Notas iniciais
cap. de forte emoções...
boa leitura...

_Oi meu amor. Estava com saudades.

_Eu também Linda. Posso te pegar pra gente almoçar?

_Claro, eu estou na sede do partido, quer me encontrar onde?

_Eu passo ai pra te pagar, estou por perto.

_Tudo bem, até logo.

Eles desligaram e Jhon foi buscá-la, o jornal era a duas quadras do partido, e no caminho só se concentrou nas ruas, precisava desviar seus pensamentos.

_Aonde vamos? –ela perguntou depois de dar um beijo nele.

_Não sei, onde quer ir?

_Estou sentindo saudades daquele pub, em que nos beijamos pela primeira vez depois da brincadeira. –ela sorriu amorosa, verdadeira, do jeito que ele tanto gostava, seus olhos reluzentes e seu perfume tão sedutor, aquilo estava o enlouquecendo.

_Eu também gosto muito de lá, mas estava pensando se não quer ir ao meu apartamento, sabia que sou um ótimo cozinheiro? –ele deu um sorriso de canto abusado e encantador.

_Você não tem trabalho?

_Hoje estou de folga, pelas horas extras que já fiz.

_Mas só nós dois na sua casa... –ela pareceu falar mais pra ela mesma.

Jhon sorriu malicioso e sedutor, sim, adoraria ficar a sós com ela, adoraria beijá-la, jogá-la na cama e experimentar daquele corpo tão bonito que ela tinha, mas parou ai, não a levaria pra cama, se o fizesse se apegaria ainda mais a ela e ela o mesmo em relação a ele, e por mais que ele soubesse que sua missão era fazê-la largar tudo, sofrer, ele não chegaria a tanto, queria ela longe da política, e não de uma pessoa que pudesse fazê-la feliz...

Bom, ele geralmente não pensava assim, ia até as últimas conseqüências, mas Linda realmente mexia de um jeito com ele que ninguém o fizera.

_Não se preocupe, não vou fazer nada além de cozinhar.

Ela ficou vermelha, não estava pensando besteiras e nem queria que ele pensasse que ela desconfiava dele, só ficou pensativa porque gostava muito dele e há muito tempo queria se tornar mais intima dele, afinal, se conheciam e estavam juntos a mais de um ano.

_Não, não é isso... Bom, vamos então.

_Jura? Quer mesmo ir?

_Sim, eu quero.

Ele sorriu e deu partida, eles foram pra casa dele, em um prédio afastado do centro, mas muito simpático. Não havia elevadores, então subirão três lances de escadas até o apartamento dele, mas antes de abrir a porta ele se virou pra ela com um sorriso divertido.

_Não repare, nem de longe é o palácio da mansão Sabaku.

_Até aprece que eu ligo pra isso, não é? Você me conhece e sabe como eu sou.

_Eu sei sim, por isso gosto tanto de você. –ele deixou escapar sem querer e quis bater a cabeça na parede em seguida, ele estava mesmo agindo feito um idiota, aquilo era a pior coisa de se dizer, mas era a mais sincera que já dissera a ela.

Os dois entraram e Linda olhou em volta, era um apartamento pequeno, sem muito luxo, mas era bem organizado, na sala, um sofá, uma estante e uma televisão era tudo o que preenchia o pequeno espaço, a cozinha americana a vista deixava uma pequena mesa de dois lugares, o fogão, um frigobar e um armário aparecer, depois tinha um corredor que sumia das vistas dela.

_Bem arrumado pra um homem. –ela comentou divertida.

_Claro que iria te trazer no dia que a faxineira já tivesse passado por aqui né? –ele riu.

Os dois riram e se abraçaram.

_Ainda não somos namorados? –indagou Linda mais séria, mas de forma tranqüila.

_Você quer mesmo ser minha namorada?

_Achei que já fosse, mas sim Jhon, eu quero.

_Eu também acho que somos namorados, mas não quero te prejudicar na campanha nesse estágio tão importante do seu crescimento.

_E não vai. Eu sei que posso contar com você e que nós nos gostamos de verdade.

_Então está bem, não vou mais relutar em te chamar de minha namorada. –ele sorriu.

Ela encostou a testa na dele e sorriu com os olhos fechados.

_Eu estou muito feliz.

_Eu fico feliz de te ver feliz. –uma sensação quente e confortadora se apossou de seu peito.

Os dois se beijaram apaixonadamente, querendo cada vez mais um do outro, e depois do primeiro veio o segundo beijo, depois o terceiro e assim eles iam se perdendo nos beijos, nas caricias, nas bocas, nos pescoços e o desejo e o carinho só crescia.

Jhon tentou impedir o ímpeto, mas não conseguiu, segurou Linda pela cintura e a suspendeu, a colocando sobre o balcão que dividia a sala da cozinha. Ela teve que se encurvar um pouco, mais o beijava com intensidade e sentia as mãos dele sob sua camisa e seu terninho alinhado, então levou as mãos às costas dele, sob a camisa e o arranhou de leve, ele mordeu o pescoço dela, e voltou aos lábios, abafando os gemidos baixos que ela soltava.

Os dois se pegavam e se provavam de maneira intensa, até que ele encarou os olhos dela, translúcidos de desejo, a expressão serena, a boca vermelha, e sentiu uma pontada no peito, ela era perfeita e boa de mais pra si.

_Eu prometi que não ia fazer nada, mas não consegui controlar.

_Eu sei, eu senti o mesmo.

_Não quero que pense que disse que vou namorar com você só pra acabarmos assim. –a respiração pesada e ofegante deixava ela entender o que ele queria dizer.

_Não se preocupe, eu também quis, e muito, mas tem razão, é melhor irmos com mais calma. –ela engoliu a seco depois, fechando os olhos e os apertando, pra abri-los depois.

Ele se afastou um passo e ajeitou a camisa, depois passou os dedos nos fios sedosos de seu cabelo espesso, ela ajeitou a camisa e ficou olhando pra ele.

_Comida... É, isso... Vamos fazer algo pra comermos. –ele disse como se lembrasse de algo.

Ele foi pra cozinha e ela virou no balcão, vendo ele desfilar pela pequena cozinha, e ficou assustada com a quantidade de utensílios que ele conseguia amontoar ali.

Algumas horas depois eles estavam almoçando, em silêncio, ainda constrangidos pelo ocorrido anteriormente, até que ele pegou uma cenoura cortada em tiras e colocou sobre o lábio superior.

_Acha que eu ficaria bem de bigode?

Ela olhou pra ele e começou a rir, ele não agüentou e riu com ela, a harmonia voltava entre eles e eles se divertiram muito no resto da tarde, conversando e jogando banco imobiliário.

_Estou rica, você está pobre. –ela riu. –Minha nossa, fazia muito tempo que eu não jogava isso.

_Eu nem lembrava que ainda tinha isso socado aqui no apartamento. –ele sorriu. –Agora é sua vez de me pagar senhora milionária.

No fim da tarde, eles pediram pizza, assistiram um filme, e depois ficaram sentados no sofá, um de frente pro outro, bebendo cerveja sob uma manta e se olhando em silêncio.

_Quando eu ainda tinha meus pais biológicos, eu morava em um lugar assim. –ela olhou em volta. –E me sentia uma princesa. Jamais imaginei que iria virar a primeira filha do país e uma princesa da mansão Sabaku.

_Você teve muita sorte de ter sido encontrada pela Ino. –ele disse sério.

_Eu sei... Mas sabe, muitas vezes, mesmo feliz com tudo o que tinha, com os meus pais adotivos, eu sentia falta daquele velho apartamento sem quase nada, sentia falta de olhar pela janela e sonhar que um dia eu descobriria um novo mundo. Eu escolhi a política porque gosto da idéia de mudar a vida das pessoas, o mesmo que deixou meu pai nessa vida por tanto tempo, mas às vezes eu queria ser só uma garota nesse lugar, uma garota qualquer que tem que construir sua vida e se acha uma princesa mesmo com pouco...

_É por você ser assim que merece o que tem. –ele suspirou, estava se sentindo tão mal por ser o cara que iria destruir os sonhos dela.

_Não sou assim tão boa Jhon, eu tenho muitos defeitos.

_Já roubou?

_Não, isso não.

_Já matou?

_Claro que não.

_Já negou ajuda a alguém que realmente precisasse?

_Sempre tentei não negar.

_Então você é boa sim.

_Mas eu já menti... Já menti que não queria ser diferente, que não queria outra vida, que realmente faço parte daquele mundo em que vivo... Já menti tanto sobre as coisas que estão aqui dentro, a única coisa real é o amor que tenho pela família que me escolheu, isso inclui meus amigos, e o amor que tenho por você.

_Isso não é uma mentira. Nada disso é. Todo mundo já quis ser outra pessoa, pelo menos uma vez na vida.

_Já quis ser diferente do que é?

_Várias vezes. –ele jogou a manta de lado e se levantou, estendendo a mão pra ela. –Vem comigo, quero te mostrar como eu adoraria ser alguém diferente.

Ela segurou a mão dele e se levantou, ele foi levando ela pelo corredor, até uma porta fechada.

_Se contar isso pra alguém ou rir, eu fico de mal pra sempre. –ele disse debochado.

_Vou tentar me controlar. –ela disse meiga, sorrindo.

Ele abriu a porta e ela viu que era um quarto negro, onde se revela fotografias. Um barbante atravessava o aposento e nele havias várias fotos penduradas, eram de crianças, idosos, flores, campos, uma verdadeira obra de arte, que capturava as pessoas em seus momentos mais descontraídos e as paisagens no meio de seu movimento, como o desabrochar de uma flor.

_Cada uma dessas pessoas nunca me viu, não sabe quem eu sou, mas estavam no meu caminho e eu acho que tem uma razão muito especial nisso. Cada sorriso, cada lágrima, cada gesto, cada ser vivo, seja animal ou vegetal, cada vento, cada folha, tudo parecia muito intenso.

_Quem é ela? –ela pegou uma foto em especial.

_Eu não sei. Elas nunca me viram e eu nunca as vi. Fotografo de longe, e guardo as fotos comigo. Essa mulher estava sentada sob uma arvore no parque; aquele que a Kira gosta por causa da mãe dela, e foi tirada há bastante tempo.

A foto era de uma mulher, apenas seu olho esquerdo e seu nariz estavam retratados, e uma lágrima pesada e espessa caia por seu rosto, enquanto ela tinha o olhar perdido no nada.

_Eu a vi depois, só mais uma vez. –ele pegou outra foto, a mulher sorria com um bebê nos braços. –Decidi mostrar a foto pra ela, e perguntar o porquê do choro, ela sorriu e me disse que fora no dia que soube que seu namorado tinha morrido, ela iria contar a ele que estava grávida, mas nunca o fez, e então seu bebê nasceu, com o mesmos olhos pelos quais ela se apaixonou, e ela nunca mais chorou, só sorriu de felicidade, porque ele ainda estava vivo de alguma forma.

_Isso é tão lindo.

_Eu guardo cada uma dessas fotos pensando nisso, que cada momento desses é importante pra alguém, e me inspiro a fazer os meus momentos.

_Você é um artista, devia mostrar isso ao mundo.

_Ninguém reconheceria isso como trabalho de verdade. –ele disse insatisfeito.

_Eu duvido disso. Você tem muito talento.

_Você está sendo só legal comigo, mas obrigado.

_Nunca imaginei que você fizesse algo assim.

_Eu tento fazer que ninguém imagine, nunca mostrei ou contei isso pra ninguém, nem mesmo minha mãe, mas me sinto bem contando pra você.

Ela olhou pra ele e sorriu.

_Obrigada pelo voto de confiança.

_Não por isso.

Ela o beijou e ele correspondeu com vontade, a beijando com um imenso carinho, nem ele sabia que poderia gostar e zelar tanto por alguém.

O telefone dela tocou e eles acordaram do transe .

_Alô.

_Oi filha, onde está?

_Estou com o Jhon mãe, o que foi?

_Você viu seu irmão hoje?

_Não mãe, aliás, não o vejo há alguns dias.

_Ele não aparece em casa desde ontem, nem no apartamento e nem aqui, o celular está desligado e nenhum dos meninos ou das meninas viu ele.

_Que estranho, ele não costuma fazer isso.

_Eu sei, por isso estou preocupada. Seu pai já está furando o chão da sala de tanto andar de um lado pro outro.

_Eu vou pra ai e a gente pensa no que fazer.

_Obrigada filha.

_Não por isso.

Ela desligou e foi pegando o rumo da porta.

_O que houve? –Jhon foi atrás dela.

_Meu irmão, ele sumiu do mapa. Ninguém o vê ou fala com ele a mais de vinte e quatro horas.

_De certo foi algumas festa, ou pra casa de alguma menina e esqueceu da vida.

_Por mais que meu irmão seja um galinha incorrigível, ele jamais fez algo assim. Nem no apartamento dos meninos ele foi. Meu pai está quase tendo um ataque.

_Então espera eu vou com você.

_Obrigada, acho que vamos precisar de ajuda.

Quando o casal chegou a mansão Sabaku, Temari já estava lá, com seu pai agitado e gritando com ela.

_Não vai adiantar de nada brigar comigo, Gaara, quer se acalmar pra eu poder ajudar.

_Não, não quero me acalmar, quero respostas Temari, onde está meu filho? Eu vou matar ele, esfolá-lo vivo quando por minhas mãos nele, onde já se viu bancar o irresponsável assim?

_Pense um pouco, quem mais ele conhece na cidade? Algum amigo ou namorada?

_Ele só anda com o seu filho e os outros, não tem nenhuma garota que ele fique mais de uma noite, não faço idéia de onde pode estar.

_Já conferiram quem foi a última pessoa a falar com ele?

_Fui eu ao que parece. Isso foi a trinta e seis horas, ele disse que ia na casa do Naruto e não apareceu lá, não o vi mais por aqui e os meninos disseram que ele não dormiu em casa.

_Bom, de acordo com o protocolo só posso ir atrás de uma pessoa depois de quarenta e oito horas...

_Temari!

_Cala a boca Gaara. Pelo protocolo eu não posso dar uma pessoa como desaparecida a não ser nessa hipótese, mas vou dar um jeito de por alguns policiais atrás dele, enquanto isso tentem se acalmar e pensar um pouco em alguém que nos ajude.

_Acha que algo de ruim possa ter acontecido Temari? –indagou Ino com os olhos marejados.

_Não sei cunhadinha. Olhamos em todos os hospitais, necrotérios e delegacias da cidade, e da região, então ou ele só está aprontando, ou algo muito mais sério está acontecendo.

_Vai encontrar ele, não vai tia?

_Garanto que sim Linda. Agora vou pra delegacia, me avisem se algo acontecer.

Antes dela sair o telefone tocou, e Gaara atendeu, com raiva.

_Alô. –ele disse seco, quase gritado.

_Senhor Sabaku?

_Pois não?

_Temos um recado importante pra te dar.

_Dá pra dizer logo do que se trata. –ele geralmente não era assim, mas tudo o que não precisava era de alguém lhe importunando.

_O seu filho senhor.

_Bily?! Onde ele está?

_Ele está conosco, em segurança, mas isso pode mudar... –o homem riu cínico.

Gaara ficou branco como vela, com a boca aberta e as mulheres correram até ele, indagando o que havia acontecido.

_Na sua caixa de correio há uma carta e uma prova de que estamos com ele, se não seguir o que está na carta, seu filho não vai sair daqui vivo.

_O meu filho... Escute, não o machuquem eu...

_Só escute. Faça o que diz a carta e garanta que ele não saia daqui aos pedaços.

A ligação se findou e Gaara colocou o telefone no gancho de vagar, tentando entender se aquilo era mesmo verdade.

_Gaara, o que houve? –Indagou Ino.

Ele não disse nada, mas como se a ficha caísse, ele correu pra fora até a caixa do correio, havia um envelope azul grande dobrado ao meio, e dentro dele uma carta de recortes de jornal e uma pulseira dourada que Ino dera a ele desde pequeno e sem a qual ele nunca ficava, então Gaara soube que aquele pesadelo era real.

Ele voltou pra casa e entregou o envelope a Temari, que olhou aquilo e ficou assustada, tinha que agir corretamente, se não seu sobrinho não iria sobreviver. Ino leu e caiu de joelhos aos prantos, segurando a pulseira nas mãos.

_Meu filho... Meu filho. –Linda se ajoelhou e lágrimas caiam de seus olhos, enquanto abraçava a mãe.

_Eu não vou conseguir viver com a perda do meu filho. –disse Gaara se dirigindo a Temari.

_Eu vou cuidar disso. –ela respirou fundo, mas do que nunca tinha de ter sangue frio.

Gaara segurou Ino e a ergueu, a abraçou firme com um braço e com o outro abraçou a filha, beijou a cabeça das duas, e engoliu a dor.

_Vai ficar tudo bem, eu juro que vai ficar.

E os três ficaram juntos, enquanto Temari e Jhon observavam e sentiam suas emoções sozinhos.

Notas finais
comentários? espero ansiosa o q vcs estão achando...
bjos e até o proximo...