Emma Mills?
20 Simples pergunta?
Notas iniciais
Simples pergunta?
A morena estava pasma, seus lábios se abriam e fechavam na falha tentativa de entender a pergunta da loirinha , mas a Rainha ficou tão surpresa com a pergunta que simplesmente não conseguia processar, muito menos emitir qualquer som, ela esperava que essa pergunta fosse feita alguns anos mais tarde, o que lhe daria tempo para pensar uma boa resposta, pois seu sexto sentido acreditava que ela não fosse acreditar na história da cegonha, ou será que ia?
– E então Gina? De onde vêm os bebês? – ela perguntou já meio impaciente com seus olhos cheios de curiosidade para a morena já extremamente pálida e subitamente sem fala. Tudo o que ela emitia eram som abafados e os olhos estavam do tamanho de pratos de tão abertos.
– Ãããhhnn. É-é-é. – ela pigarreou tentando pensar numa maneira de explicar isso a ela.
– Você vai me explicar ou não de onde vêm os bebês ou vai ficar abrindo a boca a cada segundo? Afinal, o que tem de tão complicado em dizer de onde vêm os bebês? – a pequena já estava ficando desconfiada, afinal, para ela a pergunta era bem simples, e não entendia porque da Rainha aparentar estar diante de um dragão sem arma para vencê-lo só porque lhe fez essa pergunta. Alias, pela cara dela, é possível que ela prefira enfrentar um a ter de responder.
A Rainha pigarreou mais umas três vezes, clareando sua mente, e pensando num jeito de fazer sua explicação parecer real, bom, Emma ainda tem três anos, e uma imaginação fértil. “por favor que ela acredite” pedia em pensamento quando forçou seus lábios a emitirem palavras.
– Bom, os bebês eles, e-e-eles vêm da cegonha é claro. – disse firme, como se fosse verdade.
– Da cegonha? Isso é impossível Gina, o bico delas não suporta um bebê, como eles viriam dela e quem os coloca lá? – perguntou Emma insatisfeita com a resposta.
– Tão impossível como nós todos sermos personagens de contos de fadas? – ela usou seu ultimo recurso para tentar convencer a loirinha de sua historia.
– Nada é tão impossível quanto isso Gina. – a loirinha fez um biquinho muito fofo, mas sua expressão era de descontentamento, então resolveu tirar suas duvidas. — Tá bom, mas então quem dá o bebê para ela? E como ele vai parar na barriga da mãe? – questionava os pontos em aberto da história, afinal, tinha um pouco de conhecimento sobre animais, e não cairia fácil nessa historia de “cegonha”.
– Bo-o-omm, os bebês e-e-el-les, eles nascem de-de-de uma plantação de bebês. – disse a primeira coisa que sua mente pensou. – onde as-as fadas do-do nosso mundo derramam se-seu pó de fada e eles nascem pequenos. Ai elas colocam um por vez no bico de uma cegonha especial que coloca na barriga das mães, e é i-i-i-sso, fim da historia, vamos dormir que já ta tarde? – disse toda atrapalhada, mas ao olhar para a loirinha viu que sua historia não havia convencido muito, pois ela usava a mesma expressão que ela usa quando a pequena dava uma explicação sem pé nem cabeça.
– A cegonha? – ela arqueou a sobrancelha recebendo um acenar de cabeça exagerado. – E porque você demorou tanto para responder? – a loirinha ainda estava pouco convencida.
– Po-po-por que e-eu fiquei surpresa com a pergunta. – disse a verdade seus olhos implorando para que a pequena acreditasse e parasse de tocar nesse assunto.
A loirinha ia questionar de novo, mas decidiu deixar para outra hora quando viu a expressão no rosto da Rainha que estava tão desesperada que parecia que iria chorar a qualquer momento, e mais uma vez, a pequena não entendia o porquê.
Além de ter percebido que ela não sabe mentir mesmo, a loirinha nunca ouviu algo tão sem sentido quanto isso, e “cegonha, aff! E ela ainda dizia que eu não sei inventar história, até aquela minha história de que foi o gato invisível da vizinha que quebrou o vaso extremamente caro de sei lá quem parece mais cabível, tudo bem que eu sem querer esbarrei nele e que eu detestava aquela coisa que ela chamava de vaso, mas ainda assim, é praticamente possível comparada a essa. Preciso descobrir a verdade.”
– Tudo bem Gina. To com soninho mesmo. – então se aninhou com a morena, por mais desconfiada que esteja, jamais abriria mão de dormir com a morena, amava a segurança que ela lhe trazia, o que era mais que natural para ela, afinal, aos seus olhos de criança, a Rainha era sua guardiã.
O dia amanheceu ensolarado, mas ainda guardando um certo ar fresco que foi extremamente apreciado pela loirinha que delicadamente se desvencilhou dos braços da Rainha, abriu a barraca saindo da mesma, ficou surpresa quando viu Mary já em pé, preparando algo para elas comerem, andou até ela, sua mente já trabalhando a todo vapor.
– Olha só quem já está em pé, bom dia meu amor. – Mary disse quando a viu por perto, a pegando em seus braços, beijando suas bochechas, recebendo beijos da loirinha também e um bom dia bem animado, se ela soubesse a razão desse sorriso...
– E então meu amor, que tal você sentar nessa mesa e tomar seu desjejum comigo? – perguntou a morena.
– Nós podemos esperar pela Gina? Ela não deve demorar a levantar e não gosto de comer sem ela, quebra nossa tradição. – pediu a loirinha, de fato, detestava fazer qualquer coisa sem a morena, ainda mais se fosse algo que sempre faziam juntas.
– Tudo bem, ainda está cedo, o que me faz pensar no porque da senhorita já estar em pé nessa hora. – disse tocando levemente no nariz da loirinha, abrindo um sorriso acolhedor logo depois.
– Não consegui dormir direito, afinal, você sabe né que eu como uma quase adulta tenho a cabeça muito cheia de assuntos importantes. – a pequena disse como se fosse uma adulta, o que tirou um sorrisinho de Mary que resolveu entrar na brincadeira.
– Hmmm, eu posso imaginar que você como uma quase adulta deve ter muito em que pensar mesmo. Mas existe algo em particular que esteja tirando seu sono? – Mary acariciava os cabelos da loirinha, sua frase fez os olhinhos dela brilharem, mal sabia a professora que não devia ter perguntado.
– Bom, já que você perguntou, na verdade, tem um sim. – disse a loirinha enquanto via Mary pegar dois copos para levar na mesa, a morena estava a meio caminho do seu destino quando Emma perguntou. – Mary, de onde vêm os bebês? – questionou a loirinha, pois, não acreditava na historia da cegonha e algo lhe dizia que Regina iria ficar lhe enrolando com aquela historia de cegonha.
A professora ficou ainda mais pálida do que já era, sua boca se abriu em total espanto, assim como seus olhos que pareciam pratos de tão abertos e sem querer acabou derrubando os copos que estavam em suas mãos, que, por estarem em solo constituído por terra e coberto de grama não quebraram.
– Mary? Mary! – Emma tentava chamar sua atenção, foi quando a morena saiu de seu torpor e pegou os copos do chão, ainda pálida, mas já refeita, afinal, como professora já havia sido questionada sobre isso, mas sabia que a história da cegonha não iria colar com a loirinha que era muito esperta, então tentaria dizer para ela perguntar a Regina, e se não desse certo decidiu contar outra versão da historia.
– Você já perguntou a Regina meu amor? – disse já refeita, pegando outros copos, depois limparia esses que derrubou.
– Sim, mas quero ouvir de você. – disse omitindo a parte de não ter acreditado na morena. – você pode me dizer? – e fez sua melhor carinha pedinte, que como já havia notado deixava a morena em suas mãos.
– Ãããnn, posso, eu posso sim meu amor. – ela então colocou os copos na mesa e se sentou na mesma, que se constituía de uma mesa desmontável e algumas cadeiras também desmontáveis que a rainha comprou quando Emma pediu para acamparem, então Regina decidiu comprar equipamentos fáceis de montar e leves de carregar, além de fogão portátil a gás acompanhado de algumas panelas medias e a barraca para quatro pessoas é claro, afinal, uma rainha só usa o melhor, não queria também que seu presente dormisse mal acomodada.
– Porque você não senta aqui comigo enquanto eu te conto de onde os bebês vêm? – pediu Mary e Emma acabou concordando, e se sentou de frente para ela, com aqueles olhos cheios de curiosidade. – Ok, bom, quando um homem e uma mulher se amam, os homens, que já possuem com eles uma sementinha, colocam ela na barriga da mamãe, nove meses depois nasce um bebê. – disse a historinha que já estava acostumada a contar, mas seus alunas já tinham pelo menos seis anos, nunca pensou que contaria para uma criança de três, porem, Emma sempre foi precoce mesmo.
– Ahhh. – exclamou Emma, a historia fazia total sentido para ela, que se perguntou porque Regina não havia dito isso ao invés daquela coisa de cegonha, mas algo ainda lhe deixava com um pé atrás. Mas não pode perguntar, pois, Regina que acordou um tempo depois por sentir a falta de seu presente com ela e resolveu ver onde sua pestinha estava, apareceu em seu campo de visão bem na hora. A loirinha então disse a Mary:
– Obrigada pela explicação Mary. – e foi até a professora, beijando seu rosto para então correr para os braços da morena, lhe abraçando e recebendo beijos de bom dia. Ambas foram fazer sua higiene matinal e depois se dirigiram até a mesa e comeram em meio a conversas bobas.
Elas brincaram um pouco com a loirinha, logo já eram dez horas, foi quando certo loiro apareceu em seu campo de visão, Emma ficou feliz por seu alvo ter vindo, tanto que correu até ele, afinal, eles já eram amigos. A loirinha o aceitava como amiga, pois, como pai ainda levaria um bom tempo para acontecer. David a pegou nos braços, beijando suas bochechas e com ela nos braços caminhou até as duas mulheres.
– Bom dia, resolvi vir até aqui ver como vocês estavam. – disse ele sorrindo para elas, logo Emma se balançou para sair do seu colo, ela sentou ao lado da Rainha, que fez carinho nas madeixas da pequena.
– Nós estamos bem, obrigada por se preocupar, mas agora tenho que preparar o almoço, você pode ficar com a Emma enquanto faço isso? – perguntou Regina já se dirigindo a “cozinha” delas.
– Claro. – respondeu David.
– Eu vou te ajudar, a propósito, almoça conosco David? – perguntou Mary e corou quando ele lhe lançou um sorriso galante antes de responder.
– Ia ser ótimo, não sou um bom cozinheiro. – e sorriu meio sem jeito para ela que ficou toda boba.
– Ããnn, fantástico, bom, eu vou ajudar ela. – disse meio sem jeito indo até Regina, sobre o olhar atento de David.
– Hey David, a gente pode apostar corrida até aquela arvore lá? – sugeriu Emma apontando uma arvore a uns bons metros de onde estavam.
– Até lá? Xiii, sei não, será que a nanica aguenta? Sei não. – disse David a provocando, que fez uma cara de indignada e começou a falar com as mãos na cintura e nariz empinado.
– Ora, eu não sou nanica coisa nenhuma, sou criança, é diferente e é claro que eu aguento, sou uma Rainha afinal. – ela fez sua pose de Rainha, que tirou um sorriso do homem.
– Isso é o que vamos ver, no três? – perguntou David.
– Sim. Um, dois... três. – e saiu correndo, David a deixou correr um pouco e logo foi atrás dela, com passos mais curtos, a deixando ganhar fingindo cansaço quando chegou lá. Emma lhe sorriu convencida dizendo.
– Eu disse que aguentava.
– Ok, senhorita Emma, eu assumo que estava errado. – ele fez uma reverencia de brincadeira, causando risos na loirinha.
David se levantou e Emma começou a circular ele, como quem procura algo, tentou ver se ele tinha algum bolso, mas nada, então ela olhou curiosa para David e perguntou.
– Ué, cadê? – perguntou com os braços cruzados exigindo resposta, deixando David confuso.
– Cadê o que Emma?
– As sementes ora. – disse como se fosse obvio deixando David cada vez mais confuso.
– Que sementes Emma? – perguntou muito confuso.
– Ora, como assim que sementes? A semente que você vai usar para criar bebês é claro! Onde você as guarda? — perguntou Emma inocentemente, David ficou totalmente sem fala e muito pálido.
– E então David? onde você as guarda? — para sua sorte, ele mas viu Mary acenando para eles, aparentemente ambos haviam ficado mais tempo do que pensaram e a comida já estava pronta.
– Xii, olha só Emma, acho que o almoço já está pronto, e eu to morrendo de fome, va-vamos comer. — e David saiu correndo de lá como o diabo foge da cruz, o que deixou Emma curiosa e confusa para trás que suspirou exclamando.
– Por que ele saiu correndo? custa responder uma simples pergunta? aff! o que tem demais em me dizer onde ele guarda as sementes? Ah, mas eu vou descobrir! — e saiu correndo atras dele, afinal, também estava com fome, além de querer ficar perto da morena, que sorriu quando a viu correndo até ela. A loirinha sorriu de volta apressando seus passos.

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