Encontros e desencontros -Outra de Betty e Armando
5 Capítulo 5 –Algo acontece com Betty
Enquanto a temporada da comédia era cada vez mais bem sucedida, a ponto de terem que deixar Ecomoda aos cuidados de Nicolás (que agora também trabalhava no setor financeiro de Ecomoda) e Mário. Armando reparou que Betty andava meio depressiva.
—O que foi, Betty? O que você tem?
—Não é nada, Armando! Nada!
Ele sempre se negava a contar-lhe.
—Tudo bem. Mas saiba que...pode contar sempre comigo e que estou aqui sempre que precisar se abrir.
—Tudo bem! (enxugando lágrimas)
Um dia, depois de uma apresentação bemsucedida, às vésperas da viagem ao Equador, Juliano foi buscá-la na saída do teatro.
—Oi, Juliano! Até que enfim veio nos prestigiar!
—Oi, Armando! Onde está Marcela?
—Ela não gosta muito de me ver no teatro!
—Ou também reclama que não para mais em casa?
—Sim, mas…
—Ela tem razão, não acha? Agora vocês só ficam aqui no teatro. Não tem mais vida! Não param mais em casa! Só ficam se agarrando 14 horas por dia e ainda trabalhando na Ecomoda!
—É um relacionamento profissional, apenas!
—Não é o que dizem, sabia? Parece que é mais marido dela que eu!
Juliano deixou Armando com a palavra na boca, sem jeito e entrou no camarim de Betty.
Armando percebeu que Juliano estava esquisito, parecia alterado. Não parecia o mesmo cara centrado e educado. Não deu dez minutos e Betty saiu chorando do seu camarim.
—Que foi, Betty?
—Ai, Armando! Não sei o que fazer! Me leva daqui!
—Está bem!
No carro de Armando:
—Onde quer que te leve?
—Me leva a qualquer lugar! Não quero voltar para casa! Não quero ver Juliano nunca mais!
—Mas o que foi que aconteceu? Ele te ama tanto! (Foi sincero, era o que percebia, embora doesse.)
—Acabou, Armando! Acabou!
Apesar de amar Beatriz, não queria ver Juliano e muito menos ela sofrendo.
—Betty! Não é assim! Vocês, vocês casaram há pouco tempo! Se amam, não?
—Pensei que era amor! Mas não era!
—Conte-me o que aconteceu.
—Me perdoe, Armando. Não quero falar sobre isso!
—Está bem!
Ela se acomodou em seu ombro para chorar.
—Só deixe-me chorar, por favor!
—Sim, Betty!
Armando ia deixar Betty em um hotel como ela havia pedido, mas ela estava chorando tanto e tão carente que não podia deixá-la sozinha, então, fez companhia para ela a noite toda, até que dormiu em seus braços como se fossem dois irmãos.
—Vou chegar tarde, Marcela! O diretor pediu que ficássemos. Sim, é por conta da temporada no Equador! Sim, lógico que volto para casa! — olhou para cima. -Tchau!
Ao desligar, Betty deitou a cabeça no seu colo.
—Desculpa! Não queria atrapalhar seu casamento… Já basta o meu destruído. Melhor você ir e me deixar!
—Não, Betty… Somos amigos. Você precisa de mim. (Betty chorava copiosamente)
Depois de fazê-la comer um pouco. Levou-a nos braços para a cama. Mas não como desejava. Apenas a carregou, com sono depois de tanto chorar e a depositou na cama. Viu que soluçava. Fez carinho em seus longos cabelos, fez rolinhos com eles, acariciou seu rosto, até o pescoço. Deitou-se ao lado dela para acariciá-la com a ponta dos dedos, enquanto dormia. Como queria tomá-la, tão triste, tão vulnerável. O que teria acontecido tão grave entre Juliano e ela? Não podia se aproveitar dela, neste momento. Ela precisava do seu apoio.
Ficou ali até de madrugada, quando voltou para casa e ouviu a ladainha de Marcela.
—Estava com ela! Sinto cheiro de mulher em você! Diga o nome da vagabunda!
—Não tem nenhuma vagabunda, Marcela!
—Então, prove! Faça amor comigo! Faça!
—Está bem!
Armando não estava nem comum pouco de vontade. Nem mesmo pensando em Betty, pois estava muito preocupado com ela. Fez de forma mecânica, por estimulação, apenas para deixar Marcela satisfeita, devia isto a ela.
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