Encontros e Desencontros

4 Capítulo 4 - A pugilista


Notas iniciais
desculpe pela demora, mas é q esse cap. foi tão tumultuado q acabou dando bastante trabalho...
boa leitura...

Era mais um dia de treino, as coisas não estavam bem para o meu lado, precisava melhorar muito o meu tempo e eu não tinha exatamente tempo pra isso. Estava começando a me desiludir com o que escolhi para fazer da minha vida.

Sai do autódromo cabisbaixo, sabia que não poderia fazer mais, não cabia a mim, e por isso resolvi descontar toda a minha frustração em outro esporte, lá poderia encontrar minha namorada, conversar com ela, e fazer o saco de pancadas sofrer.

Segui para a academia, mas não encontrei minha namorada lá, me disseram que ela tinha ido fazer um serviço fora, o que me deixou mais chateado, mas foi então me vestir, quando voltava do vestiário, duas moças vinham conversando, uma ria animadamente, mas foi a outra que me chamou a atenção.

A moça tinha uma expressão séria, parecia até meio emburrada, de braços cruzados, com luvas de boxe.

No entanto aquilo apenas foi um fato ao qual reparei, mas não dei muita bola, estava preocupado de mais com meus próprios problemas.

Fui para a sala de treino e comecei a dar pancadas no saco de areia, e me lembrava de cada segundo que precisava melhorar nas corridas, ou então era meu emprego que estaria a prêmio, e isso fazia com que cada vez mais rápido desferisse os golpes e cada vez com mais força.

Demorei a perceber que minha namorada me observava de longe, então não sei dizer quando ela havia chegado, só notei sua presença quando, exausto, deixei os braços penderem ao lado do corpo e baixei a cabeça para o lado, tentando puxar mais ar.

_Não devia fazer isso, eu já disse. –ela me abraçou por trás.

_Está no seu trabalho, se esqueceu? –a provoquei com o que ela vivia me repreendendo.

_Meu horário acabou a dez minutos. –ela sorriu e me deu um selinho.

_Ótimo então. –a segurei pela cintura.

_Quer dar uma volta e comer alguma coisa?

_Que tal irmos pra sua casa e comermos lá? –sugeri com o sorriso de canto.

_Eu vou adorar. –ela disse sussurrando em meu ouvido, com o ar quente e o hálito fresco, me deixando arrepiado.

Eu a deixei lá me esperando e fui tomar um banho, para depois me trocar, quando terminei, trombei com a moça que vira antes, e ela caiu de costas, parecia tão leve e frágil o que não condizia com seus modos firmes de mais cedo e nem com sua forma pugilista.

_Me perdoe. –eu disse estendo a mão para ajudar a se erguer.

_Não foi nada. –ela disse entre os deténs deixando minha mão de lado e se erguendo meio brava.

Ela nem olhou mais pra mim, apenas seguiu seu caminho, me dando as costas.

_Garota doida! –falei para mim mesmo, enquanto pegava minha valise que deixara cair.

Voltei para a sala de treinamentos e me deparei com minha namorada conversando com um rapaz, claro que fiquei com ciúmes, ele a devorava com os olhos, mas sabia me controlar, afinal, uma mulher calma, linda, sedutora e meiga como ela, encantava qualquer marmanjo, ainda mais em uma academia onde os homens pareciam monumentos de testosterona.

Esperei que ela me visse, e quando isso aconteceu, ela cortou a conversa amavelmente e veio até mim, me pegando pelo braço, enquanto íamos embora.

Chegamos a casa dela, era um apartamento aconchegante, bem iluminado e perfumado, que ela dividia com mais uma amiga, está trabalhava de noite, e por isso ficávamos com o lugar livre para nós, e que era bem melhor que meu apartamento bagunçado, onde cinco homens o tinham como refugio.

_Vou pedir pizza, vai querer de que?

Não dei tempo para que ela perguntasse de novo. Eu não queria pizza, eu a queria, e era urgente, por isso lhe tomei os lábios e a cintura, a trazendo para bem perto de mim, já levando as mãos sob sua blusa.

_Vejo que teve um bom dia. –ela sorriu safada.

_Na verdade tive um péssimo dia, quero que ele melhore agora.

Ela voltou a sorrir, e eu a deitei no sofá, ambos ardíamos em brasas, e era sempre assim, o fogo entre nós sempre estava aceso, bastasse haver uma pequena brisa para ele se espalhar.

Ela retirou minha blusa, eu a dela, depois lhe retirei o tope e lhe tomei os seio cálidos, ela levou as mãos a minha calça, e como sempre, em pouquíssimo tempo estávamos apenas de roupas intimas, então fui até minha sacola pegar um preservativo, mas qual não foi minha surpresa ao retirar um sutiã de lá?

_O que é isso? –minha namora indagou.

_Eu não faço idéia.

Ela se levantou brava, e me encarou com fúria.

_A sacola é sua não é?

_Bem, era pra ser... –eu olhei a valise por fora e era como a minha, preta e azul, o único problema, era que a minha tinha o forro laranja, e aquela não.

_Como você explica isso? –minha namorada tinha as mãos na cintura e o olhar incandescente.

_Simples, essa sacola não é minha, mas onde foi parar a minha?

_Como essa sacola não é sua? É sua sim, já o vi com ela pelo menos uma dúzia de vezes.

_Se viu sabe que não é está, não vê que é diferente.

_Não tem nada de diferente.

_Como não? –não gostava quando ela duvidava do que eu dizia.

_Quem é ela? –ela foi muito direta.

_Eu sei lá, não sei como... –a lembrança da trombada me voltou a mente. –Mas é claro... A pugilista.

_O que? Ela é pugilista?

_É, eu a vi na academia hoje, a gente trombou no corredor e com a falta de educação dela, eu acabei pegando outra sacola e não vi.

_Essa é a desculpa mais esfarrapada que já vi. Você sabe qual é chance de outra pessoa, e uma mulher ainda por cima, ter a mesma sacola que você e vocês se trombarem e trocarem as sacolas? É uma em mil!

Ela me deu as costas e começou a dar passadas largas e pesadas, o que eu sabia querer dizer que ela poderia me matar se quisesse, e ela queria, só ponderava os pós e os contras.

Por fim ela pegou de volta a blusa que usava e vestiu, eu fui atrás dela pelo apartamento.

_Espera, você tem que acreditar em mim, eu...

_Não diga mais nada, eu não quero ouvir!

_Mas é a verdade, você tem que... O que está fazendo? –ela pegou uma caixa dentro do guarda-roupa, onde ela guardava os presentes e as cartas que eu dava a ela.

_Você vai embora e vai levar tudo isso com você. Vai sumir do meu caminho, da minha vida e do meu trabalho entendeu?

_Você não pode fazer isso, a gente...

_Eu já estou fazendo. Aproveita que estou mando você levar, porque minha vontade é jogar tudo pela janela.

_Seja razoável, você não pode fazer isso. Você é tão equilibrada, tão calma, então pare para pensar um pouco e...

_Estou cansada de ser boazinha e ser feita de palhaça. Suma já daqui. Eu não estou brincando.

_Eu só quero te explicar...

_Suma! Saía!

Eu fui até ela, mas ela pegou a caixa e começou a rasgar as cartas.

_Não, faça isso, a gente.

_Eu mandei você sair.

Ela me jogou vários bichinhos de pelúcia na cara, depois os papeis rasgados, mas eu não queria ir a lugar nenhum, ela tinha que entender e acreditar em mim, afinal era a verdade e ela tinha que acreditar na verdade, assim fui até ela, mas com um ímpeto de fúria, ela pegou a caixa e a virou, para fora da janela, tacando tudo na rua.

_ Eu não acredito no que fez.

_Eu é que não acredito que você tenha me traído depois de tudo o que passei para ficar com você, depois de tudo o que tive de agüentar e engolir de sua “família”. Agora sai daqui, eu não vou falar de novo.

Decide que o melhor era mesmo ir, ela não iria pensar sem se acalmar, então fui saindo do quarto e ela veio atrás de mim para se certificar que eu estava indo mesmo embora, e assim ela abriu a porta, pegou a valise, jogou para o corredor, assim como o resto de minhas roupas, me empurrando para fora.

_Nunca mais eu quero te ver. –ela bateu a porta na minha cara.

Olhei em volta e o corredor era um silêncio só, até que ouvi um rompante de lágrimas do outro lado, o que machucou de mais, não podia ver ela chorar, ainda mais quando eu provocara tal coisa. Quis voltar, arrombar a porta, se fosse preciso, mas me controlei, deveria me manter um homem sereno, e foi só então que me dei conta de que ainda vestia apenas minha cueca boxer.

_Merda.

Me apressei em me vestir e depois peguei a bendita valise, tuchei o sutiã lá de novo e desci pelo elevador, ao chegar na rua, havia varias coisas espalhadas, vários presentes escolhidos com esmero e cuidado agora eram lixo. Me abaixei e peguei uma foto, a primeira foto que tirei junto dela, a guardei no bolso com as lembranças vividas dentro de mim, com isso, eu queria estrangular a pugilista, mas não sabia nem como conseguir isso. A louca não tinha nenhuma identificação na sacola e eu não sabia quem ela era. Pensei um pouco e resolvi voltar a academia, quem sabe lá eu poderia arrumar alguma coisa.

_Sinto muito, não podemos dar essa informação ao senhor.

_Pare com isso Nina, você me conhece, não vou fazer nada de mais, só quero devolver a sacola da moça... – “e depois estrangulá-la até que ela se comprometa a dizer a verdade a minha namorada.”

_Sinto muito, mas não posso, você sabe disso.

_Não pode me dizer nem o nome dela?

_Sinto muito...

_Está bem então. –eu saí emburrado, então a voz dela me chamou de novo.

_Ei, espera, eu pelo menos posso lhe dizer que sempre a vejo aqui no mesmo horário.

_Obrigado.

O melhor então era eu voltar pra casa, e assim o fiz. Joguei a sacola de lado e aproveitei o silêncio para descansar um pouco, depois voltei a olhar a foto que peguei na rua, e me senti arrasado, por outro lado, senti um aperto muito forte no coração por ela não ter acreditado e confiado em mim. Nunca havia dado motivos para que ela desconfiasse de mim, nunca menti pra ela, e de repente, num mal entendido, ela jogara tudo fora, literalmente.

Guardei a foto de novo, e comecei a pensar em um meio de resolver aquela situação, porque agora, com a cabeça fresca, e já sabia que não seria possível torturar a boxeadora, isso era insano.

Depois de algum tempo, resolvi que a está altura, minha doce namorada já estaria mais tranqüila e talvez eu pudesse me desculpar com ela.

Liguei para a floricultura de uma conhecida e pedi uma dúzia de rosas vermelhas, depois liguei a uma confeitaria perto da minha casa, onde eles vendiam bombons de chocolate importado e encomendei os favoritos dela, mandei que entregassem tudo o mais de pressa possível, e como sabia que ela estaria mais mansa com o tempo e os presentes, fui para a casa dela, esperar que ela recebesse os presentes.

Parei em frente a casa e esperei... Levou pelo menos duas horas para eu ver algum movimento na frente da casa, mas não eram minhas entregas, era só um moço magro e alto que apertava o interfone.

Esperei mais um pouco, mas me surpreendi ao ver que minha namorada abria a porta para ele, e mais surpreso ainda, eu fiquei quando a vi toda sorridente o abraçando e lhe beijando.

Apertei os olhos e pisquei várias vezes, aquilo não podia ser real!

A imagem não sumiu, e eu estava em choque, Omo ela poderia ficar com outro tão rápido? Tudo bem que ela estava magoada e queria me esquecer, mas aquilo já era de mais.

Os dois entraram no prédio e eu fui atrás, parei na porta deste, e pensei se deveria tocar a campainha, foi ai que vi o chocolate e as flores chegando, então disse que eu pedira as tais coisas e que eu mesmo entregaria, ninguém discutiu e assim toquei a campainha.

_Sim? –era a voz suave dela.

_Entrega para a senhora, diz aqui que é de seu namorado. –a amiga dela não tinha namorado.

O interfone ficou mudo por algum tempo, mas enfim ela abriu o portão. No andar dela, pode ver que a porta de seu apartamento estava entre aberta, então fui de vagar até lá, mas parei ao ouvir a voz dela falando com o rapaz.

_Claro que eu tenho certeza que devo aceitar as encomendas, aquele paspalho tem bom gosto e muito dinheiro, sabe quanto pode se ganhar sendo piloto de corrida?

_Eu sei sim, mas sei que é um trabalho árduo e perigoso, e depois, você me garantiu que não quer mais nada com ele.

_E eu não quero mesmo, já lhe disse que estava apenas esperando um motivo para terminar com ele, mas ele é sempre tão meloso, cordial, educado... Ai... Chego a sentir aquele chiclete ainda pregado em mim. –o tom dela era de nojo.

_Deveria ter terminado com ele antes mesmo assim.

_E que motivo daria? Mas esqueça isso, agora está terminado, não vamos mais nos entrar as escondidas e com a suspeita de traição, esse é mesmo o fim.

_Tem razão, vamos esquecer esse otário que nos atrapalhou durante esses seis meses, o que importa é que estamos juntos.

Meu coração parou, o ar já não inflamava meus pulmões, e minha cabeça girava. Eu não poderia acreditar em tal coisa...

Senti minhas mãos tremulas e engoli a saliva espessa que se formava em minha boca, no fim eu estava despedaçado.

Caminhei em direção ao elevador e ao apertar o botão, podia ouvir os risos dos dois, e aquilo sim era verdadeiro, e não as lágrimas de mais cedo, o que me fez ficar com raiva. Eu sempre fora o mais verdadeiro e honrado possível com ela, enquanto ela só me apunhalava pelas costas, assim, girei nos calcanhares e fui de encontro ao apartamento, bati na porta, e segurei o ramalhete na minha frente.

_Eu não disse que ele tinha bom gosto? –ela sorriu vindo na direção das flores.

_Sim, eu tenho muito bom gosto. –tirei as flores da minha gente e a vi ficar de boca aberta. –Mas tem razão, eu sou um otário.

Peguei as flores e joguei no chão, vendo os botões se desfazerem sobre o tapete.

_Mas você se esqueceu que não sou surdo e nem cego, portanto, preste mais atenção quando for fazer asneiras.

_Mas... Mais...

_Mas agora sou eu que não te quaro na minha vida, na minha frente, e aproveite os bombons caros. –joguei a caixa contra o peito dela, sem a machucar. –Mas, você vai comê-los assim como sua espécie, vai pegar no chão, como uma verdadeira vaca!

_Você não tem o direito de falar assim com ela. –se intrometeu o outro.

_Você é que não tem o direito de falar comigo. Vocês dois são uns patifes. E você é a pior. Vaca, imunda. Vadia de segunda. Você não merece nem o ar que respira. Ma pelo menos aprendi a lição, mulheres gentis, dengosas e muito calmas, são na verdade prostitutas incrustadas!

Por bem pouco não bati nos dois, matar eu não mataria mesmo, mas bem que eu poderia ter dado uma boa surra nos dois.

Saí de lá cego de raiva, e nem sei dizer como cheguei em casa. Meus amigos me perguntaram o que havia acontecido, mas eu não respondi, e eles não insistiram, sabiam que eu não era muito de falar, por isso não insistiram.

Passei a noite toda me culpando e me odiando por tudo, principalmente por ter sido tão cego e quando o dia começou, a última coisa que queria fazer era ir treinar e acertar o caro para a corrida, sendo assim liguei pro meu engenheiro e disse que estava passando mal, não poderia ir ao autódromo para treinar e ele na discutiu.

Fiquei em casa, ainda me culpando e me odiando, até que fui beber um copo de água e tropecei na valise, e foi ai que meu ódio mudou, eu precisava culpar mais alguém pelo meu fracasso, e na hora aquela era minha melhor opção.

Fui a academia e esperei. A vadia não trabalhava naquele dia e por isso não fiz questão de me esconder, fiquei sentado nas mesas perto da lanchonete e só me mexi quando vi a talzinha entrar, de novo acompanhada pela amiga.

Esperei elas entrarem e se encaminharem para os vestiários, e fui atrás delas, a segurei pelo braço, antes dela entrar no vestiário feminino, ela me olhou de baixo em cima e se soltou, mas ficou parada de frente pra mim.

_Isso é seu? –mostrei a sacola.

Um brilho de reconhecimento passou por seus olhos.

_Ah, estava com você então... –ela estendeu a mão para pegar a valise, mas eu a afastei, e ela me olhou de cara feia.

_Precisamos conversar seriamente.

_Eu nem te conheço, não tenho nada pra falar com você. –ela se precipitou a valise, mas eu a afastei novamente.

_Não vou entregá-la a você ante de conversarmos.

_Ótimo então, fique com ela.

Ela me deu as costas, mas eu não a deixei andar.

_Sinto muito, esse sutiã rendando não combina comigo, prefiro meu macacão de corrida.

Ela se virou pra mim um tanto rubra, mas ainda assim irritada.

_Você mexeu nas minhas coisas? –ela indagou entre os dentes.

_E você não mexeu nas minhas?

_Não acredito que você remexeu minha valise, seu cretino. –ela ergueu o dedo e apontou na cara dele.

_Primeiro, meu nome não é cretino, segundo, abaixe esse dedinho e essa voz, você não manda em mim, e terceiro, é você que acabou com a minha vida! Eu sim tenho o direito de ficar furioso, portanto, acho melhor você vir e conversar comigo.

_Quer conversar? Certo. –ela cruzou os braços e se encostou na parede. – Pode falar.

_Não vou falar sobre isso aqui.

_E eu não vou a lugar nenhum, eu nem te conheço, acha que vou sair por ai com você?

_Escute aqui... –travei a frase no meio, vi a safada da minha ex vindo pelo corredor, e quando me viu, começou a pegar o rumo em minha direção, e como em um ato desesperado, puxei a pugilista, que pelo susto, nem percebeu quando eu a beijei e lhe prendi nos braços.

A garota demorou a se tocar do que estava acontecendo, mas quando caiu em si, me empurrou e eu encarei seu rosto meio rubro, e soube que ela poderia me matar se assim quisesse.

_O que pensa que está fazendo?

Olhei sobre o ombro dela, e a vadia já havia se afastado.

_Me desculpe, foi um ato desesperado e urgente.

_E eu com isso? Seu folgado, idiota.

Ela me empurrou e começou a andar pelo corredor, indo em direção a porta de saída e meio atordoado, eu corri atrás dela, mas foi só depois de alguns momentos, e assim, consegui a alcançar quando ela já estava na esquina.

_Espere. –eu disse lhe segurando o braço.

_Você não desiste mesmo não é? Você já está me deixando nervosa.

_Olha, me perdoe por aquilo, mas me deixe explicar o que é que está havendo.

_Eu não quero falar com você, será que não percebe que...

_Eu não sou nenhum maníaco, sou apenas um homem desesperado e humilhado, não vou lhe fazer mal, mas vamos conversar, sim?

Ela o olhou por algum tempo, e acabou aceitando, para minha surpresa plena, nunca imaginei que ela fosse aceitar, até mesmo porque eu ainda sentia uma ânsia de estrangulá-la, e só queria fazer isso em um lugar menos movimentado.

Mas como ela aceitou, a convidei para ir a minha casa e ela disse não, o que era um bom sinal, ao menos senso ela tinha, então a levei a um restaurante, já era quase hora do jantar mesmo, então fomos comer.

Nos sentamos e ela me encarou, esperando que eu começasse o que queria, e como fingi não entender, ela disse:

_E então, o que queria comigo? Como foi que eu, que nem sei quem você é, destruí sua vida?

_A sua sacola me rendeu o termino do meu namoro. –eu ui direto e ela arregalou os olhos, para em seguida começar a gargalhar. –Isso não tem graça.

_Me desculpe... –ela respirou fundo e bebeu a água que haviam nos servido. –Mas isto não é engraçado, é hilário.

_Eu não achei nada engraçado a cena dela jogando meus presentes pela janela e minha roupas pela porta da frente. –eu disse emburrado.

_Isso é sério? –ela parou de rir e me encarou.

_É, é muito sério. Ontem à noite, depois que nos topamos no corredor eu fui pra casa da minha namorada e enquanto dávamos o maior amasso no sofá fui pegar uma coisa na minha valise, mas o que encontrei foi sua roupa intima, e com isso ela me expulsou e me traiu, porque eu havia a traído.

_Se ela fez isso só por causa disso, então você deu motivos anteriores pra ela, porque nenhuma mulher é tão neurótica a ponto de nem lhe escutar, se é que você conseguiu falar.

_Está me chamando de infiel e traíra?

_Na verdade eu pensava na palavra adultero, mas se prefere estas.

_Pois saiba que sempre fui o mais gentil e fiel a ela, ela é que já me traia com outro a seis meses e usou a valise de desculpa pra me por pra fora.

_Que coisa louca. Você e sua namorada...

_EX – NAMORADA!

_Que seja... Vocês dois precisam de tratamento e rápido.

_O que importa mesmo é que tudo começou com sua falta de atenção pelo corredor.

_Confesso que eu não estava mesmo prestando atenção, mas você também não, e o cavalheiro deve notar uma dama e não jogá-la no chão.

_Eu estava co pressa e...

_É, com pressa de voltar pra namorada vadia que traia... Homens... –ela revirou os olhos.

_Vocês mulheres é que nunca...

_Vamos mesmo começar a discutir sobre a luta dos sexos? Até mesmo porque não sei o que quer de mim ainda.

_Confesso que a idéia inicial era te matar, você acabou com o relacionamento que eu tanto lutei pra ter, mas agora.. Bem, não sei...

E tomei um gole de vinho que tínhamos escolhido.

_Se é assim, acho que é já é hora de eu ir.

_Eu te levo em casa.

_Não precisa, eu sei o caminho.

_Então ao menos vamos terminar esse jantar.

_Eu não sou sua namorada e não quero nada com você, portanto, agradeceria se me devolvesse minha valise e cada um seguisse seu caminho.

Empurrei a valise pra ela com o pé, e ela a pegou, depois fez um aceno com a cabeça e saiu. Fiquei relembrando os modos dela e vi que ela era bem diferente de minha ex, era forte, valente e decidida, assim me lembrei dos seus lábios, tão doces, tão macios, tão... Tratei de afastar esses pensamentos e me concentrar no campeonato que eu tinha que lutar ganhar.

No dia seguinte, fui para o autódromo e me dei conta que estava sem meu macacão, porque ele estava na minha valise, a qual eu não peguei de volta com a garota, e fiquei com raiva de mim, eu realmente estava me saindo um perfeito burro e pateta.

Treinei com outro qualquer e depois começou o treino classificatório e por algum milagre eu consegui fazer o segundo melhor tempo, e tinha feito as melhores voltas de todo o campeonato. Milagre foi porque eu só sabia pensar na moça vestida de pugilista que não devolvera minha sacola.

Na academia descobri que ela tinha cancelado sua matricula e como já havia acontecido, ninguém me dera o endereço dela, e a essa altura, todos já sabiam de meu rompimento com a cadela, e também cancelei minha matricula.

Voltei a pé pra casa, como eu sempre fazia, já que dirigia o menos possível pela cidade, esgotava minha atenção no volante durante os treinos, e caminhando de vagar, olhando as lojas e os lugares, eu vi a moça com mais duas amigas em uma confeitaria.

_Agora sim você não me escapa. –disse pra mim mesmo entrando no lugar.

Coloquei minha mão sobre o ombro dela, e ela me encarou com aqueles grandes olhos reluzentes.

_Você de novo?

Ela não era um poço de educação, mas a voz dela era como som de harpas aos meus ouvidos – isso é brega, eu sei, mas é real, eu adoro o som da voz dela –era muito bom poder ouvi-la.

_Sim, sou eu de novo, não acha que se esqueceu de nada no nosso último encontro?

As amigas dela riram maliciosas e ela tratou de explicar.

_Naquele que te deixei plantado no restaurante porque você é um estranho? Não, não esqueci.

_Tem certeza? Acaso você não tem duas valises brancas e azuis não?

Ela deixou o olhar de superioridade e ficou praticamente envergonhada, eu tinha razão e eu adorei a ver daquela forma.

_Nem percebi que não tinha devolvido...

_Pois é, eu preciso dele, tenho que correr amanhã.

_Tudo bem, eu moro a algumas quadras daqui, podemos passar lá e você pega essa porcaria de uma vez.

_Ótimo, mas não é porcaria.

Ela revirou os olhos e deixamos as amigas dela na confeitaria comprando guloseimas.

Ela morava em u prédio alto, o qual ficava perto de uma das principais avenidas da cidade, e ela acabou me convidando para entrar.

Eu fiquei na sala e ela adentrou o lugar, voltando alguns momentos depois, com minha valise.

_Aqui está.

_Obrigado.

_Agora é o fim de nosso encontros.

_Sim, será a última vez.

_Adeus então.

Estendi a mão a ela e ela levou alguns momentos para retribuir o gesto, mas acabou por fazê-lo, me dirigiu a porta, mas antes de sair, ela disse:

_Ah, espero que tenha mais sorte com seus relacionamentos e desculpe o transtorno.

Eu sorri de canto, e me imaginei beijando cada garota que estivesse na minha frente só por criancice com uma garota que só me fizera mal.

_Obrigado.

_Do que está rindo?

_Do beijo que lhe dei na academia. –Ela voltou a ficar vermelha. –Não precisa ficar brava, só estou pensando no quanto foi louco tudo aquilo.

_Também acho.

_Mas até que pra uma garota azeda assim, seus lábios são doces.

Ela ficou ainda mais rubra, e eu não pude deixar de rir.

_Olha eu sou uma garota que gosta de respeito e...

_Você sempre fala de mais é?

_Como assim?

Não resisti, a beijei novamente, e ela de novo tentou me afastar, mas lhe prendi fortemente pela cintura e abri mais espaço pro beijo, até que ela cedeu, e quando dei por mim, já estávamos sem ar e o beijo era maravilhoso.

_Não disse que não te respeito, só disse que seus lábios são doces e que eu adoro isso.

Ela não disse nada, e assim a mantive junto a mim.

_Não tem que ser a última vez que nos vemos, podemos jantar de verdade qualquer dia desses.

_Você está carente, só isso.

_E daí? Você já tem compromisso?

Ela me encarou por um longo tempo e depois enlaçou meu pescoço e disse:

_Tem razão a vida é muito curta.

Depois disso, foi apenas um passo e eu já estava no quarto dela lhe retirando a blusa, mas ela me freou, foi mais de vagar e eu gostei, sempre era tão rápido com a outra, com ela era bom trocar carinhos lhe saborear os lábios.

Depois de beijos ardentes e profundos, ela mesma tirou minha camisa, e deixou que retirasse sua blusa, e seus seios fartos me deixaram enlouquecidos. Lhe beijei o corpo, até a barriga e retirei sua calça, aproveitei parar beijar mais o seu corpo, oscilando os lábios com os dentes, retirando arfadas dela, que se entregava aos poucos.

Me deixei ser levado por ela, enquanto lhe tocava, lhe descobria os pontos fracos e abusava deles, tendo como recompensa os gemidos na vos melódica que me enchia de tesão.

Ela me retirou a calça, e depois partimos para nos livrar das roupas intimas o que não demorou muito, e assim eu estava dentro dela, em um ritmo quente e volvente. Alternávamos as posições, e pude ver que ela chegou ao ápice três vezes, antes de mim poder me derramar nela.

Fora uma transa “simples”, mas de tão envolvente fora perfeita, e por isso mesmo me senti muito bem quando adormecemos juntos naquele quarto que tinha o cheiro delicioso dela, e sua voz ressoante.

Notas finais
espero q gostem e comentem e ai quem sabe recomendem a fic... espero aniosamente pelos comentários...
até o proximo...