Emma Mills?
2 Acordando
Notas iniciais
Acordando
A noite em muito tempo se fez incomum na mansão da Prefeita, embora tudo indicasse estar do mesmo jeito de sempre, a escuridão, o silêncio, porém, nessa noite em especial, e nas muitas outras que se seguiriam não haveria solidão, nem um coração endurecendo a cada dia, mesmo a escuridão dissolveu-se por algumas horas enquanto certa morena acendia a luz por onde passava, seu sorriso era cálido admirando a pequenina adormecida em seus braços, seu cheirinho de bebê sendo apreciado pela espectadora.
O frio tão presente em suas noites, o qual nunca importou passou a ser visto como um inimigo para a rainha ao ver a bebê encolhendo-se em seus braços, era necessário mudar muitas coisas para receber seu presente, divagava a rainha quando enfim chegou a seu quarto, ninguém além dela já habitou ou mesmo visitou tal santuário, nem mesmo Graham com quem esporadicamente tinha seus encontros furtivos em sua frustrada tentativa de não se sentir tão sozinha, mas nunca fez diferença, pois não era verdadeiro, havia apenas um homem o qual possuía o coração e era controlado pela morena, como um robô, não poluiria seu santuário com tal ilusão.
Mas essa era a tão esperada exceção, não seria forjado, nem controlado, pois simplesmente não se tratava de uma ilusão, era verdadeiro e se tornava real a cada minuto passado, havia encontrado sua razão e ela ressonava tranquila em seus braços de onde a morena hesitava em tirá-la não querendo desfazer-se da sensação, um tanto insegura sua mão lentamente foi se aproximando do rosto alvo, onde certos fios dourados insistiam em permanecer, tocou os suavemente, com cuidado os afastou começando uma leve caricia em seu rostinho, era tão pequena, tão linda e parecia tão frágil aos olhos encantados de Regina, dando-lhe a sensação de que um toque mais bruto a desmancharia, embora a morena saiba ser algo impossível não conseguiu evitar acariciar com o cuidado de quem toca uma escultura de areia.
Aproximou seu rosto do dela, sentindo seu aroma de bebê sorrindo bobamente, abraçou-a mais em si e beijou com cuidado sua testa. Passou a segurá-la com apenas um braço enquanto arrumava a cama para a noite, colocou-a sobre os macios lençóis, mas a menina ao deixar de sentir o calor protetor de Regina começou a se mexer dando indícios que acordaria a morena prevendo isso, sentou perto dela acariciando o rostinho da menina ainda sem nome, ao menos era o que pensava a Rainha, mas ao sentir o aroma de Regina no travesseiro macio voltou a ressonar calmamente.
Quando assim a viu, involuntariamente sorriu e partiu em direção ao closet saindo de lá alguns minutos já vestida para dormir e com cobertas para protegê-las do frio, arrumou as sobre toda a dimensão de sua cama para logo verificar se a mansão estava bem fechada, aproveitando para apagar as luzes, incluindo o quarto, e assim deitar-se ao lado de seu presente, abraçando-o com carinho, pela primeira vez em anos não tardou em dormir.
_______________________ SQ _________________________
O dia raiou poucas horas depois da antes tão temida Rainha ter se entregado a um sono tranquilo, onde sonhou com quem a muito não sonhava... Daniel, apesar de não lembrar de todo o sonho, pode lembrar o que ele dizia, e isso se gravou em sua mente:
– Esqueça quem foi, ou o que fez, seja apenas Regina.
– É tudo o que mais desejo, mas não sei se ainda consigo. Não depois de todos esses anos e de tudo o que fiz, coisas terríveis que quer que eu esqueça. – confessou-lhe, apesar da vontade, temia que seu enegrecido coração não fosse capaz de tal feito, que estivesse corrompido demais.
– Sei que achas difícil, mas também sei que consegue, ao menos com ela seja você mesma, sem essa fachada de Evil Queen, e é bom que se acostume a ser tratada assim.
– Por que diz isso? – perguntou confusa, será que seria capaz de voltar a ser como era? E se fosse, alguém conseguiria amá-la?
– Porque serás amada por essa criança como és aos olhos dela será apenas Regina.
Antes que pudesse dizer algo mais um raio de sol tocou-lhe os olhos a acordando, e a certa garotinha também.
Alguns minutos antes da morena acordar, duas orbes excepcionalmente verdes abriram-se curiosas, ainda mais quando sentiu braços em volta de si, eram macios, protetores e possuíam uma delicadeza nunca antes experimentada.
Pensou nas pessoas com quem costumava estar até ser devolvida, de como não poderiam mais ficar com ela, pois, agora tinham um filho sangue do seu sangue. Ainda mais no quanto doeu em seu coraçãozinho de criança ouvir que não havia mais espaço neles para amá-la.
Virou-se com cuidado, tinha medo de perder a sensação da qual tanto precisava, e olhou para a mulher que lhe abraçava. Seus pensamentos envoltos por sua latente curiosidade sobre quem seria a morena ao seu lado, não deixando de lado a admiração, é tão linda, como um anjo, mesmo sem perceber, seu coraçãozinho de criança a aceitou.
Os orbes castanhos encontram as verdes, curiosidade reinava no ambiente junto à ansiedade vinda da morena que se questionava sobre o que dizer, até ouvir um sussurro suave, como um pensamento dito em voz alta:
– Tão linda. – o corar em seu rosto se fez adorável aos olhos da Rainha. As palavras gerando um sorriso em seu rosto.
– És muito linda também- disse Regina.
– Obrigada. – A morena não pode deixar de notar a pronúncia boa demais para alguém tão pequena.
– Qual seu nome? – questionou curiosa.
– Emma e o seu? Quem é você? E por que estou aqui? – disparou as perguntas sem parar deixando a morena meio desconfortável- Desculpe- pediu olhando para baixo.
– Tudo bem Emma, é natural estar curiosa- a Rainha respirou profundamente antes de continuar, vendo a loirinha levantar a cabeça a olhando curiosa- respondendo as perguntas, me chamo Regina Mills, você esta numa cidade chamada Storybrooke, e sou a prefeita dessa cidade.- disse tentando achar uma maneira de explicar onde ela estava e que de hoje em diante seria cuidada pela morena.
– Pr o que?- perguntou- e como vim parar aqui? Eu estava dormindo no orfanato e acordo aqui. O que será minha?
Disse Emma deixando a morena tensa e sem saber como explicar. Chegou a hora mais temida pela Rainha, esperava ser aceita pela pequena loirinha que já tinha seu coração em seus dedinhos.

Fale com o autor