Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados

4 Capítulo 4: Mi comi, Mi beija.


Saber onde ele se encontrava nem seria tão difícil assim. Quando eu desejava chorar no colégio eu ia para os banheiros, pois lá nunca há ninguém para incomodar. O problema é: onde ficam os banheiros neste colégio? E quantos deve haver aqui?


Depois de errar algumas vezes eu encontrei um banheiro que ficava distante dos outros, próximo a sala de química. Entrei nele e percebi que estava vazio. Fiz o máximo de silêncio possível e, logo, consegui escutar um choro baixinho vindo do último banheiro. Antes de bater na porta ou fazer qualquer barulho, abaixei-me e espiei por debaixo. Encontrei o par de all star preto de cadarços pretos e detalhes em branco que houvera visto Lucas usar mais cedo.


Bati na porta.


–Lucas – chamei.


Logo, uma voz embriagada pelo choro me respondeu.


–Vai embora.


Suspirei.


–Desculpe.


–Não!


–Lucas, se você me ignorar terá de ficar chorando aí sozinho, pois os outros foram para a aula.


O choro se tornou mais alto e mais intenso.


–Minha única opção é aquele quem me fez chorar!


–Quem te fez chorar foi Alex, não eu.


–Mas a culpa é sua!


–Eu sei, desculpe.


–E eu nunca te fiz nada de ruim. Você é mal e cruel.


–Desculpe. Foi na hora da raiva, eu não queria te fazer mal.


–Mas fez! Agora Alex me odeia e me chamou de um monte de coisas ruins. Ficou repetindo que eu era puto o tempo todo.


–Desculpe Lucas. Já expliquei que eu disse só na hora da raiva, eu não tinha intenção de dizer mesmo. O que mais você quer de mim?


Uma pequena fresta da porta fora aberta. Ali, Lucas espiou, com as lágrimas escorrendo pelo rosto e sujando-o de preto por conta da maquiagem.


–Posso te bater? – ele perguntou de forma meiga.


Eu fitei-o sem entender.


–O quê?


–Se você deixar eu te bater eu te perdôo.


Parei e tentei raciocinar. Ele queria me bater? Isso é muito estranho!


–Um soco só! E no braço.


–Na barriga.


–Não.


–No ombro então.


–Um pouco abaixo do ombro.


–Ok.


Assim que ele concordou não tive tempo de me preparar. Ele abriu a porta do banheiro e já foi me desferindo um forte soco na parte de cima do meu braço, bem próximo ao ombro.


–Aí! Puta merda, você é forte!


Lucas riu, mas por pouco tempo. Seus olhos se encheram d’água e ele me envolveu com seus braços, apertando-me.


–Alex me odeia!


Nunca gostei de ter de consolar pessoas. Normalmente eu acabo chorando junto. Adentrei o pequeno banheiro para que ninguém nos visse e sentei no vaso que se encontrava com a tampa abaixada, largando minha mochila ao lado deste. Lucas sentou-se em meu colo e afundou sua cabeça abaixo de meu pescoço.


–Alex disse que gosto que qualquer um me coma, mas não quis dar pra ele. Ele disse bem assim mesmo! E que aquela minha conversa de que eu queria que fosse com amor era só desculpinha. Ele não acreditou quando eu disse que ainda era virgem.


Suspirei. Por que eu tinha que abrir a minha boca grande? Agora tenho um garoto chorando em meu colo graças a minha estupidez. Ok, isso foi um tanto insensível de minha parte. Acho que só estou irritado porque é Lucas quem está chorando em meu colo e, por mais que eu negue a culpa é minha. Realmente não queria fazê-lo mal assim.


Lucas se esticou e pegou um pedaço de papel do rolo próximo de nós. Amassou-o e enxugou as lágrimas por debaixo dos cílios, borrando a maquiagem o mínimo possível.


–Ele nem quis me escutar! Disse que provavelmente eu já havia dado para você.


–Isso seria impossível – eu disse revirando os olhos.


–Por quê?


–Porque eu não gostaria de comê-lo. Você já se imaginou sendo comido por mim?


Eu sorri, incentivando-o a rir. Ele fungou um pouco e enxugou as lágrimas novamente. Quando me dei conta do que estava acontecendo Lucas já estava perigosamente próximo de mim, com seus lábios sobre os meus. Assustei-me e afastei-o com as mãos.


–Pára Lucas! O que pensa que está fazendo?


–São somente beijos. Não é como se fôssemos nos tornarmos namorados, irmos para cama ou algo assim. E eu quero carinho – ele disse fazendo um bico de criança. Eu suspirei. Realmente, estava tudo bem beijá-lo.


Segurei seus cabelos loiros de raiz escura e beijei-o. Adentrei minha língua pela sua boca e logo percebi seu ritmo. Era lento e doce. Lucas não beijava mal, mas era bem diferente de Alex. Como eles poderiam se dar bem?


Tentei me concentrar somente no beijo, mas era uma tarefa extremamente difícil. Apenas o fato de minha língua estar dentro da boca de Lucas já era o suficiente para acelerar meus batimentos cardíacos porque, afinal, era Lucas...


Quando nos separamos ele retornou a chorar e soluçar.


–Eu odeio o mundo! Odeio minha vida! Como pode tudo dar tão errado para mim...?


–Somos dois.


–Mas você pode ter meu Alex quando quiser! Agora ele está brabo comigo, eu nunca vou tê-lo.


–O que importa eu poder ter Alex ou não? Não é ele quem eu quero.


–Você quer o Pedro? Aquele garoto hetero?


–Esse mesmo – falei, recordando-me de que eu havia voltado a falar com ele por causa de Lucas e me senti obrigado a agradecê-lo. –E obrigado por ter falado com ele.


–E como agradecimento você fez o que fez! Idiota!


Eu não possuía resposta. Para calar sua boca, beijei-o. Suguei seu lábio inferior, puxando com força. Quando nos separamos ele limpou o nariz e acomodou-se em meu colo novamente. Acariciei seus cabelos. Ficamos algum tempo assim, enquanto o único som era o barulho do choro de Lucas.


–Bryan, como é sua vida? Como é sua família? – ele perguntou assim que se acalmara um pouco.


–Bem... Meus pais são divorciados. Antes eu morava com meu pai. Nunca lhe agradou o fato de ter um filho emo, mas aceitou. Quando ele descobriu que eu era gay não quis mais passar vergonha comigo e me mandou para morar com minha mãe. Ela não pára muito em casa, está sempre trabalhando, então não tenho problemas. Sei que ela tem um namorado, às vezes o vejo em minha casa a noite, mas finjo que não vi e vou para o quarto.


–E você e seu pai brigam?


–Brigávamos. Ele me mandava trocar de roupa e arrumar o cabelo para sair com ele na rua, mas eu sempre me recusava. Dizia para eu agir como um garoto normal e que sentia vergonha de mim, mas para os outros falava que isso era só uma fase. Coisa de adolescente. E você?


Lucas fechou os olhos, aproveitando melhor meu carinho. Envolvi seu corpo com meus braços. Ainda bem que Lucas é somente um amigo porque me sinto completamente desconfortável nesta situação.


–Meus pais moram juntos, mas brigam constantemente. Meu pai não gosta de mim. Ele diz que queria ter um filho, não essa coisa que eu sou. Minha mãe me defende, diz que ainda sou criança e que garotos amadurecem mais tarde. Ela me dá qualquer coisa e me trata como criancinha. Meu pai está sempre arranjando desculpas para me pôr de castigo, diz sempre que sou uma decepção. Às vezes ele tenta me bater, mas minha mãe não deixa. Eu tenho uma irmã mais velha, mas ela é um nojo de pessoa. Ela também me odeia. Ela é arrogante e exibida. Muda de namorado a cada semana e veste roupas de puta, mas meu pai a trata como se fosse a rainha do mundo.


–Nunca vi pais que aceitassem que seu filho fosse emo e gay.


–Os pais de Matheus aceitam. Você lembra quem ele é?


–Sim, sim.


–Os pais dele dizem “não importa quem você é ou como é, te amaremos do mesmo jeito. Só sentimos porque as pessoas do mundo são ignorantes e você terá uma vida difícil”. Eles não são incríveis?


–São sim.


–As coisas são mais fáceis para el-


Fomos interrompidos por um barulho de alguém entrando no banheiro. Rapidamente, empurrei a porta de onde estávamos com os pés.


–Ouviu isso? – perguntou algum garoto para outro.


–Foi só uma porta batendo.


De repente, Lucas começou a gemer como uma garota. Gemeu cada vez mais alto, fazendo uma voz aguda e feminina. Fitei-o assustando. Quando ele piscou para mim, entendi o que ele queria.


–Cala a boca, putinha – eu disse fazendo uma voz mais grave, voz esta que nem parecia que vinha de mim.


–Ah, mas é tão bom...


Ele continuou a gemer como uma garota mesmo. Tentei segurar o riso, mas parecia impossível. Ouvimos os passos dos garotos se retirando do banheiro com pressa e, logo, caímos na gargalhada.


–Você é um viado mesmo! Até eu acreditei!


Lucas riu e fungou. Pegou mais um pedaço de papel e enxugou a água por debaixo dos cílios novamente.


Rapidamente, tentei pensar em algo para dizer, evitando, assim, que seu choro recomeçasse. Vasculhei minha mente procurando por algo que o fizesse sorrir, porém, não encontrei. Quando já estava desistindo recordei-me de Matheus e do que ele me dissera.


–Aliás, você é realmente fofo.


O sorriso que ele abriu fora gigante. Seus olhos brilharam e ficaram duas vezes maiores. Com um elogio tão simples ele ficara imensamente feliz. Agora entendo do porquê de Matheus ter me dito para agradar-lhe com tal elogio.


–Obrigado! Eu também acho!


Sorri, satisfeito comigo mesmo. Lucas continuou feliz, sorrindo como um bobo, perdido em pensamentos agradáveis. Segurei-lhe na cintura e puxei seu corpo para mais próximo do meu. Ele era magro e, mesmo por cima de sua blusa fina pude sentir sua pele quente.


Uma onda de desejo me invadiu. Fora tão forte e arrebatadora quanto inesperada e repentina. Começou com um leve formigamento, foi subindo de minhas mãos a meus braços, invadindo meu peito em forma de calor, se espalhando em um segundo por todo o resto de meu corpo.


Minha respiração pesou dezenas de vezes mais e eu...


...Eu quis tocá-lo...


–Não quero sair daqui assim.


Ignorei completamente meus pensamentos anteriores, como se nem ao menos houvessem existido. Abri minha mochila e tirei de lá um estojo com maquiagem. Primeiramente limpei aquilo que estava borrado, secando seus olhos e retirando os resquícios de maquiagem espalhados. Em seguida lhe passei lápis de olho, máscara para cílios, blush e um corretivo para as olheiras.


–Não vai abrir o berreiro se ver Alex, não é?


Desgostei de minha pergunta quase tanto quanto ele.


–Não sei.


–Lucas! Ah, e Matheus disse para você se explicar para ele que tentará conversar com Alex.


Lucas fechou a cara.


–Você poderia ter dito isso antes. Ajudaria muito.


–Desculpe, esqueci.


Sério mesmo? Se eu houvesse dito isso no início de tudo o choro acabaria? Prefiro não acreditar nisso.


–E mais uma coisa: continuarei a chamá-lo de mi comi.


Seu queixo foi ao chão.


–O queeeeeee?


–Continuarei a chamá-lo de mi comi, mas não na frente dos outros. Então, seja um bom mi comi, ok?


Quase me arrependi de chamá-lo novamente pelo apelido, pois deu para perceber por sua expressão que não estava nada satisfeito com minha decisão. Mas o apelido era tão engraçado e único que continuei com minha ideia fixa de continuar a chamá-lo pelo mesmo.


–Você é cruel! Eu-


Interrompi-o com um beijo. Seria muito problemático se ele caísse no choro novamente e... Bem, é bom beijá-lo. Não que eu vá admitir isso para ele.


Desta vez quem dera o próximo passo fora ele. Sua língua foi adentrando pela minha boca, sem perder aquela doçura e calma que eu conhecera em nosso primeiro beijo. Lucas envolveu meu pescoço com seus braços e me aproximou mais de si, encostando nossos corpos.


–Você gosta de ser beijado, não é?


Vê-lo respirar cada vez mais fundo e inspirar mais pesarosamente proporcionou-me uma satisfação indescritível.


–Mais ainda quando estou triste – ele respondeu sorrindo, já recuperado.


Dei alguns leves tapinhas em sua coxa, indicando que era para ele se levantar. Mi comi assim fez.


–Pois então tomarei cuidado para nunca mais fazê-lo triste – debochei sorrindo diabolicamente. Me levantei, peguei minha mochila e saí dali de dentro para o banheiro antes de Lucas.


–Bryaaaaaaaann! Você é um chato!


–E você é infantil, escandaloso, chora-


–Já entendi!


–E beija mal.


Fui para frente do espelho e arrumei meu cabelo. Mi comi aproximou-se de mim e me empurrou de leve.


–Mentiroso! Você adorou me beijar que eu sei!


–Se eu tivesse adorado teria te agarrado ali.


Lucas sentou-se ao meu lado na frente da pia e balançou as pernas distraidamente. Ele fitou de longe suas unhas bem pintadas de preto, de um jeito superior.


–E você me agarrou. Só faltou arrancar meus lábios fora!


–‘Tsc. Foi somente para te consolar!


–Que mentira! Você fala como se beijasse maravilhosamente bem!


Estreitei os olhos para ele, incomodado. Ele houvera acabado de ferir meu orgulho. Aproximei-me dele e me posicionei entre suas pernas. Mi comi sorriu e envolveu minha cintura com aqueles all stars longos.


–Vamos ver quem beija mal – desafiei-o, para logo em seguida iniciar mais um beijo de me deixar trêmulo de tão nervoso.


Enquanto nos beijávamos, Lucas começou a rir. Rir até demais para ser somente um deboche. Quando ouvi aquele conhecido som de um objeto plano empurrando o ar com força e batendo percebi que alguém nos vira.


Separei meus lábios dos de Mi comi cessando nosso beijo. Ouvi sua gargalhada seguida de uma provocação:


–Volta aqui gatinho! Eu deixo você participar da nossa suruba!


–Mi comi! Cala a boca! Estamos no colégio – adverti-o ter ainda uma mínima noção do quão ruim era aquela frase.


Olhei para o rosto de Mi comi e este me assustou. Vi um sorriso sadicamente horripilante brincar em seus lábios.


–Ein Bryan, qual é mesmo o nome daquele garoto hetero que você é afim?


Notas finais
Estou a fim de escrever um lemon. < garota pervertida que adora um limão.
Bem, então, deixarei vocês escolherem o casal! Weeee! Então, só escolher quando for deixar o review.
Quando comentarem com o casal, coloquem o nome do ativo na frente, só para não me confundirem muito. Sou lerdinha. Podem comentar dizendo que não querem lemon, escolhendo um casal, escolhendo dois ou três casais... Ou até para dizer "odeio essa história". Quase tudo é permitido!
Agora, reviews, sim?
(porra, caralho, o Nyah! come minhas palavras das notas finais. É a terceira vez nesta história que tenho de arrumar porque o Nyah! Fanfiction chega a comer frases inteiras. Raiva)