Emma Mills?
23 Simplesmente Emma
Notas iniciais
Simplesmente Emma
As lágrimas ainda corriam de seu rosto como cascatas, seu peito ardia com a saudade que já sentia, e nem tinha uma hora desde que aquele avião havia decolado, suas mãos tremiam apoiadas no volante de seu carro, sua cabeça pousava sobre os braços, era doloroso, mas trazia conforto ao mesmo tempo. Fechou seus olhos, enquanto sua mente trabalhava agilmente, enviando-lhe lembranças de tempos mais felizes, onde Emma era apenas Emma, uma loirinha muito petulante e encantadora.
Não que agora ela tenha deixado de ser petulante ou encantadora, mas agora ela era mais que apenas sua, era uma menina aprendendo a ser mulher, com responsabilidades e um futuro que dependia de seu esforço. Estava orgulhosa é claro, mas não podia deixar de sentir falta de quando ela corria para sua cama todas as noites, de pijama com o inseparável urso ao seu lado, um bico manhoso nos lábios e um olhar pidão. Ela foi deixando esse habito aos poucos, agora, era algo mais distinto e raro. Seu bebê precisaria crescer um dia, e ele chegou, rápido demais, sua menina não era mais só sua e tinha um mundo a conquistar.
Seu choque ao ter a primeira e mais significativa prova disso foi mais que obvio:
A Rainha estava sentada em seu sofá, entretendo-se com alguns artigos sobre novas espécies de maças e as diferenças entre elas, tentando matar o tempo enquanto esperava que sua loirinha — agora com seus doze anos — fosse trazida novamente para perto de seus braços por Mary Margaret, já que a mesma havia a levado para dar a Emma um reforço em matemática já que a loirinha tinha muita dificuldade na matéria, quando a loirinha entrou calmamente pela porta, trancou-a e então se pôs a correr escadas a cima, sem nem ao menos dirigir o mais singelo olhar para a morena.
Regina imediatamente mudou sua expressão, de tranquila para preocupada, vendo seu presente de correr escada acima com os olhos em seus pés. Nem ao menos teve chance de repreendê-la por correr pela casa, de tão rápido que a mesma correu, isso junto a seu choque pela repentina mudança, fez com que a Rainha demorasse para processar as informações, seu coração apertando dolorosamente enquanto subia rapidamente as escadas, ignorando seu própria regra, de tão aflita que ficou.
Entrou no quarto da loirinha, mas o mesmo estava vazio, então se dirigiu ao seu, tudo o que podia ver era a luz de seu banheiro ligada, foi para a porta do mesmo, que estava trancada, estranhou ainda mais, o que estava havendo com sua loirinha? E principalmente, qual seria o motivo de tal mudança de comportamento? Ela então desejou que fosse algo momentâneo, e que Emma voltasse a ser sua doce menina.
– Emma? – bateu delicadamente na porta, esperando que ela lhe dissesse algo, mas nem um ruído sequer se ouvia do banheiro, apertando ainda mais seu coração. – Meu amor, o que houve? Abre a porta para mim meu presente. – antes mesmo de terminar de falar a Rainha escutou ruídos que colaboraram ainda mais para que seu desespero aumentasse, eram os sons de um choro sofrido, de Emma, a sua pestinha, seu melhor presente estava sofrendo.
Sem pensar em mais nada, a morena correu até o lugar onde guarda sua chave reserva, voltando quase que como um raio para seu quarto, abrindo rapidamente a porta do banheiro apenas para encontrar Emma sentada contra a parede frente a entrada para a ducha, encolhida, as mãos abraçando suas pernas, seu cabeça estava apoiada nos braços enquanto seu corpo era sacudido pelos soluços que demonstravam, ainda mais a dor por ela sentida.
Rapidamente, a Rainha sentou-se ao seu lado, abraçando fortemente aquela que se tornou a razão de seu sorriso. A loirinha aconchegou seu rosto na curva do pescoço da morena enquanto suas mãos a puxavam para si, com desespero, como se fosse perdê-la a qualquer momento. Os soluços balançavam ambos os corpos de tão intensos que eram, Regina sentia a dor de Emma como se fosse sua, apertou-a mais junto a si enquanto lagrimas desciam dolorosamente de seu rosto.
Levou mais tempo que a Rainha podia imaginar, mas, logo o pranto de Emma foi cessando, passando leves soluços, que logo se dissiparam, dando lugar a um olhar distante e ainda sofrido, enquanto a mesma ainda sentia os braços da loirinha a abraçando com força, logo, sua respiração voltou ao normal, trazendo um grande alivio no coração da mais velha.
– O que houve meu amor? – a Rainha suavemente perguntou, sua voz era branda, tentando passar uma calma que não sentia, ansiando com cada pedaço de seu ser entender o motivo de tanto desespero, embora também temesse o que estava por vir, pois, nunca antes havia presenciado tamanha dor em alguém além de si mesma, temia que alguém a tivesse machucado fisicamente, apesar de sentir em seu coração que essa dor ia alem de limites físicos.
A loirinha demorou um pouco para enfim deixar que sua voz saísse em forma de um sussurro fraco, vacilante e ainda rouco pelo choro recente.
– E-e-eu, eu to com medo Gina. – falou com toda sinceridade existente em seu coração, não sabia como dizer, tinha tanta vergonha que não conseguia fitar seus olhos, mas, nada – nem mesmo a dor latejante em seu coração — era maior que o medo de perder o que de melhor lhe havia acontecido, medo de ser abandonada novamente.
– De que tem tanto medo meu amor? – a Rainha tentava bravamente controlar os sentimentos que duelavam em seu interior, era hora de ser forte, por Emma, mesmo que implorasse com cada pedaço de seu coração que algum ser superior lhe concedesse a coragem, força e paciência necessária para encarar o que quer que esteja por vir.
– Você promete que não vai me abandonar, aconteça o que acontecer? – pediu vacilante para a morena que suavemente ergueu sua face, acariciando a mesma.
– Nada vai nos separar, eu prometo. – foi firme, olhando fixamente para seus olhos, a loirinha concordou e acenou com a cabeça em direção ao pacote recém aberto na pia, sentindo seu corpo todo tremer quando percebeu o olhar de Regina fitar o mesmo, enterrando seu rosto na curva da Rainha agora em choque.
Sentiu a realidade bater de frente com ela no momento que seus olhos miraram a embalagem recém rompida, a prova mais forte e viva que seu bebê havia crescido, o desespero se fez presente quando se deparou com tal verdade. Sua linda e pequena pestinha, logo se tornaria uma mulher, ninguém poderia mudar isso, consequentemente, cedo ou tarde a perderia, restando a ela, apenas uma grande e vazia casa para a qual não gostaria de voltar. Doces recordações lhe invadiam a mente enquanto seus olhos miravam a embalagem sem realmente a enxergar, sem saber o que falar.
Demorou um pouco mas ela conseguiu finalmente se refazer, preferindo deixar seus mais profundos temores para quando enfim tivesse de enfrentá-los, perguntou ainda abraçada a Emma, queria aproveitar cada segundo que ainda possuísse com a mesma.
– Esse — pigarreou, e respirou fundo antes de continuar — esse é um momento muito lindo e marcante na vida de uma menina. – respirou mais uma vez antes de retornar a falar – Quando ela começa a deixar de lado a menina que costumava ser, para dar lugar a mulher que nasceu para ser. – disse com um pouco de dificuldade devido ao enorme fluxo de emoções duelando dentro de si.
– Mas eu não quero crescer Gina, não quero deixar de ser sua pestinha. – a loirinha confessou, sua voz denotando todo medo que sentia. – Você começou a me amar por eu ser pequena, agora eu não vou ser mais pequena e você vai me abandonar. – disse por fim.
– Emma, olha para mim. – a morena corajosamente ergueu seu rosto, fitando aqueles orbes novamente umedecidos. – Se me fosse permitido, também te conservaria pequena, para sempre estar debaixo de minha asa, onde nenhum mal poderia te tocar. – ela enxugou uma lagrima que caiu na lateral da face de sua pestinha, sentindo seus próprios olhos produzir lagrimas que segurava bravamente enquanto continuava a falar:
– Mas crescer faz parte da vida, e sempre será uma parte de você, uma parte importante, a qual eu vou amar com cada pedacinho de mim enquanto eu respirar, porque eu não te amei por você ser pequena, eu te amei por ser simplesmente a Emma, minha Emma, a única que conseguiu ver uma bondade em mim que nem mesmo eu enxergava, a razão por eu ter voltado a ser apenas Regina. – disse suavemente, arrancando um lindo sorriso dos lábios da loirinha enquanto a mesma a fitava com os olhos úmidos, a abraçando fortemente.
– Eu te amo Gina, ate depois do para sempre lembra? – disse agora arrancando um sorriso do rosto da morena. – vamos estar sempre juntas não vamos? – perguntou mais tranquila.
– Sempre meu amor. – disse mesmo sabendo não ser verdade, pois, logo algo a afastaria, Emma não lhe pertencia mais, talvez nunca a tenha pertencido, um lindo presente que lhe foi cedido por certo tempo, um tempo que estava se esgotando. Emma tinha uma vida para viver, um mundo a conquistar, e principalmente, um futuro que talvez não lhe envolvesse, mas preferiu apenas guardar essa parte para si mesma e aproveitar esse presente, onde ainda a tinha.
E ela aproveitou cada segundo do tempo que ainda possuía, cada sorriso, gesto ou palavra, sendo guardado com todo o carinho em seu coração, sabendo que eles seriam as únicas coisas iriam poder acalentar seu coração quando sozinha habitasse naquela enorme mansão. Varias lembranças dos momentos vividos pelas duas invadiam sua mente enquanto seu carro trilhava novamente o percurso de volta a Storybrooke, sozinha.
Dirigiu sem pressa alguma, não havia motivo para isso, afinal, voltaria para uma casa vazia, grande demais para apenas uma pessoa só. Quando enfim estacionou frente a mansão 108, respirou fundo antes de corajosamente desligar o carro e se dirigir para dentro da mesma enquanto se perguntava como seria de agora em diante.
A porta foi aberta e a morena enfim entrou na mesma, não podendo mais conter a enxurrada de lagrimas que abundantemente caiam de seus olhos, cada ponto de seu coração dolorosamente latejava, apertando o coração da Rainha, imagens ainda inundavam sua mente, sorriu tristemente, cada pedacinho daquele lugar guardava uma lembrança da loirinha.
A morena se encaminhou até o quarto de Emma, vendo a cama perfeitamente arrumada — mania que havia adquirido com a Rainha – e seu amado urso cuidadosamente posto na mesma. Regina foi até a cama, sentou-se apalpando o travesseiro carinhosamente, do mesmo jeito que fez anteriormente, quando Emma ainda estava ali deitada, a mesma então colocou sua cabeça sobre ele, enquanto com um braço abraçava o urso, com o outro envolveu o travesseiro, as lagrimas molhando o macio objeto, quando sentiu tocar em um papel deixado embaixo do mesmo.
Curiosa, Regina ergueu seu tronco – ainda com o urso nos braços — enquanto puxava o que deveria ser uma carta envolvida por um muito elegante envelope branco. Emma. Pensou sorrindo agora docemente, de forma delicada retirou uma folha de dentro, na qual se constava a linda caligrafia de Emma. Respirou fundo antes de começar a ler.
Querida Regina,
Confesso que me afastar de você nunca esteve em meus planos, tanto que relutei muito e por noites seguidas, talvez por isso mesmo, agora, — perante essa separação quase concretizada e já tão eminente — eu não saiba exatamente o que dizer, mas, achei que deveria te fazer saber de algumas coisas.
A primeira, é que me afastar de você dói mais que posso descrever, como poderia não doer se foi apenas com você que finalmente entendi o significado da mais plena felicidade? Se foi por você que lutei bravamente contra meus mais fortes instintos de adolescente, para não te fazer sofrer? Sei que falhei algumas poucas vezes, e te deixei com cabelo em pé, mas, vou te contar um segredo, lembra de quando eu fiz aquela loucura com o carro e voltei com a jaqueta vermelha? Eu fiz amigos na cidade, com os quais iria me encontrar no dia seguinte, mas eu nunca fui, e sabe o que me impediu de ir?
Você, seus olhos para ser mais especifica, eles estavam tão vermelhos, inchados, nunca vi tanta preocupação neles, exceto talvez naquela vez que me perdi quando criança, mas dessa vez era pior, pois, não foi acidental, tudo que eu podia pensar era que cada lagrima que derramou naquela noite foi causada por mim, eu te imaginei chorando e, acho que cravar estacas em meu peito teria doido menos, naquela noite eu prometi a mim mesma que nunca mais seria o motivo de suas lagrimas. Por isso jamais desgrudo da jaqueta, para que ela sempre seja um lembrete de que adrenalina alguma vale suas lagrimas.
Com isso, quero mais uma vez te lembrar, que não vou me meter em confusões por aqui, e principalmente, que eu vou sentir sua falta em cada segundo desse tempo longe, falta da sua voz, do carinho que emana de você para mim com apenas um olhar, e que eu sempre vou lembrar que meu lar é onde você está; isso nunca vai mudar, acho que me lembro de uma vez ter te dito que lhe amaria até depois do para sempre, lembra disso Gina? Minha promessa ainda vale, e vou esperar ansiosamente que o tempo resolva passar e eu possa me aconchegar em seus braços novamente.
Mas, acredito que acima disso tudo, eu quero mais uma vez afirmar que não importa quanto tempo passe, eu ainda vou te amar, e mais a cada mover desse ponteiro, então, eu te peço, acredita em mim Gina, acredite em meu amor, porque ele é forte o bastante para me fazer atravessar esse mundo inteiro se você estiver do outro lado, porque você vale a pena.
Não estarei aí com você, mas deixo um representante em meu lugar, lembra dele Gina? Eu o amei desde o primeiro olhar, não queria o largar de modo algum, te dei trabalho com ele né? Mas é exatamente por isso que eu o deixo com você, porque o amei desde sempre, assim como quando te vi, meu coração te aceitou, e aceitou com era, ele foi capaz de te amar apesar da verdade que você tanto julga, ele me lembra você, e espero que ele te faça me sentir mais perto enquanto não estiver aí, guarde o sempre com você, e quando a saudade apertar muito, o abrace bem forte e pense em mim, pois, onde quer que eu esteja nesse momento, pensarei em você.
Te amo Rainha, com muito carinho
Emma S. Mills
Seu sorriso brilhava em meio as lagrimas derramadas, o coração mais calmo, apesar da saudade, pois, agora possuía a certeza de que Emma voltaria para casa, mesmo que demorasse, confiaria nas palavras da mais nova, e a esperaria, contando os minutos para sua volta. Sorriu calmamente enquanto abraçava o urso que ainda possuía o aroma de sua não mais tão pequena Emma.
Sete anos depois...
Sim, demoraram sete anos, sete dolorosos e absurdamente longos anos, mas, finalmente Emma estava no aeroporto, embarcando rumo a sua tão amada Storybrooke, com um diploma em mãos, assim, como o treinamento de uma verdadeira policial que conseguiu ser promovida a detetive em seu currículo. Sentia-se orgulhosa dos feitos que conseguiu realizar, feliz por agora saber que havia se transformado em uma mulher forte, destemida, corajosa. Alguém de quem Regina poderia se orgulhar.
Mas o melhor era poder voltar, estar de novo na cidade que tinha como sua, para seu verdadeiro lar, que assim como certa vez disse a morena, sempre será onde ela estiver.
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