O casamento com Marcela teve lugar no clube, com a presença dos pais de Betty emocionados, Mário, Daniel, Camila e um monte de conhecidos.

O senhor é vice-presidente da Ecomoda? -perguntou um senhor a Armando

—Sim. Em breve presidente.

—Que maravilha. O velho tio Lázaro Pinzón comprava muito na primeira loja inaugurada no Centro da cidade! -disse Seu Hermes, se apresentando

(E continuou contando outras histórias. Armando olhava o relógio, não via a hora de ver Beatriz pela última vez como solteira.)

E lá estava como uma rainha. De branco, vestido rodado, decote de coração, cabelo solto. A rainha de sua vida.

Como queria levá-la dali sequestrada, para ser dele e demais ninguém.

Ao ouvir o sim dos lábios de Betty, sentiu seu coração moer. A garota de seus sonhos era de outro e para sempre.

Não queria ficar para a festa. Mas ficou por insistência de Marcela. A noiva tinha certeza que pegaria o buquê. E assim foi. Pegou o buquê e deu m beijo apaixonado em Armando que correspondeu e logo se despediram. Acabaram no apartamento de Marcela onde fizeram sexo ardente e violento como ela gostava. Acabaram exaustos. Mas nos sonhos, Armando lembrava-se da valsa que dançou com Betty como padrinho de casamento e da vez do baile de debutante. Ao acordar sentiu-se culpado. Ela agora era a esposa amada e feliz (?) de seu amigo de infância.

—Que ele possa fazê-la muito feliz! Parecem se amar tanto! Ele pelo menos tem loucura por ela. No que depender de mim, serão felizes!

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E assim foram durante meses. Pareciam feitos um para o outro, ela dava aulas na faculdade e atuava como coadjuvante na peça. Juliano era sempre chamado para ser o galã e isto atraía a atenção das garotas. Haviam se metido em muitas confusões com Betty por conta do assédio das garotas, algo que embora inflasse seu ego, lhe deixava sem tempo para fazer outra coisa, como cuidar de sua agência, pois arte é algo muito bom, mas não dá sempre para se sustentar com isso. Betty, no entanto, adorava teatro musical e pensava em largar seu estafante trabalho de professora de Economia para se dedicar ao teatro e seguir também com a carreira de Economista. Pensava nisto quando viu o anúncio que lhe chamou a atenção:

Conhecida empresa de Moda procura Economista para compor quadro de funcionários como Vice-presidente Financeiro. Necessária experiência comprovada de no mínimo 1 ano na área econômica e financeira, bom nome no Mercado Financeiro e conhecimentos em negociação com os bancos.

Possuía os requisitos necessários para ocupar a vaga. Havia trabalhado dois anos e 11 meses no Banco Montreal. E qual não foi a surpresa após ser aprovada por testes de comprovar que aquela era a Ecomoda, a empresa de seu padrinho de casamento? Nem sabia que procuravam economista.

—Pode não acreditar, Armando, mas não mencionei seu nome e nem sabia que era para trabalhar para a Ecomoda, senão nem tinha vindo.

—Mas por que não? Sei da sua competência! Merece o cargo! Parabéns!

Quando Beatriz saiu, Armando estava suando.

—Tanto lugar no mundo e esta mulher tinha que achar emprego logo aqui? Como vou conseguir trabalhar com ela lado a lado? Como? Que cruz!

Dois dias depois, Armando assume a Presidência da Ecomoda, como sonhava. Ao menos um sonho podia realizar, já que Beatriz era um sonho inalcançável. Estava noivo de Marcela, com data marcada e tudo. Havia trocado o pedido de casamento com data e tudo pelo apoio incondicional da senhorita Valência. Ela o amava e ele embora não sentisse o mesmo, por Ecomoda era capaz de fazê-la feliz. Afinal, Betty, de quem gostava, estava casada.

—Parabéns, Armando! Cumprimentou-o Betty- Sabia que iria conseguir realizar seu sonho!

“Nem imagina qual é meu maior sonho!”

—Grato, Betty! Temos que começar a por em prática meu Plano de Metas já! Conto com sua ajuda.

Mas uma simples olhada no Plano foi o suficiente para ver que aquelas metas seriam impossíveis de serem atingidas.

—Vamos ter que corrigi-las. Abrir o jogo com a Diretoria e redefinir as metas.

—Se fizer isso, corro o risco de perder a Presidência para o Daniel!

—Do jeito que faremos, não! Verá!

Assim, os dois trabalharam noite e dia com ajuda de Nicolás para fazer o novo Plano de Metas. Betty assumiu os riscos e colocou à prova seu bom nome no mercado.

Por conta do emprego estafante em Ecomoda, Betty e Armando que haviam deixado um pouco de lado sua outra paixão, o Teatro. Então, tão logo, Armando confirmou sua Presidência, resolveram voltar. Na ocasião, estava tendo testes para o elenco de uma comédia romântica passada em um escritório de uma cidade grande. Eles resolveram fazer o teste e por incrível que pareça foram escolhidos para atuarem com casal principal.

Os ensaios iam começar uma semana após o casamento com Marcela. A noiva estava enciumada, mas para não prejudicar o casamento, resolveu não dizer nada contra. Aos poucos ia fazê-lo desistir disso.

Armando queria desistir do casamento. Não lhe apetecia em nada casar com Marcela, nem por Ecomoda, afinal só conseguiu confirmar sua Presidência com ajuda de Betty.

Ah! Betty! Suspirava só de sentir seu perfume, que parecia ser o mesmo que usava quando era uma simples menina. E para ele, ela era só uma menininha, a que foi comprar um vestido de debutante na loja, a que o ensinou Matemática. Não entrava em sua cabeça que ela agora era uma mulher, a mulher de seu amigo, Juliano Antonio Lombardi, bem que ele podia ser gay como seu primo, Hugo Lombardi e ser tudo de fachada. Assim, Beatriz ainda seria aquela menina doce e inocente que conheceu. Mas não. O jeito que Juliano abraçava Betty e a tocava era carregado de possessão e paixão. Ela respondia aos beijos, mas não era na mesma intensidade com que ele a beijava.

“Esquece Armando Mendoza! Tem milhares de mulheres no mundo, inclusive, Marcela! Mas nenhuma é assim… como Betty...”-sorri abobalhado

“Esquece, Mendoza!”

Vendo que não tinha remediar a história, Armando case-se com Marcela. A cerimônia tem lugar no Clube.

—Felicidades, Armando! Que você e Marcela sejam tão felizes quanto Betty e eu somos! -disse Juliano, com sorriso largo.

Enquanto Marcela sorria feliz, restou a Armando sorrir amarelo. Ao menos, toda sua família estava contente com aquela união. Mendoza e Valência era uma família só. Foram de viagem para o Oriente. Na volta, mesmo fazendo par romântico com Betty na Peça “Comédia Urbana”, Armando estava resignado e decidido a aceitar que, realmente, Betty pertencia a Juliano. Desfrutava de sua companhia no escritório e dava uns beijinhos na peça. E era só.

E como beijava doce a Betty. Parecia tão apaixonada quanto ele. “Isto é apenas interpretação! Não se engane, Mendoza!”

Assim foi se conformando e investindo no seu casamento com Marcela. Faziam amor quase todos os dias, principalmente, depois de voltar dos ensaios e das apresentações do teatro. Antes de chegar no climáx, mordia os lábios para não gritar o nome de Betty, a principal inspiração para a noite de prazer com Marcela. E claro, não era fiel, saía com as modelos da Ecomoda e com as atrizes da peça, com estas sim, gritava sem esconder o nome de Betty! Mas quando estava sozinho sentia-se culpado de fazer isto com Marcela, pois gostava dela, de um jeito diferente, mas gostava.

“Casar-me foi um erro! O que faço com Marcela é errado! Por quê? Por que não consigo tirar esta menina da minha cabeça?”

Até Mário começou a perceber.

—Que foi, meu irmão? Já saiu com todas as mulheres. Como que não consegue esquecer uma mulher que nem sequer tocou?

Tocar, eu toquei. E beijei muito também.

—Beijo técnico!

—Para ela sim, mas para mim, ardo de paixão cada vez mais quando sinto aqueles lábios! –toca seus lábios.

—Isto dá para perceber! Estão sendo até elogiados pela crítica especializada! E Marcela está explodindo de ciúmes!

—Onde está isso?

—Neste jornal! E fala também da temporada de apresentações ao redor do país e também Equador e Venezuela. Vocês são um sucesso!

—Mas a que custo, irmão! A que custo!

—O que você tem que fazer é sair com mais mulheres e ver se alguma te faz esquecer Betty!

—Para nada! Já desisti! Ainda mais me sinto duplamente mal como se traísse as duas!

—Olha, Marcela até entendo, mas trair Betty? Ela não tem nada com você! Nunca tiveram nada. Enquanto fica nessa, ela está no bem bom com Juliano.

Armando põe cara de assassino, ia pegar Mário e lhe dar uns tapas, mas sabe que tem razão.

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