Encontros e desencontros -Outra de Betty e Armando
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Armando havia terminado a Faculdade de Engenharia, feito Pós em Administração nos Estados Unidos. Estava se preparando com afinco para realizar seu sonho: ser Presidente de Ecomoda. Havia se tornado um mulherengo incorrigível, sua preferência continuava sendo pelas modelos, que faziam de tudo para deitarem-se com ele, não só para se divertirem, mas também para subirem na carreira. E isto era a única coisa que impedia de preparar-se com afinco para assumir a Presidência: as farras com Mário Caldeirón. Embora, fossem amigos de infância, foi a partir da puberdade que os dois tornaram-se inseparáveis, de aventura em aventura, mesmo depois que Armando comprometeu-se seriamente com Marcela Valência, filha do sócio de seu pai na Ecomoda. Os dois estavam a ponto de se casar. Apesar de gostar de Marcela e ter topado casar-se com ela, Armando não tirava da cabeça aquela mocinha que conheceu quando trabalhava a contra-gosto na Loja 1 da Ecomoda.
—Quantos anos ela terá agora? Agora, não é menor mais! Será que conseguiu realizar seu sonho de ser economista? Ela era tão inteligente!
Desde os tempos da Faculdade, Armando, seguindo a dica de seu psicanalista, para desestressar havia entrado no Curso de Teatro e lá reencontrou Juliano Antonio Lombardi, seu outro amigo de infância. Julian estava estudando seriamente para ser ator e já havia se apresentado em vários teatros na cidade.
Mário tinha um pouco de ciúmes dessa amizade, por isso, Armando ou saía com um ou com outro.
Esse dia haviam combinado de sair juntos, Armando com Marcela e Juliano com sua namorada.
—Namorada, não! Esposa!
—Esposa? Você casou?
—Moramos quase juntos, estamos quase casados, fazemos quase tudo juntos!
—Olha só!
—Em breve, nós, não é, amor? -perguntou Marcela. Era mais uma afirmação que uma pergunta, a qual Armando sorriu amarelo.
A namorada de Juliano, que também era atriz, estava terminando sua apresentação.
—Muito bem,meu amor! Como sempre maravilhosa! -beijou-a, Juliano, abraçando-a com adoração.
—Ah! meu amor! Este é meu amigo, de infância, vamos sair juntos! Betty, te apresento, Armando Mendoza!
—Armando?
—Betty?
Um olhou para o outro e não podiam acreditar.
—Vocês se conhecem?
—É ee…
—Betty era uma cliente da Ecomoda! E minha professora!
—Professora? Como assim? -perguntou Marcela
—Ojojo É que Armando tinha dificuldade com Matemática! Haha!
—Ah é? Muito engraçado! -disse Marcela com ciúmes, puxando Armando pela cintura!
—Quem diria! Meu melhor amigo é amigo de minha noiva!
Os dois riram sem graça.
Naquela noite, os casais saíram para dançar. Enquanto dançava com Marcela, Armando olhava encantado para Betty. Como ela estava bonita. Aquele corpo e encanto quase infantis, haviam dado lugar a um corpo espetacular de mulher, mas seu rosto ainda era de menina. Sensualidade e inocência misturada era uma mistura muito perigosa. Ainda mais quando Juliano propôs que trocassem de pares, para dançar. Marcela beliscou Armando, pois não havia gostado nada daquilo.
—Que foi?
—Vi como olhava para “sua amiguinha”! Tiveram algo?
—Imagina! Betty tinha 15 anos e eu já tinha 21. Uma menor de idade! Uma criança, não teria nada com ela!
—E agora?
—Não ouviu? Ela é noiva de Juliano. Noiva! Vão se casar!
—Estou de olho em você, Armando Mendoza!
—Vamos lá! Troquemos de pares de novo! É costume aqui! –disse Juliano –Mas só para dançar, hein, Armando!
Armando pegou Betty para dançar a salsa, apesar de continuar tímida, o teatro havia feito bem à ela, pois mexia as cadeiras com desenvoltura. Estava o deixando louco. Logo, seguiu-se um vallenato mais romântico e continuaram a dançar juntos.
—Você está dançando muito, Betty! Onde está sua timidez?
—Ojojo continua aqui, Armando. Mas estou tomando aulas de dança para poder atuar no teatro musical.
—Teatro musical? Quem diria! Largou a Economia?
—Não. De forma alguma! Descobri uma segunda paixão.
—A vi atuando e não sabia que era você! Está muito bem!
—Grata. -ficou vermelha -E você? O que anda fazendo?
—Por incrível que pareça também estou fazendo teatro.
—Oh! Largou a loja?
—Não, não tem como. É empresa de família.
—Como?
—Não te contei que meu pai é dono da Ecomoda?
—Sério?
—Sim.
—Me surpreende! Vai fazer o teste para o papel no “Romeu e Julieta”?
Armando não havia penado nisso, mas como Betty estava pensando em fazer, ele disse que iria. E combinaram de ir juntos.
Armando estava ficando desconfortável, ter Betty finalmente, em seus braços o estava deixando excitado. Estavam tão grudados que nem papel passaria por eles. Estava a ponto de cometer uma loucura. Queria abraçá-la, imaginou-se tomando aqueles lábios carnudos, pegando-se a seu corpo, metendo a mão debaixo daquela saia rodada para mostrar-lhe como fazia aquele movimento muito melhor.
,Armando percebendo sua excitação ao ver que Marcela aproximava-se para tomá-lo de volta pediu licença à Betty e correu para o banheiro.
Lá liberou sua excitação.
Esta minha menima-mulher me tira do meu normal! A quero para mim! –se tocando.
—Betty… O que faz aqui?
—Vim te ver! Gosta de mim?
—Te amo! Desde que te vi provando aquela roupa de debutante na loja.
—E por que não me disse antes?
—Ah, Betty! Você era uma menininha e eu um homem. Não podia fazer nada contigo! -fechou os olhos
—E agora? Agora sou uma mulher¿
—Agora sim! -acariciando seu membro enquanto imaginava que era ela que mexia suas cadeiras contra ele.
Nunca havia tido fantasia com ela, sempre a viu como a menina doce e pura, Ainda a via assim, mas estava assustado, aquela menina estava extremamente sexy.
—Beatriz! Ahh!
Sorriu de alegria, por ela, sozinho naquele banheiro. Dançando havia sido um simples roce, mas ficou mais excitado que toda a vezes que ficou com Marcela e também havia sentido mais prazer que nunca havia sentido só de tocar-se pensando nela. Se a tomasse por sua, certamente morreria, mas de prazer em seus braços.
—Preciso ser franco com ela e com Marcela, pela primeira vez em minha vida. E tomar Beatriz como minha mulher! Isso, joguemos limpo!
Enquanto se arrumava, lembrou-se de um pequeno detalhe: ela era a noiva de seu amigo. E ele parece ser louco por ela.
E se ela também gostasse dele?
—Esqueça, Armando!
Ao voltar para a mesa, viu que Juliano acariciava e beijava seu rosto. Morreu de ciúmes e raiva de si mesmo. Não deveria tê-la respeitado tanto quando jovens. Deveria tê-la pedido em namoro com a promessa de que quando tivesse 18 anos se casariam. Mas não. Agora ela estava comprometida com Juliano e vai saber se não tinha se entregado a ele.
—Ele tirou a pureza de minha Betty. –pensou.
Enquanto via os dois se beijando, deixou que Marcela o beijasse e retribuiu com muita paixão.
Aquela noite, teve que se controlar muito para não chamar o nome de Betty ao ter relações com Marcela. E assim foram todas as noites, depois do ensaio do teatro, quando saíam juntos. Tão perto e tão longe.
Marcela já estava mais tranquila nos ciúmes, ao menos com Betty, já que Juliano e Betty pareciam se gostar, mas Armando estava cada vez mais apaixonado. Ainda mais agora que, atuavam juntos na mesma peça.
—Armando! .Quero te fazer um convite, -disse Juliano -Você é meu único amigo e gostaria de lhe convidar para ser nosso padrinho de casamento!
—O quê?
—Mas isto é ótimo! -vibrou Marcela
—Lógico que o convite é para os dois!
Será uma honra! Qualquer um percebe que se amam. -disse Marcela. -Não é Armando? Não são lindos os dois?
—É. Muito lindos. -disse desanimado.
Betty olhou para baixo, envergonhada e tímida.
Armando estava chateado, Uma coisa é ser namoradinha de seu amigo, outra é ser esposa. E embora não fosse do tipo romântico, sabia que aquela era a mulher da sua vida. A amava com ternura, admirava sua inteligência e a desejava com loucura. Antes nunca tivesse deixado o trabalho na loja da Ecomoda, para ir estudar fora como quis seu pai. Se continuasse na lojinha do Centro, teriam continuado a se ver, ao menos como amigos. Mas o destino quis que se separassem.
Se fosse qualquer outro, lutaria pelo amor dela e a tomaria para si. Tinha certeza que ela sentia algo por ele. Podia senti-la tremendo quando atuavam e dançavam untos. Mas por algum motivo estava com Juliano e ele parecia também ser alucinado por ela. E Armando tinha Juliano como seu irmão. Não seria capaz de fazer a canalhada de disputar uma mulher com ele. Mesmo que lhe doesse, mesmo que fosse a única mulher que amava.
Então, foi assim. Naquela despedida de solteiro de seu amigo, em um clube, regada a bebida e strip tease, Armando após dançar rumba com uma das dançarinas, a qual deu uns beijinhos, levou-a para cama e chamou-a de Betty o tempo todo.
—É a última vez, Betty! Tenho que me convencer que pertence a Juliano!
—_________________
Neste Capítulo;
*Referência ao casamento de Julian Arango (o Hugo) com Ana Maria (Betty), do qual Jorge foi padrinho
*A mulher de Jorge Enrique Abello (Armando) na época da novela Betty a feia também se chamava Marcela Rs.
*Julian (Hugo) e Jorge (Armando) eram amigos de infância
Fale com o autor