Encounter

9 You Make Me Wanna


Notas iniciais
Agradecimentos ao Orphelin, meu carneiro-beta, pelas revisões. Aliás, ele falou pra avisar que esse capítulo tem ~insinuação bem clara~ ;3

Capítulo IX

Well I know it don't make much sense
What you got what I need
You took my breath
I follow where you lead
You Make Me Wanna — Alice Cooper

***

Havia um rapaz de cabelos compridos extasiado, um rapaz de olhos azuis que talvez fossem verdes empenhadíssimo e nenhuma possibilidade de identificar quem estava pegando em qual parte do corpo de quem.

Mu não havia dado resposta verbal em relação à questão sobre querer conhecer o quarto de Aiolia. Somente pendeu a cabeça para trás, encostando-a no ombro dele e deixando livre a interpretação do gesto.

Foi nesse ritmo que Mu teve o pescoço atacado e o corpo apalpado enquanto era guiado com grande agitação rumo ao quarto de Aiolia. Em um momento diferente, Mu consideraria um milagre não terem tropeçado nas escadas conforme se beijavam e se agarravam sem prestar atenção ao caminho.

O rapaz de cabelos compridos só percebeu onde estavam depois de ouvir uma porta ser aberta na mesma velocidade com a qual foi fechada – após ser conduzido por mais alguns passos. Com as costas perto da porta e sem se soltar de Aiolia, Mu apartou o beijo, respirando fundo e aproveitando para dar uma olhada ao redor, na tentativa de desvendar como era o ambiente em que tinha ido parar.

Não dava para enxergar quase nada com a luz apagada. O tênue brilho da lua que entrava pelos vidros fechados da janela não ajudava a discernir direito as coisas. Nem mesmo Aiolia, por estar de costas para a janela, era fácil de ver ali dentro.

— Luz... – Aiolia soltou um braço da cintura de Mu para alcançar o interruptor na parede.

Não conseguiu. Para seu fascínio, o rapaz de cabelos compridos puxou seu braço de volta, fazendo com que tornasse a envolvê-lo, e, puxando-o pela nuca, reiniciou o beijo. Não ficou claro se Mu não queria a luz acesa, ou se apenas não queria que se afastassem.

Embora fosse uma pessoa bastante visual e achasse que a beleza de Mu deveria ser contemplada sob toda a iluminação possível, Aiolia não se frustrou por ficarem no escuro. Naquele instante, estava mais interessado em sentir o rapaz de cabelos compridos do que qualquer outra coisa.

E ele sentiu mesmo. Suas mãos e os lábios dele – as mãos dele e os seus lábios – estavam por toda parte. Nos cabelos e cinturas e costas, rostos e pescoços e roupas. Era empolgante sentir os beijos serem retribuídos, tal como sentir a pele quente e macia de Mu reagindo ao toque de seus dedos frios e um pouco ásperos. Se apertavam com tanto ardor que não podia alcançar o tronco dele, mas o tocava em todos os lugares que conseguia. Como a visão estava prejudicada, Aiolia tirava máximo proveito dos outros quatro sentidos para apreciá-lo.

— Mu... – ronronou, escorregando os lábios para a orelha dele.

A mordida no lóbulo fez o rapaz de cabelos compridos inclinar o pescoço para o lado, permitindo que Aiolia tivesse todo o acesso que desejasse. Deixou-o reencontrar aquele ponto instigante que ele era o único a saber onde ficava.

Era novidade para Mu estar assim, sendo agarrado em um quarto mal iluminado, sem se preocupar com nada. Sentia tremores involuntários que o faziam curvar o corpo para trás, contra a porta, extasiado.

E não era o suficiente.

Não sabia nomear o que queria, mas queria mais do que enroscar os dedos nos cabelos de Aiolia e acariciar o rosto dele. Mais do que beijá-lo, provando o gosto de brigadeiro que desaparecia, mordendo os lábios avermelhados. Mais do que correr os dedos pelas costas fortes dele, provocando arrepios. Queria... queria...

Antes que pudesse desvendar seus próprios desejos, sentiu as mãos de Aiolia embaixo de sua camiseta, subindo por seu abdômen. Foi possível, pois, ao arquear-se para trás, Mu deixou que seus torsos se afastassem um pouco. Sentir os dedos dele acariciando suas costelas, seu tórax, seus mamilos, foi instigante e fez Mu gemer, querendo... com uma intensidade ainda maior do que antes.

Isso o surpreendeu.

Aliás, Aiolia sempre o surpreendia. As sensações e emoções eram sempre inéditas. Estavam indo rápido, mas sabia que não precisava se espantar.

... claro que é o Mu...

Ouvir aquela frase alheia e seu nome ser citado nela, sim, fez com que o rapaz de cabelos compridos se espantasse, visto que a boca de Aiolia estava ocupada em sua garganta e, portanto, não poderia ter dito nada.

... como você pode ter certeza?

— Ahn, Aiolia? – chamou, num timbre que misturava fala, ofego e gemido. – Parece que... o Aiolos chegou... e não está sozinho...

... ué, meu irmão passou a semana doido de...

A resposta de Aiolia foi uma risada excitada em seu ouvido. A forma como a simplicidade daquele som alcançou o interior de Mu foi impressionante.

... fiquem quietos! Vamos descer...

Outras palavras incompreensíveis se seguiram. Era evidente que Aiolos não só estava acompanhado como sua companhia consistia em um grupo de pessoas.

— Aiolia... – Mu teve que reconhecer que sua entonação de aviso não continha advertência alguma.

— Relaxa... Não é como se eles... fossem entrar aqui... – Não acrescentou que, no nível de excitação em que estava, não daria a mínima nem se eles estivessem dentro do quarto, assistindo-os. Preferiu descer as mãos para o traseiro de Mu, apertando-o por cima do tecido das calças com fervor.

O rapaz de cabelos compridos tremeu, arfando.

— Mas... e se...? – Mu fez outra tentativa de aviso, tão ruim quanto a primeira, sem consciência de que suas próprias mãos deslizavam coluna abaixo de Aiolia.

— Shh... – sussurrou, roçando os lábios nos dele. – Você não quer que... eles nos escutem... não é? Não queremos... chamar atenção...

A ansiedade no tom dele fez Mu ter a convicção de que, na verdade, Aiolia não se importava em não serem silenciosos.

O rapaz de cabelos compridos o poupou de um olhar indignado porque seria inútil na penumbra. O conhecimento de que estavam no quarto, separados das outras pessoas na casa por uma porta e uma parede não era nada reconfortante, mas... por outro lado... sua mente começava a abstrair essa preocupação na mesma proporção em que Aiolia o apertava.

Percebendo isso, Aiolia tratou de molestar aquele ponto no pescoço de Mu, chupando a pele clara e distraindo-o do resto da casa de vez. Como garantia extra, resolveu puxá-lo para si, movendo os próprios quadris para frente.

Sentir o baixo-ventre de Aiolia pressionando o seu, com firmeza e vigor, fez Mu gemer, perdendo o compasso da respiração. Abaixou a cabeça sobre a clavícula dele e segurou-lhe os quadris em uma fraca tentativa de impedir alguma mudança de posição.

Pensar ficou complicado. Mu já sabia como era não ter nenhum espaço identificável entre eles, mas, dessa vez, a pressão era tanta que parecia que acabariam se misturando e ocupando o mesmo espaço. Sequer conseguia respirar sem arquejar.

— Não dá... – Aiolia clamou, o corpo oscilando pela alta tensão sexual. – Não me mexer... é impossível...

E impulsionou os quadris, arrancando um gemido alto de Mu. O movimento ínfimo ampliou o desejo que o dominava ao terem seus baixos-ventres se friccionando em meio às roupas.

— Aiolia... – balbuciou, fechando os olhos. – Isso é...

Quando seus quadris se chocaram outra vez, Mu empurrou de volta sem nem pensar. Com ambos provocando o atrito, seu prazer se intensificou. O quarto ficou repleto de ofegos quentes, suor surgindo em suas têmporas ao se esfregarem várias e várias vezes. Bastaram míseros segundos para que Mu perdesse a noção de toda e qualquer outra coisa que não fosse Aiolia e as sensações por ele causadas.

Nada importava. O mundo desapareceu. Não havia outras pessoas por perto. Havia somente Aiolia e ele naquele espaço de tempo, na maior intimidade. Suspirando e arquejando juntos. Era uma sensação inédita, arrebatadora, perfeita.

Tanto jeans e algodão entre suas peles estava deixando Aiolia louco. Ele teria que fazer um esforço fenomenal para parar de se mover. Conseguia cogitar se afastar do corpo de Mu, porque sabia que era necessário para poderem avançar. O difícil era fazer.

— Que tal irmos pra... pra...

Devagar, Mu entendeu o que Aiolia estava tentando indicar: a cama. Muitas coisas poderiam acontecer lá e...

— Não...

— Huh... Não o quê?

O rapaz de cabelos compridos não respondeu. Não sabia, ao certo, qual atitude deveria tomar, ainda que não restassem dúvidas quanto ao que queria.

— Eu quero... – Hesitou, reunindo resquícios de força de vontade para segurar os ombros de Aiolia e afastá-lo.

À princípio, ele resistiu por reflexo, mas, por fim, separou-se de Mu por conta própria, o suficiente para seus corpos não se tocarem da cintura para baixo. Houve um silêncio carregado de respirações ofegantes. As pulsações tão fortes e aceleradas que davam a impressão de que os batimentos cardíacos eram audíveis.

— Sim...? – Aiolia incentivou, tenso de tanta expectativa. – O que você quer?

Com as mãos ainda apoiadas nos ombros dele, Mu fez uma avaliação rápida da situação. Bom, já que queria mesmo, a atitude coerente era prosseguir... e como a chance era boa demais para não ser agarrada, agarrou-a.

Whoa! – Aiolia exclamou, estremecendo ao ter determinada parte do corpo apanhada com firmeza.

— Oh, desculpa... – titubeou o rapaz de cabelos compridos, soltando-o. – Você não queria...?

Ele tratou de tranquilizá-lo:

Quero! Lógico que quero... É que foi meio imprevisto. Você estava todo hesitante e, de repente, veio com tudo... – Aiolia riu de leve, segurando o pulso de Mu e pressionando-se na mão dele, receptivo.

Com o interesse superando o constrangimento, Mu dedicou-se a reconhecer a área, com delicadeza dessa vez.

Tão delicado que todo aquele jeans no caminho, limitando a interação, irritou Aiolia. Alcançou a nuca de Mu com uma das mãos, encostando a testa na dele, fechou os olhos verdes-ou-azuis e suspirou, obtendo um igual suspiro em retorno.

— Abre... – pediu num murmúrio, prendendo a respiração.

Então, enfim, enfim, Mu abriu o botão de suas calças.

*

Havia um rapaz de cabelos compridos arfando alto, evitando escorregar com deselegância até o chão por estar se segurando nos ombros de um rapaz de olhos azuis-e-verdes que, por sua vez, o segurava pela cintura, ofegando tanto quanto ele.

No entanto, como os músculos de ambos tremiam, sem energia, eles acabaram no chão. Mu tinha a porta às suas costas e, por isso, apoiou-se nela, ficando sentado. Aiolia sentou-se diante dele, mas, sem ter nada em que se apoiar, tombou para trás, de encontro ao chão.

— Ops...

Ele riu, sem fôlego, e Mu o acompanhou, tocando no joelho dele.

— Você é bobo, Aiolia... Muito bobo...

O rapaz de olhos azuis que podiam ser verdes não contestou. Afinal, estava com um enorme sorriso no rosto, deslumbrado com o que acontecera. Não haviam chegado nem perto da cama e sequer haviam tirado as roupas – limitando-se a abrirem as calças um do outro a fim de libertarem o que interessava.

Estavam longe de fazer tudo o que Aiolia ansiava desde que se conheceram, mas ele considerou incrível a habilidade manual de Mu. E, pelo estado em que o rapaz de cabelos compridos estava, Aiolia ficou orgulhosíssimo de seus próprios talentos. Seu coração batia descompassado, sentia-se exaurido, suado, desgrenhado e... feliz!

— Hey... – Gesticulou com uma das mãos no ar, após alguns minutos de recuperação de fôlego. – Vem cá...

Depois de ajeitar as calças, fechando-as, Mu fez o que lhe foi pedido, meio engatinhando e meio deslizando até deitar-se parcialmente sobre o tórax de Aiolia. A cadência em que aquele coração leonino batia, desacelerando sob seu rosto, combinada com a maneira como Aiolia acariciava seus cabelos úmidos de suor tiveram um efeito calmante em seu próprio corpo agitado. Abraçou-o, passando um braço pelo abdômen dele, reconfortado.

Contudo, o movimento não foi bem calculado e o rapaz de cabelos compridos acabou esbarrando onde não pretendia.

— Céus! – assustou-se Mu, diante da animação crescente abaixo da cintura dele. – Já?

— Ora, o que fizemos foi ótimo, mas acha mesmo que bastou pra compensar a semana inteira que passei desejando você?

— Hmm...

— E eu contei que sou resistente, lembra?

— Hmm... – repetiu Mu, mordendo o lábio inferior.

— Agh, dá um desconto, eu tenho dezoito anos!

O rapaz de cabelos compridos desistiu de conter o riso.

— Certo – concedeu. – E eu que acabei nem descobrindo suas tatuagens?

— Ah, não seja por isso... – gracejou Aiolia, estendendo os braços no chão, acima da cabeça. – Fique à vontade pra tirar minhas roupas...

Mu ergueu a cabeça, apoiando-se num cotovelo. Não precisava enxergar para saber o quanto a expressão de Aiolia estava maliciosa.

— Senta aqui, Mu.

Aqui onde?

Aqui mesmo onde você está pensando.

Sem ter como negar qualquer pedido, Mu estreitou os olhos, erguendo-se até ficar ajoelhado. Daí, puxou os jeans e algodão de Aiolia para cima, ajeitando-os o melhor que pôde, dadas as circunstâncias.

— Que maldade, suas calças já estariam no caminho... – Aiolia resmungou, com ar de injustiçado.

O rapaz de cabelos compridos passou uma perna por cima de seu corpo, deixando cada um dos joelhos apoiados aos lados de sua cintura e... sentou-se no local exato. Mesmo contrariado pelas roupas entre eles, Aiolia calou-se.

— Ahn, você sabe... mesmo que eu tire suas roupas, não vou conseguir distinguir nada sem luz... – esclareceu Mu, sabendo direitinho que esse não era o objetivo dele desde o início.

— É mesmo... – Aiolia concordou, apertando as coxas dele com as mãos, pensando em outras coisas. – Você quer conversar?

— Sério? Você quer conversar?

O rapaz de olhos tão azuis quanto verdes soltou uma gargalhada.

— Não é que eu queira, mas parece que é necessário... Você disse, na sala, que estava intrigado... Ainda está?

Chocado por Aiolia ter se lembrado disso, Mu colocou as mãos por cima das dele, sem afirmar nem negar nada. Não porque não quisesse responder. E, sim, porque percebeu que soaria inseguro e sem propósito. De súbito, voltou a ficar tão perdido quanto na sala.

— Você pode me contar o motivo disso – Aiolia encorajou, sério.

— É que... eu notei que... – começou Mu, constrangido, mas disposto a dizer tudo. – Que não sei bem como fazer você sentir tudo o que eu sentia... E poderia nem ser parecido... você é o primeiro a me fazer sentir essas coisas, mas eu não sou o...

— Ahn? Quê? – Aiolia interrompeu, atônito. – Espera aí... Você está dizendo que...?

Mu cruzou os braços, emburrado, e fez um beicinho no escuro.

— Por que o susto? Você mesmo concluiu, quando nos conhecemos, que eu não fazia sexo, lembra? E eu não neguei...

— Mas... mas... Eu achei que você não fazia do tipo não andava fazendo, não do tipo nunca fez... E você sempre agiu com tanta desenvoltura desde aquela massagem no carro dos gêmeos...

Calado, o rapaz de cabelos compridos esperou.

— Ahh! – repreendeu-se Aiolia, a compreensão atingindo-o como uma chicotada violenta. As hesitações recentes e o modo como Mu andava meio confuso em algumas ocasiões fizeram sentido. – Caramba!

— Isso é um problema? – perguntou Mu, entrando na defensiva.

— Óbvio que não! – garantiu, voltando a apertar as coxas dele. Fez uma pausa, franzindo as sobrancelhas. – A menos que o motivo pra você nunca ter feito sexo se aplique a mim também... aí, seria frustrante.

— Se fosse o caso, eu nem teria vindo para sua casa... Como falei antes, eu me sinto confortável com você. É o bastante para isso... – admitiu baixinho, tendo dificuldade em ouvir a própria voz.

Aliviado, Aiolia sorriu e apoiou as mãos no chão, impulsionando o tronco para cima até se sentar. Mu descruzou os braços para que ele pudesse abraçar sua cintura ao mesmo tempo em que o envolvia pelos ombros.

— Se é assim, o que preocupa você?

Ao tentar elaborar uma resposta, o rapaz de cabelos compridos percebeu que ela soaria insignificante porque, embora antes tivesse se sentido ressabiado com a ideia de se envolverem profundamente, no momento, sentia-se tranquilo.

— Ehrm, não sei... Acho que é a possibilidade de doer... Algumas pessoas dizem que não dói, outras afirmam que dói demais... Ou seja, depende, mas eu...

Aiolia assentiu, apoiando a cabeça sobre um ombro dele, os dedos brincando com as mechas cor de lavanda.

— Meu irmão, inclusive, explicou isso em uma conversa terrível de tão embaraçosa – contou Mu. Sentiu Aiolia esconder a boca em seu pescoço e consentiu: – Okay, pode rir. Hoje é engraçado, mas pode acreditar que foi mortificante na hora...

O rapaz de olhos azuis-e-verdes riu um pouco com aquela tentativa de desanuviar a tensão pelo assunto. Não falou nada – não poderia prometer que não haveria dor alguma. Ergueu o rosto e deu a ele um daqueles seus raros beijos suaves.

Entreabrindo os lábios, Mu sentiu o coração acelerar por motivos diferentes da vez anterior. Não tinha que se preocupar. Aiolia lhe fazia bem.

... nada disso, volte aqui...

O comentário inesperado, vindo de fora do quarto, fez o rapaz de cabelos compridos dar um pulo assustado no colo de Aiolia.

— Acredita que me esqueci deles?

— Que bom! Porque, né...

Mu mordiscou o queixo dele, agradecendo aos deuses por ninguém ter resolvido chamá-los ou bater na porta.

— Em todo caso, deve ser tarde agora. Você sabe, eu preciso acordar cedo aos sábados e...

— Ahh... – Aiolia lamentou, compreendendo que não teria jeito. – Quando vamos nos ver de novo? Amanhã? Diz que sim...

— Vejamos... – Mu ponderou. Seus horários podiam não bater durante a semana, com exceção das noites de sexta, mas, aos sábados, sabia que podiam se encontrar. – Eu estou livre a partir da uma hora da tarde. Logo, se você não tiver nada mais interessante para fazer...

Aiolia deu um leve tapa na lateral de uma coxa dele.

— O que poderia ser mais interessante do que você? Eu estou livre das quatro em diante.

— Oh, podemos sair à tarde então? – Mu ficou tão animado com a perspectiva que a pergunta saiu apressada.

— O que você preferir... À tarde, à noite, pode contar comigo.

— À tarde! – reafirmou, alegre e satisfeito. Queria que se encontrassem à luz do dia, uma vez que tudo em Aiolia, em especial o perfume, sugeria que ele seria ainda melhor admirado sob o sol. – O que faremos?

— Putz, o que será que podemos fazer...? – replicou, com um risinho rouco e eloquente.

— Você é fogo, hein? – Mu o beijou, empurrando-o pelos ombros, fazendo com que ele se deitasse no chão outra vez, e, sem interromper o beijo, deitou-se sobre ele.

A razão daquela repentina explosão de alegria foi um mistério para Aiolia – sair à tarde era tão legal assim? –, mas ele aproveitou. Infelizmente, antes que pudesse fazer qualquer avanço, Mu se levantou, escapulindo rapidinho, parecendo um coelho arisco em vez de um carneiro.

— Hora de ir... mas teremos todo o tempo do mundo...

Parecia que o tempo passava na velocidade da luz quando estavam juntos, Aiolia pensou tão logo Mu terminou de falar, levantando-se também. Como todo o tempo do mundo poderia ser suficiente?

*

Havia um rapaz de cabelos compridos sem graça, um rapaz de olhos azuis mesclados de verde aborrecido e três pessoas a encará-los com mal disfarçada curiosidade.

Mu sabia o que estava atraindo os olhares de Aiolos, Pandora e um dos gêmeos: os hematomas. Ele tinha identificado as marcas roxas em seu pescoço ao se recompor no banheiro. Como tinha os cabelos longos, até que dava para esconder boa parte deles, mas logo viu que o mesmo problema se aplicava ao pescoço de Aiolia e, o que era pior, ele não tinha como disfarçar com o cabelo.

Não que Aiolia estivesse ligando para o fato de ser o foco de estudo geral. Estava ocupado em se aborrecer com outra coisa.

— Kanon, o que diabos você está tentando fazer com meu irmão?

Porque, conforme Mu observou, Aiolos estava no sofá de três lugares, com Pandora quase sentada no colo dele, de tão próxima que ela se encontrava, e Kanon do outro lado, inclinando-se sobre ele, as mãos segurando a barra da camiseta que o rapaz de bandana vermelha vestia.

— Por que eu levo a fama de gêmeo mau até quando é o Saga quem apronta? – perguntou Kanon, aparecendo atrás de Aiolia e Mu, vindo da cozinha.

Aiolia olhou para ele, pestanejando em espanto. Costumava diferenciar os gêmeos com facilidade. Exceto se... Saga tivesse bebido além da conta. E como Kanon estava ali, longe de Aiolos, isso queria dizer que...

— Saga, cai fora!

Saga lhe dirigiu um olhar severo, deixando claro que discordava sobre quem devia estar dando ordens, mas não disse nada. Exibiu um sorriso sugestivo e perigoso, que não inspirava a menor confiança, e levantou a camiseta de Aiolos do abdômen até o tórax numa única puxada.

Daí, teve início a confusão.

Continua...

Notas finais
Eu sei, vocês queriam ver o Milo interrompendo... mas não se preocupem, pois chances não faltarão... -q Também sei que alguns queriam ver como foi entre a primeira e a segunda cena, mas a fic não é +18, então já sabem... Ainda assim, me digam o que acharam por, finalmente, o Aiolia ter conseguido alguma coisa mais ~substanciosa~ com o Mu, haha xD Obrigada pelas reviews: reneev, arianinha, Wolf White, Suh, PCHolmes, Sakykah, Ysoga, Raquel Ohara, Diana Lua, Orphelin, Suh Domingues, Bloody Rose e Svanhild ♥