Encounter

2 Divina Comédia Humana


Notas iniciais
Pensei em criar um Facebook para postar coisas relacionadas a fic, fotos dos personagens, interações etc. Caso eu faça aviso aqui.

"Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro
casual."

Acenando, Cat se vira e se encaminha para o corredor. Nele não havia jogo de luzes, era mais claro e o papel de parede era decorado por pequenas florezinhas douradas sobre o bege. Era comprido e tinha um grande vão de uma porta de emergência no fim dele. Uma parede a esquerda dividia o cômodo.

Edu a observava atentamente, ela quase parecia de outro mundo. Seus olhos seguiam absorvendo os detalhes do ambiente em que estavam. Com luzes mais claras era possível perceber que seus cabelos eram claros, em um tom de castanho muito bonito. Os mesmos caiam em ondas ao redor dela, cobrindo até abaixo dos seus seios. Era ligeiramente alta, mas não muito. O tênis que ela usava tinha uma pequena plataforma.

Percebendo o olhar, Cat ruborizou e desviou o olhar.

Ele queria rir, era nítido que ela não gostava de ser encarada e isso só o deixava com mais vontade de o fazê-lo. Tudo nela estava o atraindo, mas o que estava realmente deixando-o intrigado eram os olhos. Catarina possuía olhos castanhos tão expressivos que era possível ver tudo cristalino. Quando ela esbarrara nele, o olhar dela o congelara. Ela parecia desorientada. Segurá-la fora automático. Para ser honesto o esbarrão fora culpa do jogo de luzes do corredor. Ele ficava escuro por mais tempo do que deveria, e Edu estava com a mente longe demais na hora.

Ele não poderia estar mais contente com a coincidência.

Cat subia as escadas silenciosamente, mas apesar disso não era algo desconfortável. Era bem agradável. Conforme eles se aproximavam do terraço a claridade aumentava. Em pé na escada, ela olhava para os lados admirando a beleza do local.

O terraço era pequeno, mas decorado por várias luzes e por jardins suspensos. A vista da cidade casava perfeitamente com o ambiente.

Era de se tirar o folego.

— É uma das coisas mais lindas que eu já vi.

Realmente. Cat estava ainda mais linda ali, naquele momento.

Esperava uma resposta e Edu pensou em fazê-la corar novamente.

— Com certeza, mas você tem que admitir que esse terraço com a paisagem é bem bonito também. — ela o fitou confusa por uns instantes, até que seu rosto se iluminou.

Ele sorriu, o comentário teve o efeito desejado. Cat ria e balançava a cabeça.

— Você é um flertador nato, incrível... Vem vamos admirar mais de perto. — seu tom era brincalhão e de censura.

Desviando das pessoas que estavam por ali, Edu conseguiu se encostar no parapeito junto com Cat. Ela bebericava de vez em quando o seu copo, ainda olhando firme para a paisagem.

Edu pigarreou.

— Como você soube do Ocean’s? — ela desvia o olhar da paisagem a frente. — Bom... A Bruna me arrastou junto com a Ana. Elas conseguiram pôr nossos nomes na lista e aqui estou eu.

Ela abriu os braços para enfatizar.

— E você mocinho? — ela ergue as sobrancelhas em um gesto brincalhão.

Dando um gole na cerveja, ele expira

— Meu amigo inaugurou uma boate e eu vim prestigiar como presença VIP, para dar apoio. — dando de ombros ele passa mão entre os cabelos, se sentindo um pouco sem graça.

— Oh! Você trabalha com o que então? — indagou Cat.

Edu achou curioso. Então ela não o conhecia? Ou estava fingindo? Não... Cat parecia genuína.

— Mídia sociais. Basicamente eu faço vídeos. — ela sorriu.

— Tipo um youtuber? Ou algo com Marketing? Minha amiga trabalha com isso, e eu me aventuro as vezes a produzir conteúdo.

Ele piscou surpreso.

— Que conteúdo você produz? — ele preferiu evitar mais explicações sobre o seu trabalho.

— Ah, coisas sobre saúde em geral... Eu faço enfermagem, fico meio obcecada por esse assunto e falo muito dele no meu instagram.

Para ser sincera, Cat achava meio bobo falar que produzia conteúdo, era óbvio que 2 mil seguidores era pouco se comparado a outras pessoas... Mas se tinham pessoas que achavam legal ela falar sobre o que amava, por ela tudo bem.

— Achei que você era modelo.

Gesticulando ela apontava para Edu, de cima abaixo, como explicação. Edu gargalhou. Foi um som claro, suave e que vibrou por Cat. Ela se viu sorrindo também.

— Baseado em que, você achou isso? — ele perguntou enquanto tomava mais um gole.

— Não sei... Quando te vi parecia que você tinha saído de um editorial ou algo assim, foi intrigante.

Ele riu alto, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam lá.

— Obrigado pelo elogio, minha autoestima agradece. — levando as mãos ao coração, fazendo um gesto dramático.

Cat riu.

— Como é a vida de quem trabalha com a imagem? — Edu suspirou.

— Honestamente? É incrível na maioria das vezes, mas pede muita dedicação e paciência com as pessoas. Não era o que eu planejava como profissão.

E ali estava a confissão da noite.

Era verdade que ele amava a parte boa desse mundo, mas também era desgastante. Ele não conseguira nem parabenizar corretamente o amigo. Catarina estava pensativa com o comentário e franzia os lábios.

— As pessoas são o céu e o inferno. Meu trabalho exige que eu seja imparcial, mas é difícil. Quer dizer, eu te presto um serviço. O mínimo de educação você tem que ter, já que você precisa de mim.

Ela parecia levemente exaltada. Edu não podia concordar mais.

— Você ama o que faz né? — ela assentiu.

— Eu tinha um outro sonho antes... Mas foi ficando pra depois, sabe?! — Cat se aproximou e encostou em Edu.

— Sabe o que acho? Você tem os meios de colocar seus sonhos em ação agora. Cada um tem o próprio ritmo e tempo, então não desiste. É clichê, mas você tem que acreditar em si mesmo, Eduardo.

Ela o empurrou de leve, ele parecia pensativo. Com os pensamento a mil e talvez com um pouquinho a mais de fé, Edu sorriu amplamente.

— Por acaso você é virginiana? — surpresa brilhou nos olhos dela.

— Primeiro: sim. Segundo: você sabe sobre signos? — o tom era irônico. — Ah! Se você tivesse a mãe que eu tenho, com certeza saberia tudo sobre signos.

— É mesmo? Sua mãe trabalha com isso ou só gosta do assunto? Só pra constar você é taurino né?

Edu ergueu a garrafa e inclinou a cabeça para o lado como se estivesse considerando o comentário.

— Ela é fissurada nesse assunto, e sim, você também acertou de primeira. Nós nos completamos sabia?

Cat se engasgou. A bebida entrou no local errado. A faringe ardia demais. Ela tentou puxar o ar pela boca. Mas estava tossindo com força. Edu dava leves tapinhas em sua costa e ria baixinho.

— Tá melhor? Eu quis dizer que nosso signos se completam, não era preciso ficar tão ofendida. — o comentário a fez rir.

Tossindo de leve, ela bateu em Edu. Ele gargalhou. A risada era gostosa e alta; Cat teve vontade de se sentar e ouvir mais aquele som que parecia percorrê-la até as pontas dos pés. Ele se contraia e tentava limpar as lágrimas que escorriam. Antes que se desse conta, Cat que estava rindo também, tinha estendido as mãos em direção ao rosto dele, para limpar as lágrimas. O gesto fora automático e impensado, mas a pele era macia ao toque. Edu ao senti-lo parou de rir e a fitou por longos segundos.

O ar vibrava e nenhum dos dois queria quebrar o contato visual ou físico. Aquele belo estranho estava mexendo mais com ela do que Cat gostaria de admitir. Finalmente limpando a garganta ela recolheu a mão, dando uma risadinha que soou extremamente nervosa.

— Você não é daqui, não é?

— Ahn? Não... Na verdade só vim passar o final de semana aqui. Segunda de manhã eu já volto para casa.

— Ah.

Era difícil saber o que se passava na cabeça de Cat, ela realmente estava gostando de conversar com ele. Tinha sido impulsiva a noite toda; Se fosse honesta ela admitiria que desejava que ele morasse na cidade.

— Meu sotaque entregou? Reparando melhor, acho que você também não é daqui.

— Sim, você tem um acento gostoso de se ouvir, e não. Vim para cá para estudar. — ela fungou. — Você tem quantos anos?

— 21, e você, Cat? — ela piscou. — Oh, 20.

Edu estava pronto para fazer outro questionamento, mas foi interrompido. Ela olhava a tela do celular, tentando decidir se atendia ou não. Estava com uma cara de desgosto e irritação profunda. Edu a achou mais encantadora, mas parecia que uma tempestade estava prestes a vir à tona.

Cat atendeu o celular, e fria disse:

— Oi, já disse que nos falaríamos na segunda. — seu tom era frio. — Não estou nem aí, ligue para outra pessoa, eu estou ocupada.

Cat olhou para Edu, ele estava tentando dar espaço para que ela pudesse falar com um pouco mais de privacidade. Ela passou os dedos entre a testa e suspirou alto. Ouvindo a resposta do outro ela parecia mais brava.

— Ah, é mesmo? Eu não te devo absolutamente nada. — silêncio. —Meu deus você é um merdinha egoísta, vai se foder!

Edu não sabia se devia perguntar a mulher a sua frente se estava tudo bem, porque claramente não estava. Catarina parecia extremamente furiosa e soltava palavrões baixinho. Ela andava de um lado para outro para se acalmar. Com um suspiro alto e olhando para cima, Cat o mirou com um olhar triste.

— Sinto muito, Edu! O lixo do meu ex me ligou agora, ele precisa de ajuda... E-eu queria ficar aqui com você... Mas ele está bêbado e bom, esse infeliz gastou a ligação dele comigo.

Ela abaixou a cabeça e relaxou os ombros, se sentindo terrivelmente chateada. A expressão deu um aperto no coração dele, Cat parecia sozinha naquele momento. Não era como se eles não fossem se falar depois, mas Edu sentia que aquele momento não podia acabar assim. Até porque, ele estava livre para o fim de semana, e as conversas com ela o instigavam. Ele sabia já que a decisão estava tomada.

— Se você quiser eu posso ir junto, eu também não quero que essa noite acabe, Catarina. — ela parecia surpresa e confusa.

— Mas... Você não tem o evento aqui? E, tem certeza? Um rolê com uma desconhecida e o ex retardado dela não parece divertido.

Ela estava certa, mas por que não?

— Já cumpri com o meu papel, só gostaria de me despedir do Gabo antes de irmos.

— Tudo bem, vou avisar minhas amigas. Te encontro na chapelaria então? — Cat ainda estava o dando a chance de desistir.

— Sim, não vou demorar. Me espera, você não pode ir sem mim, ok?

Ela riu e concordou. Estendendo o telefone para ele, Edu pôs seu número. Enquanto se encaminhava para descer rapidamente as escadas ele ouviu seu nome, e se virou.

— Edu, obrigada. — ela sorria para ele.

Ele estava perdido.

Notas finais
Espero que gostem :)