Enchanted

8 Capítulo 8 - We Both Know


Notas iniciais
- Tudo bem. Não é como se eu pudesse te cobrar algo, não é?

Um fugaz brilho entristecido passou nos olhos escuros de Dimitri.

- Não pode?

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Os dedos tamborilavam incessável e incansavelmente sobre o tampo da mesa, em um ritmo que refletia sua profunda irritação e descontentamento. Os policiais que passavam por Dimitri Belikov abaixavam os olhos, alguns mudavam o caminho para não cruzar o seu, temendo despertar sua raiva. Dimitri trabalhava no distrito tempo o suficiente para saberem que ele não estava em um dia bom.

Tudo se iniciara quando Rose, num rompante, abandonara o jantar na casa de Christian. Ela estava possessa com ele e Dimitri pode perceber um brilho triste escondido em seu olhar. Ele admitia que não desse muita atenção a ela, Tasha monopolizava a conversa e fazia tantos anos que não se viam, tinham tantas coisas para falar. E não era como se ele a ignorasse e Rose estivesse sozinha, seus amigos também estavam ali. Então porque sua frustração era descontara apenas em Dimitri?

Não adiantou que nos dias seguintes ele e Rose não conseguiram se encontrar. O trabalho dele não apenas multiplicara, mas acumulou tremendamente. Dimitri focara-se tanto que algumas noites haviam dormido por lá mesmo. Tasha havia ido até o Distrito pessoalmente para se certificar de que Dimitri continuava vivo – e dormindo e se alimentado. Quando Dimitri se dedicava a um caso, ele esquecia-se de si mesmo.

Tasha. Ele a adorava, a considerava uma grande e boa amiga. Porém, não era o que ela queria. Dimitri sabia, já há um tempo, que os sentimentos dela por ele ultrapassavam o limite de fraternidade. Ele, entretanto, não correspondia aos sentimentos dela, por mais que tentasse. Ela era fácil de gostar como amiga, mas impossível de ser algo mais. Os dois nunca haviam conversado sobre o assunto, mas Dimitri havia deixado bem claro seus sentimentos e Tasha nunca insistira.

E então teve a cena na rua no domingo a tarde. Quando o caso que lhe tirara o tempo terminou, seu primeiro pensamento foi ligar para Rose. Ela havia parado de insistir e de mandar mensagens, e ele sabia que isso significava que ela estava chateada com sua falta de tempo. Ele, então resolveu fazer-lhe uma surpresa: apareceria em sua casa sem avisar para conversarem e se acertar. Mas assim que chegava em seu carro, Tasha foi que apareceu sem avisar, e parecia que estivera chorando. Novamente, ele pusera seus planos de lado em prol aos outros e ao invés de passar uma tarde tranquila com Rose, ouvira Tasha e sobre sua briga com Christian.

Ele não poderia imaginar que Rose apareceria por lá. Não que ele estivesse se escondendo, mas seus olhos não conseguiram deixar o corpo de Rose enquanto ela andava duramente do outro lado da rua. Seguida por alguém. Mesmo de longe, seus olhos treinados lhe disseram que ela não estava contente. Dimitri sentiu uma súbita necessidade de tira-la daquele sufoco. Não suportava a ideia de que ela estivesse com problemas, principalmente quando o “problema” era um homem.

Depois de uma semana tempestuada com Rose, sua segunda havia começado com o pé esquerdo. Não tirava da cabeça o olhar decepcionado e suas palavras cheias de raiva e magoa. Algo dentro dele dizia que havia algo mais. Que o problema não era apenas Dimitri ter sumido naqueles dias. Pelo olhar de desgosto que ela lançou a Tasha, Dimitri desconfiou que o problema de fato era ele estar com ela.

Rose estaria com ciúmes? Não poderia ser. Ou será que podia? Dimitri e Rose eram apenas amigos. Não eram? Pelo menos era como ele gostava de pensar: amigos. Sem cobranças e expectativas. Era como deveria ser. Não podia permitir-se embrenhar-se no caminho dos sentimentos, do amor. Não era seguro nem correto. Dimitri tinha uma vida incerta, a cada dia que ostentava seu distintivo. Sabia como os vilões da vida poderiam ser vingativos e que envolver-se com alguém expunha não apenas a ele mas a outra também em perigo. Já lhe bastava preocupar-se com a sua família todos os dias.

Seus pensamentos confusos e conturbados foram interrompidos por um pigarro. Um jovem cadete o olhava incerto da porta. Dimitri com um aceno de cabeça o mandou entrar.

– Há alguém querendo falar com você. – Informou-o em um olhar com misto de respeito e medo – Adrian Ivashkov.

Dimitri franziu o cenho. Quem era esse? Ivashkov não era um sobrenome desconhecido, mas não se lembrava de conhecer alguém da família. Aceitou vê-lo, curioso e intrigado.

Era o homem que vira com Rose no domingo – tanto na rua a perturbando quanto a noite jantando juntos como se nada tivesse acontecido. Seu estomago embrulhou na presença dele. Qual seria o assunto que o trazia até ali? E qual o relacionamento dele com Rose? Sentiu vontade de prensa-lo contra a parede e assusta-lo pra valer. Se pudesse, o provocaria até que Adrian tentasse algo contra ele para Dimitri ter uma desculpa de prendê-lo ali. Mas ele era sensato e racional. Não se perderia por... ciúmes?

– Apesar de todos os neurônios do meu cérebro me dizerem ao contrário – iniciou Adrian, parecendo tão descontente quanto ele – Eu resolvi vir aqui te confrontar pessoalmente.

Uma sobrancelha de Dimitri subiu. Inclinou-se na cadeira e cruzou os braços na altura do peito sem nada dizer.

– Qual o seu envolvimento com Rose e porque a está fazendo sofrer?

A reviravolta surtiu efeito em Dimitri. Ele se sentou novamente desconcertado.

– Desculpe... não entendi.

Ele não tinha um relacionamento com Rose.

– Serei mais claro, então. – disse Adrian se aproximando da mesa – Rose é uma garota incrível. O simples fato de ela te olhar com aqueles olhos cheios de admiração te faz o cara mais sortudo do mundo. Então é bom você arrumar a bagunça que você fez, Belikov. Não quero saber de ver Rose infeliz, está entendendo?

Dimitri, até alguns minutos atrás, estava se perguntando quem era o rapaz que estava na companhia de Rose. Sentiu-se tentado a se rebaixar e perguntar a Lissa – ou talvez Christian fosse mais seguro – quem era ele. Nunca imaginou que Adrian viesse até o distrito querer satisfações de sua situação com Rose, e mais! Exigir que ele se retrate com ela.

– Adrian... – momentaneamente, Dimitri ficou sem palavras – Rose e eu... somos bons amigos. E tivemos uma briga, só isso. Iremos nos acertar logo. Não é a primeira vez que brigamos – Dimitri não sentiu vontade de dizer que as brigas nunca duravam mais dois dias entre eles.

– Amigos? Onde você tem andado, detetive? – Indagou Adrian com sarcasmo – Rose pode te tratar como amigo, mas não é o que ela quer. Na verdade, eu acho que ela não tem muita consciência disso, mas já aprendi que Rose é determinada a ver e sentir o que quiser, mesmo enganando a si mesma.

Nisso Dimitri tinha que concorda. Nos meses que a conhecia, sabia que Rose era uma pessoa difícil, não apenas com os outros mas também consigo mesma. Vivia se cobrando e exigindo mais de si, e tinha um senso de proteção para com aqueles que ela amava que deveria ser ilegal. E o qual Dimitri compartilhava. Fora o motivo de ele ter se tornado policial.

– Além do mais... – Adrian continuou com um sorrisinho – Olha, eu posso não te conhecer, Belikov, mas se considerar a forma protetora que você agiu com ela no domingo a tarde, e a forma que nos olhou no restaurante... bem, eu acho que os seus sentimentos são recíprocos.

Dimitri não queria admitir a Adrian, o qual ainda via como uma espécie de rival, que estava balançado por Rose. Ao invés disso, apenas disse:

– Rose não vai falar comigo. Ela não está apenas irritada, está disposta a cortar relações.

– Ela acha que está. – Garantiu o outro passando as mãos pelo cabelo – Olha... eu não faço isso. Mas Rose é especial para mim, então irei ajuda-los. Okay?

Dimitri inclinou-se mais sobre a mesa, interessando, e Adrian sentou-se na cadeira a sua frente.

– Lissa vai viajar essa semana, um projeto para a faculdade. Vai na sexta e volta apenas quarta que vem.

– Eu acho que você se lembra que Rose me ignorou no restaurante ontem. E foi bem clara quando disse que se cansou mais cedo.

Adrian abriu um sorriso torto.

– É, mas eu tenho um plano.

Por mais que se odiasse por isso, Dimitri o ouviu e assentiu seus termos. Estava desesperado para ter Rose novamente em sua vida, e agarraria a qualquer um e qualquer coisa que lhe desse o mínimo de esperança.



Após um final de semana ruim, Rose focou-se na faculdade como nunca antes havia focado. Faltava algumas semanas para a sua graduação e ela resolvera se dedicar ao máximo no tempo que restava. Tinha planos de arrasar nas provas finais e de finalizar o caso que havia se envolvido com uma prisão. Infelizmente, parte de seu plano dependia de Dimitri, mas ela faria de tudo o que tinha alcance antes de lançar mão em sua ajuda profissional.

Adrian havia ligado no começo da semana combinando um ultimo jantar antes de ele voltar para California. Disse-lhe que, como era seu ultimo dia, ele iria mima-la um pouco, em nome dos velhos tempos. Um pouco contra gosto, Rose cedeu. Era bom reatar sua amizade com Adrian novamente. Combinaram que ele a buscaria na sexta feira à noite e que teria uma agradável noite. Apesar das palavras inocentes, Rose não pode deixar de sentir promessas nas entre linhas. Adrian tinha algo em mente, ela podia sentir.

Até sexta-feira, entretanto, todas as suas desconfianças se dissiparam e ela apenas se lembrava de que teria, finalmente, uma boa noite. Sem preocupações ou sentimentos ruins. Apenas diversão e risadas com um companheiro.

Escolheu para si um vestido preto de tomara que caia que ia até uns centímetros acima dos joelhos. A barra era trabalhada com renda e o busto era marcado. Era elegante e nem um pouco vulgar, embora valorizasse suas curvas. Mesmo estando frio do lado de fora, Rose sentiu vontade de ficar bonita. Vestiu uma meia calça e sapatos de salto fechados e para finalizar, uma jaqueta de frio de couro forrada com pelo que compensaria a falta de tecido e a esquentaria. Só tinha que aguentar o frio entre o carro e os lugares. Valeria a pena se sentisse em si olhares. Prendeu o cabelo em um coque solto no alto da cabeça, deixando umas mexas sobre o rosto. Estava terminando a maquiagem – nada muito forte, delineou os olhos e usou um batom vermelho queimado – quando bateram a porta. Adrian, sempre pontual. Pegou a bolsa e abriu a porta. Mas Adrian não estava ali.

Era Dimitri Belikov.

Sem dúvida alguma, Dimitri estava lindo. O mais lindo que ela já o vira. Havia trocado os habituais jeans e botas por uma calça social de bom corte e sapatos. Vestia uma blusa de botões branca por baixo do blazer à lá esporte fino que usava. Por cima de tudo, claro, seu guarda-pó inseparável. Seu cabelo comprido estava penteado para trás e brilhava à luz da lâmpada da varanda.

– O que... – Rose perdeu a fala e precisou respirar fundo duas vezes antes de sair – O que você está fazendo aqui? Eu estou de saída, Dimitri.

– Eu sei. – respondeu ele, sem conseguir disfarçar o olhar que passou em seu corpo – Você tem um jantar.

– Sim. – ela franziu a testa – Como você sabe?

– Porque você vai jantar comigo.

Ele estendeu a mão para entregar-lhe um botão de rosa absurdamente vermelha e grande.

– Você já deve estar cansada de ganhar presentes com seu nome. – Admitiu Dimitri timidamente – Eu ia comprar outra, mas quando vi esta...

– É linda. – Rose interrompeu a segurando delicadamente com os dedos. – Mas eu ainda não... – um brilho passou em seu olhar. Entendimento e depois raiva – Adrian. Foi ele que armou isso, não foi?

Dimitri encolheu os ombros.

– Como logo você foi cair na lábia dele? Irie dar uns belos chutes no traseiro na próxima vez que o ver!

– Me desculpe. – O súbito pedido obrigou Rose a olha-lo com surpresa – Por esses dias. Eu sumi, mas não foi por mal, Roza. Deixe-me recompensa-la por toda a... raiva que te fiz passar.

Rose o olhou, incerta. Ele estava tão lindo e humilde na porta de sua casa. Os olhos cheios de pesar e algo mais – alo que ele sempre escondia bem antes que pudesse decifrar. Adrian poderia ter tramado, mas se ele não tivesse feito isso, seu orgulho e teimosia provavelmente impediria qualquer tentativa de reaproximação de Dimitri, e Rose sentia sua falta terrivelmente. E que mal faria sair para jantar com um amigo? Há quase uma semana não havia se entendido com Adrian? Não queria esperar mais um ano para se entender com Dimitri.

– Okay. – Suspirou ela por fim saindo para a varanda. – Eu já me arrumei toda, de qualquer maneira.

O sorriso que Dimitri lhe lançou já havia sido uma grande recompensa. Era o sorriso que ele raramente dava a ele: grande, genuíno e cheio de dentes, um sorriso que chegava aos seus olhos e iluminava todo o seu rosto. Era o sorriso que tirava o fôlego dela.


Os dois não conversaram muito no caminho, mas Rose não conseguiu segurar um suspiro de surpresa ao ver o restaurante que ele havia a levado. Era novo e de dois andares. O andar de baixo era mais descontraído, mas não muito. As mesas eram quadradas e geralmente compostas por mais de duas pessoas. Tinha um ar leve e requintado. As paredes eram de vidro e as luzes indiretas e a música ambiente faziam daquele um lugar agradável. Mas não foi para lá que o maître os levou quando Dimitri anunciou a reserva. Andaram alguns metros ate um canto do restaurante e subiram as escadas de madeira envernizada até o segundo andar. Se Rose já estava impressionada, não havia palavras para o que ela sentiu quando vi aquele andar.

Seguindo o estilo do térreo, a luz era indireta e as paredes de vidro. Porém, era um ambiente muito mais intimo. Levemente mais escuro que o do andar de baixo, a musica mais baixa e suave, algo que Rose achou ser Jazz. As mesas eram redondas e a uma boa distância uma das outras, com uma toalha branca de linho e renda. Era, sem duvida romântico e particular. Rose sentiu-se aliviada por ter se arrumado para sair, pois se não tivesse, sairia de lá aquele instante.

Foram deixados pelo maître numa mesa diante de uma das paredes de vidro e num canto afastado. Sem duvida era um dos lugares mais caros.

– Dimitri – exclamou enquanto o outro puxava a cadeira para ela – Esse lugar... Eu... Deve ser uma fortuna. Não precisávamos vir aqui!

Ele sentou-se a sua frente. Suas pernas eram grandes de modo que seus joelhos se tocavam por baixo da mesa. Dimitri a lançou um olhar descrente.

– Eu sei.

– Ei, não precisa me trazer num restaurante chique para me pedir desculpas.

– Eu não estou tentando te comprar Rose.

Ela percebeu que Dimitri se sentia ultrajado pelo pensamento.

– Não foi isso que eu quis dizer. – antes que se desse conta, ela esticou o braço para que sua mão tocasse a dele – É só que... isso aqui é demais.

– Eu posso arcar com esses gastos tranquilamente.

– Eu só não queria que...

– Rose – Dimitri a interrompeu segurando sua mão com mais força – Por favor, não reclame. Vamos aproveitar essa noite, sim?

Ela suspirou, em parte porque sua pele se arrepiara com a mão de Dimitri na sua.

– Tudo bem.

Assim que fizeram os pedidos e ficaram sozinhos novamente, Dimitri ergueu o olhar para Rose, que bebericava o vinho.

– Rose – ele a chamou seriamente – Oficialmente, gostaria de me desculpar pela última semana. Eu estive tão envolvido com um caso que não tive tempo sequer de pensar em mim. Me perdoe por ter sido difícil.

A parte orgulhosa de Rose queria responder que para Tasha ele tinha tempo. Mas ao invés disso, ela mordeu a língua e simplesmente disse:

– Tudo bem. Não é como se eu pudesse te cobrar algo, não é?

Um fugaz brilho entristecido passou nos olhos escuros de Dimitri.

– Não pode?

Rose não pode responder, pois as entradas foram servidas e Dimitri mudou de assunto.

– E eu gostaria que você soubesse... Tasha. Ela é uma grande amiga minha e passou maus bocados anos atrás. Um dia lhe conto a história, mas o que eu quero dizer que somos só amigos e que fazia anos que não a via, por isso passei tanto tempo com ela.

– Você não me deve satisfações, Dimitri. – não passou despercebido o tom levemente irritado dela.

– Não, eu devo. – retrucou ele sem desviar o olhar – A Natasha, ela... é um pouco expansiva. Acho que ela não percebe isso.

– Eu percebi. – murmurou Rose, desviando o olhar brevemente antes de dar um suspiro – Está tudo bem, camarada. Sério.

– Então... você não está mais brava comigo?

– Não estou muito brava. – corrigiu ela terminando com um sorrisinho – Mas estou disposta a superar. E estou contente por Adrian ter tramado isso.

Dimitri sorriu. Novamente um daqueles sorrisos que fazia o coração de Rose parar.

– Eu também estou.

Mudaram de assunto para algo mais leve. Dimitri perguntou a Rose como ia a faculdade e os minutos seguintes se passaram com ela fazendo-lhe um relato completo de suas aulas e matérias, sentindo-se orgulhosa por estar indo bem e se tornando uma aluna com grande potencial de carreira após se formar. Dimitri ouvia orgulhoso e embriagado por suas palavras. Ele sempre soube que Rose seria bem sucedida em qualquer coisa que ela seguisse.

Foram se aproximando um do outro conforme a noite passava. Um toque de mãos, joelhos roçando, um se inclinando em direção ao outro por cima da mesa. Sem perceberam, haviam criado uma bolha ao redor da mesa que dividiam. Os olhos e sorrisos de Rose eram de Dimitri e o mesmo acontecia com ele. Mesmo após terminarem a sobremesa, permaneceram sentados, rindo e conversando enquanto degustavam vinho.

Rose recostou-se em sua cadeira e suspirou. Uma mão brincando com a taça recentemente vazia e a outra descansando em seu colo.

– Obrigada por me trazer, camarada. – Dimitri sentiu seu peito inflar. Havia sentido falta do apelido – Foi bom.

– Só bom?

Rose sorriu timidamente e revirou os olhos.

– Tá legal, você venceu. Foi uma ótima noite.

Dimitri ergueu a mão para o garçom indicando que queria a conta. Quando ele a olhou novamente, havia uma sombra de mistério em seu olhar.

– A noite ainda não acabou. – disse ele com um sorriso suave. Ele inclinou-se para ele em tom de segredo – Não sei você, mas ainda estou com fome.

Rose levou a mão a boca para abafar uma risada. A comida era maravilhosa, mas como de praxe nesses lugares elegantes, a porção não servia para os dois que comiam demais. Essa era uma qualidade que Dimitri prezava em Rose, o fato de ela não se importar com o que comia e ser boa de prato. Como ela mantinha aquele corpo era um mistério, que ele gostaria de descobrir.

– Agora que eu já te impressionei, podemos ir comer de verdade. – brincou Dimitri enquanto esperavam o manobrista trazer o carro – Qual o tamanho da sua fome?

– Dimitri, você não precisa se esforçar para me impressionar. – retrucou Rose com honestidade olhando-o de soslaio – Se tivesse chegado em casa com cachorro quente e refrigerante eu já te acharia demais.

Em resposta, Dimitri sorriu timidamente. Havia algo novo em sua expressão que Rose não sabia o que era, mas que a deixou satisfeita. Era suave e leve, com um quê de admiração. O que havia provocado essa mudança, ela não sabia, mas aprovava.

Dimitri abriu a porta para Rose e quando ele sentou-se ao seu lado, sua atenção estava dividida entre a estrada e ela.

– O que você quer comer?

– Cachorro quente e refrigerante?

– Tenho então um lugar perfeito pra isso. – sugeriu Dimitri com um sorriso e dando a volta – Acho que você vai gostar.

E Rose gostou. O local era um pequeno estabelecimento no final da cidade. Um daqueles cafés 24hrs, com mesas retangulares cobertas com toalhas quadriculadas e garçonetes de uniforme branco e avental vermelho. Mais clichê impossível. Rose se sentiu deslocada naquele lugar descontraído com suas roupas elegantes, mas Dimitri parecia muito a vontade, cumprimentando as pessoas pelo nome e andando com segurança para uma mesa.

– Acho que você vem aqui bastante.

Os dois se sentaram, um de frente ao outro, e uma garçonete de meia idade foi atende-los.

– Olá, detetive. O de sempre?

Dimitri riu baixinho.

– Um pouco, é. –Ele vira para a mulher, que usava um crachá indicando seu nome. Anne. – Desta vez vou querer algo diferente. – Dimitri olhou para Rose – Dois cachorros quentes e uma coca?

– Perfeito pra mim. – respondeu ela com um sorriso para Anne.

– Saindo dois cachorros quentes no capricho. – Anne anotou e deixou a comanda na mesa – Irei avisar Javi que está aqui, Dimitri.

– Obrigado.

Rose olhou-o intrigada com o que havia acabado de acontecer e Dimitri abriu um sorriso tímido.

– Meu primeiro caso em Nova Orleans foi aqui. Houve um homicídio, coisa passional, mas que virou uma bola de neve. Javi, o dono, me ajudou e fico muito agradecido por eu ter resolvido o crime. O filho dele era acusado como culpado, mas no final descobri que ele era só mais uma vítima.

– Armaram contra ele? – Dimitri assentiu – Nossa. Mas você resolveu tudo. Ele vai te agradecer pelo resto da vida.

– Provavelmente. – seu sorriso sombrio se suavizou – Desde então sempre que posso eu venho aqui. Além da comida boa, o pessoal também é bem bacana.

Rose atribuía o fato à maneira de ser de Dimitri. Ela não conseguia cogitar a ideia de alguém simplesmente não gostar dele. Era impossível.

Dando continuação à noite agradável que se iniciara no restaurante, o ambiente descontraído da lanchonete deixava ambos mais a vontade e confortáveis. Dimitri estava mais relaxado que nunca ao seu lado e, como ele havia afirmado, Rose adorou o local, tanto as pessoas quanto a comida. O tempo pareceu voar dali em diante a rápido demais, Dimitri a estava estacionando em frente à casa de Rose.

Ele a acompanhou pelo caminho até a varanda, os dois conversando baixo. Eles não queriam se despedir. Dimitri gostaria de estender a noite, de transforma-la em dia com Rose ao seu lado. Mas ele lembrou a si mesmo que deveria ir embora.

Dimiitri inclinou-se para despedir-se de Rose ao mesmo tempo em que ela se virava e erguia o rosto para ele. Os dois, tomados pelo choque da aproximação, pararam a poucos centímetros um do ouro. As pontas de seus narizes se tocaram.

O tempo ficou em suspenso. Apenas alguns segundos para quem visse de fora, entretanto, a troca de olhar, cheio de desejos e dúvidas, parecera uma eternidade para Rose e Dimitri, absortos um no outro.

O medo pairava sobre ambos e, além deste, partilhavam os mesmos pensamentos. Talvez não exatamente, porém, semelhantes. Deveriam eles se render ao desejo já há muito acumulado? Ou isso mudaria todo o rumo do que haviam construído, toda a magnifica expectativa de um sobre o outro? Isso os causaria constrangimento tal que se afastassem ou tudo esses pensamentos era só o medo de se render falando mais alto?

O bom senso de Dimitri falou mais alto deu um passo para trás e sorriu de leve, abaixando a mão a meio caminho do rosto de Rose. O sorriso suave não chegava aos seus olhos, que eram quentes nos de Rose. Não passou despercebido a ela, porém nada disse.

– Tenha uma boa noite, Roza.

Seu sotaque estava pesado, a voz quase dolosa.

– É... você também, camarada.

Dito isso, Dimitri virou-se e dirigiu-se até seu carro e Rose subiu os degraus da varanda até a porta de casa.

Ambos sentiam um misto de ansiedade e decepção, ignorantes do fato de que seus pensamentos andavam juntos, como a maior parte do tempo desde que se conheceram.

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Notas finais
Oooooooooooooooi gente

Não me odeiem pela demora em postar e nem me odeiem por ter insistido na briga Romitri por mais de um capítulo. Aguentei firme a revolta geral, mas agora vem a compensação de vocês! :D Eu disse que tinha planos...

Esse capítulo ficou enorme, mas não consigo vê-lo sem alguma dessas cenas. Eu TINHA que por o Adrian ajudando os dois, e tinha que fazer uma cena de reconciliação digna de Romitri e cheia de amor por conta dos últimos capítulos tensos. Mas eu acho que vocês não vão ligar muito....

Eu já tenho o resto da fic praticamente COMPLETA aqui comigo. Faltam 3 capítulos para finalizar. Mas calma, pra vocês ainda está longe, só queria avisar que agora vocês não sofrerão tanto com a demora, okay? ;D

Enfim.. espero que tenham gostado desse cap e da reconciliação!!! Me digam, o que acharam??

E agora, que os dois voltaram a ser amigos, as coisas estão um pouco mais mudadas. Duvido que vocês adivinhem o que virá no próximo capítulo! :D

bjinhos!

@soufflebowtie