Às vésperas de viajar, Betty e Julian assinaram o divórcio, para desgosto de Seu Hermes. Graças às fofocas que corriam soltas na Imprensa Marrom dizendo que Beatriz, renomada economista e agora também atriz, divorciou-se de seu marido, Juliano Antonio Lombardi para poder viver sua vida promíscua com os atores e fãs da peça.

—É mentira, mamá! Sim nos separamos, mas porque Juliano não aceita que esteja fazendo sucesso e que seja mais bem sucedida como atriz que ele! Nunca tive nada com nenhum ator da peça, mamá, muito menos com algum fã!

—Eu sei, filha, mas sabe como é seu pai!

—E o pior é o ciúme doentio de Juliano!

—Eu sei! Agora vou viajar e quando voltar, falarei com ele e tentarei me explicar!

Assim foi, Betty foi ao Equador com a companhia de Teatro, entre eles, Armando, o único com quem podia chorar e desabafar. Após aquela noite de apresentações e o jantar com a companhia, Betty foi apra o apartamento de Armando para desabafar.

—Betty, não aguento te ver sofrendo. -dando-lhe uma taça de vinho -O que foi que aconteceu?

—Tenho medo de te falar e ficar contra mim.

Com receio, pôs a mão no coração.

—Pode me contar. Juro que não vou te julgar!

—Então, Juliano terminou comigo, por conta de fofocas dizendo que sou uma vagabunda, que todos dizem que ando com todos os atores da peça e vou para a cama com os fãs!

—Que isso! Você nunca faria isso! Te conheço!

—Ai, obrigada, Armando. –o abraça. –Sabia que sempre iria me ouvir e ficar do meu lado.

—Sempre! –fechou os olhos, custava-lhe até respirar. –Mas Juliano acreditou nisso, nestas fofocas¿

—Sim.

—Mas que horror! Devia ter falado comigo, eu teria falado com ele que não tem nada com ninguém.

—Não ia adiantar! Ainda mais disse que não paro mais em casa. Que além de trabalhar na Ecomoda, ainda arrumo tempo para ensaiar e me apresentar no teatro. Que onde já se viu ter uma esposa assim!

“Que machista!”-pensou

—Nunca pensei que Juliano fosse assim tão machista!

—Nem eu! Ainda disse que preferia uma mulher que não trabalhasse fora, para ser só dele! Que onde já se viu, ter uma esposa que é atriz! Mas quando ele me conheceu eu já era atriz e economista! Nos conhecemos atuando, não sei o que deu nele!

—Nem eu sei! Ele nunca foi assim!

—Juro que nunca saí com ninguém mais! Com nenhum!

—Acredito em você!

—O único que beijo é você e porque estamos contracenando!

—Sim… (ele abraçou-a, suspirando)

—É apenas cena, ele deveria saber por ser ator há mais tempo que nós. não?

—Sim, Betty, sim! Armando sente uma ternura inigualável.

—Jamais o traí e ele foi injusto. Sei que é seu amigo ,mas…

—É meu amigo, mas foi muito injusto contigo. Você é a moça mais doce, meiga, honesta que conheço. -apertando-a contra si.

—Mas agora, chega de chorar! -Solta-se dele -Estou livre! -virando o copo de vinho -Vou viver minha vida! Namorar com quem quiser!

(Armando sentiu uma dor no coração)

—Não! Você não pode!

—Quê?

—Não pode sair por aí!

—Vou! Vou sair e vou fazer o que me acusou a fazer! Vou beijar, namorar, fazer amor com quem me atrair!

—Para quê? Para que isso, Betty?

—Estou magoada! Não merecia ser acusada desta forma!

—Eu sei, Betty! — a abraça -Mas não pode fazer isso!

—Por quê? Quer que eu siga sendo a mesma? Acha justo que Juliano me acuse sendo inocente? Já sei, você é como todos os homens! Quer que eu me preserve para seu amiguinho? Que o perdoe e… É outr machista!

—Não! Não sou machista! Tampouco quero que se preserve para ele.

—Está agindo como machista!

Não! -segura seus braços -Não quero que beije, namore e se entregue para outros homens! -a abraça -E não é por conta de Juliano!

—Não?

—Sou péssimo amigo, Betty! — a abraça -NÃO PODE SER DE OUTRO, NÃO POR JULIANO! NÃO POR ELE! -aperta sua cintura e com a outra mão segura seu queixinho. -PORQUE A QUERO PARA MIM! SÓ PARA MIM! -apodera-se de sua boca, com paixão. Ela pensa em empurrá-lo, mas sua língua começa a bailar coma dele.

Quando ele tira a mão do queixo e começa a percorrer seu corpo, fazendo com que ela sinta sua excitação. Ela reage e descola dele.

—Não! Você não! Não posso fazer isto contigo! É meu chefe, colega e amigo! Com você não!

—Betty! BEEETTTY!!! -ela sai correndo do quarto, chorando.

Ele quer sair atrás dela, mas está muito excitado, então, pega um blazer para esconder a evidência, pois poderia até ser preso. Mas quando abriu a porta, Betty abraçou-o pelo pescoço e começou a beijá-lo.

—Apenas me ame! Me ame!

—Sim. –com a voz rouca e o batom borrado dela em volta de sua boca

—Me deseja?

—Como um louco!