Emma Mills?
26 Maçã e Canela
Notas iniciais
Três meses depois...
Já passava das dez da noite, e como de costume em sua nova rotina, as duas mulheres estavam sentadas sob o calor da lareira conversando sobre coisas triviais, era reconfortante perceber que mesmo meses já tendo se passado, ainda assim os assuntos nunca morriam, o tempo longe de fato não fora capaz de estragar sua conexão. Na realidade, ele parecia ter aumentado sobremaneira seus sentimentos, como gasolina jogada ao fogo.
Os dias iam se passando e a cada um deles, sua rotina ia se fixando, isso era era bom, mas não deixava de ser torturante ao extremo para ambas que a todo o custo tentavam conviver com essa intensidade dentro de si, o que não era, nem de longe tão ruim quanto ter de esconder...
Eram esses os pensamentos da mais velha enquanto observava a loira contar sobre seu dia, o corpo confortavelmente acomodado no sofá, com cachos bem moldados caindo livres até quase alcançar a cintura, pareciam especialmente mais lindos naquela noite, ah, os olhos, esses a Rainha tinha certeza que poderiam iluminar até as trevas mais densas, ela era a prova mais viva disso, pois, foram esses mesmos olhos que a anos atras tiraram seu coração da mais absoluta escuridão.
Não sabia nem o que dizer então daquele sorriso lindo que lhe era dirigido sempre que seus olhos se encontravam? Falar que ele lhe exigia uma enorme concentração para continuar respirando não chega nem perto de descrever a sensação que esse simples ato vindo de Emma lhe causava.
A loira sempre fora linda, desde criança, mas de uns anos para essa noite, a morena tinha a impressão de que a mesma ficou mais linda ainda, como quando uma rosa floresce, atingindo o ápice de sua beleza. Regina não imaginava que perfeição pudesse existir, mas existe, e para ela, se resumia a Emma.
Notando para onde seus pensamentos a estavam levando, a Rainha novamente se recriminou por ter tais pensamentos sobre a loira ao seu lado. No entanto não conseguia evitar tê-los, se existisse magia nesse mundo, poderia jurar que estava sobre um encanto, como podia haver tamanho fascínio por alguém dentro de si? Mas Emma sempre fora sua exceção, a amou desde o momento que seus olhos pousaram sobre ela, sendo assim, como iria justo agora esperar conseguir impedir tal sentimento de tomar cada parte de si?
Estava certa de que só conseguiria tal façanha se conseguisse impedir que a chuva caísse, ou seja, impossível. Sendo assim, sua unica alternativa era tentar esconder a todo custo esse amor.
Como se ela fosse me amar dessa maneira, amar de maneira fraternal a Rainha Má é uma coisa, me amar como eu a amo? jamais, alguém tão puro e lindo como Emma merece algo melhor.
– Gina? — chamou Emma. — Gina! — falou um pouco mais alto, conseguindo enfim, obter a atenção da morena, que a olhou um tanto constrangida.
– Oi? — disse sorrindo amarelo. Emma sorriu apreciando, eram raras as vezes que conseguia tal façanha de ver Regina Mills com vergonha.
– Você não prestou atenção em nada do que eu disse não é? — cutucou a mais nova tendo o prazer de ver a pele da Rainha ganhando uma coloração levemente avermelhada.
– Oras Emma, é-é claro que prestei atenção no que falou. _ disse tentando se recompor, no famoso tom de Rainha que agora pertencia a ambas.
– Ah é? e o que eu estava falando então? — desafiou Emma com um brilho divertido nos olhos.
– E-e — pigarreou. — você estava falando q-que, teve de prender de novo o Leroy hoje. — disse sem perder a fala, era certo que de fato não havia prestado atenção em nada que havia saído dos lábios da loira, exceto nos movimentos dos mesmos, que haviam se tornado muito atraentes para a Rainha.
– Leroy? Falava dele sim. — dizia Emma naturalmente enquanto Regina dava seu olhar triunfal, até a loira voltar a falar — que por sinal foi à- a loira olhou para o pulso como se nele tivesse um relógio. — pelo menos meia hora atrás, sabe? antes de eu começar a falar sobre a festa que terá na praça em comemoração ao aniversario de Storybrooke que esta sendo organizado por Mary. — encerrou com o olhar triunfante idêntico ao que estava começando a surgir nos olhos da morena.
– Espertinha. — alfinetou Regina, causando um sorriso involuntário em Emma.
A loira levantou do sofá, indo até Regina, abaixou-se olhando nos olhos da mesma.
– Tá tudo bem Gina? — questionou a loira olhando em seus olhos, sondando, mas, por incrível que pareça, ultimamente aqueles olhos pareciam ter um véu cobrindo as emoções que outrora eram tão simples de decifrar para Emma.
– Por que pergunta isso? — rebateu Regina, com receio de ter deixado algo escapar, estragando tudo, não poderia perder sua Emma.
– Você tem andado dispersa, alheia a algumas coisas, misteriosa, O que está acontecendo Gina? — pergunta um tanto aflita, se ha algo que a loira detesta é não poder saber como a rainha estava de verdade, a mera hipótese da mesma estar triste ou com problemas acionava dentro de si seu lado mais protetor. Sempre fora assim entre elas.
– Não é nada que deva se preocupar meu presente. — a morena deixou que suas mãos passassem suavemente pelo rosto alvo de Emma, numa carícia cheia de significados que nenhuma das duas estava pronta para encarar. A Rainha então deixou sua mão cair aos poucos, lamentando imediatamente a falta do contato ao tempo que se martilizava por lamentar. — Coisas com a prefeitura, nada que não se resolva logo. — sorriu hesitante implorando internamente que a loira ignorasse sua mentira. Recebeu um simples aceno de cabeça como resposta.
– Tudo bem. — sua voz era suave, num olhar cúmplice que falava por si só que estaria ali por ela, como sempre esteve.
Erguendo seu corpo, lhe estendendo a mão que foi aceita sem nem pestanejar, a loira num leve impulso trouxe o corpo da morena junto ao seu. Surpreendendo-as que não esperavam estar tão próximas. Verde e castanho se buscando, desejando, perdidos um dentro do outro, orbes que se desgrudaram, achando nos lábios uma fonte de adoração, respirações falhas se mesclando ante a falta de espaço.
Espaço que foi se fechando mais a cada mover do relógio, envoltas por uma auria sensual, e naquele momento, ao menos para elas, maçã e canela nunca, pareceu tão convidativo...

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