Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

6 Capítulo 6: Heterossexuais de merda.


Notas iniciais
Notem que a primeira frase deste capítulo é o mesmo nome do capítulo anterior. Ou seja, para descobrir o que aconteceria neste capítulo era só terminar de ler o anterior e ler o título do capítulo ^^
Boa leitura!

Eu já disse que não vou cair nessa.

Pedro encostou seus lábios nos meus devagar, com um cuidado derradeiro. Eu sabia que ele não me queria assim, era somente uma curiosidade. Obviamente eu não o deixaria brincar comigo, mas... Um pequeno pedaço de mim, um pedaço bem lá do fundo gritava desesperadamente, ambicionando um contato a mais dele, exigindo sua atenção e ansiando por seus cuidados. Percebi que ele não tentaria aprofundar o beijo e, de certa forma tal falta de atitude dele me decepcionou. Eu não queria ser aquele a definir a situação, pois assim mais tarde eu não poderia declarar ter sido levado por ele. Mas somente seus lábios era o suficiente para meu coração derreter, aquecendo meu corpo por dentro. Eu queria seu toque em minha pele e sua língua brincando com a minha.

Em um impulso de insanidade, eu rodeei seu pescoço com ambos meus braços e toquei seus lábios com a minha língua suavemente, esperando para ver sua reação. A cada segundo que ele demorava a se decidir era uma batida que doía em meu peito. Mas Pedro finalmente se decidiu e, ao invés de corresponder meu beijo ele mesmo foi empurrando minha língua e invadindo minha boca com a sua, em um beijo quente e forte.

Foi delicioso. Mas algo ainda me incomodava; a falta de contato entre nossos corpos. Dei um pequeno passo para trás, puxando-o pelo pescoço para junto de mim. Com dificuldade – pois não queria interromper o beijo – eu ergui meu corpo e me sentei à mesa do professor. Pedro ainda mantinha seu corpo a certa distancia do meu, sendo assim fui escorregando minhas mãos para sua cintura e puxei seu corpo para mais próximo do meu. Movi minha mão ao zíper de meu casco e terminei de abri-lo.

Sei que não devo me iludir, mas Pedro me beijava com tanto desejo... A saliva estava se formando em minha boca exageradamente e senti vergonha por isso. Toquei minhas mãos nas suas e Pedro puxou-as de imediato. Tentei novamente e desta vez ele permitiu que eu o guiasse. Coloquei suas mãos em minha cintura, por baixo da camisa e deixei-as ali, voltando a envolver seu pescoço. Percebi que ele ficara sem jeito, mesmo assim movimentou-as levemente, acariciando-me...

Nossos lábios se separaram. A primeira coisa que fiz foi engolir a saliva, tanto a minha que se formara demais quanto a dele. Coloquei meu rosto ao lado do seu, não querendo ver a expressão dele. De qualquer forma, suas mãos continuavam em minha cintura num contato direto de nossas peles.

-Você pode me tocar se quiser e até onde quiser – eu sussurrei ofegante, para logo me arrepender. Eu realmente não queria ser usado, mas eu queria um carinho dele. O que fazer? Agora eu já falei, não tem como voltar atrás e colocar as palavras de volta dentro de minha boca. Tudo que é dito fica no universo e tenho certeza de que elas voltarão para me assombrar.

Ele movimentou, mas levemente. Eu sabia que Pedro se encontrava em uma situação completamente desconfortável. Seus movimentos não subiam demais nem desciam. Beijei suavemente seu pescoço e encostei minha testa ali. Quando percebi que ele não ia avançar quase chorei. Ele queria o corpo de uma garota e isso eu não poderia lhe dar.

Eu sendo o suficiente ou não ele teria de dizer algo. Não quero ser usado. Não pensei muito, pois se pensasse minha mente entraria naquele mesmo conflito interno, quando você pensa em algo com tanta força que é como se você realmente estivesse fazendo, mas não está. Somente o empurrei para longe um pouco brutal demais. Sem olhar para Pedro eu fui até as janelas e abri as cortinas com força. Uma, duas... Na terceira Pedro segurou meu pulso.

-O que você pensa está fazendo?!

Ele estava bravo, percebi. Voltei-me para ele suavizando meu olhar, como se não estivesse fazendo nada de mais.

Eu já disse o quanto ele é lindo?

-Estou abrindo as cortinas – respondi simplesmente. Pedro apertou meu pulso.

-Por quê?

Tentei soltar meu pulso, mas a força não deixava. Esse é o problema de ser mais fraco que os garotos com quem fico.

-Porque se eu posso assumir você também pode! Você me beijou e depois vai ficar fazendo piada de mim para os outros garotos? Não. Eu não sou brinquedo! Agora me solte, meu pulso está doendo – exigi, tentando sacudir meu pulso para soltá-lo, mas infelizmente sua mão ia junto. Aparentava estar colada. Ele apertou com mais força ainda, me fazendo gemer. Empurrou meu braço para junto de mim e obrigou-me a fitá-lo.

-E você acha que sou o quê? Mulherzinha? Acha que vou ouvir os meus amigos dizendo que ficaram com garotas lindas, com muito peito e bunda enquanto eu vou dizer que fiquei com um garoto? E ainda completar “fiquei com o Bryan, aquele ‘gayzinho que usa maquiagem”. Óbvio que não! Eu disse que não sou gay! Foi um beijo, não um pedido de namoro, pois eu nunca faria isso! Eu só encostei e você quis que eu lhe tocasse. Isso me dá nojo!

Quando ergui o olhar eu já sabia que estava com os olhos cheios d’água. Primeiramente vi uma expressão furiosa, mas quando ele percebeu meu estado suavizou completamente. Aproveitei para soltar meu pulso já muito machucado.

-Entendi. Você acha que só porque sou gay tenho que ser puto – fiz uma pausa, pois minha voz começou a oscilar muito. Pensei em secar os olhos, mas daí eu ficaria com um aspecto pior ainda, pois borraria a maquiagem. – Mas eu não sou e não fiquei com você para veres como é e depois sair debochando de mim. Fiquei porque gosto de você e mesmo assim nunca te pedi nada nem invadi teu espaço. Eu deixei bem claro que me tocasse se quisesse e até onde quisesse. Eu... – minha voz tremeu e eu solucei. O choro me impediu de continuar, mas forcei-o para dentro de minha garganta. –Eu não sou uma garota e nunca serei. Você está ciente disso, então se não tinha interesse não deveria ter me beijado.

Antes de ouvir qualquer outra coisa saí correndo de lá. Pedro queria somente ver como é um garoto. Ele tinha vergonha de mim. Ele queria a garota que eu não sou. Nós nunca poderíamos ficar juntos... Pedro queria me usar...

Entrei no primeiro banheiro que vi, me metendo em uma cabine qualquer. Tranquei a porta e sentei no chão mesmo, com as mãos no rosto. Solucei.

Pedro queria me usar. Pedro tem vergonha de mim. Ele disse na minha cara que tinha nojo de mim. A cada palavra cruel que eu recordava era um aperto em meu coração e um soluço saindo de minha garganta. Ele é uma pessoa horrível! Por que eu tenho que ser tratado como brinquedo? Depois disso seria um “nada aconteceu nem vai acontecer”. E ele ainda disso aquilo depois de me beijar, ou seja, o beijo não foi nada para ele.

Por quê...?

Continuei me martirizando. Repeti em minha mente cada palavra sua, de novo e de novo. Lembrar de sua voz dizendo que teria vergonha de falar para seus amigos que sou seu namorado doía demais e intensificava meu choro quase me fazendo sufocar, mas eu precisava daquilo. Precisava fazer uma cicatriz para não desabar quando o visse fazendo uma expressão de nojo para mim.

Porque eu não sou uma garota. Porque me visto como emo. Porque eu gosto de garotos. Porque é essa a definição que ele tem de mim, não importando meus gostos. Em nenhum momento ele quis saber de que tipo de música eu gostava de ouvir, que gênero de filme gosto de ver, passatempo, comida, idade, signo... Nada! Porque, para ele, qualquer coisa com relação a mim se resumia a ser gay.

Ouvi barulho no banheiro, mas ignorei completamente. Pedro não seria, óbvio! Imagina só a vergonha que ele passaria em ir consolar um garoto chorando.

-Bryan?

Porra, que merda! Tive vontade de xingar a todos os Santos existentes no mundo. Por que não podiam me deixar sozinho um pouco?

Mas, apesar de tudo, o que eu menos queria era ficar sozinho. Sentei-me no vaso e destranquei a porta. O garoto empurrou-a e abriu. Era Matheus. Abaixei o rosto e esfreguei meus olhos, mas as lagrimas não paravam de cair.

Diferente daquilo que eu esperava, Matheus nada perguntou. Sentou-se no chão e puxou-me pelo pulso para seu colo. Assim eu fiz, sentando encima de suas pernas e escondendo meu rosto.

Matheus afagou meus cabelos e apoiou seu queixo sobre minha cabeça sem dizer uma palavra. Eu pude ficar quieto pensando e chorando que ele continuou sem fazer perguntas. Acho que isso foi o melhor, pois, assim, não fui obrigado a ouvir toda a triste realidade novamente.

Alguns minutos depois me acalmei e me limitei a somente fungar. Agora eu entendia Mi comi melhor do que ninguém e, se nossas situações estivessem invertidas eu nunca o perdoaria como ele me perdoou. Ajeitei-me melhor no colo quente de Matheus e fechei os olhos, desejando poder dormir.

-Pedro me beijou e me xingou – expliquei por alto, sentindo vontade de chorar novamente, mas engoli.

-Aquele garoto tem sérios problemas. Você é lindo, Bryan – ele respondeu de forma carinhosa, me fazendo sorrir de leve.

Fiz com Matheus o mesmo que fiz com Pedro: peguei suas mãos e as coloquei por dentro de minha blusa, em minha cintura. Suavemente ele esfregou suas mãos quentes em meu corpo, subindo um pouco mais.

-O que você quer Bryan? – Tal pergunta me obrigou a questionar-me. O que eu queria? Queria um toque quente, um carinho gostoso. Queria mãos passeando por meu corpo e queria me sentir bem.

-Me toque – pedi.

-Matheeeeuus! Você me deixou lá no banheiro sozinho, esperando! Eu tenho que tirar essa tinta! Acho que ela já está começando a corroer a carne da minha cabeça.

Puta merda, caralho, eu vou torcer o pescoço alvo de Mi comi! Vou cortá-lo em vários pedaços e torná-lo carne moída!

-Oh, Bryan...

Enterrei meu rosto no peito quente de Matheus, escondendo-me. Senti a presença de Mi comi se aproximando e tive vontade de quebrar sua traquéia, impedindo-o de respirar. Assistiria com gosto ele agonizando até morrer...

-Não se preocupe Lu, é só enxaguar o cabelo.

-O que houve com o Bryan?

Senti-me ser cutucando, como se eu fosse o cadáver de um animal que você quer ter certeza de que está morto. O agastamento tomou conta de meu corpo e, rapidamente girei meu tronco e torci seu dedo. Ouvi-o reclamar, mas simplesmente ignorei e afundei novamente no colo de Matheus.

-Me cutuca novamente que eu arranco seu dedo!

-Ah, ok, me desculpe. Mas o que houve Bryan? Por que está assim?

-Não te interessa – resmunguei contra o peito de Matheus, recusando-me a fitar Mi comi.

-Ahh Bryaaaaan, não seja mau assim! Me conta o que houve.

Aquelas atitudes por parte de Mi comi já estavam me dando nos nervos. Por que este garoto tem que ser tão fácil? Isso mesmo, fácil! Ele é amiguinho de todos, ama a vida como se ela fosse perfeita e perdoa como se tudo fosse simples! Eu tenho repulsa a toda essa falsidade de Lucas. Sim, falsidade, porque eu sei que ele é falso. Não me engana.

-Bryan. Fala comigo – ele pediu manhoso, ato este que somente aumentou minha raiva.

Levantei-me bruscamente, empurrei Mi comi que estava em meu caminho e fui até o espelho, fitando com desgosto minha maquiagem toda borrada.

-Eu vou embora – anunciei decidido. Não passaria o resto da manhã na mesma sala que Pedro. Aliás, atrás de Pedro!

Liguei a torneira e, com o dedo indicador tentei limpar a maquiagem borrada por baixo dos cílios. Vi pelo espelho Matheus se aproximando. Ele parou ao meu lado e me ofereceu um pedaço de papel. Aceitei e segurei-o com a mão seca, usando para limpar os olhos.

-Se quiser eu vou com você – ofereceu-se Matheus. Não vou mentir, sua oferta realmente trouxe um sorriso para minha face triste.

-Se você não se importar...

-Eu também vou com você, Bryan!

-Não quero – respondi curto e grosso, sem olhar para Mi comi pelo espelho.

-Por quê? – ele perguntou manhoso novamente, aumentando a raiva preservada dentro de mim.

-Porque eu não quero.

Eu sabia que, apesar de minhas atitudes para com Mi comi estarem sendo frias e cruéis no dia seguinte ele viria saltitante para minha volta, como sempre fazia. Sendo assim, não importava se eu descarregasse minha raiva nele.

-Vou buscar minha mochila – noticiei quando percebi que minha imagem no espelho estava aceitável. Minha imagem sem maquiagem é realmente estranha. Meus olhos até parecem mais claros, mesmo eles sendo naturalmente azuis clarinhos.

Sai andando para fora do banheiro antes que recuasse. A verdade é que eu estava com um puta medo de encontrar Pedro na sala de aula, pois a qualquer momento o sinal pode tocar. Percebi que Matheus estava me seguindo quando senti sua mão junto da minha. Era quente; muito quente. Inconscientemente olhei para nossas mãos juntas. Ambas as mãos possuíam as unhas pintadas de preto, porém as minhas eram maiores. Apertei sua mão e segui pelo corredor na direção de minha sala.

Quando cheguei à porta inspirei fundo e, receoso adentrei a sala. Tinha gente ali. Um grupo de garotas e uns três garotos no canto perto da minha classe. Entre estes garotos estava... Pedro, só porque o universo desgosta de minha existência e quer me fuder de qualquer jeito. Meu coração deu um pulo somente de ouvir o nome ser pronunciado mentalmente. Sabia que todos os olhares estavam focados em mim por causa de minha mão junta a de Matheus.

-Olha só! O viadinho arranjou um namorado – comentou maldosamente um dos garotos junto de Pedro. Eu me recusei a olhar na direção deles, pois tinha medo de chorar.

Aproximei-me de minha classe e parei de costas para os garotos, com Matheus de frente para mim, consequentemente na reta dos garotos.

-Você se importa? – sussurrei baixinho, torcendo para que Matheus ouvisse. Não queria que ele passasse por uma situação ruim tendo eu como culpado.

-Não mesmo – ele respondeu sorrindo, acalmando-me – Quer dar motivo para eles falarem?

Peguei minha mochila e coloquei-a nas costas. Meu coração estava em disparada, obstruindo meus pensamentos. Eu sabia que dar um motivo seria um beijo. Tentei pensar, mas realmente não consegui. Havia pouco tempo para tomar uma decisão. Segurei na mão de Matheus e rumamos para fora da sala. Eu queria que Pedro soubesse que não sou um brinquedo. Puxei a mão de Matheus, indicando que era para ele se virar. Quando ele assim o fez eu tomei-lhe os lábios, em um selinho.

A sala toda enlouqueceu.

-Ai, que nojo! Vou ter pesadelos essa noite! Essa é a pior cena que eu já vi! – gritou um dos garotos. Eu sorri, de certa forma triste, mas tentando esconder. Imagina só se soubessem que Pedro me beijou?

-Que nojo! Sério, acho que vou vomitar! E você Pedro ainda andou com ele! Você tem o que na cabeça? Merda? Ou você é só gay mesmo, ein?

Já havíamos passado pela porta, então acelerei o passo. Não queria ouvir a resposta de Pedro, de jeito nenhum! Não queria ouvir os deboches dele para com minha pessoa. De repente, senti meu braço sendo puxado com força, obrigando-me a retornar dois passos.

-Luke, me alcança minha mochila.

-Vai matar?

-Sim. Lu está lá no banheiro. Ajude ele a terminar o cabelo. Estou levando Bryan para casa.

Logo retornamos a andar. Matheus só queria dar o aviso para não deixar Mi comi sozinho, esperando. Seguimos para a rua e, da calçada mesmo deu para ouvir o sinal batendo. Andamos em silêncio até minha casa. Nossas mãos não se separaram nem por um momento, consequentemente minha mão começou a suar. Sempre que estou de mãos dadas com alguém minha mão começa a suar. Não sei se sou somente eu, mas se sou Matheus não se incomodou com isso, muito menos com os olhares de censura que nos lançavam. Felizmente não havia muitas pessoas na rua.

Chegamos a minha casa. Eu abri o portão, atravessei o jardim e cheguei à porta. Abrindo-a vi minha mãe eufórica, caminhando de um lado para o outro da casa enquanto conversava no celular.

Larguei a mão de Matheus.

-Mãe, trouxe um amigo – anunciei enquanto jogava minha mochila no sofá.

-Bem, eu já estou de saída – Matheus disse envergonhado. Quando ele fez menção de ir até a porta eu puxei sua mão, obrigando-o a permanecer comigo. Retirei sua mochila de seus ombros e coloquei junto da minha.

Minha mãe falou mais algumas coisas no celular e desligou. Sorriu para mim.

-Oi Bryan. Ainda bem que você chegou mais cedo, tenho que sair mais agora e Amanda não vem – ela disse rapidamente. Nem me dei ao trabalho de fitá-la, fiquei encarando o sofá. – Mas ela deixou o almoço pronto, então é só aquecer – minha mãe fez uma pausa, provavelmente percebendo a presença de Matheus –Olá, sou a mãe de Bryan, Deise. Que bom que ele está se enturmando!

-Prazer, sou Matheus – ele se apresentou, mas eu continuei mirando o sofá branco de almofadas laranja e detalhes marrons.

-Então Matheus, você não quer almoçar aqui? E de preferência dormir aqui também, assim Bryan não passa a noite sozinho. Eu sei que ele gosta, mas estar sempre sozinho nessa casa não é bom e ele não costuma trazer muitos amigos aqui, então, por favor, faça companhia para ele.

-Mãe, deixa ele – disse irritado e envergonhado. Ela estava fazendo parecer pior do que era ficar sozinho, ou talvez não.

-Ah, vamos Matheus, por favor, não o deixe sozinho.

Ás vezes pergunto-me se meu pai contou a minha mãe sobre eu ser gay. Tenho certeza que sim, mas ela insiste em agir como se não soubesse.

-Bem... Eu tenho que falar com meus pais e-

-Ótimo! Pode usar o telefone. Acho que só volto amanhã, então seja um bom garoto Bryan e cuide bem do seu amigo.

-Mãe... – resmunguei, tentando fazê-la entender que Matheus não tinha o dia todo a dispor dos outros.

Ergui o olhar e a vi se movimentar para as escadas, subindo-as. Em seguida desceu com vários papéis nas mãos e foi direto para a cozinha, com o celular posicionado entre seu ombro e sua cabeça. Suspirei.

-Não se sinta obrigado por ela. Não precisa ficar se não quiser – disse voltando-me para Matheus. Ele apenas sorriu.

-Fico o tempo que você quiser. Meus pais deixam. Se você quiser eu fico, ou posso ficar menos tempo também. O que você quiser.

Olhamos-nos mais um pouco e, logo, começamos a rir. Não sei se foi somente impressão minha, mas ambos queríamos a companhia um do outro, ou talvez somente eu quisesse a companhia dele.

-Não! Acalme-se, já estou indo.

Minha mãe passou por nós ainda no telefone, continuando com ele preso entre a cabeça e o ombro. Suas mãos estavam ocupadas tentando prender o cabelo castanho claro comprido, enquanto que em seu pulso encontrava-se uma pasta com vários papéis saindo para fora.

-Só um minuto. – Ela afastou o celular um pouco, tapando-o com a mão e buscando por suas chaves no chaveiro da parede. – Bryan, tem dinheiro ao lado do microondas. Peça pizza para você e seu amigo.

-Tchau mãe – me despedi. Ela nem olhou para mim, prosseguiu falando no telefone e, assim, saiu porta a fora. –Ela trabalha como secretária, ou algo parecido – expliquei a Matheus, sacudindo os ombros, fazendo pouco caso. Ela nunca tinha tempo de me contar sobre algo de seu trabalho, então não sei se ela continua no mesmo.

-Você é filho único? – ele perguntou me abraçando por trás e beijando minha bochecha, pegando-me desprevenido.

-Sim.

-E seu pai?

-Ele já não gostava da ideia de ter um filho emo, o fato de também ser gay foi demais para ele.

Senti um beijo úmido em meu pescoço sensível, de imediato arrepiei-me.

-Então, o que você gosta de fazer?

Seus braços foram para meu ombro direito, sendo apoiados ali com seu queixo sobre eles.

-Internet, vídeo-game, música...

-Que banda você mais gosta?

-Simple PLan, Green Day, 30 Seconds To Mars... – respondi, vendo que Matheus sorriu, ou seja, também apreciava tais bandas.

-Legal. Eu gosto dessas e Panic! At The Disco, Linkin Park, Tokio Hotel, My Chemical Romance… — respondeu Matheus animado, formando uma extensa lista oral de várias bandas que eu também apreciava.

-Você está com fome ou prefere fazer alguma outra coisa e almoçar mais tarde?

-Não estou com fome agora, mas se quiseres almoçar por mim tudo bem. Agora, preciso mesmo ligar para meus pais e avisar, caso contrário eles ficarão extremamente nervosos sem saber onde estou.

Sorri e me locomovi até o telefone sem fio, entregando-o nas mãos de Matheus. Eu realmente estava feliz por passar à tarde com alguém. Se não fosse por Matheus eu absolutamente passaria a tarde inteira sentindo-me jogado no fundo de um poço, enchendo o mesmo de lágrimas e afogando-me.

Trágico.

Passamos a manhã na internet e a tarde no videogame. Era descontraído conversar com Matheus, pois mesmo os assuntos sendo banais havia sempre uma lógica por trás deles. Quando o assunto tomava um rumo na direção do colégio, principalmente Pedro Matheus sempre dava um jeito de contorná-lo.

-Bryan... Você ainda tenta se matar?

Assustei-me. Como primeira reação voltei discretamente meu olhar para meu pulso, mas o mesmo estava tapado com a manga do casaco. Eu cuidara o tempo todo, então como ele descobrira...?

-Bryan, não pára seu carro!

Olhei para a tela. Meu carro estava parado, pois acabei soltando o botão. Na tela de baixo o carro de Matheus se encontrava igualmente parado, esperando-me. Apertei o “x” e continuei com o jogo. Quando meu carro passou ao lado do de Matheus foi que ele continuou a jogar.

-Como você...? – balbuciei, não querendo ter de terminar a frase.

-Luke contou. Ele é um grande amigo e eu o amo muito, mas é um grande fofoqueiro. Sei de toda a conversa que vocês tiveram.

Puta merda, como me descuidei assim? Eu não sou de confiar nas pessoas, então como deixei...? Mas, pensando bem fora Luke quem se intrometera, fitando meu pulso descoberto por Mi comi.

Espere. Toda a conversa? Inclusive a parte sobre sexo?

-Você está ficando vermelho – Matheus comentou sem nem olhar para mim, com seu carro já em grande vantagem no jogo.

-Ele contou tudo?

-Tudo. Dês do psicólogo até sexo. – Senti-me envergonhado, torcendo para que o assunto não houvesse adentrado em... –Comigo.

Fiquei alguns segundos em silêncio. Quem ganhara a corrida obviamente houvera sido Matheus, ocorrência esta que feriu meu orgulho. Tentei não pensar no rumo de nosso assunto, mas teria de continuá-lo. E... Talvez isso pudesse se tornar vantajoso para mim.

-Luke é um grande fofoqueiro – concluí, ouvindo a risada de Matheus.

-Sabe Bryan, eu não só acho você bonito, mas também...

O replay de nossa corrida começara. Meu carro era azul e o de Matheus prata. Dês do início ele me ultrapassara. Percebi que o mesmo estava se aproximando de mim, tornando mínima a nossa distância naquele sofá de três lugares. Ponderei que ele me beijaria, mas estava errado. Matheus levou sua mão gelada a meu pescoço, puxando a ele levemente, causando-me arrepios. Logo, seus lábios estavam naquela região sensível, beijando. Foram três beijos, todos descendo na direção de meu ombro.

O beijo subiu e foi para meus lábios. Era a primeira vez que eu beijava Matheus, sem contar o selinho de mais cedo. Agarrei-me em seu casaco preto com uma estampa roxa, apertando as mãos com força enquanto sentia sua língua brincando com a minha. O beijo de Matheus conseguia ser doce e ao mesmo tempo quente. Seu braço envolveu minha cintura, puxando-me até me deitar no sofá.

Eu queria aquilo, mas estava nervoso. Não é como se eu não pretendesse perder a virgindade, apenas não pensara nisso o suficiente para poder encarar a situação tranqüilo, aproveitando mais das carícias.

Mais uma vez os beijos foram para meu pescoço, desta vez de forma mais ousada, chupando a pele que fervia. Sua mão gélida adentrou minha camisa e, sem cerimônias ela foi subindo até alcançar meu mamilo, segurando-o entre seus dedos. Soltei um gemido bem baixinho, quase um suspiro, completamente envergonhado. Enquanto seus lábios chupavam meu pescoço meus olhos viam nossos tênis. O meu all star de cano médio vermelho e o all star preto de Matheus, propositalmente manchado com clorofina.

-Quer que eu pare? – ele perguntou interrompendo tanto a carícia quanto os beijos. Ergueu o rosto até ficar no caminho de meu olhar.

-Não – respondi para aqueles olhos verdes tão clarinhos e brilhantes. Matheus é tão lindo...

-Quer perder a castidade comigo? – ele perguntou de forma debochada, sorrindo maliciosamente, ato este que pensei não ser possível. Virei o rosto para o lado, sentindo a vergonha subir-me a face. Luke tinha que ter contado tudo mesmo?

-Sim – respondi confiante, sem deixar margem para dúvidas. Não sei se é um desejo suprimido meu, mas meu corpo dizia que uma noite com Matheus seria maravilhosa. Meu corpo e minha pele desejavam o seu, aquele toque, aquelas carícias...

-Ótimo. Mas agora preciso ir à minha casa buscar algumas roupas.

Matheus levantou do sofá e ficou parado ao lado, sorrindo para mim. Incrédulo, fiquei a fitá-lo sem entender. Ele ia parar fácil assim? Sei que declarei não estar esperando por isso, mas eu não queria parar!

-Vamos Bryan, temos a noite toda pela frente. Até porque, tenho que buscar algumas coisas para nossa noite. – Buscar algumas coisas? Matheus está se saindo um grande pervertido! Devo perguntar o que ele pretende buscar? Acho melhor não.

-Bryan, você confia em mim?

-Não – respondi sério. Não que eu quisesse chateá-lo, apenas fui sincero. Sua expressão mudou e o sorriso sumiu. Acho que ele se aborreceu.

-E eu posso confiar em você?

Confirmei com a cabeça

-Humm... Ok. Mas eu tenho mesmo que ir em casa, vem comigo Bryan, é pertinho.

Ele puxou minha mão, fazendo-me levantar do sofá de muita má vontade e com uma enorme frustração sexual.

Notas finais
Weee, mais um capítulo postado!
Então, faltou o lemon, não me apedrejem *se esconde* Aconteeeeece que era necessário uma introduçãozinha de uma amizade entre o Bryan e o Matheus, née?? E desgrudar o Bryan do Pedro e do Mi comi, já que todos amam estes dois. Daí para fazer isso deu umas 4 mil palavras e eu me recuso a escrever mais de 4 mil * se senta no chão e cruza os braços* isso porque capítulos grandes não me leva a lugar algum. Em minha outra história os caps tem entre 7 mil e 10 mil palavras, sabem o que eu ganho? Menos reviews.
Grande proposta para fazer a vocês!!!!! Vocês, amados leitores que escrevem reviews, em somente um capítulo conseguiram quase dobrar o número de reviews (faltou um para dobrar) que a história possuía. (contando os reviews deixados em capítulos anteriores, mas de leitores que chegaram graças a atualização). Então, a proposta que tenho a fazer é o seguinte: se este capítulo conseguir mais reviews que o capítulo anterior (capítulo, não atualização) eu posto o próximo antes de domingo. Isso ficou enredado. Pensem assim, o capítulo anterior teve 13 reviews, se este cap tiver pelo menos 14, eu posto o capítulo 7 antes de domingo. Mas eu aposto que vocês não vão conseguir *risada maléfica* fico triste por quem acompanha e comenta em todos os caps, mas a vida é assim e tenho que dar um jeito dos leitores fantasmas aparecerem .-. Pelo menos não estou dizendo de desistência, née!
Então, aguardando para ver onde vocês chegam o/ Obrigada a todos que deixam review, pois é por vocês que continuo escrevendo.