Encantado
4 Capítulo Três - To Take Care
Bella POV.
Acordei no dia seguinte sentindo-me extremamente cansada. Cada músculo do meu corpo rogava por cama e minha garganta doía.
- Ótimo – murmurei. – Adoro adoecer.
Foi difícil tomar um banho tendo que esquentá-la antes. Vesti-me, colocando apenas uma blusa de lã, jeans e tênis, rezando para que aquilo fosse o suficiente para me proteger do frio.
Rumei para as ruas de Seattle, esperando no ponto de ônibus, como sempre. Estava prestes a pegá-lo quando me lembrei que esqueci minha bolsa. E eu me atrasaria ainda mais se tivesse que correr em casa e esperar pelo próximo, que passaria só dali à uma hora.
Tive que ir andando para o trabalho, então.
Encolhi-me contra a minha bolsa, pegando o meu celular no bolso e discando para Sue, apenas para avisar que iria me atrasar um pouco. Tentei ir tão rápido quanto podia, tossindo e espirrando durante todo o caminho.
Cheguei quinze minutos atrasada, pedindo mil desculpas a Sue. Ela não ligou, me fazendo tomar um chocolate quente para melhorar a gripe.
“Prometi ao seu pai que cuidaria bem de você”, foi tudo o que ela disse, quando tentei contestar.
Troquei para a minha usual roupa de trabalho, sorrindo imensamente quando coloquei o crachá com apenas meu apelido, na roupa. Segui meu dia normalmente, atendendo as pessoas e fazendo as minhas tortas.
Na hora do almoço, daquela vez, Edward não apareceu, o que me deixou um pouco triste. Eu realmente tinha gostado de conversar com ele.
- Oi, Bella.
Eu olhei para cima rapidamente, sorrindo ao fitar Esme, a mãe de quem eu estava exatamente pensando naquele momento.
- Olá, senhora Cullen – cumprimentei-a cordialmente.
- Apenas Esme, querida – riu.
- Claro – corei um pouco. – Posso lhe ajudar em alguma coisa?
Ela sorria lindamente.
- Conversei com meu filho hoje, Edward, para avisar de um jantar... Perguntei se ele gostaria de alguma sobremesa em especial e ele disse que adoraria sua torta de chocolate.
Eu corei ainda mais.
- Ah... Claro. Eu posso fazer e mandar entregar caso a senho... Você queira.
- Ele disse que passa para pegar mais tarde – riu. – Eu estava passando por aqui, decidi encomendar.
- Tudo bem – assenti.
Ela deixou pago, como tinha feito com o bolo, sempre sorrindo.
- Bom... – começou. – Espero você mais tarde.
- E-eu? – gaguejei.
- Claro – assentiu. – Você vai ser bem-vinda.
- Mas... – Parei por um momento, tossindo e sentindo minha garganta reclamar. – Eu...
- Aceite, por favor – pediu. – Eu conheço uma mistura que vai melhorar essa tosse.
- É apenas uma gripe – dei de ombros, sentindo uma imensa vontade de chorar.
Havia muito tempo que alguém se preocupava comigo desse jeito. Renée, a qual constava na minha certidão como mãe, me abandonou quando eu ainda era pequena demais para entender o que tal palavra significava. Charlie até tentou se virar e cuidar de mim ao mesmo tempo em que trabalhava. Eu o amava – e muito – e sabia que ele me amava também.
Mas nós dois sempre fomos muito silenciosos, sem saber direito como nos pronunciar quanto a sentimentos. Ele foi contra ao casamento e nós não nos falávamos constantemente. Eu tinha medo da reação de Charlie caso ele descobrisse o que Riley fazia comigo, por isso evitava um pouco de contato. E agora com Esme Cullen me tratando com esse carinho, senti esse aperto no peito.
Então era assim que uma mãe devia agir?
- Está tudo bem, Bella? – indagou.
Espirrei.
- Sim – sorri forçadamente. – Obrigada.
- Então... Posso contar com sua presença? – indagou-me. – Edward disse que te leva quando ele for levar o bolo.
Eu mordi o lábio inferior.
Eu ficaria sozinha na casa dele – nem mesmo conseguia chamá-la de minha –, fria demais... Ou poderia aproveitar a companhia dessas pessoas que pareciam ter um coração tão bom.
- Tudo bem – assenti.
Ela sorriu mais uma vez e acenou, virando e saindo da confeitaria.
Corri e anunciei o pedido a Sue, que se disponibilizou a ficar no caixa enquanto eu preparava. Depois de pronta, coloquei na geladeira – onde ficaria até Edward chegar – e voltei para o meu lugar.
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O fim do expediente se aproximava, mas nem sinal de Edward. Sue se despediu, sabendo que eu fecharia tudo direitinho.
E nada dele aparecer.
Preparei a torta em uma caixa e fechei tudo, esperando um tempo do lado de fora. Começou a chover um pouco e eu me encolhi mais contra a porta, tremendo de frio.
Parecia que a blusa de lã não era suficiente.
Então, um carro parou a na rua, e um homem alto, com um guarda-chuva, correu até a mim.
Precisei de alguns segundos para perceber que era Edward.
- Ei – disse. – Desculpe-me. Tive uma reunião de última hora.
Eu lhe dei um sorriso trêmulo, tentando enxugar meu rosto. Eu me molhara um pouco, na tentativa de manter a caixa com a torta intacta.
- Vem.
Edward me puxou pela mão, colocando-me debaixo do guarda-chuva, e eu tentei ignorar a corrente elétrica que me percorreu. Ele esperou que eu adentrasse no banco de trás da limusine e entrou também, logo após fechar o guarda-chuva.
Coloquei a caixa com a torta ao meu lado, me encolhendo ao começar a verdadeiramente tremer de frio.
Os olhos verdes me fitavam com atenção.
- Você está molhada... – sussurrou.
Corei imensamente ao pensar que estava molhando seu carro.
- Desculpe por molhar seu carro – murmurei. – Eu...
- Não seja boba – revirou os olhos.
Edward me puxou pela mão, fazendo com que me sentasse ao seu lado, retirando seu sobretudo e colocando em mim. Eu corei ainda mais e podia jurar que havia escutado um riso baixinho.
Sua mão subiu pelo meu braço, parando em minha bochecha direita e logo em seguida em minha testa. Eu tremi.
- Acho que você está com febre – disse.
- Estou bem – mordi o lábio inferior. – Eu acho que vou acabar dando trabalho na sua casa, talvez seja melhor eu voltar para...
- Não precisa – cortou-me pela segunda vez. – Minha mãe te adorou e está louca para provar da sua torta, assim como meu pai. Ele é completamente apaixonado por doces.
Eu sorri um pouco.
Charlie também amava quando eu fazia doces para ele.
Não demoramos muito a chegar. A casa era enorme e muito elegante. O motorista estacionou debaixo de uma área coberta, então o guarda-chuva não seria necessário dessa vez.
- É uma bela casa – murmurei.
- Obrigado. – Edward riu, puxando-me. – Minha mãe vai ficar feliz em saber. Vem, você tem que trocar essa roupa.
- Não precisa, eu... – corei, sendo interrompida pelo meu próprio espirro.
Ele me ignorou, puxando-me para casa de forma mais rápida.
Edward abriu a porta da imensa casa sem cerimônias, encontrando três pessoas reunidas na sala. Esme estava entre elas, mas as outras duas eu não reconheci. Podia apenas supor que o homem era pai de Edward, mas só isso.
- Olá, família – disse, com a voz um pouco alta. Todos se voltaram para nós, todos abrindo um sorriso.
- Então você é a Bella... – Uma voz incrivelmente doce disse, sorrindo, aparecendo de repente na minha frente. – Sou Alice.
Fui apresentada à Alice, irmã de Edward, e Carlisle, seu pai. Era incrível a semelhança entre eles.
- Mãe, você pode emprestar uma roupa a Bella, por favor? – Edward pediu, sem parecer perceber que ainda estava grudado em mim. – Eu vou colocar a torta na geladeira.
- Eu empresto – gritou Alice, pegando-me de repente e me arrastando para o quarto.
Levou um minuto para eu perceber que ela não poderia escolher qualquer roupa para mim, senão minhas marcas apareceriam.
- Eu, é... – Tentei pensar em uma maneira educada de dizer aquilo. – Eu...
- Relaxa – revirou os olhos. – Tenho uma roupa que vai ficar linda em você.
- Mas... Não precisa, sério – implorei. – Olha, me dê algo mais velho, só até as minhas roupas secarem, por favor.
Ela pareceu nem me escutar, me arrastando para um quarto enorme e muito bonito.
- Tudo bem – disse por fim.
- Obrigada.
Eu fiquei ali, esperando, tremendo um pouco e ainda espirrando. Tinha medo de voltar para casa mais tarde e ter que dormir naquele local frio.
Eu não podia pegar uma pneumonia.
Também, já deveria estar acostumada... Riley fazia isso toda vez que ele viajava.
Alice voltou alguns minutos depois, trazendo em suas mãos um conjunto de moletom preto. Eu não poderia sequer chamar aquela roupa de velha; parecia mais algo para se fazer uma caminhada.
- Obrigada – agradeci, logo após dar outro espirro.
- Talvez fosse melhor se você tomasse um banho – sugeriu.
- Não precisa...
Por que aquelas pessoas tinham que se preocupar tanto comigo?
Ela acabou me convencendo, empurrando-me para dentro do banheiro. Tranquei a porta, com muito medo de que alguém visse minhas marcas e liguei o chuveiro, entrando logo após retirar todas as minhas roupas.
A água era quente, gostosa e eu permiti ficar ali mais tempo do que necessário, deixando que meus músculos relaxassem me avaliando um pouco da dor. Era bom, era muito bom. Sequei-me com a toalha branca e fofinha que Alice deixara ali e me virei de frente para o espelho.
As lágrimas, como sempre, quiseram cair, mas eu as segurei com mais força que pude, fechando os olhos e respirando fundo. Vesti-me de forma rápida, agradecida pelo fato de que o moletom cobria as áreas necessárias.
Sentindo-me um pouco melhor, saí do banheiro, com a toalha e minhas roupas molhadas enroladas debaixo do braço. Alice as pegou de mim antes que eu me pronunciasse.
- Pode colocar em uma sacola, por favor? – pedi. – Eu lavo tudo em casa e depois dou um jeito de entregar.
- Não se preocupe com isso.
Nós voltamos para o andar debaixo. Eu ainda espirrava e sentia minha garganta doer, mas a água quente fizera com que eu me sentisse melhor. Na verdade, muito melhor.
Entramos por uma porta e eu me vi na cozinha, encontrando todos lá. Edward sorriu quando me viu de moletom, puxando-me para sentar ao lado dele.
- Aqui, querida. – Esme estendeu uma caneca preta para mim. – Beba tudo. Amanhã você se sentirá melhor.
- Obrigada – corei.
Depois de tomar tudo, jantamos e provamos da minha torta – muito bem elogiada por todos. Eu me encolhia cada vez mais contra o moletom e acabou que me fizeram tomar um remédio também, apenas para que minha febre melhorasse.
Há quanto tempo não cuidavam de mim assim?
- Por que não dorme aqui? – Esme perguntou, animada demais. – Está frio, chovendo e você está doente...
- Não precisa Esme – agradeci. – Obrigada pela noite, diga a Alice, por favor, que depois lhe entrego o moletom.
- É seu! – Alice gritou, sentada no sofá com o pai.
Despedi-me de todos mais uma vez, sendo guiada até um carro.
- Dispensei meu motorista – comentou Edward quando percebeu que eu notara que a limusine tinha sumido. – Eu mesmo a levo para casa.
- Não precisa – corei. – Eu posso pegar um ônibus.
- Não seja boba, Bella – revirou os olhos. – Eu te levo, não custa nada.
Assenti.
Foi meio estranho vê-lo abrir a porta do carro para mim e depois dando a volta. Ninguém nunca se dera ao trabalho de fazer aquilo antes, e eu até achava desnecessário.
O que me custava abrir a porta?
Encostei a cabeça no banco do carro, sentindo-me melhor e mais relaxada. Bocejei, ignorando Edward quando o escutei rir.
- Sabe... – comentou. – Se quiser que eu a leve em casa, terá que me dar seu endereço... Eu não sei ler mentes ainda...
Eu ri um pouco.
- Eu realmente acho que não precisa me levar em casa, Edward – disse. – Eu pego um ônibus, chego rapidinho em casa.
- Seu endereço, Isabella – cortou-me.
Eu revirei os olhos e lhe dei meu endereço, encolhendo-me contra o canto do carro e esperando.
Não sei se cheguei a cochilar, mas quando abri os olhos, estava em frente à casa que eu infelizmente morava.
- Obrigada por tudo. – Virei-me para Edward, sorrindo um pouco.
- Obrigado a você – sorriu de volta. – Eu realmente gostei dessa noite.
Eu corei, claro. E isso fez com que Edward risse.
- Talvez possamos sair para jantar juntos depois – deu de ombros. – Só a gente.
Mordi o lábio inferior, me sentindo de repente muito nervosa e ansiosa.
- Como amigos? – indaguei.
Eu não queria mencionar Riley naqueles dias que eu tinha paz, mas também não queria enganar Edward.
Minhas intenções ficariam bem claras.
Ele riu, para a minha surpresa.
- Claro Bella – assentiu. – Como amigos.Tirei o cinto e puxei a sacola de meus pés.
- Até um dia, então – disse.
Edward me fez esperar enquanto ele saía do carro e abria a porta para mim, me oferecendo sua mão. Sentindo minha face queimando a cada minuto mais, aceitei, deixando que ele me puxasse para fora.
Ele me acompanhou até a porta e então me virei para me despedir.
Os olhos dele estavam tão intensos que perdi o fôlego por um minuto.
- Eu... – gaguejei.
- A gente pode ir jantar amanhã? – pediu, sua voz rouca de repente.
Assenti incapaz de dizer alguma coisa.
A mão direita dele se ergueu, acariciando minha bochecha com carinho. Seus olhos eram preocupados enquanto ele verificava se eu ainda estava quente, depois se tornaram intensos novamente.
Nenhum de nós falou durante um tempo. Eu não sabia o que aquele olhar dele significava muito menos aquele toque.
Edward e eu sempre seríamos amigos.
E nada mais que isso. Primeiramente porque eu era... casada. Querendo ou não. E segundo, porque obviamente ele tinha a mulher que quisesse na palma de sua mão.
O que eu não entendia era porque me doía pensar nisso.
- Fique bem – sussurrou. Ele pegou um cartão e me entregou, onde pude notar vários números. – E se passar mal, me liga, tudo bem?
Assenti.
- Boa noite, Bella – sorriu. – A gente se vê amanhã.
Eu o vi se afastar, entrar no carro e partir.
E ainda fiquei ali, parada em frente à porta, sem saber como reagir.
Notas finais
Hmmm... Quem aí tá com vontade de pegar a Bella e abraçar forte? Parece que o Edward está, hã?
Será o que acontece nesse jantar? E quando Edward descobrirá que nossa Bella é casada?
Comentem, comentem, que domingo que vem tem mais!
Besos ♥33
PS: Capítulo dedicado à yarabastoss, pela linda recomendação. Amei e muito obrigada, flor ♥3
N/B: aaawn gente *-* que fofura esses dois, muito amor ♥ tadinha da Bella, dá vontade de pegar no bolso e levar pra casa. Vamos ver como as coisas andam. (:
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