Encontros e desencontros -Outra de Betty e Armando
9 Capítulo 9 Quê?
Notas iniciais
—Quê? Como assim? -perguntou Armando assustado, com a certeza que entendeu erraado.
—ESTOU GRÁVIDA! De quase três meses!
—Mas como assim, Marcela? Combinamos que não teríamos filhos nos primeiros anos e depois conversaríamos e...
Marcela começa a chorar.
—Você não quer meu filho! Como pode ser tão cruel? É o resultado de nosso amor! A junção dos Mendoza-Valência!
E sai correndo para se trancar no banheiro:
—Marce, não é assim! Eu adorei a notícia! Só fui pego de surpresa!
—SAI DAQUI, ARMANDO! VOLTE PARA SUAS AMIGUINHAS!
—Quero ficar com você!
Marcela abre a porta, chorando.
—Jura?
—Juro. Vou cuidar de você! E vocês!
—Oh, Armando!
Marce sente tontura e ele a carrega no colo. A deposita na cama.
—Descanse, Marcela! Vou te trazer um copo d´`água!
Marcela bebe a água.
—Prometa que não vai me deixar sozinha! Estou com medo!
—Sim, Marcela! Descanse! Meus pais, seus irmãos já sabem?
—Não! Quis que soubesse primeiro!
—O.k.!
Armando nunca teve o sonho da paternidade, pouco tinha agora, mas não podia abandonar Marcela agora. Querendo ou não, ela era sua esposa. Tinha grande carinho, foram criados juntos, ele era órfã, não tinha ninguém sem ser ele.
—Betty... –suspirou, chorando, enquanto Marcela dormia. Sabia o que significava. Não podia realizar o sonho de juventude de unir-se à Betty. E se ela não aceitasse ser amante, iriam ter que se separar.
—Vou falar com ela e explicar tudo. Ela não pode me deixar, temos que ficar juntos. Tem que entender que não poderei largar Marcela neste momento!
Ainda mais, depois de Marcela ter sangramento por descolamento de placenta. Não poderia ter desgosto ou fazer esforço. Por isto, Margarita a levou para receber cuidados.
—Para viajar com a companhia do Teatro foi capaz de largar a Ecomoda! Deveria fazer o mesmo por Marcela e seu filho! Precisam de você 24 horas por dia!
—Mamãe! Não é assim! Contratei enfermeira e tudo que precisava. Se não ficarmos à frente de Ecomoda, Danielzinho vai tomar conta de tudo e tomar Ecomoda! Marcela está sendo bem cuidada por você, mamá!
—Seu pai quer voltar para Londres! Não gosta da Colômbia e tenho que ir com ele!
Armando olhou para cima.
Armando havia combinado de sair com Betty para almoçar e namorar. Pretendia contar a ela a novidade: que se separaria de Marcela, mas isto não seria possível tão logo.
—Oi!
—Oi, Armando! Quer dizer, Doutor! (estavam na empresa)
—Vamos almoçar?
—Sim.
Os dois saíram para almoçar em uma cantina onde ninguém os conhecia para ficarem à vontade:
—Que foi? Você está estranho!
Ele queria contar tudo, mas sentia tanta falta dela, de seus beijos, suas carícias. Tantos anos sonhando em tê-la em seus braços. Temia perdê-la. Temia que não quisesse continuar sua amante até que pudesse se separar. Então, decidiu que era melhor falar depois.
—Não é nada. Mas sinto sua falta! Preciso ficar contigo!
—E a Ecomoda?
—Se ficarmos ausentes por duas horas, não vai acontecer nada!
—Só duas horas.
—Ah, picarona! Queria fica contigo a tarde toda, mas...
Ele liga para a empresa, avisa que o almoço de negócios vai demorar um pouquinho.
Naquela tarde, voltaram às 3 da tarde, após se amarem duas vezes intensamente.
—Betty! Te amo do fundo de meu coração, com todo meu corpo e minha alma! Tenho tanto medo! Gosta ao menos um pouco de mim?
—Não sei o que sinto por ti, Armando! Estou confusa, não sei se é amor também, mas sinto-me muito bem contigo! Sinto carinho, desejo e creio que possa estar apaixonada!
—Vou fazer com que me ame um dia! –beijo Mas mesmo que não aconteça, tenho amor suficiente para os dois! E disse... desejo? Ah é...
Tomou seu rosto e aproveitando que estavam nus um sobre o outro, pegou-a pela cintura. E abrindo suas pernas, começou a amá-la. Betty estava totalmente apaixonada por Armando, mas tinha muito medo de sofrer, de não dar certo como com Juliano. Na empresa, o primo de Juliano, Hugo Lombardi, o estilista, que nunca havia gostado da “nova prima” vivia fazendo piadinhas com Betty para deixá-la desconfortável. Na família dos Lombardi, Betty não passava de uma qualquer que havia traído o “coitadinho do menino Juliano”, conforme diziam os jornais, mas a verdade é que até se separar e se envolver com Armando Mendoza, Betty nunca havia se envolvido com outro homem. Betty já havia voltado a usar o nome de solteira, Beatriz Pinzón Solano e não mais Beatriz Pinzón Lombardi, oficialmente, mas mesmo assim, era acusada de oportunista pelo estilista.
—Vou demiti-lo, Betty! Ele não pode te tratar assim!
—Não, Doutor! Não faça isso! A empresa precisa dele!
—Arrumo um estilista em qualquer lugar!
—Não faça isso, doutor! Vai levantar suspeitas! Vai colocar toda a empresa contra mim! É só o ignorarmos!
Armando a beijou com paixão. Era um inútil. Havia perdido a oportunidade de ficar com ela e esperar que crescesse para amá-la. Quando a reencontrou, não lutou por seu amor, deixando que se casasse com Juliano para que fosse feliz ao lado dele, como se não fosse capaz de fazê-la feliz e como se não bastasse, cometeu o maior erro de sua vida: casou-se com Marcela para amagar-se por não ter Betty e principalmente, por sua família, pela empresa, por todos menos por ele. Agora que a tinha com ele, só para ele, não podia separar-se, porque Marcela passava por uma gravidez de risco. Era tudo, menos um monstro.
Chorou, enquanto a beijava.
—Que foi?
—Abraça- me, Beatriz! Preciso te contar uma coisa. Não é muito fácil.
—Está me preocupando.
—Amo você desde que era aquela menina de 15 anos, que sonhava em ser economista e me ensinou tudo que sei de matemática. A amo. Mas me disse que seu pai era conservador e jamais deixaria que namorasse, imaginaria se deixaria que namorasse com um rapaz bem mais velho? Não tinha coragem nem de falar para você! Ia me achar um pervertido! Mas eu tinha um sentimento doce por você!
—Vi como DOCE pode ser! Ojojo
—Ah, sou sim, mas também sou muito apaixonado. É que me tira do sério, Beatriz! –beijo
—Mas continua a falar ou vamos acabar fazendo amor de novo.
—E não é má ideia...
—Mas não disse que era importante?
—Sim, mas... Façamos!
Neste momento, o celular dele tocou.
—Atenda!
—Alô? Fala, mamá! Quê? Está bem! Vou para lá!
Desligou.
—Betty! Deixemos esta conversa para outro dia!
—Algum problema?
—Não sei o que vai acontecer, mas saiba... (beijo) que te amo mais que minha vida!
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