— Olha só até que enfim, achei que tinham errado o caminho. – Marcelo abriu a porta de sua casa para os amigos rindo bem humorado. Depois de incomodar Ben ao celular insistentemente para que os dois viessem direto até sua casa.

— Sentiu tanta saudade assim da gente é bonitão. – Ben desconfiou de todo pressa do amigo, entrando tranquilamente pelo apartamento a depositar a sacola de Anita com suas compras feitas durante os lugares que eles visitaram sob o sofá.

— Parceiro, tu tá inteiro, sobreviveu, tu é guerreiro mesmo né amigo, Óscar pra tu. – o rapaz devolveu também brincalhão.

— O que esse menino comeu no almoço hein, impressão minha ou ele está mais ligado do que o normal. – Anita bocejou irônica, estava mesmo era morta de sono, a viagem lhe deixou acabada, queria era sua cama, mas Marcelo não parou de insistir no celular com Ben, e ela não sabendo se por curiosidade em saber o que o menino tanto queria ou por até gostar da companhia do amigo de Ben acabou topando lhe fazer uma visita completamente fora de hora.

— Oi boa noite. – a mãe do rapaz veio recepciona-los.

— Boa noite. – Anita respondeu em meio a um sorriso simpático.

— Como vai Fátima. – Ben cumprimentou a mulher que já conhecia há um bom tempo.

— Ótima. – ela garantiu. – Fiquem a vontade. – desejou.

— Oi gente. – Meg veio da cozinha segurando uma travessa vazia.

— Ih caramba, Ben tá assim já é... – Anita não resistiu em dar aquela implicada no casal soltando sua bolsa, há dias atrás Meg dizia detestá-lo e Marcelo por horas insinuava só correr atrás da loira para a ver emburrada, mas pelo jeito como a própria Anita desconfiava a relação de ambos era muito mais séria do que isso.

— Pra você vê, a pessoa fica algumas horas fora, aí já está assim. – Ben fitou o casal de amigos em total brincadeira, no fundo tinha quase certeza por conhecer extremamente os dois, o casal estava era totalmente envolvido um com o outro, estavam era preferindo negar para não se comprometerem ainda mais com seus sentimentos.

— Claro, vocês é que são os estranhos esqueceram, casal bizarro, adoram se pegar sem compromisso. – Marcelo respondeu com seriedade e uma fala altiva, enquanto Meg fingiu ignorar talvez por pensar que podia ficar um pouco pior para o lado dos dois. — E vem cá vocês vão assumir que estão namorando, ou vão ficar o resto da vida assim. – Marcelo rebateu, aproveitando a deixa dos dois amigos, no fundo se confundia em entender o que Anita e Ben realmente queriam da vida, ou tinha uma certa curiosidade em ver a reação de todos com a nova volta do casal, além disso torcia muito para o amigo e Anita. – A gente tá firmeza. – ele disse abraçando Meg com seu braço, e sorrindo para ela.

— E a gente com isso Marcelo. – Ben fingiu nem se preocupar. – Eu já te falei o que eu penso disso, eu te avisei, mais mesmo assim você quis se meter com ela, não foi, então eu espero que você leve isso muito a sério, porque se não minha objeção está de pé, parto tua cara em duas. – o moreno reafirmou soltando a chave do carro sob a mesa no centro da sala, apesar de que no fundo já sabia que a paixão do amigo pela loira era séria, mas mesmo que não fosse com certeza ele seria o primeiro a defender Meg de qualquer pessoa que quisesse apenas lhe iludir.

— É, felicidades ao casal, bonitinho vocês, se merecem, no bom sentido claro. – Anita reforçou, sorrindo alegre e travessa para os dois.

— Faço votos. – Ben também alegou.

— Eu também Ben, ele não podia me dar melhor notícia. – Fátima garantiu feliz em conhecer Meg, de cara achou a loira muito simpática e boa pessoa, talvez nunca tivesse gostado tanto a primeira vista de uma namorada de seu filho, por mais que as relações extremamente sérias do rapaz fossem bastante sucintas, conhecia o filho e ele sempre era de se apaixonar o que o levava a vivenciar relacionamentos até longos, e sua simpatia por Meg era perceptível, nem dava para disfarçar, há muito tempo não ficava tão feliz por Marcelo, ainda mais depois que o rapaz havia terminado um namoro quase noivado, não por ele, mais sim por decisão de sua antiga namorada, e viu o filho sofrer consideravelmente por isso.

— Pelo menos vocês tem uma família mais fácil né, porque a última vez que eu tentei assumir uma namorada pra família toda, eu levei foi uma portada na cara, que, aliás, dói até hoje. – Ben revelou o que já nem era segredo de maneira brincalhona e irônica, fazendo os outros até esboçarem uma reação de rir de sua falação devido a forma que ele disse tal coisa.

— É que tu namorou pouco depois disso também né amigo. – Marcelo zoou, mais parou no momento que viu Anita que já com os braços cruzados, e lhe olhando de uma maneira que questionava Ben de imediato. – Mais óh não fiquem assim, o dia que vocês assumirem a gente apoia, juro. – ele diz apontando para Meg.

— Benita sempre. – Meg disse querendo fazer cara de romântica, entre um gesto de coração.

— Credo dá até preguiça. – Anita ajeitou os fios de sua franja para cima nada afim, nem sabia o que era pior as brincadeiras cheias de piadas de ironias dos amigos por sua situação nada resolvida com Ben e quase secreta, ou o fato de que também sabia que a família iria detestar tal notícia e já viria repleta de contras ao fato.

— Que isso gente, desapega desse trauma, vocês vão contar esse negócio aí que tá rolando, porque minha língua tá coçando pra contar pra alguém, pelo amor, parem... – Marcelo agiu cheio de drama, nem ele aguentava mais aquele segredo quem dera Anita e Ben. – Vão o que agora, se catar pelos cantos por toda vida, o que é hein, vocês gostam disso é o que, fetiche. – o loiro perdeu a paciência com os amigos e Fátima riu da cara fechada e repleta de tédio de Anita e Ben, assim como Meg que já estava as gargalhadas.

— É daí, me diz. – Anita mexeu os ombros realmente nem aí, vontade não lhe faltava de ir embora sem dizer nada mesmo aos pais, seria muito mais feliz assim, e a moça já tinha certeza disto, ou pior ela e Ben estavam mesmo em direções opostas e mudar isso seria praticamente impossível.

— Não, nada, eu sou o doido mesmo, não vocês. – Marcelo riu sem parar da cara pouco convencida de Anita.

— Marcelo a gente já tentou tá, namorar bonitinho que nem gente normal costuma fazer, só que desandou tudo, era tanta coisa contra, era pai, mãe, irmão, irmã, tio, tia, amigo, inimigo, papagaio, cachorro, gato, se bobear até as formigas da rua deram contra, foi um desastre, que até o transito de São Paulo era mais fácil, aí coisa ficou tão feia, mais tão feia, que eles não se decidiam, se fazia escondido levava bronca depois, se contava, ou pedia autorização levava bronca antes, resumindo era o inferno... – Anita afirmou abrupta aos gestos. – E eu acabei lá né, pra resumir a opera, morando num país que eu nem pensei em conhecer um dia, ou seja, Ben e eu fizemos de toda nossa dor de cotovelo uma história dúbia, contraditória do início ao fim, mais claro que mesmo que isso tenha suas partes boas... – a moça argumentou tomada de audácia. – Hoje eu sou só alguém muito vazia, que é uma burra apaixonada, pelo namoradinho de anos, recalcada, também nunca teve a chance de encontrar coisa melhor né, é as pessoas preferem essa visão da coisa, eu sendo a coitada, a achar que eu merecia que elas não tivessem se metido tanto na minha vida. – ela diz, no fundo detestava ter certeza de que não estava nada errada. – O bom disso tudo é que hoje realmente elas não se metem, antes delas pensarem nisso, eu já chutei tudo que eu vi pela frente, me desapeguei dos preceitos familiares, principalmente. – garantiu Anita a sentar no sofá, espichando as pernas pra lá de cansadas devidos as horas que parou somente sentada.

— Ih pelo jeito o encontro com a Sofia e todo mundo lá pegou foi fogo né. – Meg disse percebendo que por mais que Anita pensasse assim, tinha mais um pouco no meio.

— Bom talvez fosse melhor instaurar, um tudo ótimo... – Mais como diria Renato Russo, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. – Anita preferiu deixar o assunto meio que esquecido, e se nem fosse mesmo à hora de refletir a respeito de qualquer explicação. – Mais e vocês o que tanto queriam com a gente. – ela indagou encarando a loira.

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— Gente eu juro que nunca vi isso, a pessoa convida a amada pra jantar e põe os amigos pra cozinhar. – Anita ria do fato, nem mesmo escondendo que queria zoar Marcelo.

— É Anita meu filho tem dessas gentilezas, se acostume se você quiser continuar sendo amiga dele. — Fátima também riu da situação do filho, acompanhando os quatro na cozinha de sua casa, estava muito contente também pela animação.

— Pois é, de fato eu realmente achei que já tinha um banquete me esperando, Marcelo diz aqui pra nós, quantas vezes tu passou mesmo na fila dos amigos folgados, quando alguém além do nosso conhecimento construiu tua personalidade, umas quinhentas. – Ben acrescenta após o comentário de Anita.

— Gente, eu não entendo, vocês são tão solidários. – Marcelo fingiu não compreender o total espanto do casal de amigos, e usou de sua clássica cara de pau em um sorriso alegre.

— Ahan, ou uma definição mais exata, trouxas, porque eu não to nem me aguentando em pé, minhas pernas tão doendo pra caramba, to com a sensação que corri uma maratona, e to aqui mexendo panela pra você fazer lindo pra tua namorada. – Anita alegou o contrariando a sorrir debochada.

— Ué mais e quem disse que a gente está namorando, logo vocês gente que andam tão a favor de uma relação aberta, que isso não entendo mais nada não. – Marcelo criticou os dois bem humorado, com o intuito de implicar somente e continuar com a pauta de brincadeiras que viu também no sorriso de Anita.

— Faz um favor pra mim, taca essa panela de molho na cabeça dele. – Anita revirou os olhos dando a ideia para Ben nada satisfeita com os deboches do rapaz contra eles. – Marcelo sabe qual o maior problema que você tem nesse rolo todo, que se você vacilar com a Meg você apanha três vezes, sim porque o Ben te ameaça e acaba cumprindo, e a Meg bom ela até faz a fina, mais também quando ela perde a linha fica difícil de segurar, e eu bom não sou eu que vou te defender né querido... – garantiu ela ao rapaz que ficou a olhar para todos um tanto em dúvida.

— Ben fala alguma coisa, por favor. – Marcelo apelou risonho ao amigo.

— Alguma coisa. – respondeu Ben apenas rindo sem se meter.

— Eu juro que eu tenho pena das pessoas que acham que você é um anjo Anita. – Marcelo ficou sério ao ver tantas risadas altas se propagarem pelo cômodo, e todas eram contra sua pessoa.

— E quem disse que eu não sou. – Anita ria do olhar receoso que recebeu dele.

— Eu estou vendo as asinhas dela, gente que meigo. – Marcelo retrucou sorridente.

— Ué nem sempre os anjos são bonzinhos apenas, eles são justiceiros também. – Anita disse brincalhona, mais preocupada com sua panela de frango para o estrogonofe.

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— Pra ninguém dizer que eu não fiz nada. – Marcelo veio até onde os amigos terminavam de ajeitar a mesa para todos jantarem. – Eu ajudei com os pratos e a bebida olha. – ele proferiu se aproximando com taças em mãos.

— Menino prendado ele. – Ben riu de toda felicidade do amigo.

— Sou mesmo. – o rapaz não se fez de modesto alcançando a cada um uma taça.

— Não Marcelo, eu não vou beber não. – Anita recusou o convite ainda sorrindo do jeito brincalhão com que ele falava.

— Ah não para, você tá com medo que eu te dê um porre é isso, não seja por isso, se eu se quer tentasse Ben quebrava minha cara, e para de drama que menor de idade você já não é um bom tempo moça. – o garoto disse não aceitando a reclusa dela.

— Ai que bobinho, não é isso, mas alguém vai ter que levar o carro do Ronaldo de volta, e ao menos que você queira que eu seja presa por dirigir depois de beber, melhor não né meu caro. – Anita explicou rindo dele.

— E quem disse que você vai embora, nem pensar, vocês vão ficar, pode suspender isso. – Marcelo taxou praticamente a obrigando a segurar a taça e Anita apenas bufou.

— Marcelo o que eu digo pra todo mundo, e outra Ronaldo vai ficar preocupado com o carro, enfim... – Anita não gostou de ser contrariada e o encarou impaciente.

— No mínimo ele vai pensar que essa coisa de você e o Ben na estrada, sozinhos dentro de um carro por horas, despertou alguma coisa, e o Ben sem perder a chance te sequestrou, já fez isso antes mesmo, porque não faria de novo. – Marcelo falou tão rapidamente entre um riso abafado que tentava evitar.

— Gente ele é sempre assim, ou é só quando está feliz. – Anita meneou a cabeça se defendendo irônica e tentando entender se o leque de gracinhas do garoto algum dia tinha um fim.

— Marcelo para de fazer piada com a triste realidade do Ben e da Anita, faz favor. – Meg pediu querendo defender a amiga e Ben, mais acabou foi rindo junto, e também contribuindo com a zoeira.

— Ok, se você está pedindo eu acato. – Marcelo sorriu beijando a loira rapidamente. – Então que tal a gente fazer um brinde, a essa amizade aqui, porque algo me diz que ela promete no presente e muito mais futuramente. – o rapaz afirmou abrindo a garrafa de vinho que havia colocado sob a mesa e servindo a taça de cada um. – Aos melhores amigos que alguém podia ter, mesmo que eles sejam chatos e um tanto enrolados, mais quero deixar claro que caso os dois realmente assumam um dia me chamem pra ser padrinho do casório junto com essa loira aqui. – ele proferiu olhando carinhosamente para Meg.

— Não, claro que não, no caso a lista não teria que ser por ordem de chegada, pois teve gente que chegou primeiro, perdeu. – Anita brincou sorridente fingindo encarar Ben pensativa.

— Verdade, tinha ah... – Uh, é aquele outro, é não dá pra chamar vocês realmente. – Ben ironizou fingindo concordar com Anita.

— Pois não inventem, ataco os dois na saída da igreja se isso acontecer. – Meg deixou claro que não aceitaria que isso ocorresse.

— Sacanagem. – reforçou Marcelo, e Anita deu risada da ciumeira dos dois...

— Tá bom Meg, a gente já entendeu, se um dia eu resolver me casar, o que eu acho que nem rola, tão cedo então piorou, a gente discuti isso. – Anita preferiu não os contrariar, nem teria como esquecer da americana mesmo, já era para ela mais que uma amiga e Anita não tinha dúvidas disso.

— Filho se você quer tanto entrar numa igreja casa você e convida eles pra padrinhos. – Fátima brincou com o rapaz, tomada pelo bom humor que unia todos.

— Gostei, e óh se não me convida, vou achar que foi desfeita hein. – Ben provocou o amigo.

— Pra deixar claro, vocês nem casam se não chamarem a gente pro altar também, e eu acho até que isso nem vai demorar hein se continuar assim. – brincou Anita, deixando Meg e Marcelo emudecidos.

— Eu posso pensar nisso, mais vamos ao nosso brinde e ao jantar, é mais urgente. – Marcelo sorriu sem graça.

—Ok. – Anita disse com todos concordando. – E também um brinde a vida, aos novos encontros, aos velhos caminhos que se cruzam inesperadamente... – ela propõe.

— Ah amizade, ao amor. – disse Meg contagiada de alegria, correndo para perto do brinde segurando sua taça saltitante.

— E a alegria acima de tudo. – Ben adicionou a sorrir e todos brindaram com felicidade.

— A vida de vocês que só está começando, e que ela seja sempre repleta de conquistas. – a mãe de Marcelo desejou aos quatro jovens.

— E também a mãe mais linda. – Marcelo afirmou enquanto todos ainda erguiam sua taças em plena empolgação.

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— Gente socorro, levanta a mão que vai curtir uma ressaca amanhã. – Meg dizia se jogando no sofá ao lado de Anita que já parecia dormir sem fechar os olhos, e todo cansaço já parecia ser algo generalizado.

— Ressaca nada, vou te tirar às seis da manhã da cama, vai dar praia e a gente tá tão pertinho dela, e se eu dormir até tarde vou acordar pior do que um urso que passou o inverno hibernando, depois de como eu comi hoje. – Anita garantiu a loira sorrindo atrevida Meg nem respondeu somente lançando a ela um olhar de pura exaustão. – Eu to com os dois pés na jaca, e nem coragem pra reverter tenho, que preguiça socorro. – a moça riu de si mesma, e apenas se sentindo plenamente preguiçosa e tonteada.

— Então quer dizer que o jantar na casa do teu pai foi pomposo Anita. – Marcelo indagou sentado ao lado da mãe.

— Nem lhes conto, lá eu nem comi mesmo, mais depois me acabei de fato. – a arquiteta respondeu aos bocejos de cansaço.

— Porque quis, foi você que se recusou a comer os escargots. – Ben ri ainda lembrando da cara de Anita diante da situação, parando de fazer cafune na garota.

— Eu já te falei que eu não ia comer nada que fosse meu amigo de infância. – Anita afirmou de cara amarrada com a brincadeira fazendo todos darem risadas.

— Anita porque teu pai fez isso, pra se aparecer pra você, nem faz sentido. – Meg ficou confusa, pra ela a situação ainda parecia não fazer nenhum sentido.

— Pra se aparecer pra mim não é Meg, e de um jeito sutil jogar na minha cara, que eu ainda sou o mesmo garoto pobre de antes, Caetano não mudou nada pelo jeito, é de rir isso, não é possível. – Ben respondeu não muito preocupado com o fato.

— É né, só que você parecia ter mais intimidade com as conchas até do que eu, e a Zelândia coitada tentando se comportar como a requintada esposa de Caetano Figueiroa, gente que desastre, no fim ela nem sabia onde botava a cara pra pedir desculpas pelo meu pai. – Anita comenta rindo, votando a se escorar em Ben.

— Isso é fácil de saber, o pobretão aí não trabalhou de garçom em quase todos os restaurantes de Nova Iorque. – Marcelo tentou justificar.

— E eu continuo sendo só o garçom Marcelo, nem passei perto da mesa. – disse Ben o corrigindo.

— E eu, gente me desculpem os finos, mais pra mim aqueles caramujos lá continuam sendo os mesmos do jardim. – Anita rebateu com um ar preguiçoso arrancando risadas de Marcelo e Ben.

— Bom eu não sou rica e nem sei se um dia ficarei, mais acho que ainda prefiro comida de gente que não tem nenhum dinheiro então. – Meg opinou rindo do jeito com que Anita falava, tapando o riso com a mão em um semblante descompensado devido a tudo que foi contado por Anita a respeito de sua visita ao pai.

— Deus me livre, se for pra ralar a vida toda pra comer essas esquesitices, prefiro ser pobre mesmo, sou feliz assim. – Anita concorda com a amiga, tapando o riso com a mão em um semblante descompensado devido a tudo que foi contado por Anita a respeito de sua visita ao pai.

— Talvez isso justifica, as ricas serem tão magras meninas. – Fátima diz brincalhona.

— Pior é meu pai não é, que a essa altura acha que uma atitude dessas me abala, mal sabe ele que eu não sou nada influenciável, e morar fora não fez de mim alguém fútil e deslumbrada, por favor foi ridículo, até parece que comida cara, atitudes de rico, fazem de alguém melhor. – Anita se pergunta por que ainda se assustava com os rompantes extravagantes do pai. – E depois se ele temeu eu ter aparecido lá com o Ben, que decepção, e de novo ele vai ser o último a saber, conclusão tarde demais pra ele bufar, aliás que bufe se o interessa, não devo nada pra ele e não vai ser depois de ter vinte e um nas costas que vou dever. – ela falou pouco se importando mesmo.

— Mais pelo que eu sei por pouco tempo, porque uma loira me contou que alguém tá quase mais velhinha esse ano. – Marcelo afirma a moça, lembrando coincidentemente da conversa que havia tido com Meg mais cedo.

— Quem disse, não sabia não, vou fazer dezessete. – Anita foi retorica e quis fingir seriedade.

— Ai Anita. – Meg riu da amiga e sua pouca vontade de comemorar seu aniversário, ao vê-la já mudando de assunto.

— Tu até tem carinha de novinha mesmo, mais acho que se enganou amiga. – Marcelo rebateu.

— Quem disse. – Anita insistiu, escondendo o rosto contra o ombro de Ben.

— O Ben não ia pegar uma novinha tão novinha. – Marcelo quis contrariar entre risos abusados.

— Novinha tão novinha, matou a língua portuguesa agora Marcelo e completamente. – riu Ben.

— Tá bom Marcelo dezoito tá bom pra você. – Anita zoou fechando os olhos cheias de sono.

— Quantos não importa, mais pode tratando de continuar no Brasil pra comemorar com a gente. – Marcelo ordenou a moça taxativo.

— Gente parem né faltam três semanas, e sinceramente nem lembro a última vez que juntei ninguém pra comemorar meu aniversario, acho que eu tinha uns quinze nessa época, agora então em dia de semana to sempre ocupada. – Anita não confirmou nada.

— Ah mais devia pensar sim Anita, afinal não é todos os dias que se fazem dezessete ou dezoito anos, é importante não. – Fátima reforça fazendo brincadeiras com a suposta idade de Anita.

— Tá gente, parem eu estou virando uma anciã, mesmo, vou fazer vinte e dois, e quanto a comemoração vamos ver o que acontece até lá. – Anita deu risada.

— Ok, ok, mais não pense que eu vou esquecer dona. – Marcelo preferiu deixar assim até lá. – Mais voltando ao assunto antigo Anita. – ele fala pensativo. – Eu juro que eu tenho curiosidade de conhecer teu pai, ele deve ser um pouco do meu avô não é. – Marcelo disse sem pretensão ou se quer ofender ninguém.

— Filho, sinceridade em excesso com a vida dos outros. – Fátima chamou sua atenção, pensando ter que ver Anita ficar ofendida com o comentário.

— Tudo bem, gente que isso eu não me ofendo fácil não, e outa Fátima, eu desisti de defender o jeito torto do meu pai há muito tempo, ao menos agora ele tenta ser um pouco honesto, a Zelândia tem me surpreendido confesso, até mais do que eu esperava dela. – Anita acaba rindo da preocupação dela quando levanta o olhar para olhar para Marcelo e a mãe. – E olha se você quer conhecer meu pai, conheça a Cícera, talvez você entenda um pouco. – a menina diz arrancando uma risada de Ben, que nem defende a mãe apenas beijando a amada na testa.

— Não, eu só digo isso, caramba meu vô sempre fez um pouco disso com você mãe, ih faz até hoje... – Marcelo desabafa rindo da declaração de Anita contra a mãe de Ben.

— Marcelo eu já disse que não ligo, teu avô aprendeu a me respeitar, e respeitar minha relação com teu pai, mas pra ele eu era somente alguém de outro nível social, e teu pai nunca quis nada do teu avô, tudo que nós temos conquistamos com nosso esforço, o que também o chateava desde sempre, e além do mais ele é um homem bom, alguém talvez muito solitário, soberbo, mas alguém de bom coração e disso eu sempre soube, não o julgo meu filho. – Fátima quis dar ao menos o beneficio do perdão ao sogro.

— Sei que aprendeu, no fundo eu sinto até hoje que ele só mandou meu pai administrar a construtora em Nova Iorque pra isso, te afastar dele, sabia que você não deixaria teu escritório aqui, ele tem esperanças que você se separe do meu pai é isso mãe, até hoje, mesmo que vocês levem essa casamento assim a quase quatro anos já. – Marcelo afirmou ainda não conseguindo engolir totalmente as decisões do senhor, e até um pouco revoltado por ter que ver os pais longe um do outro.

— Eu sei, não sou tão ingênua assim, mas nós estamos bem assim, você está podendo estudar, ficar com teu pai lá, o que me deixa até tranquila, porque confesso que essa tua ideia de se inscrever pra bolsa no exterior me assustou desde o inicio, e seu pai faz o que gosta, eu também, e nós somos felizes, e meu filho teu avô só tem ao teu pai, depois que o Celso se foi. — a mãe do rapaz ponderou.

— Eu sei mãe, no fundo eu gosto muito dele, tá bom nem precisa ser no fundo, eu o amo e muito, ih é difícil saber que ele pode pensar tão errado sobre você mãe, mais não pretendo assumir a empresa e nem nada que ele tem, ele vai ter que contar com o outro neto para isso, você sabe. – Marcelo confessou que seus pensamentos ainda não haviam mudado. – E nem me olha assim mãe, eu sinto muito também, essa parada do meu tio ter morrido deixou meu vô calejado, mas ele também não precisa descontar no meu pai, e no casamento de vocês. – Marcelo suplicou que a mãe não lhe punisse tanto com o olhar severo que havia lhe lançado.

— Marcelo como foi isso, bom não é da minha conta mais... – Anita se perguntou solidarizada pelo drama que parecia ter na família do rapaz.

— E um acidente de carro Anita, há dez anos atrás, foi algo muito triste, meu marido e esse irmão eram os únicos filhos dele, aí você imagina, e o coitado ainda deixou mulher e dois filhos. – Fátima contou, em um tom dolorido ao recordar-se de todo drama passado.

— Nossa gente, eu sinto muito mesmo de coração, às vezes a gente pensa que tem dilemas não é, mais não imagina o que seria lidar com uma tristeza dessas. – a garota diz entristecida.

— É foi barra, e eu acho que no fundo é por isso que eu prefiro nem pensar nas atitudes estranhas do meu avô, nem que justifique, sei lá. – Marcelo diz, apesar de na época ainda ser só uma criança, via perfeitamente como tudo ocorrido havia abalado toda família. – Mais então bora pra cama gente, que hoje já é hoje, e daqui a pouco o astro rei cai. – ele afirmou preferindo viver seu presente com alegria do que pensar no que poderia vir, ou mesmo no que já havia passado.

— Bom eu vou pro meu quarto, vocês se resolvam aí, boa noite. – Fátima alegou saindo a caminhar calma depois de se despedir. – E espero que vocês voltem mais vezes claro. – ela pediu sorridente já rumando o corredor.

— Boa noite. – Anita desejou assim como os outros que ficaram, mas mais concentrada em olhar o jeito agitado que Meg ajeitou-se no sofá.

— Então gente eu acho que... – Marcelo iria dizer algo mais parecia demorar com a voz engasgada, quando Anita o interrompeu sorrindo.

— Acho melhor mesmo é você tomar cuidado, maneira na proposta, porque né. – Anita interrompeu fazendo graça querendo por um fim a tensão da amiga.

— Ninguém é tão liberal como você Marcelo. – Ben rebateu beijando o ombro de Anita, e querendo muito entender se estava vendo as coisas com exagero ou o amigo parecia meio nervoso.

— Gente para com a graça. – Marcelo levantou do sofá tentando negar que estava tenso. – Ou só iria dizer que tem dois quartos só isso, coisa chata vocês. – ele quis contornar.

— E eu ainda não sei se não vou pra casa, Ronaldo ligou pro Ben e pelo visto não gostou da explicação, eu até desliguei meu celular pra evitar a saia justa. – Anita revelou com preocupação, o que Ronaldo poderia pensar nos quatro reunidos ali.

— Para quieta, você agora virou prisioneira é, nem pode jantar com teus amigos, nem vem. – Marcelo pensou ser exagero da amada de Ben.

— Então Anita, já que tem dois quartos Anita vamos né melhor. – Meg saiu apressada do sofá a puxar a arquiteta pela mão para que ela se levantasse, apenas deixando Anita tonteada que se viu mover o corpo atrapalhada e com dificuldades devido ao fato de Ben não lhe soltar tão facilmente.

— Meg gente. – Anita não entendeu absolutamente nada da atitude da americana, apenas percebeu ela parecendo estar em fuga. – Tá né. – ela engoliu em seco parecendo disfarçar sua confusão quando entendeu o que se passava ao olhar dentro dos olhos da amiga e acabou nem sabendo por que também se sentiu tremendamente nervosa.

— Gente vocês também não precisam sair correndo né, por favor, somos adultos não. – Marcelo argumentou paciente, se vendo tenso com o jeito atrapalhado das duas.

— Somos, parece é, eu não devia de ter bebido. – Anita agiu confusa dando um sorriso pessimista ao rapaz.

— Então que tal, a gente meio que acampar lá na área, à noite tá calma, o céu tá perfeito, bom que economiza ar condicionado com esse calor todo. – Ben sugeriu convidativo tentando ser mais parcial com a solução.

— E os mosquito. – Marcelo esfregou os cabelos meio incerto.

— A gente mata. – disse Anita meio travessa.

— Adorei bora. – Meg deu a ideia como aprovadíssima, parecendo até mais aliviada.

— E eu sou voto vencido é. — E nem opino... — Marcelo olhou em volta contrariado apenas, visualizando Anita se jogando no sofá, cheia de sono novamente a se escorar em Ben.

Continua...