Endless Love
30 2ª Temporada Capítulo 4 - Reencontro
Notas iniciais
...Então avistei o doutor que me atendeu e ao seu lado a última pessoa que esperava e queria encontrar na vida!
Aquele que esteve em todos os meus sonhos e pesadelos...
Edward Cullen!
Por fim seu olhar recaiu sobre mim e expressamos ao mesmo tempo.
— Bella!
— Edward!
Não posso acreditar que isso está realmente estava acontecendo.
Depois de tantos anos ele está aqui, parado na minha frente, com uma expressão tão espantada quanto a minha.
— Vocês se conhecem?
Perguntou o doutor nos tirando do transe.
— Sim.
Respondemos juntos novamente.
Imediatamente me concentrei na razão e o motivo de estar aqui, meu filho.
— Doutor, como está o Miguel? O que ele tem?
— Não precisa se preocupar, senhora...
— Swan, Isabella Swan!
— Então, seus sintomas são de uma simples, já controlamos a febre, não se preocupe. Ele está tomando soro para se hidratar pelo vômito, por isso aconselho o deixarmos passar a noite aqui em observação, só pra garantir que tome a medicação completa e ver se a febre não volta. Tudo bem para a senhora?
— É claro, mas posso vê-lo? E poderei passar a noite com ele?
— Sim, é o melhor a fazer, venha comigo a levarei até o quarto dele. – No mesmo instante anunciaram um chamado no interfone do hospital. – Sra. Swan, infelizmente terei que ir, mas pedirei para uma enfermeira acompanhá-la.
— Não se preocupe Riley. Deixa que acompanho a senhorita Swan.
Nessa hora voltei a olhar para Edward, procurei ignorar sua presença ao meu lado, pois não me sinto totalmente segura para ter algum contato com ele.
Porém ele parece não compartilhar do mesmo sentimento que eu, já que está se oferecendo para me acompanhar e consequentemente termos um tempo a sós.
— Edward, seria um grande favor, leve-a até o quarto 32 do setor infantil. – Indicou á Edward depois voltou a mim. – Mais tarde passo lá para vê-lo, agora tenho que ir, com licença.
Apenas assenti ficando parada sem saber o que fazer então Edward gesticulou para que o acompanhe, o segui por um breve momento mantendo o silêncio.
— Estou surpreso em ver você. – Soltou.
— Eu também.
E realmente estou.
Tentei fugir por dias da presença de qualquer pessoa do meu passado e a primeira que vejo ser justamente ele, só pode ser considerada uma grande ironia do destino.
— Após tantos anos já tinha perdido as esperanças de vê-la novamente e agora você está aqui, no meu local de trabalho.
— Não sabia que você trabalhava aqui. – Declarei.
— Imaginei. Se soubesse não teria vindo, não é?
Não tive coragem de responder, não quero tocar nesse assunto. Ele deve ter percebido minha negativa silenciosa, então prosseguiu.
— O que te trouxe de volta Bella?
— Como assim?
— Soube por alto que você estava viajando pelo mundo, querendo se descobrir e agora está de volta à Nova York, queria entender o que houve.
— Voltei por assuntos de trabalho.
— Trabalho? Que interessante e o que faz?
— A empresa onde trabalhava está abrindo uma cede aqui em Nova York, então fui transferida para cá, onde serei a responsável, chefe administrativa da filial.
— Então você fez mesmo administração?
— Sim, foi o que sempre quis fazer e não poderia desistir do meu sonho, pelo que vejo você também está seguindo o seu.
— Sim, me formei em medicina, peguei especialização em neurologia e neurocirurgia, sou um pouco responsável aqui pelo hospital no meu turno, faço parte da comissão técnica é um pouco puxado, ainda mais por trabalhar a noite, porém foi o que sempre quis fazer, então está tudo bem.
— E porque você trabalha a noite?
Questionei confusa.
Por que se não gosta, poderia muito bem mudar, não é?
— Por vários motivos, primeiro o salário é maior, depois porque achei válido como primeira experiência pegar o turno da noite, você não tem ideia de como pode ser puxado isso aqui e o mais importante, é que a maioria dos que trabalham a noite são pessoas solteiras ou pelo menos sem filhos ou família.
— E você está solteiro? – Soltei sem pensar.
— Sim.
Respondeu abrindo aquele sorriso torto que sempre me matou e não entendi porque de repente fiquei tão feliz com essa notícia.
— Chegamos, pode entrar.
Voltei a mim com o indicativo.
— Claro. Obrigada por me acompanhar.
— Por nada, mas vou entrar com você, quero ver quem é o motivo de ter te feito ficar tão aflita – Gelei.
Miguel, Edward e eu na mesma sala?
Não meu Deus! Isso não pode acontecer, mas o que farei? Não posso proibi-lo, quer dizer, eu posso, sou a mãe, acho que tenho esse direito.
— Não precisa se incomodar, entro sozinha.
— Eu faço questão Bella.
Suspirei aflita enquanto ele simplesmente abriu a porta para entrarmos.
Assim que o fizemos vi meu amorzinho deitado com o soro ao seu lado. Aproximamo-nos da cama então ele abriu os olhos, seus olhos dirigiram-se rapidamente para Edward.
— O que ele é seu?
Ouvi o sussurro, mas antes de poder calcular o que diria, veio à resposta.
— Mamãe, senti sua falta aqui.
— Oh, meu bebê. A mamãe já está aqui, como você está?
— Tô meio enjoado ainda e com um pouco de sono.
— Tudo bem querido, o enjoo passará daqui a pouco e você já pode dormir, hoje passará a noite aqui, mas amanhã cedinho vamos embora.
Ele assentiu e olhou para o lado novamente vendo a figura de Edward ainda parada.
— Quem é ele mamãe?
Novamente antes de poder responder algo, fui interrompida.
— Sou o Dr. Cullen, mas para você apenas Edward, sou amigo da sua mãe.
— Amigo da mamãe? Mas para ser amigo dela tem que ser meu amigo primeiro.
Edward riu com o comentário.
— Ok, senhor Miguel e o que posso fazer para conquistar sua amizade?
— Se você souber jogar videogame e futebol é um bom começo. Assim poderíamos ser amigos e você pode ser amigo da mamãe também.
— Pois acho que você acabou de ganhar um novo amigo, porque adoro jogar videogame e você precisa me ver jogando futebol, não quero me gabar, mas modéstia parte jogo muito bem.
— Então tudo bem, agora que somos amigos você tem que ir ao nosso novo apartamento para jogarmos videogame e temos que ver se um dia também podemos jogar futebol. Quero ver se é tão bom quanto eu!
Dessa tive que rir, se meu bebê visse como Edward joga...
Apesar de que essa é uma das características que Miguel herdou, o talento no futebol, então seria engraçado vê-los jogando.
— Então, podemos jogar amanhã? – Meu bebê, muito entusiasmado, perguntou.
— Miguel, Edward é um homem ocupado e ele não estará à disposição assim, além do mais, você ainda está se recuperando, então nada de esforços.
Ele tentou contestar, mas Edward interviu.
— Sua mãe está certa Miguel, você ainda precisa ficar bom, não quero que depois que eu ganhar, você coloque a culpa na sua debilitação e também amanhã não daria, mas no dia da minha folga, se a sua mãe deixar, irei com certeza.
Eles me olharam com um olhar pidão, praticamente impossível de resistir.
— Ok, resolvemos isso depois. Agora você tem que dormir mocinho.
— Tudo bem, mas o tio Edward vai brincar comigo no dia da folga dele. Porque a senhora sabe como é horrível brincar sozinho...
Como se já não bastasse tudo, nesse momento veio à pergunta que queria que nunca fosse pronunciada.
— Mas por que você brinca sozinho? Cadê o seu pai?
Senti um tremor correr pelo meu corpo, não sei nem ao menos como respirar, as coisas estão indo por um caminho cada vez mais difícil de controlar.
— Não tenho pai. Aqui só tenho a mamãe e a madrinha. E elas não são muito boas para jogar videogame.
— Ah, eu... Desculpe-me, não sabia.
Edward lamentou e vendo que essa conversa já foi longe demais, resolvi intervir antes que algo mais dê errado.
— Ok mocinho, já é hora de dormir. Depois você terá muito tempo para falar com o Edward.
— Está bem mamãe. Boa noite e boa noite tio Edward.
— Boa noite. – Respondemos juntos.
Quantas coisas vezes mais falaremos juntos hoje?
Acreditando que Miguel apenas pegaria no sono novamente, me surpreendi com seu pedido.
— Mamãe, canta para mim?
— Claro, meu bem, descanse que a mamãe vai estar aqui cantando.
Ele fechou os olhos e comecei a cantar sua música, percebi o olhar atônito de Edward, mas não me refreei.
Continuei cantando para meu filho como faço todas as noites, quando fui surpreendida por um adendo.
A música é um dueto, mas obviamente sempre cantei sozinha e me espantei quando na parte masculina, Edward começou a cantar.
Fiquei paralisada, só olhando e nem notei quando novamente voltei a cantar, agora juntamente com ele.
De repente foi como se o mundo lá fora não existisse, como se só nós estivéssemos aqui, aproveitando o momento.
A música acabou e permanecemos um tempo com os olhares conectados, por fim ele quebrou o silêncio.
— Acho que tenho que ir...
— Claro, te acompanho até a porta. E mais uma vez muito obrigada por ter me acompanhado e ter distraído o Miguel.
— Não por isso, adorei conhecê-lo e saiba que estava falando sério em relação a ir jogar videogame com ele, no dia da minha folga, eu te ligo.
Apenas assenti e apesar de querer me afastar da sua presença, não refreei a curiosidade.
— Edward, espera. Como você se lembrou da música?
Ele sorriu novamente.
— Bella, essa era uma das nossas músicas e jamais poderia esquecê-la. – Fiquei chocada. Será esse o real motivo? – E por que você a canta para o Miguel?
— Porque cantava durante a gravidez, me acalmava e acho que a ele também. E depois que ele nasceu continuei cantando, assim ele se acostumou e até hoje pede o acalento.
— Entendi, mas agora infelizmente tenho mesmo que ir, podem precisar de mim no hospital.
Fiquei apenas parada, até perceber ele vindo à minha direção para me dar um beijo de despedida, porém por estar com o rosto reto, senão virar, ele me dará um beijo na boca.
Rapidamente ouvi a razão e desviei o beijo ainda pegou no canto da minha boca.
Ao nos afastar o vi passar a mão no cabelo, mostrando o antigo sinal frustração.
— Então tchau, boa noite Bella.
— Boa noite Edward.
Ele se foi e fiquei sem saber o que fazer.
Depois de um tempo me aconcheguei na cadeira ao lado da cama do Miguel e adormeci...
Quando acordei na manhã seguinte olhei pela janela enxergando o céu claro, olhei para meu filho que ainda dorme profundamente, desse modo percebi a porta abrindo.
— Sra. Swan.
— Dr. Byers, entre.
— Só Riley, por favor.
— Então só Bella. – Sorri.
— Tudo bem, vim avisar que o Miguel está melhor e que quando acordar já pode ir embora, assim virei dar alta, certo?
— Claro, muito obrigada por tudo e assim que ele acordar peço para te chamarem.
— Bella, se quiser vá comer alguma coisa. Peço para uma enfermeira vir ficar com ele.
Concordei em seguir o conselho.
Dei um beijinho no Miguel, então levantei, fui ao banheiro fazer minha higiene pessoal e fui até a cantina, pois preciso comer alguma coisa. Tomei um suco e pedi um pedaço de torta, mas de repente percebi que preciso conversar com alguém e com certeza este alguém se chama Renesmee Swan.
Peguei meu celular e liguei, fui atendida no sexto toque.
— Alô.
— Nessie, é a Bella, te acordei?
— Mais ou menos, mas para você ter me ligado essa hora deve ser sério. O que houve?
— É que...
— Bella, fala logo. Você sabe como sou curiosa.
— Ok, Nessie ouve tudo primeiro e depois comenta.
Relatei sobre a situação do Miguel e estarmos no hospital.
Ela deu um chilique por não ter ligado ontem mesmo, depois que consegui convencê-la que não era necessário pude continuar com a história, porém quando toquei no nome do Edward, ela enlouqueceu ainda mais, perguntando tudo que houve. Então somente após muitos comentários terminei de contar tudo.
— Não acredito que você viu o Edward, que ele viu o Miguel, que de repente já é o tio Edward, que vocês cantaram juntos e por último, não acredito que ele tentou te beijar!
— Calma Nessie, esta última parte não sei se é de todo verdade.
— Isabella Swan, conhecemos muito bem Edward Cullen para saber que essa era sua real intenção.
— Ok, Nessie, mas essa não é a coisa mais importante a ser analisada e acho que não devo falar por telefone.
— Concordo, pois está ótimo. Você vem aqui em casa assim que sair do hospital para conversarmos melhor.
— Tudo bem Nessie. Preciso desligar e ir ver o Miguel, mais tarde nos vemos. Beijos.
Desliguei já caminhando para o quarto do meu bebê, porém ao entrar tive uma surpresa. O encontrei acordado, tomando café e com Edward ao seu lado o ajudando a comer.
— Bom dia Bella. – Edward saudou assim que me viu. – Espero que não se incomode de estar aqui.
— Tudo bem Edward, tenho que agradecer por estar aqui olhando o Miguel. E você meu amor, como está?
— Estou ótimo mamãe, tio Edward me ajudou a tomar café e disse que vai nos levar para casa no carro dele.
— O que? Não Edward, não precisa. E, aliás, você já ajudou demais e está trabalhando.
— Não Bella, faço questão. Não vou deixá-los ir de táxi sendo que meu carro está à disposição e também já acabou meu plantão. Não adianta contestar, Miguel já aceitou e vou levar vocês.
— Está bem. Já que são a maioria, não posso contestar, mas é só dessa vez, ok? – Ambos assentiram.
Arrumei o Miguel, o doutor Riley veio dar à alta e fomos embora.
No caminho Edward e Miguel conversaram espontaneamente e um sentimento de felicidade pairou sobre mim, logo chegamos a meu apartamento e Edward fez questão de subir conosco.
Ao entrarmos deixei as coisas em cima do sofá e pedi para Miguel ir tomar banho, que em seguida irei ajudá-lo, ele se despediu do Edward e o mesmo prometeu vir no dia da folga para que os dois possam ficar juntos.
Quando Miguel saiu deixando-nos a sós, um silêncio não tão confortável se instalou sobre a sala.
— Você quer alguma coisa para beber?
Perguntei tentando de alguma forma quebrar o clima.
— Não obrigado, vocês têm que descansar e eu também, ter meu merecido sono.
— Você deve estar muito cansado, não é mesmo?
— Um pouco, mas já estou me acostumando com a rotina.
Assenti e se instalou um novo silêncio.
— Fiquei surpreso por ver que você tem um filho.
— Por quê? É por que ele disse que não tem um pai?
— Também, mas quando você foi embora disse que queria procurar uma liberdade e filhos não se encaixam bem nesse conceito, não é?
— Realmente, mas Miguel é um presente de Deus. Não tive a intenção de ter um filho tão nova, mas as coisas aconteceram e não reclamo, ele é minha maior alegria.
— Imagino, ele parece ser um grande garoto mesmo. E se puder perguntar, por que você não está junto do pai dele?
Porque você me dispensou antes mesmo que pudesse contar que estávamos esperando um filho.
Pensei primeiramente, mas claro que respondi outra coisa.
— Foi um acaso, acabei engravidando e o pai não estava lá para me apoiar, decidi seguir em frente e cuidar do meu filho sozinha.
— Corajosa você. Não é fácil ser mãe solteira.
— Fácil não é, mas consegui superar essa adversidade e hoje estou muito bem ao lado do meu filho.
— Entendo. Vou indo agora, entro em contato para marcar a visita do Miguel.
— Vamos ver.
O levei até a porta, ele se despediu, dessa vez sem nenhuma tentativa de beijo, apenas me saudou e saiu.
Fechei a porta e fiquei encostada tentando normalizar minha respiração.
Sempre esperei o pior do meu reencontro com Edward, mas de todos os males esse com certeza foi o menor.
Resolvi esquecer um pouco esse assunto e ir cuidar do meu filho, quando entrei no banheiro Miguel estava mais brincando com a água do que propriamente se lavando, o ajudei e quando terminou fomos até seu quarto onde o ajudei a se vestir e falei para ele esperar tomar meu próprio banho e logo iremos almoçar.
Fui até meu quarto, tirei a roupa e me dirigi ao banheiro, ao abrir a água a deixei lavar não só meu corpo, mas mente e alma também. Uma enxurrada de pensamentos sobre Edward cairiam sobre mim e continuei tentando processar tudo que houve em menos de 24h.
Agora será mais difícil me manter no anonimato e com isso várias outras revelações irão aparecer...
Terminei tudo e depois de vestida fui até a sala encontrando Miguel, passamos um tempo assistindo TV até o horário que preparei o almoço, após o mesmo decidi que é hora de ir à casa da Nessie.
Liguei para ela avisando e logo saímos, pedi um táxi e ao ver o caminho da minha antiga casa, fui tomada por uma incrível sensação de nostalgia.
Ao chegarmos, nos deparamos com ela a nossa espera.
— Oi meninão lindo da madrinha.
— Oi madrinha, que casa grande, o que tem de bom aqui?
— Miguel. Isso são modos? – Reclamei com ele.
— Ah, mãe. Nunca vim na casa da madrinha, quero saber o que tem aqui.
— Então vamos entrar meu bem, que a madrinha pediu para fazerem um bolo especialmente para você. E assim poderá conhecer minha casa e sabia que sua mãe já morou aqui?
— Não, por que a senhora morou na casa da madrinha, mamãe?
— Porque morava com ela, com seu tio Emmett e algum tempo também com seus avós. A mamãe falou que já tinha morado aqui em Nova York.
— Entendi, mas podemos entrar? Quero ver como era a casa que morava mamãe.
Entramos e Nessie fez questão de mostrar a casa toda, acho que no fim acabei ficando mais empolgada do que o Miguel por estar de volta a um lugar que vivi tantos momentos inesquecíveis.
O quarto do Emm ela transformou em um escritório, o dos nossos pais agora é o quarto de hóspedes, só o meu ela manteve intacto e não entendi o porquê, mas depois perguntarei a razão.
Continuamos o tour e constatei que a sala e a cozinha agora têm um ar mais moderno e por fim no fundo há o lindo jardim que mamãe fez questão de ter e pelo visto Nessie pegou o gosto para mantê-lo.
Me deu muita saudade ver tudo isso, principalmente o jardim, lembrar-me do que vivi aqui e como naquela época tudo era fácil como respirar.
Ao fim deixamos Miguel na sala assistindo TV e fomos até a cozinha.
— Tenho uma surpresa para você. – Nessie declarou.
— O que é?
— Alguém que também estava morrendo de saudades.
Olhei procurando a pessoa e vi Sue aparecer entrando pela porta dos fundos.
— Sue.
— Bella, menina. É você mesma?
Comecei a chorar e me aproximei para lhe dar um abraço, Sue sempre foi tão carinhosa conosco, cuidava de tudo na casa como se fosse sua e muitas vezes esteve lá para me ouvir e aconselhar.
Senti muita falta disso nos anos fora.
— Querida, deixe-me vê-la melhor. Você está tão linda, cresceu tanto, está mais mulher. Por que teve que ir embora? Todos falaram sobre sua ideia de viajar pelo mundo, mas não consegui entender o motivo que te levou a fazer tal loucura.
— Foram coisas da vida Sue, mas o importante é que estou de volta e espero não ter que partir tão cedo.
— Você não vai embora nunca mais, isso sim.
— Concordo com a Nessie, agora que está de volta a casa continua esperando você assim como sua irmã e eu, as duas sobreviventes desse lar, já que seu irmão está a alguns meses morando com Rosalie. – Sue completou.
— Espero mesmo não ter que partir Sue, mas não voltei para morar aqui, estou em um apartamento já alguns dias desde que cheguei. Algumas coisas mudaram ao longo desses anos e tenho uma nova vida agora. Mas vem, quero te apresentar uma pessoa. – A conduzi até a sala e chamei Miguel que continua sentando no sofá. – Sue, esse é Miguel, meu filho. E filho essa é Sue, ela trabalha aqui na casa da sua madrinha, e é uma grande amiga da mamãe.
— Meu Deus Bella! Que filho lindo. – Ela se abaixou para dar um beijo no Miguel, após a apresentação ele voltou a se concentrar na TV. – Meus parabéns. Ele é muito educado, mas não posso acreditar que você tão novinha já esteja casada e com filho. Essa mudança realmente foi importante para você, não é mesmo?
— Sim, muitas coisas aconteceram nesses anos, mas não sou casada Sue. Vamos voltar para cozinha, acho que poderemos conversar melhor.
— Claro, vamos. – Voltamos à cozinha e sentamos para continuar a conversa. – O que aconteceu?
— Na verdade não tem muito que falar, Miguel foi o melhor presente que poderia receber, mas ele não foi planejado, acabei me envolvendo com um homem que não pôde estar comigo na gravidez então decidi criar meu filho sozinha.
— Mas ele não sabe sobre o menino?
— Não, achei melhor deixá-lo sem saber, ele não poderia me ajudar e tão pouco queria um filho ou responsabilidades, assim decidi assumir isso sozinha.
— Meu Deus. E como tem sido a sua vida? Sua família já sabe que voltou? Eles sabem do seu filho?
— Eles sabem que Bella esteve bem todo esse tempo e que agora ela tem uma nova vida. – Nessie explicou.
Passamos toda a tarde conversando, foi um tempo agradável poder me sentar e apenas conversar, contar sobre a vida do meu filho e como fomos felizes nesses anos, lanchamos o bolo que Sue fez e que Miguel adorou.
E já no fim da tarde ele pegou no sono, Nessie falou para colocá-lo no quarto dela, quando descemos já estava na hora da Sue ir, mas prometi a ela que voltarei mais vezes para vê-la.
Assim que ela se foi, Nessie e eu voltamos à sala.
— E o Miguel?
— O coloquei no seu quarto, como você falou.
— Pois bem Bella, agora senta aqui que precisamos conversar.
Sentei ao seu lado e ela colocou minha cabeça em seu colo.
— Ei, eu que sou a irmã mais velha. – Falei diante de sua atitude protetora.
— Bella, você sabe que nunca fiz o papel da irmã caçula sensível, esse papel sempre foi seu.
— É. Você está certa.
— Vamos lá então, pode falar tudo que está sentido.
— Nessie, minha vida está uma loucura, tinha tudo sobre controle em Los Angeles e de repente mudo de cidade, ai tenho que construir uma vida nova, casa, escola, me adaptar com o novo trabalho, etc. Mas até ai tudo bem, só que do dia para noite tudo desmorona. Meu filho fica doente e vai para o hospital. Lá encontro a pessoa que menos queria ver na vida e não sei por que ele ainda mexe comigo depois de tudo e de tantos anos. E o pior, conheceu meu filho, que só por um acaso o adorou e ainda me fez prometer que Edward irá à minha casa. Não Nessie, não quero contato nenhum com ele e quero muito menos que Miguel tenha. Estou desmoronando, o que eu faço?
— Primeiro de tudo você vai se acalmar, porque senão vai explodir. Segundo, vamos aos problemas fáceis, você se adaptará a Nova York de novo, é poderosa e vai conseguir. Seu novo emprego é tudo que sempre quis. Que vem batalhando há anos para conquistar. E o Miguel? Ele é incrível, com certeza vai se encaixar na nova escola, as coisas vão se ajeitar. Você vai ver.
— Espero que sim. Já foi uma mudança muito grande na vida dele sair de Los Angeles, não quero que sofra por nada.
— Ele não vai, mas agora o problema sério Edward. Do que tem medo em relação a ele?
— Ah, Nessie, sei lá. Tenho medo dessa aproximação com Miguel, tenho medo de que no final meu filho saia magoado. – Igual eu sai, pensei.
— Bella, Edward nunca fará nada contra meu afilhado, do contrário eu mato ele. – Rimos. – E depois, pelo que contou, ele adorou o Miguel, assim como o Miguel o adorou.
— Mas esse é um dos problemas e se ele descobrir que é pai do Miguel? E se tentar tirá-lo de mim? Tudo bem que ele não o quis quando estava apenas na minha barriga, imagina agora que já é grande e cheio de responsabilidades, mas é sério. Eu morro Renesmee se alguém tirar meu filho de mim.
— Calma Bella isso não vai acontecer, ok? Você não pode surtar ao ficar pensando nisso. Apesar de tudo temos quase certeza que Edward não sabe que você estava grávida, então não tem porque agora ligar o Miguel a qualquer coisa que vocês tiveram. Deixa as coisas prosseguirem e nos momentos certos vamos tomando as atitudes adequadas, ok? – Assenti me sentindo um pouquinho mais relaxada. – Mas agora quero saber se toda essa preocupação é só por causa do Miguel ou tem a ver com você também?
A olhei consternada.
— Nessie, do que você está falando?
— Bella, não se faz de boba. Quero saber como se sentiu em relação a ele. Mesmo com tudo que houve, sei que nunca conseguiu esquecê-lo.
— Eu... Eu sinceramente não sei, no primeiro momento senti choque, depois surpresa ai passou para emoção de revê-lo depois de tanto tempo, fiquei com medo também quando percebi que ele iria conhecer nosso filho, mas, por fim, houve um momento de alegria quando o vi ali tão bem junto com o Miguel, mesmo os dois não sabendo sobre o laço que os une houve um carinho especial. Não sei o que pensar...
— Ei irmã, deixa acontecer. Agora você não é mais aquela menininha ingênua, então caso algo aconteça você saberá o que fazer. Apenas viva, não se martirize demais por uma coisa que não podemos controlar. Tudo bem?
— Claro Nessie, não sei o que faria sem você.
— Também não sei o que você faria sem mim.
Caímos na gargalhada e o resto do tempo aproveitamos para ver um filme com um protagonista lindo.
— Esse homem bem que podia vir aqui me pegar, jogar na parede e chamar de reboco.
— Renesmee! Deixa só o Jake te ouvir dizendo isso.
— Ah, não se preocupa, porque com o homem do filme só desejo e com o Jake faço. – Piscou.
— Menos Nessie, não preciso saber das suas intimidades com o Jacob.
— Tudo bem. Também não vou ficar falando dos dotes do meu namorado a você.
— Obrigada. E vocês não vão se ver hoje?
— Não sei, ele não me ligou ainda para combinar nada, talvez venha mais tarde para passarmos a noite juntos.
— Não sei como o Emm admite essa ideia do Jake vir passar noites aqui.
— Ele escolheu isso quando foi morar com a Rose e tenho certeza que está muito mais feliz lá com ela do que aqui.
Concordei e bem nesse momento ouvimos o barulho da porta abrindo revelando a figura de Jacob, mas se já não fosse muito somente sua presença, por alguma razão do destino, Edward está ao seu lado.
— Oi Nessie, eu trou... – Sua voz morreu quando me viu – Be... Bella é você?
Sua expressão ficou totalmente assustada, como se eu fosse um fantasma ou algo assim.
— Oi Jake, sim sou eu.
Em uma atitude inesperada ele correu e me abraçou. O abracei de volta feliz, afinal de contas, senti muito sua falta!
— Bella, Bella o que está fazendo aqui? Por que nunca voltou? Nem para nos visitar. Quando você chegou? E vai ficar? Meu Deus Bella, que saudades de você!
— Calma Jake, uma pergunta de cada vez. – Pedi. – Eu voltei porque já era hora, mas o que me fez dar o pontapé inicial foi meu trabalho e não voltei antes porque tive meus motivos. Cheguei esses dias e sim, vou ficar! Acho que é tudo, não é? Alguma pergunta mais? – Sorri tentando quebrar o clima.
— Não sei, tenho tantas coisas a falar, mas só consigo olhar para você. O importante é que está de volta. Mas Edward, a Bella está aqui, você não vai falar nada?
— Na verdade Jacob, eu já sabia que ela voltou.
— O que? Quer dizer que todos sabiam, menos eu?
— Calma Jake. Vi a Bella ontem no hospital, junto com o Miguel. – Edward esclareceu.
— E você Nessie? Por que não me falou que a Bella estava de volta? Se ela está aqui na sua casa significa que você já sabe sobre isso há mais tempo.
— Jake, eu pedi, implorei, praticamente exigi que a Nessie não falasse nada. Não briga com ela, por favor.
— Tudo bem, não quero brigar só estou muito feliz por tê-la de volta.
Sorri extasiada de felicidade também, mas fomos interrompidos pela voz do meu filho.
— Mamãe.
— Mamãe?! — Jake questionou espantado.
— Sim Jake. Esse é o Miguel, meu filho. Vem cá meu amor, já vamos embora.
— Mas é claro que não. Vocês todos vão jantar aqui. – Nessie informou.
— É isso mesmo. Você pensa que vai embora assim sem me dizer como teve um filho? – Jake exclamou.
— Quem é ele mamãe?
— Miguel, este é o namorado da madrinha, aquele que tanto falo. – Nessie respondeu.
— Então você é meu padrinho?
Miguel questionou curioso e em dúvida.
— Eu sou? – Jake rebateu.
— Jake é que como sou a madrinha dele, consequentemente ele acha que você, por ser meu namorado, deve ser seu padrinho também. – Nessie explicou.
— Agora entendi.
— Mas Jake, é sério. – Interpus. – Nessie é madrinha do Miguel, porém sempre pensei que se um dia voltasse, gostaria que fosse o padrinho, você aceitaria?
— Claro Bella, mas quero conhecer meu futuro afilhado. E ai Miguel, quantos anos você tem?
— Tenho cinco, mas já vou fazer seis.
— E o que gosta de fazer?
— Gosto de jogar videogame e futebol e um pouco da escola também, mas agora vou ter alguém para jogar além do tio Edward. – Na hora em que falou notou a presença de Edward. – Tio Edward, o senhor está aqui também!
— Oi Miguel, como está?
— Bem, mas por que está aqui também?
— É que além de amigo da sua mãe, também sou amigo dos seus padrinhos.
— Nossa que legal. Adorei isso. Agora tenho um novo tio e também um padrinho.
— Que bom que gostou de mim Miguel, prometo que seremos grandes amigos e vou me esforçar para ser um bom padrinho para você. – Jake falou.
— Hey Miguel, por que o Jake não teve que passar por um teste para ser aceito por você e eu tive? – Edward perguntou.
— Ah, é que a madrinha sempre falava que tinha um namorado e um dia eu ia conhecer ele, mas a mamãe nunca falou de você, então tive que fazer um teste para ver se o senhor era legal mesmo.
Edward me olhou e percebi como ele pareceu triste por tê-lo deixado de fora, mas o que ele queria também? Que falasse que era o pai que não nos quis antes mesmo de saber dele?!
— Mas agora o importante é que você já conheceu o Edward e o acha legal, não é mesmo Miguel? – Nessie pontuou tentando amenizar o clima.
— Claro madrinha, estou feliz por ter um novo tio, ainda mais o senhor tio Edward. – Com isso Edward voltou a sorrir. – Mamãe estou com fome.
— Muito bem lembrado Miguel, vou arrumar o jantar.
Com o indicativo da minha irmã seguimos para a sala de jantar, Jacob, Edward e Miguel se envolveram em uma conversa sobre futebol.
O jantar foi preparado em pouco tempo e logo estávamos jantando, por ironia ou não me colocaram do lado de Edward, mas ainda sim a refeição foi muito agradável regrada de conversas e muitas risadas.
Percebi que Jake ficou realmente curioso para saber sobre minha vida, mas com Miguel presente ele acabou deixando passar, mas sei que não conseguirei fugir por muito tempo de algumas revelações.
Apesar do clima bom, já está ficando tarde e preciso ir.
— Eu te levo Bella. – Edward propôs assim que anunciei a partida.
— Não Edward, não posso aceitar.
— É claro que pode. Você não voltará de táxi para casa a essa hora, vamos, eu te levo.
Após muita insistência aceitei, nos despedimos da Nessie e do Jake e seguimos rumo ao meu apartamento, conversamos pouco, coisas banais até chegarmos.
— Obrigada de novo Edward.
— Por nada Bella.
Ele olhou para trás para se despedir do Miguel, mas notamos que ele dormiu.
— Acho que vou ter que carregar um dorminhoco.
— O que é isso Bella? Deixa que eu levo.
— Imagina Edward, não vou abusar. Carrego o Miguel sem problemas, sempre foi assim.
— Carregava, porque não tinha ninguém para te ajudar, mas estou aqui e faço questão de levá-lo.
Ele rapidamente saiu do carro, abriu a porta de trás e pegou o Miguel. Subimos até meu apartamento, no andar abrir a porta e Edward adentrou, levou-o até seu quarto, colocando-o delicadamente na cama, o arrumei para dormir e só então voltamos à sala.
— Obrigada mesmo Edward. E sem querer abusar queria te pedir um favor.
— O que é? Pode falar.
— Gostaria que não comentasse com ninguém que voltei.
— Não se preocupe. Não falei com ninguém ainda, você viu, até o Jake ficou espantado por já saber da sua volta.
— Não pense que continuarei me escondendo por mais tempo. É só que preciso ajeitar algumas coisas primeiro antes de reencontrar todos.
— Imagina Bella, sem problemas, pode contar comigo, mas agora vou indo que ainda vou trabalhar e você deve estar cansada.
— Acertou, obrigada mais uma vez por tudo, tchau Edward.
— Tchau Bella.
Numa fração de segundos ele me deu um selinho e saiu.
Fiquei parada sem saber o que fazer até ainda muito abalada fechar a porta e ir me cuidar. Acabei tomando um banho gelado para me acalmar e deitei exausta, mas mesmo assim tive tempo de sonhar com aquele simples toque.
Igual a uma adolescente apaixonada...
***
Alguns dias se passaram e finalmente parece que as coisas estão começando a se ajeitar, já encontrei uma moça para ficar com o Miguel nos períodos depois da escola até eu chegar, no meu novo trabalho já estou me adaptando também, agora vejo pelo menos Jake e Nessie com mais frequência e isso já me ajuda a raciocinar melhor, saber que posso contar com eles é um grande consolo.
Fiquei preocupada de Jake ficar chateado com a Nessie, por ela ter guardado tantos segredos e ainda por esse tempo ter que guardar de todos a notícia da minha volta, mas ela me assegurou que o amoleceu rapidinho e não quero nem pensar nos métodos que ela usou...
E por último, o único problema que não larga da minha vida, Edward Cullen.
Sim, apesar de não tê-lo visto mais, após aquele último dia, fico feliz por mim, mas em compensação Miguel não para de falar do tio Edward e de como está ansioso para vê-lo de novo e poder brincar com ele.
Minha sorte é que agora que ele tem visto o Jake consegue amenizar um pouco essa ansiedade, mas sei que no fundo está louco para ver Edward de novo e meu coração diz que isso se deve ao laço extremo que os dois têm nada pode negar isso.
Mas, por enquanto, agradeço Nessie e Jake por distraírem meu bebê, porque do contrário estaria perdida.
Enquanto me preparo para levar o Miguel na escola e ir trabalhar, meu celular começou a tocar.
Número desconhecido, estranho, mas mesmo assim atendi.
— Alô.
— Bella, é o...
— Edward, eu sei. Reconheci sua voz. – Sorri
— Ok, então é... Está tudo bem?
— Sim, tudo e você?
— Bem também, obrigado.
— E a que devo a honra da sua ligação?
— Ah, sim. Primeiro quero pedir desculpas por não ter dado notícias e não ter ido ver o Miguel.
— Edward, está tudo bem, Jake falou que você estava com muito trabalho no hospital.
— É isso mesmo, nem pude ter folga esses dias, mas hoje finalmente não vou trabalhar e queria saber se poderia ver o Miguel?
— Tudo bem, você pode vir por volta das 17h00min? Que é quando ele sai da escola, o pego, trago aqui para casa e você fica com ele, até eu chegar, mas tem a babá dele que fica aqui também, tudo bem?
— Sim claro, mas se quiser pego o Miguel na escola e levo a sua casa, assim você não precisa sair do trabalho para buscá-lo, tudo bem para você?
Pensei um pouco, mas como não é algo ruim, resolvi ceder.
— Ok, dessa vez não vou relutar porque não queria ter que sair da empresa, vou te passar o endereço da escola e ligarei para avisar que você irá buscá-lo, tudo bem?
— Ótimo e obrigado, mais tarde nos vemos e fala para o Miguel me esperar na escola.
Passei os dados a ele e encerramos a ligação.
— Está ótimo, nos vemos a noite então, tchau.
— Tchau Bella, beijo. — Desligou.
Isso foi uma surpresa, agora vou falar com Miguel.
— Miguel, meu amor, vamos.
Gritei o chamando para sala, onde estou a sua espera.
— Já estou indo mamãe.
— Miguel, tenho uma notícia para você.
— O que é mãe?
— Edward ligou dizendo que vai vir hoje à tarde para te ver, ele vai te pegar na escola, tudo bem?
— Eba! O tio Edward vai vir hoje!
— Ok, amor. Vamos logo para que não se atrase.
Após deixá-lo na escola, segui para o trabalho.
Agora que finalmente comprei um carro novo minha vida está bem mais fácil, assim paro de necessitar andar de táxi e muito menos preciso aceitar caronas por ai...
Quando cheguei à empresa fui direto para minha sala. A manhã foi bem cheia, tive que ver muitas papeladas e organizá-las para a reunião que haverá à tarde, na hora do almoço mal tive tempo de respirar quanto mais para comer, pedi só um suco e pronto.
À tarde tive a reunião com toda a administração da empresa para vermos como as coisas funcionarão, em todos os setores desde os mais remotos funcionários até o nosso patamar de diretores e administradores.
Finalmente resolvemos tudo, mas isso aconteceu somente depois das 18h00min, então quando acabou a reunião corri para minha sala e organizei tudo o mais rápido possível para poder sair.
Pensei em ligar e ver se está tudo bem, mas por já estar a caminho achei melhor ir direto. Ao chegar ao meu andar, ainda do lado de fora, constatei já ser possível ouvir os risos vindo de dentro do apartamento, entrei encontrando Miguel e Edward na sala jogando videogame.
— Mamãe.
Meu bebê cumprimentou assim que me viu.
— Oi meu amor. Está se divertindo?
— Muito. O tio Edward é muito legal, a senhora não sabe tudo que fizemos.
— Então me conta.
Sei que estou ignorando totalmente a presença de Edward, mas foi um jeito que encontrei para me defender.
— Ele foi me buscar na escola, depois fomos a um parque muito legal, ai ficamos lá até sol ir embora e ainda tomamos sorvete. Quando chegamos aqui à tia Amber me deu banho, o tio Edward ajudou, ai viemos jogar videogame. Eu já ganhei cinco vezes e o tio Edward ganhou só três.
Finalizou o relato com um sorriso enorme nos lábios.
— Nossa, meu amor, quanta coisa, mas que bom que você se divertiu.
Finalmente resolvi olhar para Edward que está simplesmente tão lindo sentando no meu sofá, foco Bella ele está aqui pelo Miguel.
— Oi Edward, desculpa não ter te cumprimentado, é que quando vejo o Miguel só consigo dar atenção a ele, mas e ai vocês, fizeram um programa e tanto, hein? Espero que ele não tenha dado muito trabalho.
— Imagina Bella, Miguel é um garoto ótimo, eu que me diverti com ele. Espero que não seja incômodo estar aqui até essa hora, aliás, dispensei sua babá hoje, por favor, não se zangue, é que ela disse que seu horário é até às 18h30min, então falei que ela poderia ir que ficava com o Miguel.
— Nossa Edward, obrigada você me fez um favorzão. Tenho que ver com ela se poderá ficar mais tempo com Miguel nos dias em que me atrasar, como hoje, que o dia foi puxado.
— Que nada Bella, mas agora já vou indo.
— Não tio Edward, fica. A gente ainda nem jogou aquele jogo de lutinha.
Miguel fez a carinha de pidão, então resolvi ajudar meu filho, que parece tão feliz, ainda que isso me incomode, sempre farei tudo por ele.
— Pode ficar Edward, por mim não tem problema. Pode ficar para jantar e ir embora só depois.
— Tudo bem, só espero não incomodar.
— Sem problemas, vou fazer o jantar e vocês podem continuar brincando.
Segui para a cozinha começando a fazer uma massa e uma salada. Com a salada pronta, em meio ao término do molho, o telefone começou a tocar, porém antes do terceiro toque Miguel atendeu.
— Alô, oi madrinha, tudo sim e a senhora? Ela está sim, espera ai que vou chamar. Mãe, a madrinha no telefone.
Caminhei até a sala para pegar o aparelho.
— Nessie, a que devo a honra da sua ligação?
— Ora Bella não posso ligar para minha irmã preferida?
— Claro, mas você nunca faz nada sem um motivo, então fala especificamente para que ligou.
Ela deu um risinho cínico e continuou falando.
— Está bem, vou direto ao assunto. Estou ligando para fazer um convite.
Enquanto conversamos voltei à cozinha, ao terminar a massa, retornei a sala.
— Nessie, me dá só um minutinho, ok?
— Ok.
Tapei o gancho para poder falar com Edward.
— Vou tomar banho, mas já venho, pode ficar a vontade.
Ele assentiu e fui para meu quarto.
— Ok Nessie, pode falar.
— Antes quero saber duas coisas. Com quem você falou e se você vai estar disponível amanhã à noite?
— Estava falando com Edward. – Jurei tê-la ouvido dar um gritinho, mas prossegui. – Ele veio para brincar com o Miguel e pelo o que sei estou disponível, por quê?
— Ótimo, porque quero te convidar, não, intimar você a vir aqui em casa amanhã.
— Certo, mas por que toda essa obrigação?
— Então Bellinha, é assim. Toda sexta-feira o pessoal eu nos reunimos para conversar, beber e comer, nos divertir, sabe? E acho que está na hora de você começar a fazer parte disso também.
— Nessie e quem seriam essas pessoas?
— Ah, o pessoal de sempre, Jake, Edward, Alice, Jasper, Rosalie, Emm e eu.
— O que? Você pirou não é mesmo? Como quer que reapareça assim do nada? Nessie, não posso. Eles vão me odiar quando me virem. Não, não, isso está fora de cogitação.
— Isabella Marie Swan, você tem que parar de fugir do passado. Eles são nossos amigos e não vão te odiar. Você é uma mulher forte e não vai deixar que nada te abale. Bella, você não pode se esconder para sempre uma hora ou outra eles vão saber que está aqui e vai ser pior se descobrirem por qualquer outra maneira, que não seja através de você.
— Mas Nessie, faz tantos anos. Não sei como eles vão reagir...
— Está bem Isabella, já fiz minha parte, agora é com você. O encontro será amanhã aqui em casa às 19h00min e traga meu afilhado, tchau.
Ela desligou e fiquei sem saber o que fazer.
Prossegui com o intuito de tomar meu banho e depois coloquei uma legging, bata, rasteirinha e prendi o cabelo em um rabo de cavalo, voltei à sala vendo Miguel e Edward ainda jogando.
— Ei vocês dois, vamos jantar.
Eles caminharam para a cozinha e jantamos.
Foi um jantar agradável, os dois não pararam de conversar um minuto e depois que acabamos de comer chegou o momento de colocar o Miguel para dormir, o arrumei, escovei seus dentes e o coloquei na cama, tudo isso com Edward conosco.
— Mamãe, canta para mim?
— Claro meu bem.
Comecei a cantar e novamente como em um flashback Edward cantou comigo. Quando Miguel dormiu saímos do quarto deixando-o descansar.
— Você tem que parar com isso ou ele vai ficar mal acostumado.
Pedi, enquanto caminhamos de volta a sala.
— Por mim tudo bem, posso vir cantar todos os dias se ele quiser.
Olhei encontrando-o com aquele sorriso cínico.
— Edward, estou falando sério!
— Eu também ou você acha não viria?
Não respondi, sem vontade de prolongar esse assunto, acho que ele sentiu isso.
— Bella, percebi que depois da conversa com a Nessie você ficou meio apreensiva, está tudo bem?
— Tudo, não foi nada.
— Ok, se você não quer falar...
— Não, é que... Nessie falou que vocês se reúnem toda sexta para se divertir e ela falou para eu ir amanhã.
— Mas isso é ótimo, também acho que você deveria ir, mas qual o problema?
— É que tenho medo da reação de todos. E se não me aceitarem de volta? E se não me perdoarem? Ou pior, se não gostarem do Miguel?
— Bella, deixa de besteira. Eles são nossos amigos e te amam. Todos esses anos nós sentimos a sua falta, seria ótimo se você voltasse para perto. Quanto ao Miguel, é claro que vão gostar. Como não gostar daquele garoto?!
Não pude deixar de me emocionar com suas palavras dirigidas ao nosso filho.
— Ah, Edward, ainda não sei, mas vou pensar.
— Pensa bem, porque tenho certeza que todos vão amar te ver, mas agora vou indo e quero te ver lá amanhã, está bem?
— Vou pensar. Obrigada por tudo hoje, pelo Miguel e por me apoiar.
— Não tem de quê, estou sempre às ordens.
— Vamos, te levo até a porta.
— Tchau Bella, fique bem e pense direito.
— Tudo bem, tchau Edward.
Fui beijar sua bochecha, mas de algum modo ele novamente me deu um selinho.
— Você tem que parar com isso também. – Falei tentando parecer séria.
— Não, você que tem que parar.
Ele piscou e saiu.
Cachorro! Ainda fico louca, eu juro.
Fechei a porta seguindo diretamente para o meu quarto, me troquei e deitei para dormir, mas com a cabeça cheia de coisas não consegui pegar no sono.
Sabendo que preciso de conselhos, de uma conversa franca e sincera, decidi ligar para a minha mãe, que por sorte logo me atendeu.
— Oi minha filha.
— Oi mãe, tudo bem?
— Tudo sim meu amor e com você? Como andam as coisas?
— Difíceis mãe, para ser bem sincera estou cheia de dúvidas.
— Me conte o que te aflige querida.
Iniciei o assunto ressaltando os últimos fatos, já tinha contado do meu encontro com Edward e Jake, mas não tinha me aprofundado nos sentimentos, no que a presença dos dois me causou, mas agora coloquei tudo para fora querendo ouvir um bom conselho, e por fim falei também da ideia da Nessie de reencontrar o pessoal e em tudo que essa decisão vai implicar.
— Minha filha, sabemos que você não poderia continuar se escondendo para sempre, ainda mais agora estando em Nova York de novo, foi muita sorte ter esbarrado apenas com Edward nesse meio tempo.
— Sorte? Que sorte mamãe? Não estava preparada para isso e ainda não sei se estou.
— Isabella, você já enfrentou coisas muito piores para chegar onde está hoje, não tente se colocar num patamar ao qual você não pertence. Sei que não deve ser fácil rever Edward depois de tudo, ainda mais nessa confusão de sentimentos entre vocês dois e o Miguel, mas uma hora ou outra você vai ter que confrontá-lo.
— Eu sei mãe, sei que estou fazendo tudo errado, tentando tapar o sol com a peneira, mas é que preciso continuar me organizando primeiro e agora com a possibilidade de reencontrar todos, não estou com cabeça para focar no Edward. Preocupo-me mais com a reação do Emm e do papai quando souberem sobre o Miguel. Como faremos mãe?
— Você vai contar toda a verdade a eles ou continuar com nossa história?
— Não posso falar nada enquanto não conversar com Edward, não arrisquei tanto para colocar meu filho na rota de fogo nesse momento. Manterei a versão que criamos nesses anos.
— Certo, com seu pai creio que será um pouco mais fácil, direi que você me ligou hoje dizendo que está de volta à Nova York, contar que você está trabalhando, que se formou e por fim falarei do Miguel.
— E depois de dizer tudo isso a ele como as coisas podem ficar fáceis mãe?
— Eu digo, seu pai está muito atribulado com uns casos na delegacia, isso quer dizer que mesmo que ele queira, não poderá ir te ver. Então o primeiro confronto de vocês será apenas por telefone, até que possamos ir visitá-la e conhecer o Miguel você terá tempo de averiguar as coisas com o Edward e quem sabe descobrir algo novo e também contar a verdade sobre a paternidade a ele.
— Entendi mamãe, vou procurar colocar minha vida nos eixos a partir de agora. Obrigada por me ouvir e estar mais uma vez ao meu lado. Vou enfrentar meus amigos amanhã e depois disso procurar acertar de vez minha vida.
— Confio em você meu bem, sei que fará a coisa certa.
Conversamos por mais um tempo até encerrarmos a ligação e finalmente ir dormir, o que não foi uma tarefa fácil, afinal, tenho muito no que pensar...
CONTINUA.
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