Emo-ções - Por Todos Os Motivos Errados
20 Capítulo 20: Talvez eu não seja o mais magoado...
-Ele está mentindo – acusou Erick sem esperar que eu terminasse minha frase.
-Eu acho que ele só quer te comer – adicionou Luke enquanto comia alguns biscoitos. –E você quer dar.
-Algum problema nisso? – perguntei um tom mais baixo, encolhendo os ombros. Eu imagino o quão bom seria... Seu toque e... Merda, que vergonha!
-Há! Quem é o Mi comi agora? – implicou Mi comi, tentando inutilmente empurrar seu apelido para mim.
-Repete isso que eu quebro todos os seus dentes – respondi sem uma força agressiva nas palavras.
-Não fale assim, Bryan. Foi você quem lhe deu este apelido – Matheus defendeu o loiro por seus próprios motivos que já não me eram ocultos.
Mi comi me mostrou a língua e encolheu-se no colo de Matheus, deixando o garoto de aparelho extremamente feliz com aquilo. Eu deixei escapar um leve risinho, mas não passou disso.
-E você Thiago, o que achas?
-Eu não sei – respondeu Thiago, sentado ao lado de Erick. – Eu não o conheço o suficiente para poder opinar.
-Ele era hétero até se “declarar” para o Bryan. É o melhor do time de futebol do colégio, tira notas razoáveis, anda com um grupo homofóbico que está sempre implicando com o Bryan desde que ele chegou. Ah, e foi ele quem fez aquilo... – explicou Erick antes que eu pudesse fazê-lo.
-Aquilo o que? – perguntei, intrigado.
-Nada. É algo passado e sem importância, mas o Thiago lembra.
-Eu não posso saber? – perguntei um tanto surpreso. Então realmente meus amigos tinham segredos que escondiam de mim.
-É algo que eu não gosto de lembrar, muito menos espalhar, ok? – Erick disse sério, cruzando os braços e desviando o olhar do meu. Ele queria acabar rapidamente com aquele assunto e fora fácil perceber isto.
-Esquece Bryan. Cada um tem seus segredos e não significa necessariamente que é algo ruim – intrometeu-se Matheus, ficando do lado de Erick por experiência própria. Ao recordar-me dos desastres que aconteceram nas vezes em que me meti onde não era chamado eu resolvi desistir daquilo. Talvez fosse realmente algo bobo ou algo que Erick se envergonhasse. Também tinha uma grande chance de aquilo ter acontecido antes mesmo de eu ter entrado no colégio.
-Bem, diante do que Erick apresentou... Não posso dar uma resposta positiva.
Bufei, sentando-me na grama. Só então percebi que os garotos estavam formando um círculo com espaços irregulares entre um e outro – por exemplo, Erick e Thiago estavam bem próximos um do outro, porém afastados do resto dos garotos – e eu estava no meio.
-Mas ele disse que me ama... – resmunguei, corando com minha própria frase. Foi bem vergonhoso admitir isso na frente de todos, pior ainda foi ter de ouvir as interjeições deles.
-Bryaaaaaaaaaaaaaan, você não pode acreditar tão fácil! Ele tem que mostrar que te ama! – declarou Mi comi daquele seu jeito exagerado.
-Quem é você para me dar lição de moral?
-O garoto que ganha muuuuuuuuuitos presentes todos os dias de seu admirador secreto! – ele disse animado, movendo os braços e mostrando seu novo colar sem pingente.
-Isso significa que quem te manda os presentes te ama de verdade, ‘né? – eu disse aproveitando-me da situação. Mi comi ficou com as bochechas extremamente vermelhas e Matheus tentou disfarçar, mas eu percebi que ele também estava constrangido.
-O que vocês acham de sairmos todos para tomar sorvete hoje de tarde? – sugeriu Luke, estragando o clima que eu estava tentando criar.
-Não está muito calor, mas também não está frio – constatou Thiago, sorrindo em seguida. – Acho que seria legal irmos todos.
-Ah, não podemos ir amanhã? É que hoje... – eu pedi, estranhando meu próprio comportamento. Se você em algum outro momento de minha vida eu não pediria isso a eles, mas eu acho... Eu acho que eu finalmente fiz amigos e... Eu quero estar na companhia deles...
-Claaaaro! Hoje o Bryan vai tirar o atraso... – debochou Luke, sorrindo malicioso.
-“Tirar o atraso”? Não poderia usar uma expressão menos... Idiota? – eu perguntei, envergonhado. Luke riu.
-Mi comi, Mi comi, Mi comi... – cantarolou Lucas, estranhamente aceitando aquele apelido.
-Então vamos amanhã. Tudo bem? – perguntou Luke.
-Por mim tudo bem – disse Matheus.
-Eu vou ter de pedir aos meus pais, mas acho que posso ir – respondeu Mi comi.
-Eu vou – falou Thiago.
Sobre minha presença eles já sabiam, pois fui eu quem pediu para que fosse adiado. Agora só faltava a confirmação de Erick, porém ele permaneceu quieto.
-E você Erick? – eu perguntei, chamando sua atenção.
-Eu também? – ele questionou surpreso, erguendo o olhar para mim.
-Claro que sim! – respondeu Luke, deixando Erick mais confiante, pois de todos ali Luke era o que menos falara com o Erick... Na verdade pergunto-me se Luke já conversou com Erick porque realmente não me recordo. Acho que somente com todos juntos.
-Eu... Não sei...
-Erick vai sim – intrometeu-se Thiago, recebendo um olhar reprovador e um tanto enfurecido de Erick.
-Manda em mim e minhas ações agora?
-Estou dizendo que vou te convencer a ir, bobo! – Thiago respondeu com um sorriso simpático. Erick não pareceu se convencer.
O sinal soou, anunciando o final do intervalo. Agora nós seríamos separados em dois grupos e cada um iria para uma sala de aula diferente. Isso é algo completamente desagradável, porque mesmo sendo amigos que estudamos no mesmo colégio ficamos separados grande parte do tempo.
Levantamos todos e seguimos na direção do prédio onde tínhamos nossas aulas.
-Bryan, por que não passou o intervalo com seu “namorado”? – perguntou Erick, aproximando-se mais de mim.
-Ele foi conversar com os amigos...
-Ah, e vai contar a todos que vocês estão namorando amanhã...
Erick entrou na sala e eu parei na porta, pensando no que ele estava dizendo. Fora um tanto cruel, porém verdade. Eu não parei para pensar nisso... Eu fiquei nervoso e feliz com o pedido e esqueci-me de levar em consideração que realmente poderia haver algo ali. Eu quero dormir com ele, mas não deixar Pedro me foder e depois ainda debochar na frente dos outros.
-Senta lá Bryan. Vou fazer a chamada – pediu o professor, esperando que eu saísse da porta para ele poder entrar. Assim fiz e fui me sentar, um tanto envergonhado.
Será que Pedro está me enganando? Como eu não me dei conta antes desta possibilidade? E eu lembro perfeitamente o que ele disse depois que ficamos pela primeira vez... Por mais que ele tenha pedido desculpas foram palavras muito cruéis. Lembro dele dizendo que não contaria aos amigos que ficou com “aquele gayzinho que usa maquiagem” enquanto eles falariam de ter pego garotas, que tinha nojo de me tocar e, se me lembro bem disse que jamais me pediria em namoro. Então, é claro que eu deveria ter desconfiado daquele pedido de namoro!
Todos os presentes responderam a chamada e o professor mandou que fossemos para a quadra. Eu fiz questão de ficar longe de Erick e Pedro para não piorar nada. Eu me sinto mal... Será que Pedro me ama mesmo? Porque parece que ele só está desviando o assunto até me comer.
-Bryan, desculpe não passar o intervalo com você.
Ergui a cabeça somente para encontrar a expressão completamente despreocupada de Pedro e logo abaixei novamente. Isso não é o tipo de reação que se espera de um garoto que tinha tanto medo que seus amigos descobrissem que ele ficou comigo. Acelerei o passo e tentei acompanhar os alunos, mas Pedro me puxou pelo braço, obrigando-me a parar e deixar os outros se afastarem.
-Está bravo?
-Me solta – eu pedi tentando puxar meu braço, mas nada. Recusei-me a fita-lo e pensei em usar meus machucados nos braços como motivos para estar doendo seu aperto.
Eu não queria discutir aquilo com ele, pois ainda estava tentando organizar minha cabeça, mas ao mesmo tempo eu tinha de resolver aquilo antes daquela tarde.
-É porque eu não passei o intervalo com você? Desculpe Bryan, eu...
-Você lembra o que me disse depois que ficamos pela primeira vez? – perguntei sério, puxando uma bolada de ar junto com uma boa dose de coragem.
-Aquilo? ‘Putz, faz um bom tempo... E eu sei que foi ruim, mas já pedi desculpas várias vezes.
Aproximei um pouco mais, tentando soltar meu braço, em vão. Enquanto ele não soltasse por vontade própria eu jamais conseguiria me livrar de sua mão.
-Você disse que tinha nojo de mim e que nunca me pediria em namoro.
Ele parou e afrouxou o aperto em meu pulso, porém não me soltou. Piscou algumas vezes e ficou sério. Pedro finalmente entendera onde eu queria chegar.
-É isso? Não confia em mim?
-Você me deu motivos para confiar? Pedro, até aquele dia na biblioteca você tinha um grande medo que alguém nos visse juntos, mas rapidamente superou isso. Depois de tudo o que me fez e disse quer mesmo que eu confie em você?
Ele se calou e deixou minhas perguntas sem respostas. Seus lábios espremidos me deixaram em dúvida sobre o que ele pensava. Largou meu pulso e saiu na minha frente, irritando-me.
-Você não tem o direito de se irritar! – exclamei alto o suficiente para que ele me ouvisse. Ele escutou, mas ignorou completamente.
Será que eu estraguei meu relacionamento que mal começou? Mas eu não estou errado! Não vou me desculpar! Depois de todo o mal que ele me fez não tem direito de se irritar comigo por eu ter exposto a verdade.
Eu segui para a quadra. Por mais aéreo que eu esteja eu irei jogar hoje por que... Porque eu quero que meu pai tenha orgulho de mim. Isso soa bem vergonhoso, mas é a verdade. Ele sempre quis que eu me desse bem com os esportes e mesmo que eu não consiga quero demonstrar que tentei.
O professor anunciou que eu jogaria e os garotos resmungaram que não me queriam no jogo. Dois colegas decidiram que seriam eles a escolherem os times. Eu olhei de relance para Pedro que amarrava o cadarço do tênis, mas ele nem se deu ao trabalho de me fitar.
Será mesmo que eu estraguei meu relacionamento? Ou será que eu me beneficiei? Porque ou ele estava sério ou só queria me comer. Por que eu digo “me comer”? Por que me trato tão mal assim? Bem, não é como se Pedro fosse deixar que eu ficasse por cima, mas poderia ser como com Matheus... Hum, com Matheus foi muito bom...
-Ah Bryan, você tem certeza de que quer jogar? Ninguém vai querer te escolher – jogou na cara um dos “amigos” de Pedro. – E além de gay você nem sabe jogar mesmo!
Indignei-me, querendo dar uma resposta à altura. Mas eu simplesmente abrira a boca e não pensara em nada para lhe dizer. Fora um choque suas palavras e o pior era que estavam certas.
-Foda-se se ele sabe jogar ou não. Bryan é o meu namorado e para me escolher vão ter de escolher ele também. E o próximo que xingá-lo vai ir fazer uma visita nada agradável ao postinho.
Fiquei boquiaberto; petrificado. Corei dos pés a cabeça perante o olhar atento de toda a minha turma. Meu coração disparara em uma questão de segundos. Pedro aproximara-se de mim e agarrara minha mão, segurando junto da dele.
-‘Tá de ‘zoa, ‘né Pedro? – perguntou um de seus amigos, tão assustado quanto eu.
Eu fitei a Pedro, esperando uma reação de sua parte. Me perguntei se ele se arrependeria de ter dito que eu era seu namorado e voltaria atrás, mas não. Pedro inclinou-se em minha direção e encostou seus lábios nos meus, em um selinho rápido.
-O que você acha?
Fora uma questão de tempo até a turma se encher de murmúrios e comentários de todos os tipos. Os garotos muitos declaravam nojo, mas tinha alguns quietos. As garotas estavam dividas em três grupos: as sorridentes (minoria), as neutras (intermediárias) e aquelas que estavam indignadas, pois já tinham ficado com o Pedro (grande maioria).
-Podem me escolher por último, mas sabem que eu vou ganhar como sempre.
Eu permaneci boquiaberto, sem saber como agir perante tal situação. Minha mente se desligou e captei somente algumas palavras, tais como “Pedro, gay, nojento, decepção...”.
-Está feliz? – Pedro perguntou para mim. Eu me virei para fita-lo, tentando descobrir qual era seu estado ao estar tendo de encarar a tal homofobia que já me é tão conhecida.
-Você está?
-Eu estou, se você confiar em mim.
Eu sorri levemente e, ao vê-lo sorrir abertamente para mim alarguei meu sorriso. Ele riu e meu sorriso espalhou-se por todo meu rosto. Em um momento eu estava bem, no outro vomitando, depois bem, daí desconfiado e bem novamente... É engraçado como eu mudo de humor com tamanha frequência. Espero que Pedro conviva bem com isso.
Meu namorado me abraçou e eu retribuí. Ele me apertou com mais força e ergueu meus pés do chão. Eu sentia o quanto ele estava feliz e passava aquilo para mim. Eu estava muito feliz e agora espero que possamos ficar juntos de verdade.
-Eu escolho o Antônio – anunciou um dos garotos, começando a escolher seu time e nos ignorando. Nos separamos, mas Pedro não largou minha mão.
-Pedro – disse o segundo a escolher os times – E Bryan – completou.
Pedro me levou para o lado do garoto que nos escolheu, Gustavo.
-Depois você vai me explicar isso direitinho – disse o garoto, estreitando os olhos para Pedro que deu de ombros.
Depois dos times escolhidos nós jogamos. Não foi tão horrível, mas eu ainda acho algo bem retardado ter de correr atrás da bola e me sinto ridículo. Como Pedro dissera nosso time ganhou por causa dele. No meio do jogo eu percebi que Erick estava sentado, assistindo. Com certeza ele viu Pedro me assumindo. Acho que agora ele não desconfia mais, ou assim espero.
Quando a aula de Educação Física terminou estava na hora de irmos para casa. Pedro iria para a minha, almoçaria lá e passaríamos a tarde juntos. Claro que eu sei o que faremos e não posso evitar o nervosismo. Não é minha primeira vez, mas é a primeira vez com um “ex-hetero” e primeira vez com quem amo. Poxa, eu só transei uma vez! E com um garoto que fez quase todo o trabalho...
-Tchau Bryan – despediu-se Erick. Ele olhou rapidamente para mim e foi na direção das salas de aula. Ele deve voltar com Thiago.
Peguei a minha mochila e assim que coloquei um ombro dela nas costas senti um beijo de Pedro em minha bochecha.
-Quer que eu leve sua mochila?
-Não sou uma garota.
-Já disse que você terá de me ensinar como namorar um garoto, ‘né?
Sorri e o mirei. Pedro é tão bonito! Como eu consegui um namorado assim? Como eu consegui Pedro como namorado? Isso nunca esteve em meus planos.
-Primeira coisa: eu sou um garoto – expliquei-lhe, tentando demonstrar de uma maneira obvia que ele tinha de me tratar como um menino.
-Uhum. E agora é meu – ele disse de uma maneira simples, como se aquilo fosse algo sem importância. Virou-se de costas e deu alguns passos, em seguida parou e girou o corpo em minha direção. –Vem Bryan.
Não consegui conter um sorriso ao vê-lo ali, lindo como sempre me esperando. Apressei alguns passos e me pus a caminhar ao seu lado, de cabeça baixa. É um tanto estranho, mas bom.
-O que disse de mim? – perguntei tendo plena noção do que ele dissera. Eu somente queria ouvir-lhe repetir.
-Que você é meu.
Tentei desastrosamente conter um sorriso. Mordi o lábio inferior, puxando um dos piercings e senti Pedro me puxar pela cintura para próximo de si.
-Mesmo sendo um garoto? Se estás comigo não pode mais ficar com garotas.
Assim que chegamos ao portão do colégio ainda havia poucos alunos por perto. Pedro me puxou pela cintura para mais próximo de seu corpo e trouxe seu rosto até meu pescoço. Senti seu hálito e quanto ponderei que me beijaria ele não o fez.
-Meu menino – sussurrou e esfregou seu nariz ali. Me arrepiei por completo, dos pés a cabeça. Pedro se afastou e eu percebi todos os olhares voltados para nós. Ele não se importou como eu sempre acreditei que se importaria. Apenas saímos de lá, indo para minha casa.
Andamos lado a lado. Permaneci com a cabeça baixa, sem coragem de encará-lo. Diferente daquilo que eu esperava Pedro não tentou pegar minha mão ou manter algum contato, somente caminhamos lado a lado.
-Bryan... – ele me chamou e eu o fitei. –Eu não vou contar aos meus pais que estamos namorando.
-Por quê? – indaguei, já tendo uma ideia da resposta. Eu não me preocuparia porque depois dele ter me assumido na frente de toda a turma não mudaria de ideia com relação a mim.
-Porque eles me matariam! Fala sério, acho que me expulsariam de casa.
Permaneci quieto, sem saber se deveria conta-lo sobre mim ou não. Meu pai realmente me colocou para fora de casa. Está certo que foi para ir morar com minha mãe e que ele sabia que ela iria me querer, mas ele não me quis sob o mesmo teto.
-Está de cara?
Sem fita-lo eu maneei a cabeça em sinal negativo.
-Mesmo? Não podemos andar de mãos dadas no meu bairro.
-Certo.
Levei uma das mãos ao meu piercing direito e comecei a puxá-lo levemente. Eu não queria ter de fitar a Pedro porque me envergonho demais. Os olhos dele analisando-me e encontrando cada imperfeição, cada detalhe que me torna um garoto...
-Bryan?
Sem escapatória eu ergui o olhar para ele e sorri, ainda puxando meu piercing.
-Já disse que está tudo bem.
Pedro sorriu como sempre. Levou sua mão a minha, impedindo-me de mexer no piercing. Fez-me parar de andar e aproximou seu rosto do meu, dando-me um selinho. Depois disso eu continuei a puxar meu piercing e seguimos o caminho até minha casa em meio a vários assuntos. Pedro perguntou de tudo um pouco e fez-me rir bastante. Vez ou outra ele cumprimentava as pessoas que passava na rua, demonstrando que seria um grande problema se estivéssemos de mãos dadas, pois obviamente chegaria aos ouvidos de seus pais.
Quando chegamos a minha casa Amanda me esperava para poder sair, já que eu não tinha a chave. Ela encantou-se ao ver Pedro e ficou extremamente curiosa como sempre. Fez algumas perguntas, mas logo saiu apressada. Avisou-nos que o almoço estava encima do fogão, nos esperando.
Nós comemos, mas somente um pouco. Pedro é bem engraçado. Nós conversamos sobre varias coisas banais e ele não se incomodou por eu falar pouco. Pela primeira vez nossos assuntos não foram voltados para o homossexualismo. Me parece que ele relaxou mais quanto a isso.
Em um determinado momento da conversa eu sugeri que subíssemos. Pedro em nada estranhou e eu o guiei até meu quarto, com o coração quase saindo por minha boca.
Respirei fundo e abri a porta de meu quarto, tendo uma sensação de dejà vú, mas agora não era Matheus, era Pedro. Agora era o garoto que eu amava, sabe... Um amor recíproco porque foi ele a me pedir em namoro e contar para nossa turma sobre nosso relacionamento.
Entramos e eu fui fechar a porta do quarto. Quando me virei rapidamente Pedro me prensou contra a porta, já começando a me beijar. Precisei de alguns segundos para raciocinar aquilo e corresponder. Nosso beijo era profundo e quente. Ele me apavorava, porque eu sabia onde aquilo iria dar. Mesmo que eu quisesse eu não conseguia imaginar como seria por quê... Porque é Pedro. O fato de ser ele ali, com sua língua em minha boca, seu corpo prensando o meu corpo em meu quarto...
De todas as vezes que eu fiquei com Pedro eu nunca o toquei e isso inquietou-me. Enquanto ele se ocupava em tirar meu ar eu levei minhas mãos trêmulas e frias à barra de sua camisa, metendo elas por dentro e sentindo seus músculos durinhos se contraírem ao meu toque frio.
Suas mãos passearam por meu corpo, indo de baixo à cima, apalpando e apertando. Era bom seu toque e era bom tocar aqueles músculos durinhos e quentes que correspondiam cada vez que eu passava os dedos, acariciando.
Eu estava com calor, nervoso, trêmulo e com uma necessidade urgente de oxigênio, porém o beijo não parava. Eu tentei forçar minha cabeça, mas ela já estava grudada na porta. Só quando ele quis foi que nosso beijo terminou. Puxei ar desesperadamente para meus pulmões e Pedro foi para meu pescoço enquanto suas mãos ágeis abriam meu casaco. Apressei-me em ajuda-lo a retirar meu casaco, pois o calor tornava-se mais presente a cada segundo.
Empurrei-o, torcendo para que Pedro entendesse o recado. Meus movimentos estavam completamente limitados por eu estar sendo preso entre ele e a porta e aquilo estava me incomodando. Infelizmente ele é mais forte do que eu sempre pensei, então somente se ele permitir eu poderei me soltar. Para meu alívio ele resolveu cooperar e me puxou pelo pulso coberto para frente, até ele se sentar nos pés de minha cama. Embalado eu coloquei uma perna de cada lado do seu corpo e sentei-me em seu colo.
Pedro estava duro. Eu também, mas eu sempre quis fazer isso com ele, já Pedro não tinha planos para transar com um garoto, creio eu. Apressadamente ele puxou a minha camiseta para cima e eu colaborei, retirando-a. Logo ele abocanhou meu pescoço, sugando e beijando na medida em que descia para meu tronco. Novamente eu meti as mãos por dentro de sua camisa, agora com as mãos quentes. Para ser sincero todo o meu corpo está queimando. Parece que o dia ficou absurdamente quente e o quarto completamente abafado.
Eu queria dizer algo, mas a situação não permitia. Mesmo querendo seria impossível forçar meus lábios a formarem uma única palavra, tanto pelo fato deles estar tremendo quanto o de minha mente estar completamente desligada de qualquer racionalidade.
Seus lábios finalmente alcançaram meu mamilo, lambendo sem pudor. Eu acabei deixando escapar um gemido baixo ao sentir sua língua ágil e úmida em uma parte tão sensível de meu corpo. Abaixei o rosto para ver seu desempenho e quase gemi novamente, assistindo meu próprio peito subindo e descendo em um vai e vem rápido e descontrolado. Minhas mãos estavam tremendo em seu peitoral e eu esqueci completamente de mexê-las, embriagado pelo toque e mordiscadas em meu mamilo esquerdo.
Desta vez não é noite e meu quarto não está escuro. Eu consigo ver perfeitamente cada um de seus movimentos e seu modo de respirar descontrolado. Será mesmo que é porque está dia e a janela aberta que eu sinto tanto calor?
Um tanto nervoso eu decidi que gostaria de ajudar a lhe excitar o máximo possível. Desci e subi minhas mãos trêmulas em seu peitoral várias vezes. Em mais uma descida eu enfiei minha mão dentro da calça de moletom que ele vestia, por dentro da cueca. Coloquei a glande na palma de minha mão, enquanto os dedos massagearam a extensão. Senti um líquido quente em minha mão, em uma quantidade muito grande para que aquilo fosse somente um pré gozo.
Incrédulo, levei minha mão direita para frente de minha boca, escondendo meus lábios e o sorriso que se formara neles. Eu o encarei e Pedro me encarou de volta, completamente mudo. Ainda sem crer naquilo eu ergui a minha mão esquerda abaixo de nossos rostos, mostrando para ambos nós dois meus dedos melados e sujos. Pedro virou o rosto para o lado, recusando-se a fitar-me e eu assisti de perto enquanto suas bochechas ganhavam uma coloração avermelhada.
Não aguentei e comecei a rir, alto demais. Em um pingo de consciência eu desci de seu colo e sentei no chão, rindo sem parar. Encostei minhas costas no chão e tentei conter o riso, mas parecia impossível. Depois de algum tempo rindo incansavelmente eu pausei, fitei meus dedos melados e a risada voltou, tão intensa quanto antes. Por um momento eu fiquei com pena, considerando o constrangimento dele, mas a ironia da situação gritava mais alto e a risada não cessava.
Depois de alguns minutos eu finalmente me acalmei. Com um sorriso no rosto sentei no chão, cruzando as pernas. Fitei a Pedro que permanecia sério sentando no mesmo lugar e me senti mal em ter rido tanto, mas mesmo querendo eu jamais conseguiria ter me controlado.
-Desculpa – eu pedi em um fiapo de voz, escondendo meu sorriso com a mão direita.
Ele suspirou com dificuldade. Me senti pior ainda por ter rido tanto. Talvez ele possa ter algum problema...
-Eu que me desculpo – ele disse de uma forma estranhamente séria. –Mas eu juro que isso nunca aconteceu antes.
Me senti melhor ao saber que ele não tinha nenhum problema. Na verdade, muito melhor – principalmente porque se fosse um problema sério teríamos um grande problema na hora do sexo. Se essa é realmente a primeira vez que isso acontece então é por quê... Por que é comigo?
-Melhor antes do que não ter ficado de pé – eu respondi em um consolo falho. Me levantei e fui até ele, sentando ao seu lado na cama. Parecia tão entristecido... Meu coração estava dolorido com aquela cena.
Pedro não me fitou e isso me machucou mais ainda.
-Nunca aconteceu antes mesmo?
-Claro que não! Se eu tivesse algum problema diria, não pagaria esse mico!
Fiquei comovido profundamente com tal cena. Inclinei meu corpo e beijei-lhe os lábios, em um selinho, logo após recostei minha cabeça em seu ombro, calmamente. O sorriso voltava para meus lábios ora ou outra quando eu pensava no ocorrido.
-No que está pensando? – lhe perguntei para pensar em algo para lhe dizer em consolo.
-Você... – ele fez uma pausa, chamando minha atenção. Permaneci deitado em seu ombro tomando cuidado para não sujar nossas roupas com minha mão suja. –Você nunca disse que me ama, Bryan.
Ergui a cabeça e o encarei, mas ele não me olhou. Essa foi a primeira vez que vi um lado inseguro de Pedro. Eu parei e pensei em como, a essa altura ele poderia pensar nisso. Eu poderia brigar com ele e me sentir ofendido por ele duvidar de meus sentimentos assim, num momento como este, mas... Analisando tudo eu percebi que realmente nunca lhe dissera que o amava. E pensando no lado do Pedro eu percebi o quão malvado fui. Ele me pediu em namoro e eu não disse que o amava. Ele poderia muito bem ter pensado que eu só queria lhe humilhar, dar para ele e depois deixa-lo sozinho como vingança, sofrendo bullyng. Mesmo assim ele contou a todos que é gay.
Beijei suavemente seu maxilar e descobri que ele provavelmente fazia a barba. Novamente deitei minha cabeça em seu ombro.
-Eu te amo – disse, um tanto envergonhado. Eu nunca pensei que a melhor coisa que eu poderia dizer era simplesmente ser sincero comigo mesmo e, ao meu ver dizer algo bem vergonhoso, me deixando vulnerável.
Notas finais
E cá estou eu, depois de meses fugindo das pedradas com limões o/ E com uma péssima notícia: vou tentar manter constante os capítulos de Emo-ções, porém uma semana sim e uma semana não. Motivo: Eu estou escrevendo mais de uma história em paralelo. A intenção ao postar um capítulo por semana era fazer capítulos pequenos, com entre mil e duas mil palavras (podem ver pelo numero de palavras dos primeiros caps) E agora chegamos aos 4 mil brincando, então... Mais trabalho (na verdade o equivalente há umas quatro semanas).
Agradecimentos: ao Kouwolf que mandou MP hj cobrando *-* E ele seeeeempre deixa reviews grandes e amáveis (nunca desistindo). E claaaaro que eu tenho de obedecer, sou uma humilde serva de meus leitores.
A minha maninha linda, Cattawiina que SEMPRE sabe tudo de Emo-ções e dá uma olhada nos caps.
Ao Vini, meu lindo q sabe q eu te amo, msm enchendo o saco e sendo super má e mesmo vc reclamando dos meus erros de portugues, seu desgraçad... He he ^^
A Marii W que deu EXCELENTES ideias e eu to enchendo o saco dia após dia... Ahh, vcs vão ver o nome dela várias vezes, pq deu ideias maravilhosas perfect.
Eeeeee a Taiane q me atura com Emo-ções no colégio dia após dia e, aliás, se algem for estuprado na fic a culpa e toda e exclusivamente dessa pervertida sádica. Aliás Tai, o Bill adora dar o rabinho pro Tom, okks?? (qero ver n deixar review depois dessa xPP)
Beijos amados, e obrigada por n desistirem de mim o/
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