Enchanted blood
4 A verdade
Notas iniciais
Nem olhei para a mulher que falava com a minha mãe, não foi educado da minha parte, ouvir a conversa delas, entrar na cozinha de repente e nem dizer oi. Mas eu estava atordoada com as últimas informações.
– Eu nem conheço meu pai e já descubro que ele esta morto? — o choro era inevitável. Acabara de saber que o motivo de minha mãe vir para essa cidade, e comprar uma casa, era meu pai, e ele agora estava, bom, morto. — ME DIZ MÃE, ME FALA A VERDADE. — eu já estava gritando.
Eu não conseguia entender, minha cabeça dava voltas, e mais voltas, e as lagrimas caiam cada vez mais rápido.
– Emi calma, eu vou te contar, calme. Me desculpa não ter te contado nada sobre seu pai antes. — Ela dizia chorando também. — Só se acalma por favor.
Minha vontade era sair gritando, xingando. Mas não fiz isso, eu não queria magoar minha mãe. Então sentei, abaixei a cabeça, com as mãos no rosto, e deixei o choro me consumir por um tempo.
– Mel, eu vou indo. Vocês precisam conversar. Volto depois ta. — Disse a mulher. Eu já tinha me esquecido que ela estava lá.
– Ta bom. Obrigada Jenna. — disse minha mãe.
Então a tal Jenna foi embora.
Chorei por uns 20 minutos sem parar. Minha mãe não disse nada esse tempo todo, mas sabia que ela estava lá. Então fui me acalmando. Levantei a cabeça, chorando um pouco ainda, encarei-a e disse:
– Mãe, por que você nunca me disse nada? Por que? você devia ter me contado.
– Eu sei filha, eu sei. Mas eu era uma adolescente quando conheci seu pai, a gente se apaixonou, ele era um cara legal, mas também era um babaca quando queria, um dia a gente brigou feio e eu fui embora da cidade. Eu não sabia que estava gravida de você, quando descobri, tentei contar a ele, mas ele já estava namorando outra garota. Eu não quis contar a ele, fiquei com muito ciumes e raiva dele ter me trocado assim tão fácil, eu era uma criança, não sabia de nada. Então, pedi ajuda a sua avó pra te criar. E o resto da história, até hoje, você já sabe.
Eu estava tentando assimilar as informações.
– Eu ia te contar, antes de virmos pra cá. — Ela continuou — Então liguei pra Jenna, pra contar pra ela que estava vindo pra cá, e pra pedir ajuda pra achar uma casa. Disse pra ela que ia te contar, mas ela me disse pra esperar, para a gente se acertar aqui primeiro, e que ela tinha uma coisa importante sobre ele para me contar.
– E essa coisa que ela tinha pra te contar é que ele.. — disse, então senti um nó se formando na minha garganta de novo — está...m-morto? — quase não consegui dizer, e já estava chorando de novo.
– Sim — Ela também chorava. — Me perdoa filha, eu não sabia que ele estava morto. Eu devia ter te contado antes, eu sei. Mas você sabe, sua mãe não é muito boa pra falar de seus relacionamentos fracassados. Emilly, eu amei seu pai, eu ainda amo, mesmo depois de todo esse tempo e sabendo que ele está morto, ele foi o amor da minha vida. — Ela disse, nós estávamos abraçadas.
– Mãe não é sua culpa. Eu só queria ter conhecido ele antes. — eu disse — Como ele se chamava?
– Richard, Richard Lockwood. Ele era o prefeito, não sei bem como aconteceu, como ele morreu. Mas ele se casou, e teve um filho. Se você quiser conhece-los, eu posso pedir a Jenna para nos levar até eles.
– Pode ser mãe. Mas não agora. Deixa eu pensar um pouco, entender tudo isso que ta acontecendo tá? — eu disse e dei um beijo nela, e fui para o meu quarto.
Minha cabeça doía, eu tinha chorado muito, e também recebido muitas informações.
Tentei dormir, mas não consegui. Não era fácil descobrir de um dia para o outro que sua mãe morou quando adolescente numa cidade folclórica, onde se apaixonou por seu pai, mas que ele não sabia da sua existência, nem você da localização dele, aí sua mãe resolve voltar pra essa cidade, sem nunca ter te contado nada, e seu pai agora seria o prefeito da cidade, se não estivesse morto. Fora o fato dele ter casado e tido um filho. Porra! Era muita coisa pra entender.
Peguei o livro e tentei ler, mas nem isso eu consegui.
Percebi que consegui dormir um pouco quando minha mãe me chamou.
– Emi, tem uma tal de Bonnie no se celular, você deixou em cima da mesa e eu atendi, desculpa.
– Tudo bem mãe. — Eu disse tentando sorrir. Ela me entregou o telefone. — Oi Bonnie. — Tentei fazer uma voz mais animada possível.
– Oi Emi — Sua empolgação era evidente e verdadeira — Não combinamos de nos encontrar no Grill?
Droga, esqueci.
– É mesmo Bonnie, desculpa, é que eu meio que esqueci ..
– Aconteceu alguma coisa? Sua voz está meio estranha — Ela me interrompeu
– Não nada, eu tava dormindo. Então, não sei se vou poder ir, é que... — minha mãe tomou o telefone de mim.
– Oi Bonnie, aqui é a mãe da Emilly, Melanie. Ela vai sim tá. — minha mãe disse. — Eu não sei onde é, e acho que a Emi também não. — uma pausa — Claro que pode. — Minha mãe disse e passou o nosso endereço. E então desligou.
– Mãe! O que você fez?
– Eu disse pra sua amiga que você vai sim ao Grill. Ela me perguntou se eu poderia leva-la, mas não sei onde fica, e acho que você também não né? Então ela disse que vem te buscar, eu dei o endereço a ela, e ela disse que em 20 minutos chega aqui. Então vai se arrumar.
– Eu sei que você fez isso, eu ouvi. Mas por que fez isso?? E não vem com essa de que não sabe onde é o Grill, porque sei que deve saber se já morou aqui.
– Porque você tem que sair Emilly, conhecer pessoas, fazer amigos. Eu sei que você quer se fixar em algum lugar. E a gente vai ficar aqui por muito tempo. E sim, eu sei onde é o Grill, eu adorava ir lá. — ela terminou a frase rindo, e saiu do meu quarto.
Resolvi me arrumar, pois logo Bonnie estaria ali e seria mais difícil ter duas me convencendo a sair.
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