Enchanted

9 Capítulo 9 - Good Night


Notas iniciais
"O destino, às vezes, nos prega peças que nos fazem chorar. Noutras, nos prepara surpresas que mudarão nossas vidas para melhor."

\"\"

Covarde.

Era essa a definição de Dimitri para si mesmo. Desde que conhecera Rose, meses atrás, tinha vontade de selar seus lábios nos dela e sentir seu gosto que, ele tinha certeza, seria doce. Tentara, e falhava miseravelmente, abafar seus sentimentos. Dizia a si mesmo que eram amigos e que sua idade e profissão não coincidiam com o futuro promissor da jovem. Que ela, provavelmente, possuía outra pessoa em sua vida – o que ele sabia que não era verdade pela conversa que tivera com Adrian no começo da semana, mas Dimitri era bom em se enganar.

Os argumentos eram muitos, porém nenhum era verdadeiro ou forte o bastante para fazer com que Dimitri recuasse. E de todas as despedidas que tiveram, nunca houve momento mais oportuno como àquele para que o sonhado beijo acontecesse.

E ele deixara a chance escapar por entre os dedos.

Amaldiçoou-se cem vezes por isso. Dimitri Belikov, o policial durão que não temia entrar na mira de um revolver, que não temia lidar com a escória da sociedade, temendo dar um passo na relação estável que possuía. Como ele poderia amar e ao mesmo tempo temer a mulher que entrara num rompante em sua vida?

Temer? Sim. Temia a capacidade de Rose de fazê-lo pensar em algo além do trabalho; de fazê-lo querer algo mais na vida, de idealizar um futuro. Dimitri via tudo preto no branco e Rose viera com seus tons de cinza bagunçar a sua vida. Uma adorável e encantadora bagunça. Imaginar-se descobrindo o sabor de seus lábios e como seria acordar com os raios de sol sob a pele perfeitamente morena já o aterrorizava o suficiente.

Havia ficado louco ao vê-la com Adrian naquele dia fatídico. Como se não bastasse a ideia de ele a estar importunando no meio da rua, Dimitri quase não suportou quando os viu jantando juntos. Como Adrian ousava tocar na pele que ele... Não! Por Deus, eles deveriam ser somente amigos. Nada a de idealizações e desejos. Nada de ciúmes. Ele era muito amigo de Rose, sim, mas seus sentimentos por ela não era comparado o afeto quase paterno que tinha por Tasha. Rose o fazia queimar com o simples toque.

Suspirou e olhou pela janela do carro. Não teve coragem de dar a partida e ir embora. Continuava em frente à casa de Rose feito um amante perdido em seus anseios. Como Romeu no balcão de Julieta.

Enganava apenas a si mesmo, achando que Rose não havia plantado raízes firmes, fortes e fundas em seu coração e alma. Havia sido arrebatado pelo amor, mas achando que, se não admitisse em voz alta, ele – o amor – tornar-se-ia insignificante o suficiente para ser ignorado; Mas apenas crescera cada vez mais forte e frondoso, deixando em frangalhos suas forças e autocontrole.

Não podia mais se enganar. Não podia mais ignorar o fato de estar completamente apaixonado por Rosemarie Hathaway. Seu amor era tão grande e tão forte que não lhe cabia no peito e a cada vez que a via, que ouvia sua voz e sentia seu cheiro, intensificava.

Perder o autocontrole era raro. Mas naquela noite, aquela noite em especial, ele gritou em sua mente um foda-se bem alto e largou tudo para o alto.

Tirou a chave da ignição e saiu do carro sem pensar duas vezes no que fazia. O jardim de grama curta e verde, bem cuidado, parecia imenso abaixo de seus pés. Qualquer centímetro longe de seu destino tornava-se milhas que o separavam de seu coração.

Correu.

Apenas algumas passadas até chegar ao ponto que despedira minutos atrás, ao pé da varanda.

Deveria tê-la beijado quando tivera a oportunidade. Ele faria que a oportunidade viesse (novamente) até ele.


Após se despedir de Dimtiri, um vazio instalara-se no peito de Rose. Uma sensação fria e de desamparo que ela não conhecia.

Ao trancar a porta atrás de si, recostou-se na madeira e a bolsa caiu de sua mão flácida. Inspirou fundo fechando os olhos e contou até dez. Ou pelo menos tentou, pois seus pensamentos foram bombardeados pelas imagens da noite, fazendo-a sorrir em recordação.

Dimitri a fazia sentir tão completa. Tão feliz. Tão ela. Nunca havia sentido dessa forma com ninguém, nem mesmo com Adrian. Era uma alegria tão imensa, tão absurda, que a desnorteava e lhe tirava o fôlego, como se pulasse de paraquedas em queda livre.

A sensação era incrível e assustadora.

Abriu os olhos e correu silenciosamente até a janela da sala. Observou por um vão da cortina branca que o carro de Dimitri continuava ali, embora não fosse possível vê-lo de onde estava.

Um súbito desejo subiu-lhe o estômago, provocando as tais borboletas que ali residiam desde seu primeiro encontro com o russo.

Nunca desejou alguém tão ardentemente como desejava Dimitri. Há alguns minutos, ao se despedirem, imaginou que ele a beijaria. Mas não o fez. E Rose se viu decepcionada. Queria que ele a tivesse beijado. Queria tanto que não sabia como manejou despedir-se e andar até dentro de casa. Gostaria de sentir seus lábios quentes tocando os seus e, de alguma forma, sabia que esses lábios a levariam para terras desconhecidas e mágicas.

Naquele momento, então, Rose teve uma revelação sobre ela mesma. Algo que era tão óbvio que não compreendia como era cega até então.

Entendia, finalmente, o olhar de Adrian e seu tom de voz quando falava de Sydney. Entendia o que ele disse sobre Rose não se deixar ser feliz. Com seu rompimento com Adrian, ela prendeu-se a esse sentimento de auto piedade que lhe cegou e ensurdeceu, e nada mais via do mundo. Não percebeu também que, embora tivesse sido muito feliz com Adrian, não era plenamente feliz com ele. Ela o considerava mais como um grande amigo e irmão que como um amante. Rose não amava Adrian. Não do jeito que ele merecia e a amou. Ele percebera isso antes dela e seguiu em frente. Rose, por outro lado, havia parado no tempo.

Até a noite no Cafe do Mondo. Quando conhecera Dimitri Belikov e a retirara de seu torpor. As paredes que ela havia construído ao seu redor cuidadosamente, para impedi-la de sofrer, achando estar mais segura assim, começaram a tremer naquele encontro e conforme seu relacionamento com Dimitri se fortalecia, elas se enfraqueciam. Até caírem completamente naquela noite mais cedo, com Dimitri humildemente em sua porta querendo-a de volta.

Entendeu que o amor não apenas redime, mas transforma, de dentro para fora. É-lhe inato te fazer ser melhor, te fazer evoluir como pessoa. E desde que Dimitri estava ao seu lado, era assim que Rose se sentia.

Tomada pela determinação e certeza, pela primeira vez, do que ela realmente queria, Rose afastou-se da janela após conferir que o carro permanecia silencioso na rua e correu até a porta. Lutou contra as chaves, que pareciam chacoalharem-se propositalmente a impedindo de abrir a porta que a separava daquele que chegara devagar e lhe dominara o coração.


O destino, às vezes, nos prega peças que nos fazem chorar. Noutras, nos prepara surpresas que mudarão nossas vidas para melhor.

Quando Rose finalmente abriu a porta e saiu para a varanda, Dimitri chegava aos pés da escada.

– Eu esqueci algo... – disse Dimitri subindo o primeiro degrau – Algo muito importante.

– Sim? – Rose sentia dificuldade em respirar, tamanha emoção.

– Eu não... – o segundo degrau fora avançado – Não me despedi de você. Corretamente.

– Eu também não.

Dimitri chegou ao alto da varanda e Rose cruzou o espaço que os separava. Não havia mais o que ser dito. Nenhum tempo mais fora perdido. Seus lábios se encontraram, esmagando-se com força e necessidade. Um abraçado ao outro como um bote salva-vidas em meio a uma tempestade.

Quando o ar fez falta, se permitiram afastar o rosto o suficiente para suprir a necessidade. As mãos de Dimitri descansavam na base das costas, puxando-a para mais perto. Subiram para seus braços, pescoço e rosto, tocava-a como se precisasse afirmar de que Rose estava ali e que não fora vítima de um sonho.

– Roza... – Dimitri gemeu apaixonadamente, puxando seus lábios para mais um beijo. Ela era a água que ele buscava em meio de seu deserto particular. – Eu pensei que teria que implorar por um beijo seu. – confessou-lhe sem timidez, provocando uma suave e baixa risada desprovida de ironias de Rose.

– Camarada... — Soprou, tomando seu rosto nas mãos e encarando os olhos brilhantes e chocolates — Você teria que implorar para que eu parasse.

– Nunca faria isso.

Nenhum dos dois precisava de qualquer confirmação de seus sentimentos mútuos. Viam no olhar e nos gestos que estavam perdidos. Que pertenciam um ao outro e nada poderia mudar ou se meter entre eles.

Beijaram-se novamente. Confiando no tato, Rose recuou em busca da porta, mas encontrou-se com a parede. Dimitri não encarou isso como um empecilho: pressionou-a contra a parede, absortos novamente em sua bolha particular.

– Você não quer entrar? – convidou sem ar ouvindo como resposta uma risada abafada – O que? Estou apenas sendo educada. Além do mais, não acho que os vizinhos gostariam de se deparar com essa cena.

Dimitri desceu os lábios por seu pescoço, dando-lhe mordidinhas de leve em sua pele a fazendo arrepiar. Em seguida, encostou sua testa na de Rose e sorriu. Seus olhos brilhavam em contentamento e excitação.

– Você tem razão, Roza. – concordou, esticando o braço para abrir a porta – Eu também não gostaria que eles vissem o que somente eu deveria ver.

Rose arrepiou-se em antecipação pela promessa implícita em sua voz rouca e carregada pelo sotaque, e não encontrou sua voz para responder-lhe. E nem precisou.

Puxou seu rosto reclamando os lábios que a faziam esquecer-se do mundo e deixou-se apenas ser carregada pera dentro de casa nos braços do homem que amava.

– Dimitri – chamou-o com urgência. Precisava dizer-lhe o que havia abafado por tanto tempo. Ou sufocaria. – Dimitri eu preciso te dizer. Por que desde que te vi no Cafe, desde aquele momento, eu acho que soube que o final seria esse. Que desde que nos tornamos amigos eu sabia que eu não queria apenas ser sua amiga. Que você é incrível, e me faz arrepiar e me provoca borboletas no estomago e... – ela suspirou, os olhos cheios d’agua. Por que chorava? – Dimtri, eu te amo. Eu estou apaixonada por você.

O olhara do outro era indefinido. Estava possuído por tamanha emoção que não cabia em si. Dimitri limpou suas lágrimas delicadamente e beijou-lhe as bochechas úmidas.

– Que bom, Roza. – responde num sussurro que acariciava sua pele – Por que eu também te amo. E não pretendo ir a lugar algum.

Com um sorriso espelhando o da amada, voltaram a se beijar e esqueceram se do mundo.

\"\"

Notas finais
THARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAM!!!!

Depois de tortura-las com brigas e uma despedida, surpreendo-lhes com uma cena linda e romântica e BEIJO ROMITRI! haha o cap ficou curtinho, eu sei, mas é só pra focar nos sentimentos nos dois e quando eles se declararam um ao outro. Posso fazer uma promessa? Os próximos capítulos serão... quentes. ;)

Um super agradecimento à beta Mands (Sunnyday) por me ajudar a incrementar esse capítulo. Não seria o mesmo sem você. ;) ♥

Até mais!

@soufflebowtie