Enchanted
4 Capítulo 4 - Ordinary Day
Notas iniciais
- Se sabe, então pra que resistir?
Uma semana após o encontro na delegacia, ambos não haviam perdido o contato. Apesar de possuírem perfil em redes sociais, o tempo e a vontade de manterem-se conectados eram poucos, mas vez ou outra se permitiam vagar pelo perfil do outro, esperando que a bolinha verde ao lado de seu nome aparecesse, indicando estar online. Trocavam mensagens no celular entre os intervalos das aulas de Rose e os períodos tranquilos na delegacia de Dimitri. Mas não deixavam de se falar.
Uma dupla curiosa, Rose e Dimitri formavam.
Enquanto Rose era impulsiva e raramente segurava sua língua, Dimitri pensava duas – talvez três – vezes antes de falar ou agir e mantinha-se quieto a maior parte do tempo. Agia com cautela e precisão que Rose achava graça. Eram iguais e ao mesmo tempo tão diferentes.
Ambos tinham ânsia por ajudar aos outros, pondo-os acima de si mesmos. Não suportavam injustiças e, embora Rose fizesse de maneira torta, procuravam sempre aconselhar para o melhor. Dimitri, talvez, fosse mais sério neste último ponto. E havia o brilho no olhar, que poderia ser feroz ou animado dependendo da situação. Ambos possuíam o mesmo brilho.
Eram diferentes. Brigavam por conta disso. Tinham discussões que, às vezes, acabavam em silêncios incômodos, linhas mudas e expressões fechadas. Eram iguais, e não suportavam ficar muito tempo sem se falar. Ao final do dia – uma vez no meio da noite – se entendiam novamente.
A maior parte do tempo em que os dois passavam juntos, entretanto, ocupavam-se em tentar discernir o que sentiam. A amizade evoluíra rapidamente e um confiava no outro para o que tinha de dizer e fazer. Por mais que Dimitri fosse mais fechado que Rose, a cumplicidade entre eles era palpável e inegável. Por que não era apenas o bem estar que sentiam ao estarem perto. Ia além.
Dimitri ajudou Rose a se focar e concentrar no que fazia, a estabelecer um objetivo – que, primeiramente, era se formar. Com ele ao seu lado, ela conseguiu terminar seu trabalho com antecedência e melhorar suas notas sem muito esforço, pois com seu tempo organizado ela tinha tempo de estudar e tirar suas dúvidas.
Rose, por sua vez, distraia a mente de Dimitri do trabalho. Disse-lhe que logo andaria curvado, de tantas preocupações carregando nas costas de dentro da delegacia. Na hora, Dimitri riu, mas sabia que havia algo correto ali. Ele vivia para o trabalho até conhecê-la e depois que se tornaram amigos sorria mais (comentário feito por sua mãe, em um almoço no final de semana). Rose o relaxava e somente assim conseguia descansar verdadeiramente em suas folgas.
E, claro, havia também as mudanças que eles ainda não viam, talvez por estarem ocupados demais extasiados pela presença do outro. Aquelas mais íntimas em seu âmago: ambos cresciam juntos. A curta convivência já poderia concluir isso. De uma maneira inconsciente, um fazia o outro ser uma versão melhor de si mesmo. E isso apenas contribuía para a relação deles e a forma como eram vistos.
– Dimitri, querido, você está parecendo mais jovem. — Olena, sua mãe, havia passado em sua casa para presenteá-lo com uma cesta de pães e bolos que havia feito com suas próprias mãos. – Tem dormido direito, não é? Feito exercícios? O que tem feito de diferente?
– Nada, mama. – respondeu ele, de olho nos quitutes debaixo da toalha – Nada demais. São seus olhos.
Mas o olhar de mãe não se enganava. Olena sabia que havia algo de diferente em seu filho. Se ele não via – por incapacidade ou teimosia – ela via. E contentava-se com a mudança.
– De qualquer forma, irei com Sonya visitar os pais do marido dela essa semana. Quer que eu te traga algo de Filadélfia?
Sonya havia engravidado acidentalmente de seu namorado. No inicio, as coisas pareciam que não dariam certo, mas Rolan, o pai de seu filho, teve uma mudança logo após a primeira vez que foram fazer ultrassom e pode ouvir o coração de seu filho. O casamento havia sido comemorado sem muita festa. Parentes e amigos próximos na imensa casa que seus pais haviam comprado para os dois. Aparentemente, os dois lados da família esperavam muitos filhos do novo casal.
– Estou bem, mama. Não se preocupe. – sorriu Dimitri, dando-lhe um beijo no alto de sua cabeça – Cuide bem de Sonya. Ela não deveria estar fazendo essas viagens longas a essa altura.
– Você parece morar em algum século passado. Temos aviões agora, Dimka. – Olena riu-se com a expressão do filho – Dimitri, Sonya já está bem grandinha. Não precisa mais de babá. Ela sabe se cuidar sozinha e tem seu marido agora, que tomou chá de responsabilidade e não deixará que nada aconteça a ela nem ao bebê.
– Eu sei, mãe. Mas ela sempre será minha irmãzinha que precisa de proteção.
– Sei disso. Mas agora, Dimitri, está na hora de você arranjar alguém pra cuidar. – Dimitri revirou os olhos e andou até a porta atrás de sua mãe – E não faça essa cara. Já cansei de dizer que adoro crianças e quero ter muitos netos. Trabalhe nisso.
– Pode deixar, dona Olena. – respondeu-lhe dando um beijo de despedida – Boa viagem e divirtam-se.
– Sempre, meu filho.
A primeira coisa que fez ao ver o carro de sua mãe se afastar foi pegar o celular. Pensava em ligar para Rose, mas o que diria? Não a verdade, com certeza: Minha mãe veio cobrar um casamento e netos e só pude pensar em você. Claro que não. Assustá-la-ia. E Dimitri somente havia pensando em Rose, pois, eles andavam muito próximos e tudo que lhe acontecia tinha vontade de compartilhar com a moça.
Ela era tão jovem e tão bonita. Admirava que gostasse – e quisesse – passar tempo com ele. Sabia que as mulheres o admiravam, e o distintivo que ornamentava parecia facilitar os números de telefones femininos que chegavam até ele, mas Rose era tão nova! Nem terminara a faculdade ainda e não sabia nem ao certo o que fazer quando se formar. Quanto a ele, anos de policia o havia embrutecido até conhecê-la. Sete anos de diferença. Não era muito se considerar a idade de ambos, mas ainda assim... Dimitri hesitava diante disso. E ainda havia sua profissão de risco. Ele simplesmente não conseguia sequer imaginar algo ruim acontecendo a ela, e seria por sua culpa.
Como se tivesse ouvido seu pensamento, o aparelho em sua mão tocou, revelando o telefone e foto daquela que ele sonhava havia dias. Quando nada tinha pra fazer na delegacia, se pegava admirando a imagem, que havia sido tirada em um momento distraído dela.
– Rose. – gostaria de ter dito que estava pensando nela, mas o quão piegas poderia ser?
– Oi, Dimitri! – ela estava animada e hesitante. Conhecia-a para saber que ela tinha planos em mente e que não era uma ligação casual – Não te acordei, espero?
– Não, Roza, eu acordo antes de você qualquer dia. – respondeu com suavidade. Havia passado a chama-la de Roza sem perceber. Era seu nome em russo
– Ah que bom... Que não te acordei, digo. Não sei se acho bom acordar tão cedo assim todos os dias... – ela iria desandar a falar frases desconexas. Dimitri sentia isso. Era o que ela fazia às vezes quando ficava ansiosa ou nervosa. – Por mim o dia só começava depois do meio dia. Nada mais justo --
– Rose. – alertou-a para parar de enrolar.
– Ah, bem... – ele a ouviu inspirar fundo – Ahn, o que você tem planejado para o final de semana? Você vai trabalhar ou algo assim?
– Não, é meu final de semana de folga. Por quê?
– Bem, estamos na primeira semana de inverno, embora neve ainda não tenha dado seu ar da graça, e vi que estão montando uma pista de patinação no parque e achei que seria legal ir lá, sabe como é, patinar e tal.
Silêncio do outro lado da linha. Rose o estava convidando pra sair? Seria um encontro ou ela estava apenas sendo uma boa amiga?
– Dimitri? – chamou ela, suspeitando de que a ligação caiu – Você está ai? Quer ir patinar comigo?
– Parece uma ótima ideia. – respondeu, sorrindo consigo mesmo – Claro. Quando abre?
– Essa noite. Vão passar todo o inverno aqui, acho. É um pessoal de fora, acho que vai ter algum evento, sei lá.
– Okay, então combinado. Te busco em casa?
Rose sorriu enquanto enrolava uma mecha do cabelo no dedo.
– Claro. Às sete?
– Combinado.
Rose desligou o telefone alegremente. Tinha um encontro! Bem, talvez não um encontro, mas sairia com Dimitri, apenas os dois, para se divertirem. Eles nunca tinham feito um programa como aquele. Se ligavam, sim; Sempre que tinha tempo, Dimitri saia para correr com ela; Rose passara duas vezes na delegacia alegando estar nas proximidades e ambos acabaram almoçando ou jantando juntos. Mas os dois nunca tinham feito algum programa — como amigos, Rose insistia em sua mente.
Era excitante a ideia de ter Dimitri só para ela àquela noite.
Não que qualquer outra coisa além de risadas e patinação fosse ocorrer. Embora ela muito, muito, desejasse. Dimitri despertou algo nela na primeira noite que se viram. Rose não sabia o que, e também não tinha pressa em descobrir o que era. Só sabia ser maravilhoso. E que além de mexer com sua mente, também mexia com seu corpo.
– Rose, que sorriso é esse? — Lissa a olhava de esguelha da porta da sala. – Com quem estava falando?
– Ah, não, nada. Você sabia que vão abrir um ringue de patinação no parque? Durante esse inverno. – desconversou, sentando-se no sofá com os joelhos – E parece que vai ter apresentações e outras coisas lá também. Não é legal?
– Sim, super!
Lissa respondeu com animação, mas Rose a conhecia mais que a si própria para saber que ela estava escondendo algo. Elas eram amigas desde crianças, quando caíram na mesma sala de aula aos cinco anos de idade. São inseparáveis desde então. E Rose conhecia cada expressão, cada nuance de voz da amiga, mesmo que essa tentasse esconder.
– Liss, o que foi? – indagou apagando o sorriso – Brigou com Christian novamente?
Christian Ozera era o namorado novo de Lissa. Haviam se conhecido algum tempo após o derradeiro encontro de Rose e Dimitri. O que Lissa via nele, Rose não sabia. Para ela, Christian era apenas um cara irritante que fazia sua amiga feliz.
– Não! Christian e eu estamos ótimos! – respondeu com um aviso no olhar antes de se substituído por hesitação. – Eu recebi uma ligação ontem à noite. Mas você chegou tarde da faculdade e eu já estava dormindo...
– Vamos logo, Liss.
A campainha tocou, interrompendo-a. Lissa sentiu-se aliviada por adiar a discussão. Sabia que o que fosse dizer não contentaria Rose. E ela estava tão feliz com a ligação misteriosa que se sentia mal por ser responsável por trazer notícias que a fariam entristecer-se. Ou pior.
– Eu atendo. – disse então, se levantando – Não é nada demais. Conversamos depois, Rose.
Rose, por sua vez, não se sentia a curiosidade mórbida típica, mas sabia que deveria tirar o band-aid da ferida com rapidez. Feche os olhos e puxe sem pensar.
– É um pacote de seus pais. – anunciou Lissa voltando à sala com uma caixa quadrada não muito grande nas mãos. – Esse é da Turquia. Acho que seus pais estão fazendo uma viagem revival.
Rose encarou a caixa sem animo nas mãos da amiga. Não tinha muito interesse no que tinha dentro dela. Queria saber o que Lissa falaria.
– Liss. Por favor. – pediu com um suspiro temeroso. – Rápido e indolor.
– Okay... – ela torceu o nariz e sentou-se no sofá, botando o pacote sobre a mesa de café. – Adrian me ligou ontem. Ele está vindo te ver.
Rose prendeu a respiração, o rosto inexpressivo.
– O que ele quer?
– Não sei, ele não disse. Ele quer te encontrar.
– Por quê?
– Não sei, Rose! Não sou profeta, caramba! Mas... – Lissa esticou a mão e segurou a da amiga com força, para que ela não a retirasse – você não precisa vê-lo. Se não quiser. Ele disse que virá de qualquer jeito, mas que você não é obrigada a nada.
– Eu estou bem, Liss. Posso ter uma conversa civilizada com meu ex. – Lisa pendeu a cabeça, duvidando das palavras da amiga. Rose respirou forte e com brutalidade se livrou do da mão de Lisa, levantando-se a seguir. – Eu estou bem. Já se passou um ano, porra. Quando ele vem?
– Não sei... ele disse que tem umas coisas pra organizar em Miami, mas que tentaria vir logo. Vai tentar na próxima semana ou na outra.
– Okay.
Silêncio.
– Rose?
– Vamos abrir a caixa do casal feliz? – indagou Rose. Sua voz era desprovida de qualquer indicação de seu estado de espírito – Deve ser mais alguma coisa que eu não irei usar.
Enquanto Rose abria a caixa, Lissa a observou atentamente, tentando desvenda-la. A morena era perita em esconder seus sentimentos por trás de uma máscara de insolência ou inexpressão. Raramente Lissa conseguia ultrapassar essa barreira que Rose havia erguido ao redor de si. Rose não facilitava e Lissa, por sua vez, não se esforçava o bastante, para evitar quaisquer conflitos.
– Mandaram alguns lenços. – Rose retirou panos das mais variadas cores e texturas e jogo sobre a amiga – São bem bonitos. E tem um cartão. “Bla, bla, bla, Turquia é linda, bla bla bla, estamos com saudade” isso foi o Abe que escreveu, claro. “Bla bla bla, mês que vem estamos de volta.” Nenhuma novidade.
– Rose. – ralhou Lissa, desviando o olhar dos lenços – Menos ingratidão.
– Não estou sendo ingrata. Só comentei, não há mesmo nenhuma novidade. Os cartões são basicamente os mesmos, assim como os e-mails. Nem sei por que se dão o trabalho de escrever. E eu de ler.
Lissa não respondeu para evitar estender o assunto e ambas focaram-se em tocar e experimentar cada lenço, antes que Rose tivesse que sair para a sua primeira aula àquela manhã.
As sextas-feiras eram tranquilas, o horário começava mais tarde e acabava mais cedo, de forma que às seis horas estava de volta em casa. Subiu as escadas correndo para tomar banho e se arrumar, para que às sete horas, Dimitri não precisasse ficar esperando.
Sua maior preocupação era Lissa e ele no mesmo cômodo. Não que ela tivesse vergonha de sua nova amizade, a qual Lissa tinha conhecimento, mas gostaria de guarda-lo apenas para ela, pelo máximo de tempo que pudesse. Dimitri era seu refúgio e gostaria que continuasse assim.
Felizmente, depois do banho, ao descer para tomar um copo d’água, vislumbrou um bilhete assinado por Lissa grudado com imã na geladeira, avisando que iria dormir na casa de Christian. Rose bem sabia que eles gostavam de privacidade, e como ele morava sozinho, nos últimos dias Lissa havia ido dormir várias vezes em sua casa – embora dormir não fosse bem o que eles fizessem.
Pontualmente, às sete horas, a campainha soou. Rose estava pronta, de jeans e blusa básica de manga comprida na cor roxa, os cabelos compridos presos em um rabo de cavalo alto e casual.
– Cheguei muito cedo? – indagou o homem, que usava seu inseparável casaco preto comprido, que Rose relacionava aos cowboys.
– Não, já estou pronta. Quer entrar e beber alguma coisa ou já podemos ir?
– Estou bem, obrigado. – Rose então se abaixou atrás da porta para pegar a sacola onde guardara os patins especiais e trancou a porta atrás de si, após Dimitri insistir em carregar suas coisas. Dentro do carro, a conversa fluía facilmente. – Você tem o costume de patinar?
– Menos do que eu gostaria. Não tenho tempo de ir ao ringue, mas quando éramos menores os pais de Liss nos levavam para patinar. Chegamos a fazer um curso juntas. E você?
Dimitri, sem tirar os olhos da rua, sorriu. Rose reconheceu aquele sorriso suave que ela gostava. Ele estava prestes a dar-lhe uma parte de si, uma lembrança de seu passado, provavelmente em seu antigo país.
– Tinha um lago perto de casa, lá em Baia. Quando eu era pequeno eu via as pessoas grandes patinando e queria me juntar a elas. Minha mãe me achava novo demais pra me aventurar sobre duas lâminas, mas um inverno minha avó comprou-me patins e saiu comigo todos os dias de manhã para me ensinar a patinar.
– Sua vó me parece ser daquelas que estragam os netos. – Rose riu, tentando imaginar um Dimitri criança se equilibrando sobre as lâminas.
– Ah... – ele sorriu saudoso e encolheu os ombros em diversão – Nem sempre. Na verdade, sempre tivemos um pouco de medo da vovó. Ela pode ser bem rígida quando quer e acredita piamente que não ganhamos coisas e sim as merecemos.
Rose riu e a conversa seguiu até o parque.
Luzes e barraquinhas de doces e salgados preenchiam o caminho até a pista de patinação. Crianças corriam, casais namoravam e amigos se divertiam. Uma versão noturna do parque durante o dia. Havia lugares para alugar patins e até carrinhos especiais para crianças pequenas. Apesar de estar cheio, não estava lotado, satisfazendo aos dois.
O tempo que passaram patinando rendeu Rose o melhor encontro – como amigos – que ela já teve. Tudo porque ela pode ouvir a risada de Dimitri e sentir sua presença ali ao seu lado. Ele, que sempre parecia se segurar, pronto para entrar em ação a qualquer momento, estava parcialmente livre das amarras nas quais Rose estava acostumada. Pode ver o brilho em seu olhar e satisfação em sua expressão.
Como quando se conheceram, perderam a noção do tempo. A pista diminuiu o movimento, mas os dois não estavam a fim de ir embora. Queriam ficar e aproveitar a companhia um do outro por mais tempo.
– Eu sei andar de costas melhor que você – gabou-se Rose ao ver Dimitri tentar. — Isso que dá ficar anos sem praticar, camarada.
– Eu aprendo rápido, Rose. Cuidado. – prometeu ele mexendo as sobrancelhas e se aproximando dela. – Estamos aqui há horas. Quer ir comer alguma coisa e encerrar a noite?
– Já cansou? – provocou circulando ao seu redor – Por mim tudo bem. Acho que quando tirar os patins meus pés estarão pura carne. Ugh.
– Essa é uma indireta pedindo para que eu te carregue?
– Na verdade não, mas já que você disse, você faria isso?
Dimitri sorriu e esfregou a mão no rosto, antes que pudesse responder, Rose arfou, chamando sua atenção. Demorou um tempo para entender o que estava acontecendo, pois fora pego de surpresa pela expressão maravilhada de Rose. Os olhos brilhando e os lábios abertos num sorriso ansioso. Quando algo gelado tocou seu nariz, entendeu o que era.
– Está nevando. – constatou estupidamente.
– Sim. A primeira neve do ano. – Rose completou, abrindo os braços e patinando para longe dele por alguns instantes. – O inverno começou.
– Ele teria começado com ou sem neve, Roza.
Rose torceu o nariz e revirou os olhos, ignorando sua racionalidade. Ao voltar para seu lado, pôs a língua para fora e provou dos floquinhos brancos.
– Ah, não faça isso. – reclamou Dimitri – Neve pode ser branca, mas não é tão limpinha assim não.
– Dimitri, o que não mata engorda. Pare de pensar tanto. – Rose virou-se e ficou a sua frente, apoiando as mãos em seus ombros. – Uma vez ou outra não vai me matar. Vai, faça como eu.
Ela pôs a língua para fora novamente.
– Rose...
– Cala a boca e põe a língua pra fora.
– Eu passo, obrigada.
Dimitri balançou a cabeça segurou sua cintura e patinou com ela para o limite do ringue. Rose estava decepcionada e brava com sua falta de “criança interior” como ela chamava. Mas estava feliz em ter seu braço em sua cintura.
– Experimentar a primeira neve do ano é tipo uma tradição. Igual fazer bonecos de neve ou anjos na neve. – quando saíram e dirigiram-se aos bancos para tirar os patins, Rose arregalou os olhos para ele – Me diga que você já fez isso.
– Sim, e muito. Quando era criança.
– Vamos resolver isso. Até o final do inverno você terá experimentado neve, feito bonecos e anjos. – a expressão cômica de Dimitri a fez sorrir e tornar-se mais determinada – Não faça essa cara, camarada. Estou falando sério.
– Eu sei que está. Tenho certeza de que você conseguirá o que quer no final.
– Se sabe, então pra que resistir?
Dimitri sorriu e estendeu o braço para espanar neve de seus ombros com delicadeza, aproveitando para puxar uma mexa solta de cabelo para trás de sua orelha, provocando arrepios em Rose onde sua pele tocou na dela.
– Onde estaria a graça nisso, então?
Seus sorrisos se espelharam e Rose sentiu, assim como Dimitri, que algo estava acontecendo entre os dois e que seria complicado ignorar dali em diante.
Notas finais
Gostaria de preveni-los de duas coisas: 1º, está chegando a cena que (aspervertidas) querem ver logo! Sério, está chegando! 2º, Romitri não seria Romitri se fosse tão fácil, não é? Então por favor, não me odeiem se eu dificultar um pouco a vida dos dois, só vai servir pra deixar o romance ainda melhor, okay? OKAY.
Sendo assim, o que vocês esperam que irá acontecer? Algum caso que afastará os dois? Ou será que alguém será o responsável, e quem?
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