Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
5 Capítulo 5: Já disse que não vou cair nessa.
Assim que ouvi as palavras de Mi comi simplesmente não soube o que dizer. Meu coração parou de bater por um segundo para, logo em seguida começar a bater rapidamente.
-Você não fez isso...
Mi comi se deitou tranquilamente ali mesmo, no balcão da pia. Não olhou para mim, somente ficou a brincar com seu colar de caveira entre os dedos.
-Por que não faria? Foi uma excelente vingança.
Meu estômago começou a revirar o conteúdo de dentro dele por causa do nervosismo. Senti como se a temperatura ambiente houvesse ultrapassado uns bons 30° Celsius porque meu corpo todo queimou.
E sabe qual é a pior parte? Ver Mi comi ali, calmamente deitado, como se não tivesse feito nada de mais.
-Você é um monstro vingativo!
Pedro houvera mesmo me visto com Mi comi? Agora sim ele vai ficar enojado com gays! Eu pedi desculpas. Disse que estava arrependido. Ele tinha mesmo que acabar com todas as minhas chances de ficar com Pedro só por causa de um erro meu...?
E eu tentei engolir aquele bolo que se formava em minha garganta. Tentei trancá-lo junto com minha respiração, mas tal ato estava beirando ao impossível.
-Você é uma pessoa horrível Lucas!
Todos os meus esforços para acabar com a tranqüilidade dele finalmente houveram dado resultado. Lucas se irritou e sentou-se novamente na frente da pia.
-E quem é você para me acusar de algo? Você fez muito pior! E quer saber? Não era Pedro, era somente um garoto qualquer, porque eu nunca faria com alguém o mesmo que você fez comigo!
Ele se levantou e saiu correndo. Já eu fiquei ali, parado, tentando digerir a informação.
♦
Os dias seguiram normais. Mi comi não me tratou mal depois daquele dia no banheiro, continuou sendo o mesmo de sempre, porém, de alguma forma eu o sentia diferente. Não vou dizer que é “sexto sentido”, pois acho isso ridículo. É somente uma sensação e essa sensação quando ele está próximo de mim não é a mesma de antes.
O sinal soou, anunciando o final do primeiro período e início do segundo. Distraidamente, direcionei meu olhar para a porta, aguardando a chegada do professor de educação física enquanto a sala se tornava uma verdadeira zona. Quando o professor entrou a sala aquietou-se de imediato. É sempre assim.
Não vou mentir, o professor de Educação Física é muito gostoso, mas há três passos de distância entre nós: um, a diferença de idade. Dois, o fato de sermos ambos homes e três, ele possuí uma repulsa por mim que é incrível.
-Vamos Bryan?
Fitei a Pedro que me esperava. Sorri e o segui até o pátio. Nesses últimos dias eu e Pedro estamos nos dando relativamente bem. Como amigos, claro.
-Vai fazer a torcida com as garotas?
Relativamente bem porque, por mais que conversemos como amigos normais, Pedro sempre solta estas piadinhas um tanto homofóbicas. Mas, para não criar desentendimentos finjo que não percebi.
-E por que faria isso? Não sou uma garota metidinha e nojentinha querendo chamar a atenção – eu disse isso, mas tenho certeza que Mi comi deve fazer torcida com as garotas.
-Você tem razão. Mas, ‘cê não vai jogar, ‘né?
-Não.
-Vai ficar assistindo?
-Quietinho na arquibancada – respondi sorrindo para ele. Pedro desviou o olhar.
-Bem, então torça por mim.
-Por quem mais eu torceria?
-Ah, sei lá. Pelo time com mais garotos bonitos – percebe a indireta ao homossexual?
-Não se preocupe Pedro, vou torcer por você.
Chegando ao pátio me recusei a jogar como faço 80% das vezes. O professor me deu uma bronca leve para não parecer preconceito e me deixou sentado na arquibancada, observando. Assisti enquanto os garotos se dividiam em times para jogar futebol. Nunca gostei desse esporte. Foquei-me em Pedro, pois parecia que os times estavam brigando para escolhê-lo. Acho que ele olhou rapidamente para mim, mas não tenho certeza. Em seguida ele agarrou a barra da camiseta e puxou-a para cima, retirando a mesma. Meu coração deu um pulo e, desta vez tenho certeza que ele me espiou pelo canto do olho.
-Bryaaaaaaaaan!
Senti o peso de um corpo sobre minhas pernas. Olhei para o garoto em meu colo e sorri.
-Oi Mi comi. O que faz aqui? Não deverias estar em aula?
-Minha professora de química não veio. Tenho esse período e o próximo vago, então vim passar esse tempo contigo.
Mesmo que eu estivesse feliz por dentro por ter a atenção de Mi comi ainda havia algo que eu devia perguntar.
-E Matheus? – perguntei porque, dês daquele dia no banheiro Mi comi tem passado muito mais tempo com Matheus do que comigo.
-Ele tinha outras coisas para fazer – ele respondeu fazendo bico enquanto brincava com meu colar de estrela.
-Você não pode ficar aqui, meu professor irá brigar.
-É o Fernando gostosão?
Concordei, sem ter certeza se era mesmo esse o nome do professor. Só lembro-me de que era um nome com “F” e... Bem, ele é gostoso.
-Não se preocupa, ele não se mete comigo. Uma vez só nós brigamos, mas daí eu chorei na diretoria e ameacei dizer que ele havia me agarrado.
Mi comi riu, ainda brincando com meu colar, como se estivesse dizendo algo completamente simples e banal.
Ergui meu olhar para o jogo de futebol e na mesma hora percebi que Pedro desviara o olhar. Estaria ele me cuidando...? Mas, Pedro não tem interesse em garotos... Não é...?
-Bryan, o que são essas marcas no seu pulso?
Senti o nervosismo envolver meu peito e de imediato puxei meu pulso. Mi comi me olhou confuso.
-Você tentou... Tentou se matar?
-Isso são cicatrizes antigas – tentei explicar, mas simplesmente não achei uma desculpa razoável.
-Então você tentou mesmo se matar!
Desviei o olhar de Mi comi para Pedro. Mais uma vez percebi que ele estava me olhando. Quando percebeu que eu olhava, ele concentrou-se no jogo e chutou a bola para outro garoto.
Senti os braços de Mi comi me envolverem em um abraço apertado. Eu não queria sua pena, mas seu corpo quente e macio junto ao meu proporcionava-me um prazer indescritível.
-Não se mate Bryan!
-Não dá para falar mais baixo Mi comi? Eu não vou me matar!
Eu até poderia xingá-lo e mandá-lo me largar, declarando nada menos que a verdade: eu não pretendia me matar. Porém... Seu calor e se corpo pequeno junto ao meu eram tão bom...
Por cima do ombro de Lucas eu olhei para o jogo. Desta vez, quando Pedro olhou para mim e viu que, mesmo no abraço de Mi comi eu estava o observando, ele não desviou o olhar. Ele me olhava e eu o olhava. Sorri, incentivando-o a continuar o jogo, porém, ele não desviou o olhar de mim. Continuamos a nos encarar até um dos garotos chamar a atenção de Pedro para o jogo e ele ter de ir jogar.
♦
Andava pelo colégio distraído, finalmente a sós. Mi comi provavelmente estaria correndo pelo colégio a minha procura, mas era bom aproveitar o pouco de tempo que eu teria sozinho antes dele me encontrar. Eu ainda deveria estar na aula de educação física, mas fugi quando o professor não viu. O colégio se encontrava vazio nos corredores, pois a maioria dos alunos está tendo aula neste momento.
Continuei meu passeio pelo colégio tranquilamente, já estranhando a demora de Mi comi para me achar. Passei por uma porta e juro que ouvi gemidos e risadas. Voltei alguns passos e parei na frente da porta. Realmente, ali dentro havia gemidos e risada.
-Pára! Aí não... – pediu uma voz manhosa, mas que parecia ser de um garoto. Seria um casal gay?
Continuei na frente da porta, escutando o barulho de dentro. Eu realmente estava curioso se era um casal homo ou não. Considerei abrir a porta, porém eu passaria vergonha interrompendo o sexo. Bom, quer saber? Foda-se, não tenho nada a perder mesmo.
Voltei alguns passos em silêncio para, em seguida andar na direção da porta fazendo barulho, demonstrando que estava me aproximando. Meti a mão na maçaneta descaradamente, como se não houvesse escutado nada e abri a porta.
Ora, era um casal gay, afinal. E eu os conhecia.
-Desculpe interromper. Não sabia que havia alguém aqui dentro – menti.
Aquela era uma sala de aula normal. Mas, encima da mesa estavam dois garotos sem blusa, somente de short. Um deles eu reconheci imediatamente, era Matheus. O outro... Bem, reconheci o cabelo de mechas verde limão recém pintadas, era outro dos emos do grupo o qual eu participava ultimamente.
Mesmo tendo sido pegos, ambos estavam sorrindo. Matheus sentado na mesa, com metade dos braços apoiado atrás dele, erguendo seu corpo. Já o outro garoto estava sentado encima de seu quadril, com as mãos no peito de Matheus.
Não sou do tipo de garoto que assiste pornô, mas aquela cena realmente daria um maravilhoso vídeo.
-Vou sair – eu anunciei já me dirigindo para a porta.
-Não, espere. Já estamos saindo, ‘né Luke? – respondeu-me Matheus. Girei meu corpo na direção deles novamente, mas sem sair do lugar.
-Ahh, Matheeeeeus. Agora não! – pediu de forma manhosa aquele emo de cabelo preto e mechas verdes, rebolando sinuosamente. Tentei disfarçar, como se não houvera visto aquilo.
-Eu disse que seria só um pouco. Não podemos fazer isso aqui no colégio, Luke. Tivemos sorte que foi somente Bryan quem nos viu. Imagine só se fosse um professor?
O garoto resmungou e se remexeu mais um pouco, fazendo bico. De imediato me lembrei de Mi comi, pois agiam de formas semelhantes. Matheus sorriu docemente e depositou um leve beijo nos lábios do garoto.
-Olha, se quiserem eu saio. Realmente não tinha intenção de interromper nada – menti, pois minha intenção era exatamente interromper para ver se eram dois garotos mesmo.
-Não, não. Ainda bem que você interrompeu. Vamos Luke, levante-se, por favor.
O garoto se levantou a contra gosto. Matheus se levantou também e antes de vestir sua camisa pegou a do garoto das mechas verdes e vestiu-o. Ambos possuíam a mesma altura. Calçaram os sapatos e vieram para meu lado, saindo de lá.
Fiquei sem jeito de estar somente eu e mais o casal, mas eles não agiam como um. Pareciam somente amigos, sendo assim terei de perguntar a Lucas qual a relação desses dois.
-Bryaaaaaaaaaaann!
Sabe, já estou tão acostumado a ouvir Mi comi chamando que, às vezes, quando minha mente fica em branco o que quebra o silêncio é a voz dele gritando meu nome. Estranho, não?
Quando achei que ele ia pular no meu pescoço, Mi comi olhou para o lado e viu quem estava me acompanhando. Seu sorriso se alargou.
-Ahh! Matheus!
Uma pontada de decepção atingiu meu peito quando assisti a Mi comi pulando no pescoço de Matheus, já este sorriu e lhe beijou o topo da cabeça, seguido de um leve afago.
-Quantas raízes escuras. Não está na hora de pintar o cabelo, Lu?
-Ah, eu pedi para Luke me trazer água oxigenada e aquele pozinho azul. Ele disse que tem muito no salão da mãe dele. Você me trouxe Luke? – Mi comi perguntou voltando sua atenção para o garoto das mechas verdes. Agora entendo do porquê de eu não ter reconhecido o emo, porque ele está cada dia com um penteado diferente.
-Sim, eu trouxe. Está na minha mochila lá na sala.
-Você pinta para mim Matheus? – perguntou Mi comi, fazendo aquela sua expressão de criança.
-É claro que sim Lu.
-Ah, então pinte agora! Temos dois períodos vagos mais o intervalo! Eu não quero ficar moreno. Vem!
E Mi comi simplesmente saiu puxando Matheus para longe, deixando a mim e ao garoto das mechas verdes para trás.
-Acho que ficamos somente nós dois – ele comentou, rindo.
-Pois é.
-Quer tomar sorvete?
Dei de ombros.
-Não tenho nada para fazer mesmo – menti, pois estou no meio da aula de educação física.
Seguimos para o bar do colégio. Compramos dois sorvetes, o meu de creme e o dele de morango. Sentamos-nos em uma mesinha que havia ali para os estudantes, um de frente para o outro.
-Você e Matheus são namorados? – perguntei mesmo já desconfiando qual seria a resposta, só para não continuar o silêncio chato.
-Não, não. Matheus não gosta de mim assim. Só ficamos de vez em quando. Ah, mas ele é tão carinhoso...
A cena era completamente diferente. Estávamos na frente de um bar, eu e um garoto um pouco mais alto que eu, moreno de mechas verdes e olhos castanhos. Ele sorria, mas não era a mesma coisa e conversávamos sobre um garoto o qual eu já conhecera. Mesmo assim, de certa forma me senti familiarizado com a cena. Havia certa semelhança com quando eu conhecera Mi comi, ocasião esta na qual ele me contara sobre sua paixão por Alex. Seriam estas situações semelhantes ou sou somente eu quem estou pensando demais em Mi comi...?
-Humm... Esse sorvete está tão bom...! Quer provar?
Fiz que sim com a cabeça e ele me esticou uma colherada de sorvete. Abri a boca e aceitei. Estava realmente delicioso.
-Muito bom – concordei, sorrindo. O garoto também sorriu e abaixou o olhar para o sorvete.
Quando uma pessoa é triste você percebe, pois sente a energia. Uma vez minha antiga psicóloga me contou que o paciente com depressão é o último a ser atendido, pois independente da pessoa, depressão pega. Inclusive era por isso que eu sempre era o último paciente do dia. Bom, mas agora estou melhor e sinto a energia desse garoto.
-Tudo bem?
Ele assustou-se e olhou para mim. Em seguida abaixou o olhar novamente, entristecido. Ele parecia realmente cheio de problemas.
-Sim, estou bem.
-Você freqüenta um psicólogo?
-Sim. Ele me manda tomar alguns remédios.
-Você é depressivo.
-E você intrometido.
Sorri, tentando parecer mais simpático. Ele estava certo, eu estava me intrometendo demais em sua vida.
-Desculpe. Só estava vendo que temos algo em semelhante.
-Você também é depressivo?
-Eu era. Bem, talvez ainda seja. Quando parei de freqüentar a psicóloga ela me disse que eu estava melhorando.
Ele sorriu e fuçou em seu sorvete, sem olhar para mim. Lembrei que eu ainda tinha de comer o meu próprio sorvete então assim o fiz.
-Qual é sua válvula de escape? – perguntei, já tendo uma ideia de qual seria a resposta.
-Matheus. Ele não tem problemas, sendo assim os nossos problemas se tornam os seus problemas. Ele é muito carinhoso e atencioso. Já transou com ele?
Estranhei a pergunta. De imediato o sangue me subiu a face, felizmente o garoto das mechas verdes estava de cabeça baixa, fitando seu sorvete.
-Não – respondi dando ênfase ao “a”, dando um som diferente aquela pequena palavra.
-Você é virgem?
Desta vez ele me olhou, desejando ver qual seria minha reação.
Considerei se lhe diria a verdade. Mas, afinal, não havia nada de mais em dizer a verdade, acho...
-Sim – respondi no mesmo tom do “não”.
-E você gostaria de deixar de ser?
O sorvete começou a entalar na garganta. Não que eu não quisesse, mas era a primeira vez que eu falava com esse garoto e ele já me vem com assunto de sexo. Mas acho que não posso reclamar, considerando que eu mesmo estava conversando sobre o garoto ser depressivo.
-Bem... Acho que sim. Mas não quero que seja de qualquer jeito – admitir isso fora extremamente difícil. Eu não costumo conversar sobre tal assunto com relação a mim, seja lá com quem for. Com Mi comi era sobre ele, então tudo estava bem.
-Então, se tivermos mesmo algo em comum, você deveria conversar com Matheus. Ele é realmente muito amável.
-Você não ficaria chateado com isso?
-Não, porque não estamos saindo. Eu não gosto de Matheus assim, eu só gosto do carinho dele e isso é difícil de encontrar em um garoto, pelo menos para mim.
-Verdade...
Pensar em sexo... Isso não me assusta, pois eu já fui quase estuprado. Eu até gostaria – não de ser estuprado, de ter sexo – mas, foi como eu disse, não queria que fosse de qualquer jeito. Em meu outro colégio os garotos homossexuais que havia não pensavam em namoro, só queriam comer o maior número possível de garotos, ou dar para. É como eu disse para ele e também é como ele me disse. Eu gostaria que fosse com um garoto mais amável que a maioria.
-Matheus fica por cima ou por baixo? – perguntei envergonhado, sem fitá-lo.
-Os dois. Ou o que você quiser, porque ele deixa quase qualquer coisa.
Remexi meu sorvete. Ele era bem clarinho, quase branco, semelhante à cor do esperma...
-Não quero mais comer sorvete. Quer o meu? – ofereci lhe estendendo meu potinho.
Luke era seu nome, ou pelo menos assim que o chamavam. Obriguei-me a gravá-lo, pois em uma conversa não poderia me referir a ele como o garoto das mechas verdes, ficaria chato. E se ele pintasse o cabelo de outra cor? Como eu ficaria?
Lembra quando eu citei sobre a mente em branco? Pois é, agora mesmo acabei de pensar na voz de Mi comi me chamando.
Sexo, sexo, sexo... Isso seria mais fácil para mim agora que moro com minha mãe, pois ela passa mais tempo na rua do que em casa. Quando eu morava com meu pai era mais difícil. Se um amigo meu fosse em minha casa somente para jogar vídeo-game ele já desconfiava. Bem, com razão, pois nunca era somente jogar, sempre acabava em ‘pegação. De qualquer forma, agora estaria tudo bem, pois minha mãe não ficaria na volta.
-Sabe Bryan, essa seria uma válvula de escape melhor do que se mutilar.
Arregalei os olhos e fitei meu pulso. Só então percebi que Mi comi retirara minha pulseira e que agora minhas cicatrizes estavam expostas. Escondi meu pulso embaixo da mesa, escondendo as marcas com a outra mão.
Merda de Mi comi.
-Bryan!
Virei para o lado e vi Pedro se aproximar. Surpreso, esperei até ele chegar perto e dizer o que queria.
-Bryan! Então você estava aqui... Eu queria falar contigo.
Olhei para Luke, o qual sorria.
-Tudo bem? – perguntei, não querendo deixá-lo sozinho ali, pois isso nunca é bom para um depressivo.
-Vai nessa – ele respondeu sorrindo.
Se fosse outra situação, eu ficaria com Luke. Mas, eu realmente fiquei curioso com relação a Pedro. O que será que ele quer de mim? Ele aparentava estar me procurando já há algum tempo.
Levantei-me e o segui para longe. Pedro não disse absolutamente nada. Fomos até a nossa sala de aula, a qual se encontrava vazia. Pedro olhou para os dois lados do corredor antes de fechar a porta. Foi até as janelas e fechou as cortinas, uma por uma. Meu coração começou a palpitar cada vez mais rápido. No meu entender, ele queria fazer algo que ninguém mais poderia ver. Então, vendo a situação pelo lado de fora: estão dois garotos sozinhos em uma sala de aula, um homossexual e outro heterossexual. O hetero fechou a porta e as cortinas, para ter certeza de que ninguém veria nada e aparenta estar nervoso.
Eu estou louco ou Pedro quer ficar comigo?
Vamos, acalme-se Bryan. Esconda este sorriso do rosto. Puxe os cantos dos lábios para baixo! Vamos, puxe! Eu não acredito que eu consegui realizar esta façanha. Terei mesmo eu transformado um garoto completamente hetero em um homo?
-Pedro? – chamei-o, sem ter certeza se conseguiria escutar sua voz, pois meus batimentos cardíacos estavam exageradamente acelerados.
Quando ele terminou de fechar a última cortina voltou-se para mim e caminhou lentamente em minha direção.
-Bryan, eu confio em você. E você sabe que não sou gay e não serei, ‘né?
Sei. E é por isso que você fechou toda a sala e teve certeza de que ninguém estava nos vendo, não é?
-Bryan eu... Ah, eu me sinto estranho sendo amigo de um gay. Amizade entre um garoto e uma garota sempre acaba em romance. Amizade entre um gay e um hetero dá em quê?
-As pessoas dizem que não é possível existir amizade entre um garoto e uma garota sem rolar romance. Por que com garotos é diferente? Por que dois garotos podem ser grandes amigos? Muitas vezes uma amizade bem maior do que a do garoto e a namorada – engoli em seco, tremendo exageradamente. Meu coração estava chegando a três batidas por segundo. –Pedro, por que amizade entre garotos dura mil vezes mais que um namoro? Afinal, a única diferença entre amizade e namoro é o interesse sexual, não é?
Eu já disse o quanto ele é lindo? Já disse sobre todas as garotas aos seus pés? Já disse que eu nunca pensei ter uma chance com ele? Já disse sobre a quantidade de piadinhas homofóbicas que ele faz? Já disse que quando ele descobriu que eu era gay ele se afastou de mim? Já disse que ele está se aproximando perigosamente de mim? Já disse que ele está corado e nervoso? Já disse que seus lábios estão quase sobre os meus?
Notas finais
Sabem, sempre me perguntei do porquê de, em algumas votações só termos a chance de votar em uma opção. Eu sempre fiquei de cara com isso. Descobri o porquê: todos votando em todas as opções, não se torna votação. De qualquer forma, muitíssimo obrigado a todos que comentaram e sugeriram! Me deram grandes ideias para lemons!
Mas então, a Makiino-chan, gatinha dos beijos de lemon me deu uma excelente ideia: um lemon troca-troca entre o Bryan e o Matheus. E aí? Estão todos de acordo? Comentem se estiverem e se não estiverem. Se todos estiverem, será o conteúdo do próximo capítulo! Então, essa é a última chance de dizer qual lemon você quer ver, sendo assim, COMENTEM! =D
Fale com o autor