Emma Mills?
25 Por você eu não mudaria nada
Notas iniciais
Por você eu não mudaria nada
O caminho de volta a casa foi sobre coisas cotidianas e possíveis mudanças na vida e jeito de ambas, tentando tratar esse afastamento como se nada fosse, era um fato que nenhuma das duas queria ou estava pronta para falar de como esse tempo longe doeu, ou de como os dias se arrastavam como semanas. Queriam apenas desfrutar do reencontro, de estarem finalmente juntas, com a certeza de que agora nada lhes separaria novamente.
Emma pode notar mais claramente — ou perceber – que o tempo realmente jamais passaria em Storybrooke enquanto a maldição não fosse quebrada de fato, pois, Regina não havia tido qualquer mudança fisicamente falando desde que a conheceu aos seus doces três anos de vida, nem ao menos uma ruga, seu corpo estava congelado, a única real diferença nela é que seu coração não estava congelado, e poderia apostar sua vida que o antes enegrecido coração da mesma não possui mais tantas manchas escuras como menciona o livro.
Só ela sabia como lutou bravamente para limpar o coração da Rainha, — agora mais ainda – era reconfortante que possa ver que valeu a pena, pois, enxergava nela a mudança, sentia que finalmente a morena estava conseguindo se perdoar, e entender que o passado não importa quando você realmente muda por dentro. E Regina mudou, para muito melhor.
Mas a loirinha ainda tinha alguns temores em seu interior, como seria quando a maldição se rompesse? O que aconteceria com todos eles? Voltariam para a floresta encantada? Seria como se nada acontecesse? E se sim, viveriam tudo de novo? Ficando no ponto de partido, com ela bebê e sem Regina? Era atormentador pensar nessa hipótese, como viveria sem a Rainha? Sem ao menos lembrar seu rosto, ou o som de sua voz, os olhos transpirando carinho para ela?
Como o tempo agiria com eles? E se ao invés de voltar ao ponto de partida simplesmente voltassem como estavam para lá? Ele cobraria sua taxa pelos anos congelados? Viria com tudo os fazendo ter a aparência e idade que realmente teriam se não tivesse sido a maldição? Se assim o fosse, quanto tempo ainda possuiria com as pessoas que ama? Os perderia logo, ficando sozinha num mundo que nunca foi de fato seu?
Eram tantos pontos soltos em toda essa historia, tanto a ser dito, respondido? Quem poderia responder? E principalmente, estaria pronta para saber a resposta?
– O que houve meu amor? – Emma ouviu a voz intrigada de Regina, foi o suficiente para tirá-la de suas divagações dolorosas, seu rosto estava mirando a paisagem pelo vidro da janela, mesmo que não visse, seria capaz de apostar seu coração que a Rainha estava com um vinco entre suas sobrancelhas, os olhos meio estreitos e a expressão mais dura, como quem espera um veredicto.
Mirou a, vendo como estava exatamente da forma que descrevera, era tão bom que mesmo depois de todos esses anos longe, ainda a conhecesse tão bem. Que apesar da distancia ela ainda era a Regina que sempre amou. Sua Regina.
Do mesmo modo com ainda era sua Emma, e sempre seria, embora em seu coração sentisse que agora o era mais do que jamais foi. Por mais que não conseguisse de fato explicar o real motivo de tal intensidade. Mais uma das muitas perguntas as quais temia descobrir a resposta. Pelo menos por hora. Dirigiu a morena mais velha um cálido sorriso enquanto balançava a cabeça de um lado a outro, indicando não ser algo importante.
– Nada demais, apenas me distrai com o cenário, imaginando se estaria mesmo tudo igual em Storybrooke. – disse por fim, não valia a pena preocupá-la antes da hora, viveria o presente, e apenas o presente, afinal, se o futuro não pudesse esperar teria outro nome. Sendo assim tratou de distraí-la, com algo trivial, que durou mais um bom tempo, falando sobre a rotina sempre igual de todos.
– Nesses dias é realmente muito bom ter a capacidade de poder mudar minha rotina, não sei como seria se não o pudesse fazer, as vezes me arrependo de ter os lançado sobre tal maldição. – disse olhando para a estrada.
– Mas aí lembro que foi por ela que ganhei o melhor presente que poderia querer ou mesmo merecer, e mesmo sendo injusto com seus pais e um grande egoísmo de minha parte, não consigo me arrepender de lançá-la quando seu rosto aparece em minha mente. – deu continuidade a sua fala, só que nessa parte ela mirou rapidamente o rosto da loirinha, dando-lhe um sorriso doce e carinhoso, como apenas ela conseguia dar. Retribuiu da forma que sempre faz.
– E tenho a certeza de que se eu tivesse de lançar ela dez vezes mais eu a lançaria, só para garantir que teria você em minha vida. Isso me lembra também que viveria tudo novamente, derramaria cada lagrima, morreria por dentro novamente quantas vezes fosse necessário, porque cada um desses momentos me trouxe até você, porque você vale a pena. Por você eu não mudaria nada. – seu olhar ainda mirava a estrada, mas a voz da morena saiu firme, sem um pingo de duvida, e ela realmente faria tudo de novo pela loirinha.
– Então acho que finalmente você consegue entender como me senti sobre você desde a primeira vez que a vi. – sua expressão agora era curiosa. – Porque desde a primeira vez em que te vi eu soube, eu simplesmente soube que você era diferente, que por você qualquer coisa valeria a pena, simplesmente valeria a pena. E sabe de uma coisa? Eu nunca estive tão certa. – Emma sorriu brilhantemente para ela. Sendo logo retribuída. Depois disso a viagem foi mais entre pontos na minha formação e meu tempo até virar detetive.
A mais nova não pode evitar o suspiro que veio assim que avistou a placa de Storybrooke, tal como a sensação de finalmente estar novamente em casa. Reconhecia cada parte dessa cidade como a palma de sua mão, vendo agora, tão de perto podia perceber o quanto cada canto dela lhe fez falta. As ruas familiares iam se apresentando a ela, da mesma forma de sempre, mas o sorriso que se abriu em seus lábios quando os orbes verdes miraram a enorme mansão 108 foi de plena realização, por ter feito tudo o que precisava e poder estar novamente de volta, vitoriosa e com a cabeça erguida.
A mansão estava do mesmo jeito de sempre, a sensação de lar parecia emanar por toda a propriedade, dando ainda mais ênfase a sua certeza de que era àquele lugar que pertencia. Suspirou antes de finalmente abrir a porta do carro e sair, mas não esperava a infinidade de lembranças que lhe viriam a mente, momentos passados ali, em sua maioria com Regina, tudo estava tão igual, mas, por mais que tentasse, não conseguia enxergar tudo como antes, não quando tanto em si havia mudado.
– Bem vinda de volta. – a voz da morena transbordava satisfação, as orbes marrons brilhavam em pura alegria. Foi impossível para a loira não corresponder aquele sorriso da mais velha, principalmente por ser o SEU sorriso, dado apenas a ela, sentiu seu coração aquecer ainda mais, com um amor que se fazia maior que antes.
–É ótimo poder estar de volta. – falou com um suspiro e logo ambas entraram na mansão, se dirigindo para o quarto da loira, com todas as malas da mesma, que foram arrumadas pelas duas em meio a conversas bobas, como costumavam fazer antes, as risadas ecoavam pelo quarto, reacendendo a vida antes quase inexistente naquela mansão.
– É serio Gina, era meu primeiro homicídio como detetive, e estávamos perseguindo o assassino, faltavam poucos metros para eu alcançá-lo quando o mesmo se virou com uma arma e mirou na minha direção, antes mesmo que eu pudesse mirar a minha arma na direção dele, o mesmo apertou o gatilho, foi quando um jato de água saiu da arma dele que de tão surpreso ficou parado tempo suficiente para Scott conseguir prendê-lo. Nos fomos descobrir depois que o assassino tinha um filho e trocou as armas já que a do mesmo era uma replica perfeita. A maioria acha que é mentira, até mesmo eu demorei a acreditar. – a loira ia citando mais um dos seus casos enquanto a mais velha soltava gostosas gargalhadas.
Pouco antes da hora do jantar elas fizeram uma pausa na arrumação, que ficaria para o dia seguinte, e foram se arrumar para enfim comerem. Regina em comemoração é claro, preparou sua famosa — e muito amada pela loira – lasanha, que deixou Emma com água na boca só de sentir o cheiro.
– É, eu sei que você me ama! – disse em tom de brincadeira enquanto a mesma colocava a lasanha na mesa.
– Quem? Eu só estou aqui pela lasanha. – disse zombando da mais velha que fez uma cara de ofendida que tentou manter, mas acabou não resistindo e deixando um sorriso escapar enquanto se sentava ao lado da loira e começava a comer.
– Meu Deus Gina! Como senti falta da sua lasanha. – diz a loira entre garfadas. Fazendo Regina sorrir satisfeita enquanto comia sua fatia, era muito bom ter companhia nesses momentos novamente. O resto do jantar correu normalmente, entre algumas conversas triviais e risos das duas.
Depois Emma sugeriu que assistissem a um filme, como costumavam fazer antes da mesma ir a faculdade. O relógio já marcava quase meia noite quando ambas foram dormir.
Poucos dias depois a loira começou a assumir o cargo de xerife, o que numa cidade onde quase nada acontecia, se resumia apenas a prender um Leroy muito bêbado e resgatar gatinhos em arvores. Ou seja, chato demais para uma detetive acostumada a grandes emoções, a única coisa que compensava era encontrar certa morena no fim de cada dia.
Meses depois...
A loira não sabia como, mas, aos seus olhos o que mais havia mudado – ou acentuado – durante esses meses que se passaram era Regina, ou talvez seu jeito de olhá-la tenha mudado, só sabia que não conseguia mais ver a mesma como antes, não com seu coração acelerando com apenas um sorriso, ou quando observava encantada cada mínimo detalhe na mesma, e como tinha medo de descobrir o que essas sensações significavam.
Era um fato que tinha tentado ignorar essas sensações e mudanças, mas tudo nela lhe atraia; o aroma de maçã sempre tão familiar, que outrora costumava lhe passar conforto, agora, fazia seu sangue correr mais quente por suas veias também tinha aqueles olhos pareciam lhe seduzir e encantar ainda mais, a quem tentava enganar afinal? Sentia como se cada parte do corpo dela tivesse sido feito sobre medida para lhe tentar.
E até ir embora havia ido com a esperança de que se estivesse bem longe pudesse voltar a enxergá-la como antes, mas estava de volta e tudo o que tentou enterrar vinha novamente à tona, ainda mais forte e intenso que antes. Agora sentia na pele que devia temer ainda mais, porque sabia em cada partícula de seu ser que o que havia mudado era o amor que sentia pela mais velha. Não adiantava mais fugir, não depois de todos esses dias vividos com a mesma desde sua volta.
Principalmente porque agora esse sentimento não era mais um talvez, ele havia crescido, e como havia crescido, tanto que mal conseguia controlar, o temia mais que nunca, pois, estava concretizado, e se fazia mais real a cada dia...
‘que droga eu estou fazendo? Como pude me deixar envolver dessa forma? Depois de tanto tempo, malditos anos que foram incapazes de matar esse sentimento. Tanto sofrimento para absolutamente nada, o que sentia antes agora é ainda maior e mais real a cada dia que passo com ela. Bem feito para mim, quem mandou se apaixonar pela única mulher que jamais poderei ter? a única que provavelmente ainda me enxerga como uma garotinha? Burra, burra, burra...’
Se martilizava a loira em frente a janela de seu quarto, enquanto desejava com toda força de seu ser que Regina pudesse ser somente sua.
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