Enchanted
3 Capítulo 3 - I Run To You
Notas iniciais
- Eu não disse isso. - O olhar de Rose o impediu de mentir completamente. Sim, ele havia pesquisado ela. Sabia onde morava e os nomes de seus pais, e sabia que sua adolescência havia sido bem... Animada. Mas não diria isso a ela. - Posso ter perguntado de você.
- Dimitri Belikov! - Rose exclamou entrando no carro, com um ar assombrado, mas divertido - Você é um stalker. Um perseguidor! Não acredito nisso!"
Janine Hathaway foi uma agente federal. Uma das melhores era o que Rose ouvia. “Determinada, habilidosa e destemida”. Portanto, Rose cresceu sob os princípios rigidamente formados da mãe sobre o certo e errado, as consequências de seus atos e a necessidade de ajudar a quem precisa (principalmente quando este não sabe que precisa ou é incapaz de pedir por ajuda).
Contudo, o trabalho da mãe a fez ausente. Janine viajava frequentemente, deixando sua filha aos cuidados dos atenciosos Dragomir, fortalecendo o laço de amizade entre Rose e Lissa e enfraquecendo o relacionamento de mãe e filha, que se viam cada vez mais distante. Então, tal qual Chapeuzinho Vermelho, apesar dos esforços da mãe para que sua filha trilhasse um caminho correto, Rose arriscar-se pela floresta. Metia-se em brigas, seu rendimento escolar era na média – apenas o suficiente para passar de ano, Rose se certificava disso – bebia e saía escondido durante a noite, seja para frequentar festas ou para ficar com alguém por ai. Eram poucos os casos que chegavam aos ouvidos dos pais da melhor amiga, que a acompanhava na maioria das vezes.
Rose era uma pessoa singular. Apesar do seu imã para problemas, era não era uma má pessoa ou algum tipo de rebelde sem causa, que sai fazendo besteiras por ai. Ela estava apenas perdida. E não tinha consciência disso. De certa forma, os ensinamentos de sua mãe ficaram marcados nela. Ela não se recusava a ajudar alguém e por vezes ajudava antes mesmo de pedirem. Enquanto estudava, era uma das principais líderes contra o bullying, só que ao invés de lidar com isso de maneira civilizada, preferia acertar os problemas com os próprios punhos. Nunca usou drogas e repudiava o ato, certificando-se em ficar longe do tipo de gente que mexia com esse perigo – e assim, distanciando também sua amiga. E, acima de tudo, possuía um bom e enorme coração. Tinha a habilidade de por as necessidades dos outros, principalmente as de Lissa, frentes às suas.
Apesar dos pesares, formou-se no colegial e, para a surpresa de todos – especialmente de sua mãe que, mesmo distante, sabia mais sobre a vida aos tropeços da filha que os Dragomir – foi admitida no curso de Direito. Rose tinha um plano. Havia decidido que o que fazia melhor era ajudar às pessoas, e que deveria levar isso adiante, tornando-se uma grande advogada e defendendo os “fracos e oprimidos”. Mas ela não imaginava que o curso seria tão entediante e que a vida agitada e aventurada só acontecia nos filmes e seriados que via.
O momento mais emocionante de sua vida universitária ocorreu dois dias depois que se encontrou com Dimitri no parque. Para variar, o detetive esteve envolvido, mas não foi exatamente um bom reencontro, pelo menos em curto prazo.
– Rose?
A voz do homem fez-se ouvida na manhã de segunda. Incrédula e surpresa, ao ver a jovem ser escoltada por dois policiais delegacia adentro. Um deles tinha um olho roxo e o outro a trazia algemada. Rose fechou os olhos e amaldiçoou-se mentalmente. Os policias pararam e encararam o seu superior, inexpressivos.
– A conhece, Belikov?
– O que você está fazendo aqui? – indagou ignorando a pergunta – Rose, o que você fez? Por que está algemada?
– Eu... ér... – a moça pigarreou, visivelmente desconfortável por estar em sua presença – Eu me envolvi num pequeno problema, nada demais. Lugar errado, na hora errada.
– Foi invasão de propriedade, detetive. – informou o policial que a segurava firmemente no braço.
– E desacato a autoridade. Não se esqueça disso. – Dimitri olhou para aquele que ostentava o olho roxo. – Essa mocinha está encrencada.
– Você fez isso? – Apesar do descontentamento na voz, os olhos de Dimitri brilharam em diversão, embora só Rose fosse capaz de reconhecer isso. Ele então olhou para os dois homens e indicou a cabeça até a sua sala – Eu cuido disso, rapazes. Você vai cuidar desse seu olho. E tirem essas algemas.
Os policiais estacaram diante à ordem.
– Mas... Senhor... – começou o homem machucado – Ela-
– Isso é uma ordem.
Diante à voz séria e inflexível, obedeceram. Rose acompanhou-o em silêncio e Dimitri mandou o policial que parecia mais tranquilo – talvez por não ter sido vítima dos punhos da jovem – voltar em alguns minutos.
– O que aconteceu? Diga-me tudo, sem enrolar ou mentir, Rose.
Ela revirou os olhos e cruzou os braços à altura do peito. Aquilo era horrível. Humilhante. Ser presa e ainda por cima cair no turno de Dimitri. O que ele pensaria dela agora?
– Eu estava investigando. – esclareceu. Diante às sobrancelhas erguidas e olhar inquisidor do outro, ela sentiu-se pequena. – Consegui um estágio pela faculdade e tem esse caso que estou envolvida. Violência doméstica. Eu queria fotos para provar que ele abusa da família.
– E você invadiu a propriedade por que...
– Porque o cara é rico. Não é nenhum poderoso de Nova Orleans, mas rico o bastante para comprar o silêncio. A filha dele está desesperada e veio até mim. Ela fez B.O. contra ele a alguns meses, mas na época não deu nada. Ele tem se tornado cuidadoso, Dimitri. Há várias formas de violência que não são através da força bruta.
– Por que você não a orientou para vir dar parte na delegacia?
– Claro, funcionou muito bem meses atrás, não é? E porque da última vez que ela fez isso... – Rose inspirou fundo e mordeu os lábios – Ela disse que foi uma semana horrível em casa. Ela não quis entrar em detalhes, mas, caramba! Eu posso sentir o medo dela! Eu preciso ajudá-la!
– E por que você não veio até mim?
Rose olhou-o confusa. Dimitri cruzou os dedos sobre a mesa e a encarou suavemente.
– Eu sou a lei, Rose. Você a aplica. Se tivesse vindo até mim e me contado tudo, eu poderia te ajudar e, certamente, você não seria presa.
– Mas é que da ultima vez –
– Eu quis dizer para você vir até mim. Eu não estava aqui até alguns meses atrás. Poderia abrir uma linha de investigação, poucas pessoas saberiam, não chamaria a atenção e teria a ajudado.
Rose se sentia uma tola. Estava tão acostumada a resolver os as coisas sozinha, acostumada à sua independência. Poderia ter se aconselhado com Dimitri, pedido alguma ajuda. Ele tinha razão, teria economizado problemas. E agora estava ali, sentada diante o bom homem feito uma criminosa, quanto tudo que queria era ajudar. Envergonhada e humilhada eram eufemismos.
– Eu não pensei.
– Eu sei que não. – Seu olhar tornou-se divertido – E o que aconteceu entre você e James?
– Ah, bem, quando chamaram a polícia eu sai correndo, mas eles chegaram rápido demais. Ele correu atrás de mim e me derrubou no chão. Foi reflexo, Dimitri, eu juro! Quando ele me agarrou, eu perdi a noção, simplesmente desferi o golpe, eu não...
– Você não pensou. – concluiu ele. Rose concordou com a cabeça. – Parece que você tem problemas com impulsividade.
Não era a primeira vez que ela ouvia isso.
Três batidinhas na porta anunciaram a volta do policial, que pôs a cabeça para dentro pedindo permissão para entrar.
– Ah, Martin. Terminamos aqui. Só gostaria de ouvir a sua versão dos fatos.
O policial, que apesar de grande parecia bem jovem, entro e ficou em pé em frente à mesa. Sua expressão era indecifrável, mas a voz denunciava que ele não estava irritado e parecia satisfeito.
– Ouvimos o chamado pelo rádio e atendemos, já que estávamos a duas ruas dali. Vimos a moça pular o muro e começar a correr. James, então, pulou para fora do carro e correu atrás dela. – Rose podia jurar que viu um minúsculo sorriso em seus lábios – Bem, senhor, com todo o respeito, essa é a primeira patrulha do policial, creio que ele estava ansioso demais, o que acabou sendo um pouco... Duro com a moça. Se me permiti, ele mereceu o olho roxo. Antes de sair do carro ele contou vantagem dizendo que seria fácil demais pegar aquela “gatinha”. – Seu olhar endureceu e virou-se para Rose – Sem ofensas, senhorita.
– Você viu os dois brigando?
– Vi que ele a derrubou e se atrapalhou na hora de pegar as algemas. Pareceu que ela tentou fugir dele mais uma vez, mas a ultima coisa que vi antes de chegar foi o grito de James. No momento que eu parei a viatura a moça havia se afastado dele, mas não ofereceu resistência.
– Você leu os direitos dela?
– Sim, senhor.
Dimitri olhou para Rose, pedindo confirmação.
– Sim, ele fez isso.
– Martin, gostaria que você chamasse James aqui. Eu tenho uma tarefa importante para vocês que tem haver com o ocorrido hoje. – O policial assentiu e retirou-se. Dimitri aproveitou o momento e virou-se para Rose novamente – Quanto a você, desta vez não vai ter problemas, mas, Rose...
– Eu sei, eu sei. Entendi camarada. Na próxima vez irei te chamar antes de fazer alguma besteira.
– Por favor, sim? Não posso prometer que irei conseguir livrar você.
Eles se encararam numa promessa silenciosa. Rose nunca tinha ido parar na delegacia, mas teve sorte de Dimitri estar lá em sua estreia. Ela não gostaria de repetir o feito.
Dimitri não apenas iria suavizar a situação dela, como também a ajudaria no caso. Quando Martin voltou acompanhado de James – cujo qual Rose pediu diversas desculpas pelo soco – o detetive legou-os a investigar o caso em que Rose trabalhava.
– Você é uma advogada, Rose. Não é policial ou detetive. Você tem apenas que defender sua cliente, deixe a parte das provas conosco.
Ela não pareceu muito contente em ser deixada de lado neste quesito e Dimitri se perguntou se ela estava fazendo a coisa certa. Advogar era um trabalho cansativo, cheio de leituras e exigia uma boa lábia. Esse último, ele tinha certeza da habilidade de Rose, porém, ela era ansiosa e ativa, sem contar impulsiva. Não exatamente o perfil de uma advogada. Ela se daria melhor na área dele.
Dimitri a acompanhou até a rua após ter delegado os policiais.
– Obrigada pela ajuda, camarada. Não apenas por... Bem, você sabe.
– Por quase ser presa. – completou divertido – Não foi nada. Tome mais cuidado, ok? E não saia pulando muros das pessoas por ai.
– Pode deixar. Irei tentar me comportar.
Eles se encararam e um momento de silêncio cumplice se passou. Rose então suspirou e ajeitou a bolsa a tiracolo.
– Bem, vou nessa então. Preciso tomar um bom banho depois de toda agitação de hoje.
– Quer que eu te leve? Está na hora do meu almoço.
– E te impedir de comer? Eu estou bem, não é a primeira vez que volto para casa a pé.
– Você não vai me impedir de comer, Rose. – retrucou Dimitri, tirando as chaves do bolso – Eu te levo para casa. Não vai tem problema algum. Faço questão.
Rose pressionou os olhos e sorrio de maneira divertida, Dimitri soube antes de ela abrir a boca que iria fazer uma piada.
– Tudo bem, já que você quer tanto saber onde eu moro, eu deixo você me levar.
Dimitri riu por dentro, mas manteve o rosto tranquilo enquanto andavam até o carro dele.
– Eu não preciso te levar pra casa para saber onde você mora. Eu sou um detetive, lembra?
– Então quer dizer que você já pesquisou por mim?
– Eu não disse isso. – O olhar de Rose o impediu de mentir completamente. Sim, ele havia pesquisado ela. Sabia onde morava e os nomes de seus pais, e sabia que sua adolescência havia sido bem... Animada. Mas não diria isso a ela. – Posso ter perguntado de você.
– Dimitri Belikov! – Rose exclamou entrando no carro, com um ar assombrado, mas divertido – Você é um stalker. Um perseguidor! Não acredito nisso!
– Eu preciso saber com quem me relaciono. – defendeu-se dando a partida no carro. – Não posso evitar, Rose. É mal de policial.
– Meu Deus, camarada você é um controlador! – zombou Rose, rindo – Posso até imaginar, quando a sua filha for apresentar o namorado dela. Você estará esperando com uma arma do lado.
– Não seja exagerada, Rose. Claro que não. – Dimitri franziu a testa, pensando melhor no assunto. Ele era louco por crianças e com certeza sua filha seria muito bem protegida de qualquer aproveitador. A ideia de Rose de repente não era assim tão absurda. – Mas talvez eu faça uma investigação completa sobre o cara.
Rose gargalhou. Era a primeira vez que ela a ouvia gargalha. O som era tão incrível que ele pode apenas sorrir, apreciando a melodia. Será que ela tinha ideia do quão encantador e interessante ela era? Gostaria de perguntar se ela tinha um namorado, mas seria uma pergunta absurda. Não era como se ele estivesse interessado nela neste sentido. Dimitri gostava dela, eles estavam se tornando bons amigos. Só gostaria de saber se a pessoa com quem Rose estivesse sabia a sorte que tinha. Era seu instinto de proteção, só isso.
Ao reparar em seu silêncio, Rose para de rir para encará-lo curiosa. Uma sombra de sorriso ainda em seus lábios.
– O que foi?
– Nada. – Dimitri virou para ela e sorriu – Não foi nada. Só estava pensando.
Rose franziu a testa, intrigada. Seu silêncio súbito a pegou de surpresa, mas não era como se ele estivesse incomodado com alguma coisa. Parecia satisfeito. Talvez, pensou ela, ele estivesse pensando no que eu disse. Sobre ter filhos. Ele é o tipo de cara que deseja construir uma família.
– Está entregue. – Anunciou ele, cortando seus pensamentos. – Tente ficar longe de problemas.
Rose sorriu e olhou para ele com descrença.
– Você realmente leu a minha ficha. – disse, fechando os punhos e desferindo um golpe em seu braço. – Seu cara de pau! Nem pra disfarçar e fingir que não sabia onde eu morava.
Dimitri deu nos ombros e Rose bateu nele novamente antes de abrir a porta do carro.
– Posso confiar que você não vai invadir a minha casa?
Dimitri franziu a testa sem entender.
– Por que eu faria isso?
– Ora, você leu a minha ficha, sabe onde eu moro, tem meu telefone. Vai saber do que mais você é capaz? Eu não sei se você tem a cópia da minha chave e é um psicopata ou algo do tipo.
Dimitri assustou-se. Passara essa impressão? Antes que pudesse dizer algo, Rose pulou pra fora dando uma risada alta. Deu a volta e abaixou-se em sua janela.
– Obrigada por me trazer em casa, camarada. Pode voltar quando quiser.
Ela abriu um sorriso e, sem aviso, beijou sua bochecha. Dimitri acenou com a cabeça e se afastou, observando-a se afastar pelo retrovisor.
Sua pele formigava onde os lábios de Rose haviam tocado. Dimitri sorriu.
Notas finais
Bom, a Mary está com problemas no notebook dela, ele está possuído. É, possuído. Obra do mal para que ela não poste, mas... Não teve jeito! Eu estou aqui para salvá-las de não ter essa fanfic maravilhosa. /heroinafeelings
Sério, ela não tem o dom de ser deliciosa uma fanfic tão leve e divertida como essa?! Sou baba ovo mesmo. Enfim
PALAVRAS DA AUTORA:
"Oiii gente! E ai, curtiram esse capítulo? Pudemos conhecer mais sobre o passado de Rose e sua personalidade impulsiva e difícil, que não havia vindo à tona >>ainda
Quanto à minha pergunta passada, muitos de vcs acertaram em parte, alguns em cheio, e outros nem passaram perto - embora tenham surgido com ideias ótimas! Quem disse que os capítulos serão 'musicais' acertou! Cada capítulo terá como tema uma música (cujas faixas serão o nome do capítulo) e trechos dela no começo e no final que terão haver com a história. Não será apenas a Taylor Swift que guiará a fic - embora eu consiga ligar várias de suas músicas à vários capítulos (sou fã, me julguem, não posso fazer nada haha).
E agora, me digam vocês: o que estão achando da fic até agora? O que esperam para o futuro dela? Preparem-se para a overdose de Romitri, que é o que vocês terão, hein! hahah
beijocas!!"
Missão cumprida pessoas, não deixem de comentar e babar ovo da Mary como eu!! ;)
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