Armando deixou Betty na Ecomoda e foi correndo ao hospital desesperado. Marcela, a mulher que havia conhecido e querido como por toda a vida, estava tendo uma hemorragia séria.
—Ela está bem, mamá?
—Não, Armando, não.
—E meu filho?
—Corre risco também.-disse Margarita com lágrimas nos olhos.

Armando entrou no quarto de Marcela, a esposa estava branca como papel, o descolamento era grave. E a anemia profunda. Ele pegou em suas mãos. Sentia-se culpado pelas vezes que a deixou sozinha. Enganando-a. Ela o amava a sua maneira. E ele a enganava com qualquer uma que se colocava na frente. Chorou. Sentiu remorso, pelas vezes que a fez chorar, acariciou sua bochecha e a barriga.
—Estou aqui! Papai não vai te abandonar. Não vou! Vou ficar com vocês duas.
Sabia do que estava falando. Precisava cuidar das duas. O arrependimento que sentia não alcançava seu romance com Betty. Ela era a mulher de sua vida. A amaria para sempre. Mas sabia que não poderia deixar Marcela agora, nem seu filho.
—Mamá! Podem ir para casa. Vou ficar com Marcela e meu filho.
—E a Ecomoda?
—Vou pedir a única pessoa em que confio para cuidar, mamá! Mas amanhã.

Quando seus pais foram para casa, Armando ligou para Betty, avisando que não iria para Ecomoda aquele dia e nos próximos e que precisaria dela e de Mário mais que nunca.
—Mas o que aconteceu, Don Armando? É algo com seus pais?
—Preciso que seja pessoalmente Betty! Venha aqui pela manhã!
—Está bem!

Mário assim que soube dirigiu-se ao hospital.
Betty foi ao dia seguinte como combinado. Armando estava pálido e Betty se preocupou,
—Estou bem. É que passei a noite em claro.
Foram até uma lanchonete. Lá Armando começou a falar.
—As coisas saíram do controle, Betty! Não vou poder fazer o que te prometi...
—Por conta do bebê que dona Marcela está esperando?
—O quê? Como sabe disso?
—Ontem quando cheguei à Ecomoda, as meninas comentavam que Ecomoda iria ter um novo herdeiro. E Bertha disse que ouviu que era o filho de dona Marcela.
—As fofocas correm solto na Ecomoda!
—Diga-me que não é dona Marcela que está aqui. O bebê está bem?
—Ai, Betty! Ela está tendo descolamento de placenta. E talvez não aguente. Tem que ficar no hospital, imóvel.
Armando tinha lágrimas nos olhos e Betty colocou a mão sobre a sua e também chorou.
—Espero que entenda que não posso... ela precisa de mim.
—Logico! Estou aqui como amiga e não como qualquer outra coisa. Pode contar comigo.
—Eu juro que estou tão surpreso quanto você! Quando começamos não sabia que Marcela estava grávida. Voltamos à Capital e planejava pedir o divórcio à Marcela, mas ela me surpreendeu com esta notícia. Eu... não sei o que fazer, Betty!
—Pois eu sei! Você vai ficar aqui, cuidando dela e de seu bebê! Seu lugar é aqui!
—E quanto ao nosso? Não sei viver mais sem você, Betty! E ia te contar ontem.
—Eu sei. Don Armando, pode contar comigo para o que der e vier! Sei que dona Marcela não gosta muito de mim, mas a respeito e estimo muito.
—Betty! Grato. Estes papeis dizem respeito a você: estou te outorgando plenos poderes para manejar a empresa, enquanto estiver aqui com Marce e meu filho.
—Não, don Armando.
—Preciso de você nisso. Não confio em ninguém mais! Pode despedir a peliteñida, ter outra secretária. Entre outras coisas. É sua empresa! Não deixe que Daniel ou outro diga o contrário! Já falei com meu pai e ele concordou. Faça isto por mim!
—Está bem! Mas sei que logo a devolverei!

Dito e feito. Em poucas semanas, Marcela estava de volta à casa dos Mendoza, com o bebê na barriga. E Betty devolvia a empresa nas mãos dos Mendoza. Betty havia mandado Patrícia para uma das lojas de Ecomoda para não ter que dispensá-la e como Marcela ficaria afastada por alguns meses, Betty após comprovar suas habilidades, assumiu como vice presidente, o que deixou Armando contente.
O que não gostou muito é da presença de Nicolás, na mesma sala com Betty.
—O que faz este tipo aqui?
—Ai, don Armando, sabe que ele é como meu irmão. Não temos nada.
—Eu sei, Betty! Mas sou um tolo ciumento! -quis beijá-la.
—DE JEITO NENHUM! Fiz uma promessa!
—Quê?
—O dia que me disse que dona Marcela e o bebê corriam perigo, fiz uma promessa que se saíssem dessa bem até seu filho nascer não teríamos nada!
—Betty! Não podia ter feito isso. Não acredito nestas coisas!
—Pois eu sim! Com licença!
Assim, durante meses a única forma de desafogar foi nos banheiros com o jejum imposto por Betty e o necessário à Marcela. Tampouco lhe provocavam andar com modelos, tão logo, voltava para casa, ficava com Marcela, cuidando dela. Sempre gostou dela como amigo, pois foram criados juntos.
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Apesar de tudo, o nascimento de Catty foi normal.
—Grata, Armando, por ficar do meu lado!
—Sim, Marce. E obrigado por nossa filha.

Armando havia devolvido certa ternura pela esposa, não era amor, não aquele amor romântico e apaixonado que sentia por Betty. Tampouco era desejo. Mas sabia que ela precisava dele, mais que tudo. Tinham agora algo em comum, a bela bebê. Armando estava encantado pela filha e não queria separar-se dela.
Betty sabia disso, conhecia o amor que um pai podia ter por sua filha e não queria atrapalhar isso. Via uma família amorosa e terna. Poderia ser que o casamento deles finalmente dera certo, mesmo que Armando lhe dissera o contrário? Não sabia dizer, mas não queria se meter mais nisso. Precisava terminar com ele.


E assim foi. Armando completava seis meses sem sexo, estava tal como desesperado. Ele que sempre havia feito sexo diariamente desde que perdeu a virgindade, aquilo era uma tortura.
—Betty? Podemos conversar?
—Sim, don Armando!
Então, foram ao seu restaurante italiano favorito no centro da cidade.
—Beatriz! Marce, está bem, E minha Catty como vê, nasceu saudável.
—Sim, don Armando. ela é linda! Não é à toa que está encantado por ela.
—Sim, estou, Betty!
—E dona Marcela? Está bem?
—Sim, apesar de ter uma gravidez de risco, ela se recuperou bem. E lógico também está encantado com a filha.
—Posso ver uma foto?
—Sim, claro. Aqui!
—Olha só aqui que lindinha!

A bela menina tinha só os olhos negros encantadores de Armando, no restante era tudo de Marcela. E Armando estava encantado, exibia a foto da filha com lágrimas nos olhos. Pela primeira vez desde que ela e Armando ficaram juntos, sentiu que não fazia parte da vida dele.
Armando secou as lágrimas, segurou as mãos de Betty.
—Betty! Alimentou-se bem?
—Sim.
—Podemos ir?
—Sim, podemos.
Para Betty, era apenas o fim do almoço e voltariam para Ecomoda. Não sabia que Armando tinha outras ideias. Tão logo, entraram no carro, ele acomodou-a no banco do carona e começou a alisar suas pernas.
—Don Armando, eu.
—Quê, Betty? Quê?
—Para onde estamos indo? Este não é o caminho para Ecomoda!

—Certamente não.


Dentro de dez minutos os dois desciam pela garagem e subiam o elevador de serviço. Tomando posse do corpo dela com suas mãos enormes que mais pareciam cem, Armando não deixava de beijá-la, nem para respirar. Necessitado e ávido que estava, a ida até a cobertura parecia uma eternidade. Por sorte, não havia ninguém naquele elevador, pois não sabia como se controlar. Ainda câmeras e devem ter feito a alegria dos porteiros do prédio, vez que já havia aberto os botões de seu vestido e por pouco não chegava a colocar os seios da amada para fora.
Ao adentrar o apartamento, Armando a pegou no colo e sem se fazer de rogado a levou aos beijos até o quarto.
—A amo, te desejo tanto. –a depositou com carinho na cama e começou a despir-se.
Agora, sem ter os lábios dele engolindo os seus e sem ter suas mãos e seus braços fortes apertando-a, Betty conseguia raciocinar.
—Don Armando, tem certeza que quer fazer isso?
—Quê, Betty? Como assim?
(Ele já havia tirado a camisa e a calça)
—Don Armando! O senhor agora tem sua família, uma filha.
—Mas sigo louco (puxa as pernas de Betty para fora da cama, deitando sobre ela, ainda de boxer) por você! Ainda a quero e a amo! (beijo) E todos estes meses (beijo no pescoço) esperei (beijo no lado direito do pescoço, abrindo o restante dos botões), não fiquei com nenhuma (tirando os seios para fora do sutiã) com nenhuma (apertando com as mãos) pois nenhuma me apetece como você (acariciando os bicos como ela gosta). Te amo e te desejo (abocanha um dos seios, revezando entre boca e mãos). Quando se viram estão completamente nus, amando-se com loucura, desesperados e famintos.
Assim foram intensos umas duas vezes. Até caírem adormecidos. Betty acordou antes, acariciou-o. Pude compreender que estava apaixonada, como nunca foi por Juliano. Armando sabia ser doce, apaixonado, intenso, a tomava com carinho e violência, sabia fazer o que precisava quando precisava. Ficaria com ele para sempre. Mas estaria casado por muito tempo por conta da filha.
Quando Armando acordou, tomaram um café e pegaram um carro para voltarem para Ecomoda. Armando atendeu o telefone. Era Marcela.
—Sim, Marcela? Estava trabalhando. Reunião com os provedores. Sim, fechei bons negócios! Estava com Betty, claro. A economista da empresa. Sim, claro que estarei presente na primeira consulta com o pediatra. Dor de ouvido? Isto é ruim! Eu tinha muito. Está bem, vou para casa direto.
—Betty?
—Melhor ir. Eu tomo um táxi.
—Não, a deixo na Ecomoda!
—Está bem lá tenho meu carro!
Assim foram durante meses, Betty tentou terminar com Armando algumas vezes, mas sempre acabava cedendo à paixão que sentia por ele. Desde que havia se separado de Juliano, Betty morava em um apartamento que dividia com uma amiga atriz no Centro de Bogotá. Como a amiga nunca estava em casa, acabava morando sozinha e era lá onde Armando e ela se encontravam. Isto quando ele vinha. Pois geralmente ligava para dizer que não poderia ,por conta de algum problema que Catty ou Marcela tinham. E assim, terminava Betty as noites, bebendo um vinho, debruçada sobre alguma planilha.

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A filha de Armando e Marcela, já tinha 6 meses. Betty havia tentado se separar de Armando várias vezes, mas vez que continuava vivendo em Bogotá e trabalhando por Ecomoda, acabava cedendo e passando tardes ou noites de paixão. Até que apareceu a oportunidade de fazer um trabalho no Uruguai e na Argentina, junto à uma importante empresa de Publicidade, como seria na área de Economia (contabilizando gastos) Betty não pensou duas vezes. Pediu licença de seis meses na Ecomoda. Este tempo era o que precisava para pensar e repensar sua vida.

Ao princípio, Armando não aceitou sua partida, mas não teve como impedi-la.

—Promete que voltará?

—Sim, (beijo) um dia voltarei!

—Betty! Morrerei de saudades! (beijos)

—Prometo que voltarei! (beijos)

Após fazerem amor.

—Promete que cuidará de dona Marcela e de Catty?

—Tenho cuidado.

—Se dedicando de verdade.

—Sim.

Betty partiu de Ecomoda, deixando Nicolás Mora como vice-presidente financeiro. ao princípio os dois morreram de saudades um do outro. Betty, parecia não se adaptar à velha e encantadora Buenas Aires. Quando não estava no trabalho, estava em casa, quase sempre sentia-se mal do estômago. Vomitando. Achava que era doença de amor.

—Dona Beatriz Pinzón?

—Sim?

—Aqui, estão seus exames! A senhora está grávida!

—O quê?

Betty não podia acreditar. Sempre havia se cuidado e quando não, tinha sorte. Não sabia o que fazer. Estava grávida de um homem casado e com filha. E ele parecia feliz, pela primeira vez em sua vida ou isto pensava Betty. Já não telefonava para ela todos os dias e sempre via fotos da família Mendoza-Valência na revista Jet Set;

—Melhor cuidar de sua vida, Betty! E deixá-lo em paz! Ele está bem! Vou cuidar de meu presente sozinha! (abraçou a barriga) Um dia contarei tudo ao seu papai!

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Notas finais
Catty - Catarina é a representante da filha de Jorge Enrique, Candelária.