Encantado
3 Capítulo Dois - Too Early
Notas iniciais
Edward POV.
O dia seguinte amanheceu chuvoso e eu demorei um pouquinho para sair da cama, bocejando enquanto caminhava até o banheiro. Suspirei feliz ao sentir a água quente bater contra minhas costas e logo me vesti, aprontando-me para mais um dia de trabalho.
Hoje eu faria algo diferente na hora do almoço: iria até a confeitaria, porque precisava ver aquela garota novamente, por mais estranho que isso fosse soar.
Marcus me esperava na porta do meu prédio, como sempre. Eu lhe dei um bom dia animado, ao qual ele retribuiu, e segui para minha empresa.
Assim que cheguei, deparei-me com Emmett.
- Finalmente veio trabalhar, hein? – sorri para ele.
- Eu estava de férias, Eddie – revirou os olhos. – Você saberia o que é isso, caso tirasse algumas também.
- Eu gosto do meu trabalho – dei de ombros. – Pronto para voltar a comandar coisas importantes?
Eu era o dono e o presidente, mas Emmett também trabalhava ali, na área de finanças. Era o que ele gostava, e, de fato, fazia muito bem.
- Sempre – piscou. – E sabe do que você precisa, irmão?
Revirei os olhos, ignorando-o.
E lá vinha meu irmão novamente.
- Você precisa tirar férias, – começou – arrumar uma namorada e viajar. Faria bem, viu?
- Vai trabalhar, Emmett – resmunguei, sem tirar os olhos dos papéis, escutando sua risada antes das portas serem fechadas.
Concentrei-me no serviço pela manhã, mas me encontrando incrivelmente ansioso para que a hora do almoço chegasse logo.
Acabou que desci meia hora antes do previsto, pedindo que Marcus me levasse a mesma confeitaria de antes. Ele dirigiu rápido pelas ruas de Seattle e logo estávamos estacionando em frente ao local.
E eu me senti decepcionado quando saí do carro e dei de cara com a placa de fechado.
Suspirei pesadamente, já me virando e pronto para voltar para o carro, quando aqueles cabelos chamaram minha atenção, correndo pela rua. Chovia um pouco ainda, mas Bella não parecia se importar.
- Sr. Cullen. – Parou a minha frente, extremamente ofegante. – Desculpe-me, já vou abrir. Precisa de algo?
Eu sorri para ela, percebendo o quão linda ela estava naquela roupa, por mais simples que fosse. A blusa fina de frio evidenciava suas curvas, assim como a calça jeans. Seus cabelos estavam soltos e, como não fazia sol, as mechas avermelhadas não estavam ali.
- Eu vim comer algo – disse. – Mas posso voltar outra hora, caso precise e...
- Não – cortou-me, para logo em seguida corar. – Sue, a dona, teve um problema e teve que ir embora. Ela me ligou, disse que fecharia enquanto eu terminava meu almoço.
- Então tudo bem – dei de ombros. – Mas acho melhor entrarmos, antes que você pegue um resfriado ou algo assim.
Ela corou ainda mais, assentindo e andando até a porta. Tirou a mochila das costas, dando um suspiro de alívio, e pegou a chave.
Eu peguei sua mochila, evitando seu rosto surpresa, e segurei enquanto ela abria a confeitaria e tirava a placa da porta.
- Sente-se – disse gentilmente. – Vou só me trocar e venho lhe atender.
Eu sabia que tinha uma reunião importante dentro de uma hora e meia, mas o que importava se eu poderia conversar com ela?
Ela pegou a mochila da minha mão, agradecendo com um sorriso tímido, e sumiu por uma das portas, voltando quinze minutos depois. Os cabelos, antes soltos, estavam presos em um coque, embora uma mecha rebelde escapasse e caísse sobre o rosto.
- O que deseja? – indagou, sorrindo um pouco.
- O que você fez hoje? – perguntei.
- Hoje fiz uma torta de chocolate, uma de morango e uma de limão – disse.
- Hm... – sorri. – Provarei a de morango hoje, com um chocolate quente para acompanhar.
Bella assentiu e saiu, voltando logo após com meu pedido. Ela deu sinal de que iria se retirar, mas eu segurei seu pulso.
E imediatamente senti uma descarga elétrica por todo o meu corpo.
- É... – sussurrou mais vermelha do que nunca. – Deseja mais algo?
- Claro – sorri, retirando a mão e procurando respirar. – Quero que se sente aqui e converse comigo.
Os olhos castanhos arregalaram e ela me fitou, parecendo confusa.
- Mas... – gaguejou. – Eu...
- Está tudo bem – disse-lhe. – Tenho certeza de que a dona não vai se importar e está vazio aqui também, não está?
Ela mordeu o lábio inferior, parecendo ainda em dúvida.
- Se chegar alguém, você se levanta – continuei. – Além disso, gosto de conversar enquanto como.
- Tudo bem – rendeu-se. – Mas eu não sou a melhor companhia do mundo...
- Tenho certeza de que irei gostar.
Na próxima meia hora, conversamos sobre nossos gostos. Ela comentou que amava cozinhar e ler. Eu contei que tinha uma empresa e lhe disse que gostava de livros também. Então, ela citou alguns e eu me vi fascinado pela forma que sua boca se movia, seus olhos pareciam brilhar cada vez que ela citava um escritor. Eu podia ficar ali horas e horas conversando com ela.
Porque parecia que não ia me cansar nunca.
Infelizmente, assim que terminei de comer, tive que ir. Deixei outra nota de cinqüenta dólares, ignorando os protestos de Bella.
- Tenha um bom dia, senhor – desejou-me, antes de eu sair.
E eu me virei para ela, dando o meu melhor sorriso.
- Edward, Bella – disse. – Apenas Edward.
_
Passei o resto do dia tão ocupado com reuniões e papéis, mal tendo tempo de pensar no que acontecera na confeitaria, mais cedo.
Porém, assim que todas as minhas obrigações acabaram, despedi-me de meu irmão e pedi que meu motorista me levasse para casa.
Aí, todos os meus pensamentos voltaram para ela.
Era estranho me sentir assim, tão encantado por uma mulher que eu só vira duas vezes. Mas eu estava. O jeito que seus lábios me mexiam, seus olhos brilhavam e aquele tom rosa tão lindo tomava conta de suas bochechas...
Peguei-me sorrindo, desejando que o dia seguinte chegasse logo e eu pudesse voltar lá.
Eu precisava saber cada vez mais daquela mulher que me deixava cada vez mais encantado.
Bella POV.
Pouco depois de termos fechado, eu coloquei a mesma roupa com a qual tinha vindo para cá, despedi-me de Sue e peguei minha mochila, dirigindo-me novamente pelas ruas de Seattle e parando no ponto de ônibus.
Sentei-me ali e peguei Razão e Sensibilidade para ler, já que ainda teria que esperar uns bons minutos. Dentro do ônibus, continuei lendo e logo – mais cedo do que eu imaginava – estava em casa.
Eu suspirei pesadamente, já me encolhendo contra o casaco depois de pegar minha chave. Ergui minha mão direita, colocando a chave certa na fechadura, e abrindo a porta logo em seguida.
Estava fria e escura.
Tranquei a porta e rumei direto para a cozinha, jogando minha mochila na bancada e pegando uma panela grande para colocar água para esquentar.
A casa onde eu morava não era grande, sendo composta apenas por uma sala, cozinha, quarto, banheiro e área de serviço. E eu realmente não ligava para isso.
Enquanto a água esquentava, peguei minha mochila e a coloquei na poltrona, já que iria precisar dela amanhã de novo. Segui para o banheiro e acendi a luz. Alguns minutos depois, quando julguei que a água estava quente o suficiente, peguei um balde, coloquei água lá dentro, e tornei a ir para o banheiro.
Talvez essa fosse a pior parte.
As lágrimas tomaram conta de meus olhos enquanto eu me despia.
Retirei os tênis primeiro, partindo para as meias logo em seguida. A calça eu retirei com mais cuidado, porque sentia um pouco de dor nas coxas. E as duas blusas...
Eu soltei um soluço alto vendo aqueles hematomas por meu corpo. Alguns roxos, outros amarelos e verdes. Alguns não doíam mais, outros sim.
Ele era cuidadoso. Meu marido era cuidadoso, acertando-me somente em lugares onde ninguém pudesse ver.
E era humilhante demais contar a alguém, também.
Banhei-me com cuidado, sabendo que ficaria gripada naquelas duas últimas semanas. A água estava quente, já que eu a tinha esquentado, mas o vento que entrava no banheiro e as noites que eu passaria enroladas em cobertores...
Eu tinha certeza absoluta que ficaria gripada.
Coloquei o moletom mais grosso que tinha e preparei alguma coisa para comer. Depois me enrolei no sofá, suspirando pesadamente.
Eu me arrependia, todos os dias, da decisão que tinha tomado meses atrás.
Aquele não era para ser meu lugar. Não era para eu estar ali, passando por isso e aceitando calada. A Bella corajosa de antes não aceitaria, a Bella de antes lutaria com unhas e dentes e sairia dessa.
Só que a Bella de antes não existia mais.
Eu tinha sido uma idiota que realmente acreditara que Riley era um doce de pessoa e que estava apaixonado por mim. Começamos como amigos, mas logo estávamos nos envolvendo. Ele foi meu primeiro namorado, meu primeiro homem.
E de acordo com o que ele dizia sempre, seria o único.
Apesar dos protestos do meu pai, me casei com Riley após um ano de namoro.
E foi exatamente aí que meu inferno começou.
Estávamos casados há cinco meses e todo o amor que eu sentia por ele já não existia mais. Nem ódio, também. Eu só conseguia sentir indiferença, ficando a cada vez mais agradecida quando ele ia fazer suas viagens de negócios.
Eu sabia que ele devia ter outras mulheres, mas pouco me importava. Eu só esperava que um dia ele se interessasse por alguma delas e me deixasse em paz.
Pedisse o divórcio e eu pudesse, enfim, ser feliz.
Ele partiu essa manhã e ficaria duas semanas fora. Daria-me um tempo, daria um tempo para eles: meus hematomas.
Quando ele viajava, era quando eu me sentia melhor. Não usava a aliança, não comentava sobre ele com ninguém. Parecia estranho me iludir desta maneira, mas eu queria isso. Queria esses dias de paz, de felicidade.
Mesmo que eles durassem tão pouco.
Recusava-me a dormir no quarto que partilhamos juntos quando ele está aqui, recuso-me a acreditar que tenha sido cega ao ponto de acreditar que contos de fada existem e que Riley tinha sido meu príncipe.
Eu respirei fundo, perguntando-me até quando aquilo duraria. Quando eu sorriria verdadeiramente, sem me preocupar em chegar em casa e apanhar?
Logo ele voltaria, logo ele acabaria com tudo.
De novo.
Procurei afastar aquilo da minha mente e me concentrei em dormir.
Se eu pudesse voltar atrás... Se eu pudesse mudar algo, nunca me casaria com Riley.
Nunca seria a Sra. Riley Biers.
_
Acordei cedo no dia seguinte, lamentando ter que sair de debaixo daquela manta tão quentinha.
Fiz o mesmo esquema de ontem para poder tomar banho e depois me vesti rapidamente, mal tendo tempo de comer alguma coisa.
Peguei o ônibus, mas acabei não lendo, porque tinha esquecido o livro em casa.
Desci no ponto próximo a confeitaria e corri, chegando e encontrando Sue começando a organizar tudo.
A manhã foi bastante tranqüila. Fiz três tortas e alguns clientes as pediram e pareceram gostar. Sue pediu que eu fosse almoçar, enquanto tudo estava tranqüilo.
E me ligou, no meio do almoço, dizendo que tinha um problema de encanamento em casa e precisava ir embora. Como tinha dispensando os outros funcionários para irem almoçar também, disse que fecharia a loja e que eu a abriria depois.
Terminei o mais rápido que pude e praticamente corri para a confeitaria. Estava quase chegando quando vi o filho de Esme Cullen parado lá. Ele pareceu ver a placa, porque começou a se virar para ir embora, supus.
- Sr. Cullen – ofeguei, conseguindo chegar antes que ele fosse. – Desculpe-me, já vou abrir. Precisa de algo?
Ele sorriu um pouco e eu notei que ele estava trajando terno novamente.
- Eu vim comer algo – disse. – Mas posso voltar outra hora, caso precise e...
- Não – cortei-o. Quando percebi que isso não fora nada educado, corei. – Sue, a dona, teve um problema e teve que ir embora. Ela me ligou, disse que fecharia enquanto eu terminava meu almoço.
- Então tudo bem – deu de ombros. – Mas acho melhor entrarmos, antes que você pegue um resfriado ou algo assim.
Eu corei um pouco mais, me perguntando por que ele se preocuparia com isso. Acabei assentindo e andei até a porta. Tirei a mochila das costas, só me dando conta do quão pesada estava. Peguei a chave e já ia colocar a mochila novamente, quando senti que ela sumia.
Ele estava a pegando, ignorando completamente meu rosto voltado para ele.
Abri a porta, então, e retirei a placa.
- Sente-se – disse-lhe de forma gentil. – Vou só me trocar e venho lhe atender.
Peguei a mochila de sua mão, sorrindo um pouco, e entrei na porta do vestuário, apenas para guardar minhas coisas e me trocar. Fiz tudo rapidamente, apenas porque eu não queria que ele ficasse esperando.
- O que deseja? – indaguei, assim que voltei.
- O que você fez hoje? – perguntou.
- Hoje fiz uma torta de chocolate, uma de morango e uma de limão – disse.
- Hm... – sorriu. – Provarei a de morango hoje, com um chocolate quente para acompanhar.
Assenti e saí, preparando tudo e colocando numa bandeja. Voltei e deixei tudo na mesa e me virei, pronta para ir ficar atrás do caixa.
Sua mão incrivelmente forte – e mesmo assim tão delicada no meu pulso – segurou-me, impedindo-me de ir. E que descarga elétrica era essa que eu estava sentindo?
- É... – sussurrei, sentindo meu rosto queimar de vergonha. – Deseja mais algo?
- Claro – sorriu, retirando a mão. – Quero que se sente aqui e converse comigo.
Como?
- Mas... – gaguejei. Eu...
- Está tudo bem – disse. – Tenho certeza de que a dona não vai se importar e está vazio aqui também, não está?
Será? Será que eu realmente devia me sentar com ele?
- Se chegar alguém, você se levanta – continuou. – Além disso, gosto de conversar enquanto como.
- Tudo bem – me rendi. – Mas eu não sou a melhor companhia do mundo...
- Tenho certeza de que irei gostar.
Eu não me lembrava de qual fora a última vez que tive uma conversa tão boa com alguém. Ele parecia estar de fato interessado em saber sobre os livros que eu gostava, como cozinhar era bom e tudo o mais. Não fiquei surpresa ao saber que ele era dono de uma empresa. O fato é que ele não parecia se importar que eu era apenas uma pessoa que trabalhava na confeitaria, me tratando bem.
Eu me senti bem com isso.
Ele insistiu e deixou outra nota de cinqüenta dólares, assim que terminou de comer.
E eu fiquei me perguntando se o veria novamente.
- Tenha um bom dia, senhor – desejei, antes que ele saísse.
E ele se voltou para mim, já parado na porta, com um belo sorriso no rosto.
- Edward, Bella – disse. – Apenas Edward.
Eu sorri um pouco, corando – é claro – e voltando minha atenção para o caixa.
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O resto do dia se passou de forma normal, até. Sue voltou quando tudo começou a ficar agitado demais. Encomendas e encomendas começaram a chegar e eu me peguei gostando daquilo.
Senti-me um pouco triste quando o expediente acabou, arrastando-me de volta para o ponto de ônibus.
Logo estaria em casa e teria de fazer o mesmo ritual de sempre.
Porém, assim que pisei lá, escutei o telefone tocar.
- Alô? – atendi, um pouco receosa.
- Olá, querida... – A voz de Riley soou do outro lado, fazendo cada pele do meu corpo se arrepiar. Por favor, que ele não volte mais cedo. – Senti saudades...
Eu suspirei pesadamente, lutando contra as lágrimas que queriam se formas.
- O que você quer, Riley? – indaguei.
Eu não caía em seu teatro.
Não mais.
- Só conferindo se chegou no horário certinho, querida – riu. — Não quero que você se machuque.
Engoli em seco.
- Está tudo bem – suspirei. – Era só isso?
Uma voz no fundo interrompeu nossa ligação, falando algo com ele. Esperei, pedindo silenciosamente que essa pessoa o fizesse desligar o telefone.
- Escute, querida, tenho que ir... Nós nos falamos depois, ok? Eu volto em duas semanas.
Ele desligou, sem esperar uma despedida, e eu agradeci mentalmente por isso, jogando-me no sofá e permitindo que as lágrimas escorressem.
Por quê? Por que eu fui me meter nisso?
E por que não conseguia sair?
Eu solucei alto, deixando que ecoasse pelos cômodos da casa.
Eu me sentia sozinha. Eu estava sozinha.
E não sabia se um dia isso iria passar.
Notas finais
Infelizmente existem mulheres no mundo que apanham todos os dias dos maridos/namorados/irmãos e tudo o mais. E a Bella não é a única que tem medo de contar...
Então, o que será da nossa Bella? E do Edward? Ele já todo encantado, haha
Espero que tenham gostado.
Até domingo que vem.
Besos ;*
N/B: AAAAAAAAH! Vontade de matar o Riley por espancar a Bella, e sinto que essa não será a primeira vez que sentirei raiva do Biers. ¬¬ Tudo ainda é novo, Edward se encantando pela Bella e pá, quero logo o romance, por favor garçom! *risos* Beijo povo ;**
Tamy.
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