo com meu amigo e a baixinha.

Essa foto tem um fato engraçada e um tanto peculiar, estamos dispostos na seguinte ordem, Jasper, Alice e eu, bem segundo Alice, ainda há mais uma pessoa no close, ao meu lado antes de encerrar a imagem contém um espaço que Alice afirmou em todas as fotos que era o espaço da sua melhor amiga, uma das madrinhas do casamento, no caso a que deveria ser o meu par, Isabella...

Porém essa não esteve lá presente, pelo menos não fisicamente, já que Alice fez questão de colocá-la em todos os lugares possíveis e não esquecer nenhum detalhe de sua participação.

Lembrar-me de Isabella faz com que muitas feridas ainda não cicatrizadas apontem no meu sofrido coração.

Quase perdi minha vida e joguei meu futuro fora por uma desilusão amorosa de alguém que não teve o mínimo apresso por mim.

Depois que ela partiu meu primeiro estágio foi à depressão e fossa iminentes, em certo dia despertei da clausura e decidi curtir minha vida, era jovem, bonito e com a vida toda para desfrutar.

Vivi dias de loucura e quase insanidade, saia para beber todos os dias, me envolvi com mulheres que hoje não consigo lembrar nem do rosto, transei mais em seis meses do que o fiz por todos esses anos, quase tomei bomba no primeiro semestre da faculdade, mas consegui passar e me recuperar firmemente.

Naqueles dias só queria esquecer que em algum momento aquela mulher fez parte da minha vida, me distanciei de todos que pudessem me trazer alguma lembrança dela e fui me afundando pouco a pouco dentro de um rancor sem fundamento nenhum.

Porém depois de alguns meses de descontrole em mais um dia que cheguei mais bêbado do que sóbrio, deitei para dormir e acabei tendo um pesadelo horrível, não era nada concreto ou que possa descrever, apenas existiam dois caminhos, o da escuridão e perda total onde me via enfiado e outro caminho, supostamente da luz onde conquistas em minha vida poderiam aparecer. Na porta de luz apenas via um brilho de olhos verdes que indicava que era o melhor caminho a tomar.

Quando despertei do sono naquele dia estava ofegante e todo suado, ao olhar no espelho reconheci os olhos verdes como sendo os meus, mas no sonho eles pareciam ser de outra pessoa.

E ao olhar meu criado-mudo onde tinha colocado a letra de música cobrindo minha foto com Isabella, para me dar forças de não continuar a pensar nela, encontrei o papel caído e a foto me encarando intensamente.

Não sai de casa naquele dia, passei todo o tempo refletindo sobre minha vida e o que estava fazendo dela, ao fim da noite enquanto lia a letra da música mais uma vez, tomei outra decisão em relação ao seu sentido.

No primeiro dia precisava de uma válvula de escape, algo que me tirasse do torpor de toda a solidão que estava sentindo, e interpretei sua letra de outra forma, mas naquele dia vi que ela era um bálsamo, uma forma de entender que amores acontecem e vários deles têm fim, você só não pode ficar se martirizando por eles no final.

É preciso entender que tudo tem um sentindo na vida e que se por acaso as coisas não deram certo naquele momento, é porque não era pra ser.

A partir dali resolvi retomar minha vida como ela sempre foi, consegui conciliar meu lado jovem que realmente precisava sair e se divertir conhecer pessoas novas, quem sabe viver outros amores, com a parte que devia respeito a minha família, que tinha amigos que estavam ao meu lado.

Fiz da faculdade meu foco número um, me dediquei o máximo que pude durante todos os anos de graduação e estudos, fui conseguindo levar bem quase todos os campos da minha vida ao longo desses anos, fiz viagens, comprei um apartamento assim que comecei a trabalhar, apesar de continuar morando com meus pais até hoje, mas apenas por pura comodidade de ter sempre a comida da mamãe pronta quando estou em casa.

Para resumo da obra consegui reformular minha vida em quase todos os campos, menos no do coração...

Parece que uma praga ou maldição se instalou sobre mim, sai com mulheres esses anos claro, mas nunca passou de uma noite ou duas apenas, se conhecia em alguma festa e tínhamos uma curtição juntos, tentava investir em algo mais, convidando para jantar ou passeio, porém depois da segunda ou terceira vez já não conseguia mais me socializar com a pessoa e acabava dispensando antes de mais complicações.

Em épocas da vida onde a correria esteve maior e precisava de um minuto para relaxar, acabava contratando serviços próprios para isso, como várias pessoas são acostumadas a fazer, mas isso não acontece sempre, apenas quando as coisas estavam difíceis e cansativas demais para aguentar sem algum alívio.

Mas mesmo sendo com pessoas com quem procurava alguma intimidade ou com mulheres pagas para isso, no fim da noite sempre me sentia sozinho, porque nenhuma delas nunca me fez sentir um terço da satisfação emocional que tive com Bella durante nosso namoro.

E além de tudo, nunca consegui firmar compromisso com mais ninguém, mamãe e Alice tentaram por muito tempo encontrar alguém propícia para namorar novamente, mas depois de alguns anos desistiram e viram que sou feliz com a vida que levo, apesar de tudo e que algum dia talvez apareça uma mulher capaz de me completar novamente ou pelo menos ser uma companheira especial e que possamos construir uma família juntos, continuando assim o legado dos Cullen.

Nos primeiros meses depois que voltei a ser eu mesmo vi que todos evitavam falar sobre Bella na minha presença, talvez com medo de que tivesse alguma recaída pela sua lembrança, só que com o passar dos anos eles viram que continuei focado na minha vida então fomos introduzindo o assunto nas nossas rodas de conversa, principalmente quando ela manda alguma carta dizendo que está bem e feliz levando a vida daquele jeito meio estranho e maluco de viagens pelo mundo.

Ninguém nunca perguntou e também não faço questão de falar como me sinto em relação a ela, mas a verdade é que nunca fui capaz de esquecer tudo que tivemos e em vários momentos me pego pensando como realmente está sua vida.

Será que ela encontrou alguém?

Será que com essa história de viagens tem tempo para relacionamentos duradouros ou não?

Terá conquistado algo? Possuirá um futuro garantido ou está vivendo levada pelo vento?

Ela sempre relatou estar feliz e bem com a vida que leva, mas o que isso quer dizer? O que será essa felicidade que ela saiu daqui para procurar?

Será que realmente a satisfaz mais do que um verdadeiro amor...?

Like a Fool – Como um Tolo

Olhei para o relógio e vi que já está na minha hora de ir embora, peguei o jaleco e minhas coisas e deixei o hospital em direção ao meu carro.

Sai dirigindo sem saber ao certo aonde ir...

Tantos amantes, tantas noites.
Encaro o espelho, que me mantém vivo.
Tão próximos e juntos, ainda sim tão longe e separados.
Estou com tanto medo sem você.

Chuva sobre o rio, eu nunca o atravessarei.
Vento sobre o oceano, a sensação é da perda.
Eu ainda acredito que você chora por mim.
Será que vou sobreviver sem você?

Ao volante observo a cidade ainda dormindo, as estrela no céu, as pessoas acolhidas em suas casas presas em seus sonhos enquanto continuo a pensar no meu.

Como um tolo, eu estava esperando.
Como um tolo, por você voltar.
Tolo, estou de pé sozinho na chuva.
Como um tolo, eu estava sonhando.
Como um tolo, te perdendo desta forma.
E agora, estou apenas enganando a mim mesmo.

Será que sou tolo demais por ainda pensar nela? Por continuar com uma mínima esperança de que algum dia ela possa voltar?

Os corações seguem pulsando, o amor fora do tempo.
Ruas sem piedade, estou em busca de um sinal.
Oh, continuo a correr na noite.
Mas continuo perdido sem você.

Tantos amantes, tantas noites.
Encaro o espelho, que me mantém vivo.
Tão próximos e juntos, ainda sim tão longe e separados.
Será que vou sobreviver sem você?

Como um tolo, eu estava esperando.
Como um tolo, por você voltar.
Como um tolo, estou de pé sozinho na chuva.
Como um tolo, eu estava sonhando.
Como um tolo, te perdendo desta forma.
Como um tolo, continuo sozinho na noite.

Talvez seja mesmo um grande tolo, tento todos os dias mascarar que sua ausência ainda me faz falta, mas continuo aqui...

Eu tenho ido muito longe.
Nessa solidão, na noite solitária.
Nessa solidão e eu...


Simplesmente como um tolo, eu estava esperando.
Como um tolo, por você voltar.
Tolo, estou de pé sozinho na chuva.
Como um tolo, eu estava sonhando.

Parei em um farol e olhei para as estrelas, parado aqui me lembrei do dia que ela se foi.

Como pedi para que essas mesmas luzes iluminassem meu caminho para que pudesse encontrá-la e até hoje estou aqui, olhando para esses pontos brilhantes que não me dão resposta alguma.

Será que em algum lugar, onde quer que esteja ela ainda pensa em mim...?

POV Bella

Voltei para casa depois de um dia particularmente confuso.

Depois da reunião com meu chefe, onde ele fez a proposta de administrar a nova filial da empresa, porém justamente em Nova York, o lugar que havia jurado não pisar nunca mais.

Mas agora estou meio que sendo obrigada a voltar por motivos de trabalho, uma questão que não estou propriamente possibilitada a recusar. Sei que além de perder uma grande oportunidade, ficaria mal dentro da empresa se me recusasse a aceitar a promoção.

Eles me deram alguns dias para pensar na proposta, mas é claro que não poderia demorar muito tempo em tomar a decisão.

Depois que recebi a novidade fiz questão de ligar para mamãe e Nessie, comunicar-lhes sobre o assunto, minha mãe gentil como sempre, disse que a escolha é minha, que tenho que ver o que é melhor para Miguel e eu, se estiver disposta a voltar e encarar o passado que deixei, essa pode ser uma boa oportunidade para fazer acontecer.

Nessie, por outro lado, com toda sua sutileza, falou que é mais do que hora de voltar, que agora não tenho nenhuma desculpa para adiar esse retorno, que essa oportunidade veio na hora certa e não posso de forma alguma recusar.

Além do grande ganho profissional, que voltarei a morar perto dela, tudo ficará mais fácil, que ela me ajudará a resolver as situações por lá encontrando apartamento, escola para o Miguel, melhor localização do imóvel perto da nova cede da empresa, só deu pontos positivos para a volta, ouvi tudo, mas encerrei a ligação informando que irei pensar.

Mas é muito difícil largar tudo de uma hora para outra e não apenas pensar na nova adaptação da vida em Nova York, mas também deixar tudo o que conquistei aqui em Los Angeles.

As pessoas que estiveram ao meu lado na fase mais difícil da minha vida e tirar meu filho da cidade onde ele nasceu tem seus amigos e todos que o querem bem. São tantas coisas a pensar que minha cabeça parece que vai explodir.

Depois do jantar conversei com Ang e ela também disse que me apoiará independente de qualquer decisão que tome, só tenho que escolher certo dessa vez por mim e Miguel, novamente replanejar nossa vida toda tentando acertar.

Sozinha no meu quarto ainda estou tentando assimilar tudo, sei que terei muitos ganhos se voltar, só que por mais que tente esconder de todos, minha maior preocupação continua sendo me reencontrar com Edward.

Não sei como as coisas ficarão entre nós depois de todos esses anos...

E ele e Miguel?

Será que ele sabe sobre nosso filho?

Será que tomará alguma atitude perante ele sobre esse fato?

Já se passou muito tempo, mas tenho certeza que as cicatrizes machucadas do meu pobre coração não entendem assim...

Dor de Amor não tem Jeito

Resolvi fazer uma coisa que há muito não fazia.

Pegar a caixa onde guardei todas as recordações do meu relacionamento com Edward...

Você fugiu das minhas mãos.
E mergulhou noutras paixões.
Deixou pra mim a solidão.
E mesmo assim meu coração.


Ainda quer você por perto.
Não sei se isso é certo.
Eu quero te odiar.


Eu sei que eu te amo.
Eu sinto que te amo.
Mas não quero te amar.

Sempre me privo de ficar vendo esses objetos, pois sei o quanto dói olhar tudo e recordar que acabou...

Tentei te trocar por alguém.
Mas não sei gostar de ninguém.
A magia do amor me enfeitiçou.
Não sei te esquecer...

Na madrugada, luz apagada.
Tudo o que eu vejo é você.
Milhões de estrelas dentro do peito.
Dor de amor não tem jeito...

Fui pegando os objetos com cuidado, entre eles o presente que Edward me deu no meu aniversário, o qual nunca tive oportunidade de usar, as pétalas da rosa que comprou no primeiro dia que saímos juntos como casal e por fim nossa aliança de namoro...

Tentei te trocar por alguém.
Mas não sei gostar de ninguém.
A magia do amor me enfeitiçou.
Não sei te esquecer...

Na madrugada, luz apagada.
Tudo o que eu vejo é você.
Milhões de estrelas dentro do peito.
Dor de amor não tem jeito...

Dói no meu coração até hoje pensar que nosso amor teve um fim, mas mesmo longe todos esses anos não tive a capacidade de esquecê-lo. E adiar essa volta, nesse momento, só trará uma perda a mim.

Chorei muito ao continuar olhando o conteúdo da caixa, cada pecinha pontuando algo relacionado a nós e nem mesmo trouxe tudo comigo, como o panda que ele ganhou no parque de diversões em nosso dia especial, obviamente por seu tamanho exacerbado o deixei em casa, não tenho ideia se Nessie se desfez dele, pois nunca me permiti perguntar.

Mas entre todas as lembranças e recordações, durante o tempo de reflexão, constatei que minha decisão está mais do que tomada.

Vou voltar para Nova York...

***

Passaram-se dias até as coisas ficarem prontas para que pudéssemos viajar.

Organizei tudo no meu trabalho e com os estudos do Miguel, tanto a escola que deixa para trás, quanto a que estudará a partir de agora, para tal contei com ajuda da Nessie para me auxiliar na escolha. E como prometido também auxiliou na escolha do apartamento.

Tive uma conversa séria com Miguel, explicando sobre as mudanças e o porquê de estarmos indo embora, disse que ficaremos mais perto da sua madrinha, da vovó também e que ele terá a oportunidade de muito em breve conhecer todos os outros familiares que comentamos nesses anos, mas ele nunca viu.

Ele aceitou bem, tirando a parte da escola, pois ficou um pouco triste de separar-se dos amigos, mas foi totalmente compreensivo como a partida.

Dizer adeus a Angela foi à parte mais difícil, assim como me despedir de todos os outros amigos que fiz nesses anos.

O voo foi tranquilo e quando saímos do avião caminhando à sala de desembarque, encontramos logo Nessie pulando euforicamente a nossa espera, Miguel correu para abraçá-la e me aproximei quando os dois ainda estavam no abraço.

— Ai, como senti falta de vocês, não acredito que agora vamos morar pertinho, que a qualquer momento poderei vê-los. Esse será o melhor tempo da nossa vida, garanto a vocês.

— Espero que seja mesmo Nessie, estou contanto com isso. Podemos ir?

— Claro, vou mostrar o apartamento, vocês vão amar. Ele veio com quase todos os móveis no contrato de locação e o que possa faltar, vemos de comprar depois, sim?

— Tudo bem. Só quero chegar e tomar um banho, descansar porque amanhã já tenho assuntos da empresa para resolver.

Seguimos no carro da Nessie até o apartamento, ao chegar gostei muito de todos os ambientes, dos móveis. Também vi logo de cara que não precisarei fazer muitas modificações, apenas dar um toque de lar para que meu filho e eu possamos viver bem.

— Bem-vinda ao seu novo lar irmãzinha, a sua nova vida, aproveite.

A abracei de modo fraternal, apesar das adversidades que sei que enfrentarei. Só pelo prazer de estar morando perto da minha irmã, vale a pena...

***

Hoje completa uma semana que voltei à Nova York, as coisas têm se saído bem por enquanto, nesses primeiros dias tenho ido à empresa por períodos menores, pois tudo ainda está em processo de adaptação, os horários de funcionamento e o banco de funcionários ainda não estão totalmente definidos.

Geralmente vou trabalhar no período da manhã, que é o horário de aula do Miguel, depois que saio para buscá-lo voltamos para casa e passamos o resto do dia juntos.

Miguel foi dormir cedo essa noite, o que achei estranho já que ele sempre gosta de enrolar para adormecer, mas talvez só esteja cansado da primeira semana de aula.

Fui para meu quarto e fiquei um tempo lendo um livro enquanto o sono não chega, ao passar das horas decidi ir dar uma olhada nele, quando entrei em seu quarto o vi balançar um pouco na cama, me aproximei tocando seu rosto sentido à temperatura elevada.

— Miguel, meu amor, acorda.

Puxei o edredom que cobre seu corpo e vi que ele está suando com indícios de febre.

— Mamãe, eu tô enjoado.

— Vem meu amor, à mamãe vai te dar um banho.

O peguei no colo e fui em direção ao banheiro, mas antes de entrarmos no Box ele mostrou indícios de que precisa vomitar, então o segurei perto do vaso e o ajudei a colocar tudo para fora.

Depois que ele terminou tirei sua roupa e liguei o chuveiro para lhe dar um banho rápido, para em seguida irmos ao hospital.

Terminei o banho, de volta ao quarto troquei sua roupa enquanto peço um táxi, corri até meu quarto, troquei de roupa também, peguei minha bolsa e voltei para buscá-lo.

Saímos do apartamento e ao chegar à portaria o taxi já nos espera, pedi para que nos leve ao hospital que conheço da época em que morei aqui e em pouco tempo chegamos.

Ao entrar fui direto a recepção.

— Boa noite. – A recepcionista saudou.

— Oi. Meu filho está com febre, ele já vomitou e tem reclamado de enjoo.

— Pode preencher a ficha dele que já vamos atendê-lo.

Quero dar na cara dessa moça que pensa que esperarei por ficha, mas antes de falar algum desaforo um médico apareceu ao meu lado.

— Deixa que já vou examinando-o, vocês fazem a ficha depois.

— Sim doutor.

O médico indicou o local para levar o Miguel, o segui e ao entrarmos na sua sala o coloquei deitado na maca. Ele passou a examiná-lo e fazer perguntas no processo, respondi tudo atentamente, ainda preocupada.

— Agora você pode ir preparar a ficha que o colocarei no soro, logo a chamarei de volta, sim?

Concordei, ainda que meio contrariada por deixar meu filho sozinho naquela situação. Voltei à recepção, fiz todos os procedimentos e fiquei aguardando uma notícia.

Sentada há alguns minutos a espera de notícias do Miguel, ergui a visão ao ouvir passos, então avistei o doutor que me atendeu e ao seu lado a última pessoa que esperava e queria encontrar na vida!

Aquele que esteve em todos os meus sonhos e pesadelos...

Edward Cullen!

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Quem é vivo sempre aparece e quanto a isso vocês podem ter certeza que sempre voltarei, gostaria que às vezes não demorasse tanto tempo, mas a vida é assim, quando entrei de férias da facul parece que minha inspiração entrou junto e só voltou agora por conta das aulas novamente, vai entender essa tal de inspiração? Mas me digam o que acharam desse cap? Das recordações da Bella e do Edward, do que mostrei de como foi a vida deles ao longo desses anos, e dessa decisão de voltar à Nova York? Será que foi uma boa coisa? Por esse encontro com o Edward logo de cara acho que a Bella não gostou muito não, vamos ver no próximo como ficaram as coisas entre os dois... Novamente peço desculpa pela demora, mas também digo que não foi só a falta de inspiração que me fez travar, a falta de incentivo por parte de vocês ai do outro lado acaba contando um pouquinho, com esse contador de acessos as coisas ficam difíceis para os autores, hein? Só para vocês terem uma ideia, no último capítulo tiveram até o presente momento 141 acessos e apenas 11 comentários, gostaria de saber por onde andam as outras 130 pessoas que visualizaram, leram, e não comentaram? Pensem bem eu me doou totalmente para trazer uma história, que eu como leitora gostaria de acompanhar, mas como autora estou saindo triste daqui, mas de qualquer forma tudo continua nas mãos de vocês. O próximo capítulo está pronto e a data de postagem dependerá da vontade de vocês, até lá espero encontrar a todos pelas reviews. Sigam-me no twitter: @KNRobsten. ~Kiss K Nanda.