Emma Mills?
19 Sutil?
Notas iniciais
Sutil?
– Gina? – a loirinha sussurrou manhosa no ouvido da morena, minutos depois do David e da Mary começarem a conversar.
– O que meu amor? — perguntou derretida por tanta manha na loirinha.
– To com fominha. – a pequena era só manha. – Nós podemos comer ou vamos ter de esperar vocês montarem a barraca? Porque se fomos esperar a gente morre de fome, vocês nunca nem saem do primeiro passo. – dizia com divertimento na voz, e um pouco da ironia que vez ou outra viu a morena usar com Snow, o que subitamente causou um olhar indignado na Rainha.
– Não é bem verdade, nós já estávamos quase no segundo passo. – tentava justificar, não querendo assumir seu total desastre na montagem das barracas.
– O que quer dizer que ainda não saíram do primeiro passo. – dizia cada palavra lentamente, como quem explica algo complicado.
– Tecnicamente sim, mas nós só precisávamos de mais um tempinho. – disse meio enrolada. – era questão de meia hora e a barraca ia estar montada. – disse tentando soar convincente.
– Meia hora? Vocês montariam a barraca em meia hora. – disse arqueando a sobrancelha e lançando seu olhar sarcástico, numa replica perfeita da Rainha.
– Sim. – a morena torceu para que sua voz não saísse tremula.
– Jura que você quer que eu acredite que você montaria em meia hora a mesma barraca que vocês levaram mais de duas horas para “quase sair do primeiro passo?” – a loirinha nunca pareceu tanto a Rainha quanto nesse momento, ela estava de braços cruzados, sobrancelha arqueada e olhar cético direcionado a morena, da mesma forma que Regina fazia quando Emma aprontava alguma travessura e inventava uma historia sem pé nem cabeça.
– A senhorita está insinuando que eu não sei montar uma barraca? – Regina lançou a loirinha um olhar questionador, o que a fez segurar um sorriso, e responder ainda em sua postura de Regina.
– Não, é claro que não estou sugerindo isso. – disse séria, o que fez a morena assumir uma posição vitoriosa. Isso até a loirinha completar a frase, é claro. – Eu estou afirmando isso. – disse por fim reproduzindo o mesmo sorriso que a alguns segundos habitava no rosto da Rainha.
– O que? – disse ainda indignada.
– Não vamos mentir Gina, você não sabe montar uma barraca! – foi categórica, com a mesma voz da morena, o que acabou a fazendo sorrir, pois, tudo naquela pirralha lembrava Regina.
– Engraçadinha. – disse enchendo Emma de cócegas, que se contorcia em seus braços, rindo até ficar vermelha. – Vamos logo te alimentar antes que você volte a insultar meu modo de montar barracas. – disse com divertimento na voz.
– Você não tem um modo de montar barracas. – a loirinha riu com gosto da falsa expressão zangada da Rainha, mas beijou sua bochecha depois, o que desfez na hora a expressão.
– Almoça conosco David? – perguntou Regina, mesmo que não gostasse da idéia de servir de cupido para os dois, ainda assim, havia prometido a loirinha que iria tentar, começando por deixá-los passar algum tempo juntos.
– Não vou incomodar? – perguntou meio sem jeito, queria passar mais um tempo com Mary, e conhecer melhor a loirinha que já o tinha encantado, ainda mais depois de ver a conversa dela com a morena. A verdade é que a loirinha com seu jeito cheio de atitude lembrava-o de quem ele costumava ser quando criança.
– Não será incomodo nenhum David, você salvou meu presente, é o mínimo que posso fazer. – disse Regina de forma convincente.
– É e nos não aceitamos não como resposta. – completou Emma com sua postura de Rainha. – Diz que sim, sim? – a loirinha usou seus olhinhos pedintes e seu bico manhoso, o que tornou impossível para o David recusar.
– Sendo assim senhorita Emma, eu aceito. – disse brincando coma loirinha.
– Mary, você me ajuda a arrumar tudo? – pediu Regina, depois de ter trocado a roupa de Emma e entregado uma toalha seca para o David, que se secou e colocou a blusa que havia tirado para pular no lago, e como o sol estava quente, a parte de baixo de seu vestuário não demoraria a secar.
– Claro. – e assim, as duas se encaminharam para arrumar tudo o que precisariam, enquanto Emma fazia companhia ao David, eles se encostaram na grande arvore que ficava a uma distancia segura de onde elas estavam, o que garantiria que o que quer que conversassem não fosse ouvido.
– Posso te fazer uma pergunta David? – Emma perguntou usando sua melhor expressão inocente, o que se fosse Regina em seu lugar seria motivo mais que suficiente para ela desconfiar, a loirinha agradeceu por ele ainda não conhecer seus truques, ou não funcionaria o que tem em mente.
– Você já fez uma não? – perguntou divertido. – mas sim, você pode fazer quantas perguntas quiser. – ele disse, mal sabia ele que não devia ter dito isso. Mas teve uma leve impressão disso quando viu o sorriso que Emma lhe lançou, a loirinha tentaria agir com naturalidade, e ser sutil, mas precisava sondar o terreno, afinal, ele não se lembrava de quem ela era, muito menos de Mary, e poderia magoar a professora que ela começa e ver como mãe. E Emma não queria isso.
– Você tem namorada? – ela disse como quem não quer nada, mas o único problema em Emma tentar ser sutil, é que ela não sabia ser sutil, ainda não. David perdeu a fala e ficou sem jeito na hora, não pensou, quando concordou em responder as perguntas de Emma que ela perguntaria justo isso.
– Não Emma, eu não tenho nenhuma namorada. – disse por fim, era constrangedor para ele falar sobre isso com a loirinha.
– Legal. – Emma tentou controlar a animação ao receber a noticia, seus planos estavam indo bem. Ela então direcionou seu olhar para Mary, o que fez David quase que inconscientemente fazer o mesmo. – Ela é muito bonita não é? – perguntou sondando o terreno.
– Quem? – perguntou ainda observando a graça de Mary arrumando tudo para a refeição junto a Regina.
– A Mary. – disse como se fosse obvio.
– Sim, muito linda mesmo. – o loiro tentou controlar as batidas do seu coração enquanto olhava a professora.
– Você gosta dela. – afirmou Emma, o que fez David olhá-la entre surpreso e extremamente constrangido. – eu sei que gosta, vejo como você a olhar.
– E como eu a olho? – perguntou ainda pasmo com a capacidade da criança em notar algo que ele ainda nem mesmo havia notado ainda, mas em seu interior, sabia estar lá.
– Como se ela fosse seu mundo, quando você a olha, é como se nada alem dela existisse, e agora mesmo, você nem piscou. – Emma tinha o mesmo tom que Regina usava quando sabia ter alguém em suas mãos.
David ficou sem fala, não sabia como agir. Então a loirinha tornou a falar.
– Só não a machuque ok? Ela é importante para mim, eu gosto de você David, e realmente detestaria ter de acabar contigo. – agora ela usou o tom Evil Queen de forma tão perfeita que parecia a própria estava ali falando com David.
– Pode deixar Emma. Nunca a machucaria. – ele tornou a olhar Mary.
– Então, quais suas intenções com ela? – Emma sempre quis usar essa frase, que havia visto em um filme nas noites que ela conseguia convencer Regina a deixá-la dormir depois da hora, então elas assistiam ao filme com bastante pipoca.
– Eu ainda não sei como as coisas serão com ela, mas tenho a sensação que encontrei a mulher da minha vida, aquela que será a mãe dos meus filhos. – disse de forma convicta, Emma sorriu para ele, mas algo na sua fala havia despertado na pequena uma enorme curiosidade, e antes que pudesse tirá-la foram chamados para comer e por hora, a loirinha deixou de lado essa pergunta, decidindo por fazê-la a Regina mais tarde.
A loirinha correu para os braços da morena, já estava a muito tempo longe da mesma para seu gosto. Assim, o que deveria ser apenas um almoço, acabou se tornando uma janta, pois David acabou ficando com elas a tarde inteira, ele, junto a Emma montaram em meia hora as duas barracas, o que fez a loirinha ir toda presunçosa para perto da rainha, que acabou achando fofa a cara da pestinha e a encheu de beijos.
Emma, Regina, Mary e David, acabaram brincando toda a tarde, correndo por todo o lugar um atrás do outro, ou se escondendo, a loirinha estava amando passar esse tempo com eles. Quando enfim anoiteceu, a pestinha os convenceu a fazer uma fogueira e David foi até seu acampamento, buscar seu violão, e acabou cantando uma musica muito linda para Mary, o que fez Regina revirar os olhos e Emma soltar algumas risadinhas.
No fim, acabou ficando tarde para a loirinha que se despediu de todos junto a morena entrando com a mesma na barraca, já pronta para elas passarem a noite, de dentro da mesma, ainda se podia ouvir David tocando e Mary cantando, pois eles resolveram alongar mais um pouco a noite.
Emma então se lembrou de algo que vinha a corroendo desde a conversa com David, ela estava abraçada a rainha que fazia cafuné em suas madeixas loiras, e beijava de vez em quando seus cabelos. A loirinha então se ajustou numa posição em que pudesse olhar nos olhos da morena.
– Gina, se eu te perguntar algo você me responde com sinceridade? – perguntou inocentemente. O que fez a morena desconfiar na hora, mas resolveu arriscar.
– Mas é claro meu amor, o que você quer saber? – perguntou a olhando com carinho.
– De onde vêm os bebês?

Fale com o autor