Encurralado
1 Primeira Versão
Notas iniciais
Um homem invadiu seu templo gritando seu nome. Ao ouvir o modo que o outro homem gritou, virou -se na direção da voz.
A pessoa estava na parte escura, onde a luz não alcançava, mas dava para se ver apenas uma sombra escura.
Conforme a sombra se aproximava, ele foi dando passos para trás. Até que bateu as costas na parede fria do templo.
— Asmita...
— O que foi? O que o futuro Demônio da Ilha Kanon faz no sexto templo da elite dourada de Athena? Veio me matar? — Sorriu atrevido, gesto que só fez o homem ficar mais furioso.
— Melhor calar a boca, Virgem! — Ele agarrou o pescoço fino do loiro e começou a espremer...
— E-então eu tinha r-razão! Veio para me matar D-Defteros?
— Vim para tomar o que é meu!
— M-me encurralado?
— ... — Ele se aproximou um pouco mais. Reparou em como ele estava vestido e sorriu. Ele vestia trajes típicos indianos.
Defteros observou o rosto magro do loiro sempre com os olhos fechados. Sabia que ele não tinha o sentido da visão. O geminiano se aproximou, colando os corpos. Virgem quase perdia o ar, mas sabia que esse era o estilo dele.
Asmita sentiu as respirações bem próximas. Chegavam a se misturar. O aperto em seu pescoço ficou mais frouxo e em seguida, o homem levou a mão que o enforcava atrás de seu pescoço, tocando com firmeza a nuca do guardião do sexto templo. Defteros tinha os olhos semi-serrados e o fez em seguida, deixou todos os sentidos do mais novo em alerta. O gêmeo de Aspros lambeu os lábios do loiro.
Asmita, sabia que ele não faria nada demais. De fato, era bruto. Um demônio. Mas era O seu demônio. O indiano entreabriu os lábios e deixou que o outro explorasse como bem entendia o interior de sua boca. Sentiu as presas afiadas do moreno conforme o beijo seguia, com sua língua enroscando neles. Aquilo tudo era apenas uma encenação. Por mais que Defteros tirasse seu ar daquela forma, era o homem que mais amava naquele lugar. O encontro se deu após o mais novo dos gêmeos dourados ter ferido seu irmão mortalmente e enterrado Aspros no cemitério do santuário.
Assim que o ar faltou durante o beijo, Defteros se afastou. O homem olhou para o seu loiro e sorriu. Asmita tinha os lábios inchados pelo beijo trocado.
— Abra os olhos, Asmita!
— Sabe que não posso.
— Não pode ou não quer?
— Não quero. Sabe muito bem que meus olhos não tem vida.
— Tem vida. Você que é iluminado demais para saber disso!
— Como pode ter tanta certeza, se desse o dia de meu nascimento, eu nunca puder ver?
— Abra os olhos, Asmita! — Ele dizia com um tom sério e autoritário. Mas na verdade, ele não mandava e sim, pedia. — Quero ver seus olhos.
— ... — O loiro se viu mais uma vez encurralado. Mesmo se abrisse, nunca poderia ver o outro homem. Mas mesmo assim o fez. — Melhorou?
— Muito! — Defteros encarava o olhar mais lindo que já vira em toda a sua vida.
O indiano tinha olhos azuis claros. Muito claros. Mesmo que fosse cego de nascença, os olhos de Asmita possuíam vida. Pareciam que encaravam o homem à sua frente. Gêmeos tocou no rosto delicado do amado e disse.
— Seus olhos são belos. Mas não tão belos quanto o dono deles.
— Idiota! — Ele começou a rir, tocando os ombros do moreno com as suas mãos. — O que pretende fazer agora?
— Vou partir para Ilha Kanon. Ficar no santuário agora não será uma boa ideia.
— Fique! Precisamos de você, agora que o Lost Canvas irá começar! Eu vou precisar de você!
— Você é forte! Conseguirá se virar muito bem sem mim!
— Mas não terei seus abraços! Não terei seus beijos. Não terei seu corpo ao meu lado na cama no dia seguinte.
— Me prometa que irá viver! Me prometa que ficará vivo e que no final dessa Guerra Santa, sairemos vitoriosos para desfrutar o resto de nossas vidas juntos!
— Sabe que eu não posso...tenho uma missão a cumprir. Preciso fazer o Rosário de 108 contas para aprisionar as almas do exército de Hades, ou não teremos chances. Posso perder minha vida. Sabe disso, não sabe?!
— ... — Ele não disse nada. Sabia que todos poderiam perder a vida na guerra.
— Fica comigo?
— Fico!
— Fica no santuário, ao meu lado e dos nossos companheiros?
— Sabe como todos me olham. Nunca irei deixar de ser o segundo. Estou sempre atrás de Aspros.
— Mas a armadura de Gêmeos o reconheceu como verdadeiro cavaleiro!
— Irei levá-la comigo. Sage já está sabendo. Você também sabe.
— ... — Asmita abaixou a cabeça e empurrou o corpo do moreno de leve.
Antes que pudesse se afastar dele, Defteros o encurralou mais uma vez. No mesmo canto da parede fria.
— Se eu ficar essa noite, aqui com você, será que pode me prometer ficar vivo?
— Sabe que não posso..mas você pode ficar! — Asmita tinha lágrimas nos olhos e lutava para que elas não escorressem por sua face.
— Mita..
— Fica comigo! Até irmos ao Lost Canvas. Não vá embora!
— Eu fico!
O loiro sorriu e ele saiu puxando o gego para seu quarto. Aquela noite foi a melhor que os dois puderam ter. Quando o loiro dormiu, Defteros partiu para o seu destino, saindo do santuário de Athena, rumo ao vulcão da Ilha que o abrigaria.
Na manhã seguinte, Virgem chorou calado pelo cruel destino que aguardava o amado. Mas tempos depois, fora ele, Asmita de Virgem que caiu, fazendo o rosário de 1008 contas para aprisionar as almas dos 108 espectros de Hades.
Algum tempo depois, Defteros aceita treinar Tenma de Pégaso na Ilha Kanon. Mas como o treinamento deixou o cavaleiro de bronze exausto e dormiu profundamente, o geminiano deixou a urna da armadura de pégaso na beira da praia ao lado do corpo adormecido do cavaleiro. Eis que surge a alma de Asmita.
— Está uma linda noite de lua cheia!
— Então até os mortos deram para me visitar?
— Como vai, Cavaleiro de Ouro de Gêmeos?
— Não precisa ser tão formal comigo, Asmita. Mas a que devo a sua visita?
— Fico feliz que tenha aceitado treinar o pupilo de Dohko. Eu venho te pedir para lutar na Guerra Santa em meu lugar. Peço para que volte para o lugar de onde nunca deveria ter saído.
— Quanto a isso Mita, eu..
— Shh. Eu entendo. Não precisa se explicar. Conheço seus motivos para ter deixado o santuário aquele dia. Não tenho raiva de você.
— ...
— Apenas quero que volte. E que lute ao lado de Athena. Vamos precisar de toda a ajuda possível.
— Você está me encurralando em minhas decisões, Virgem?
— Digamos que sim! — Asmita sorriu e olhou para ele. — Você é muito bonito, Defteros. Bem como eu imaginei.
— Quer dizer que você...?
— Agora eu posso te ver com os meus olhos. Meu tempo está acabando. Eu preciso ir. Por favor, volte e lute por mim. Lute por todos aqueles que perderam suas vidas lutando por Athena. Adeus Defteros. O verdadeiro Cavaleiro de Ouro de Gêmeos! — E sumiu.
— Adeus Asmita, meu amado Cavaleiro de Virgem. — Uma lágrima escorreu pelo rosto do geminiano. Ele olhou para o cavaleiro de bronze dormindo e deu as costas para ele. — Quando acordar Pégaso, vá para o santuário. Pois a verdadeira batalha, começa agora! — Com isso, Defteros deixou o garoto na praia, dormindo e rumou ao santuário como o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos, trajando a armadura dourada.
— Vou lutar Asmita. Por você e por aqueles que pereceram nessa Guerra Santa... Serei eu a encurralar os espectros de Hades dessa vez...!
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