Emma
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ela está impaciente naquele cubículo gelado de paredes cinza, o tio, Nathan Murrie ao seu lado. Ao ouvir o abrir e fechar da porta, sem olhar para trás, ela fala com ar superior.
— Será que alguém aqui pode me dizer o porquê de me trazerem para esse lugar horrível.
— Assim que você nos disser o que fazia na casa dos Jhonson ontem à noite. — Sara fala sentando-se à frente da garota fazendo com que a mesma a olhe — Emma, não? — diz olhando para uma pasta antes de erguer a cabeça.
No instante em que seus olhares se cruzam, Sara sente um arrepio, Emma é uma garota de rosto angelical de olhos verdes, cabelos castanhos e ondulados nas pontas e a pele tão branca quanto se podia ser.
— E você é? — responde com outra pergunta em desdém.
— Aqui quem faz as perguntas somos nós. — o silêncio reina na sala por alguns segundos e é quebrado por Vartann que se senta ao lado de Sara e joga a foto de Annelise na mesa.
— Tivemos a informação que você e Annelise discutiram ontem à noite. — ele afirma fazendo sua melhor expressão de detetive que não está para brincadeiras.
— E advinha? Poucos minutos depois ela foi encontrada morta.- Sara conclui recuperando-se rapidamente do choque inicial ao ver a garota.
— O que vocês estão querendo dizer? Eu não a matei. É verdade, eu a vi ontem e nós discutimos, mas quando sai ela estava viva. — ela defende-se, o tom na voz levemente mudado, Sara pode sentir o pânico na menina, mesmo que ela tente não demonstrar.
— E por que a discussão? — Sara pergunta em tom firme.
— Ela não quis me deixar ver a Sam, eu fiquei irritada e disse que ela não tinha o direito de me proibir de vê-la, talvez eu tenha me exaltado um pouco e falado mais alto que devia, mas não a ponto de matá-la. Ela disse que enquanto meu pai estivesse viajando quem mandava era ela, ai a Sam apareceu e depois disso resolvi ir embora por que sabia que eu não iria conseguir o que queria. — Emma responde rápido com pânico e insegurança fazendo-se presente.
— Você disse pai? — Vartann pergunta descrente.
— Sim. Thomas é meu pai. — ela responde em um sussurro. Sara congela ao ouvir a menina confirmar, tendo a certeza da confirmação de todos os seus medos desde que Wendy lhe apresentara o resultado do maldito DNA. A garota à sua frente é sua filha, a filha que ela achava estar morta.
Vartann a olha, notando seu olhar triste e desesperado, ele percebe que ela está sem condições de continuar o interrogatório. — Sara?
Ela numa última tentativa de ser tudo um engano, continua. — Segundo os registros seus pais morreram há alguns meses, então como o senhor Jhonson pode ser seu pai? — diz olhando para alguns papéis com informações da menina.
— Eles também dizem que eu sou adotada — aponta para os papéis nas mãos de Sara — e que minha guarda é provisória à meu tio, até que encontrassem meus pais biológicos ou uma das partes. — explica voltando ao ar de desdém de antes. Sara abre a boca para falar, porém Vartann rapidamente liga um fato ao outro. O sangue encontrado no quarto da menina que afirma ser feminino e com alelos em comum com o de Sara, e a expressão de dor e tristeza da mesma, só podia dizer uma coisa. Mãe e filha estavam frente à frente, uma filha que provavelmente é uma assassina.
— E quanto ao sangue encontrado no quarto de sua irmã. — ele se adianta.
— Sangue? — a garota indaga confusa.
— Sim, encontramos sangue feminino no quarto de Samantha, e ai você sabe não é, vocês discutiram, você irritou-se demais, pegou uma garrafa, quebrou e a atingiu, mas enquanto quebrava a garrafa você se machucou, depois subiu ao quarto da menina e acidentalmente deixou seu rastro. — ele diz num tom de escárnio.
— Olha aqui — ela põe as duas mãos sobre a mesa levantando-se irritada — eu já disse que não a matei, se eu realmente tivesse feito isso, não acham que a Sam teria me acusado. — se joga na cadeira.
— Quem sabe, você pode ter ido até lá para matá-la também, mas não teve coragem e a ameaçou. — ele protela tentando fazer a menina perder o controle e confessar.
Sara permanece calada, absorvendo os acontecimentos das últimas horas. Lembranças do passado inundam sua mente.
— O que você prefere? Menino ou menina? — o loiro vira-se para ela apoiando confortavelmente a cabeça no braço esquerdo e com a mão direita faz carinho na barriga em evidência de quatro meses de Sara.
— Sinceramente? Uma menina. — ela dá um sorriso singelo.
— Eu também. — ele diz com um brilho no olhar
— Que bom porque eu já tenho um nome. — ela afirma sentando-se animada.
— Mas nós nem sabemos o que é. — ele diz sorrindo, feliz com a alegria dela.
— Eu sei e é uma menina. — diz com firmeza.
— Então me diz. — ele a puxa para mais perto — Qual o nome?
— Samantha.
Após um momento de silêncio, Emma se pronuncia, tirando Sara de suas lembranças.
— Não, ela é esperta demais pra se deixar levar por uma ameaça. — dá de ombros — Além do mais que motivos eu teria para matar a Anne? Sim confesso não nos dávamos bem, mas só por que ela queira assim. Ela não gostou nem um pouco quando eu apareci e — ela faz aspas no ar — destruí o castelo de areia dela. Ela não aceitava que eu fosse filha dele também e que ele quisesse ficar com a minha guarda. Já disse e repito, eu não a matei, vocês estão atrás da pessoa errada. Agora será que eu já posso ir?
— Ainda não mocinha, você ficará aqui sob nossa custódia. — a garota arregala os olhos e pela primeira vez seu tio e também advogado se pronuncia.
— Vocês não podem mantê-la aqui, não há provas contra ela.
— Só o fato de termos encontrado seu sangue no local do crime já é o suficiente e também pelo que vejo ela tem um curativo na mão. — ela diz essas palavras com o coração partido, não estava crendo que durante todos esses anos acreditou numa mentira e sua filha está viva ali na sua frente, e pior sendo acusada de assassinato.
— Tio! — a garota exclama amedrontada.
— Não se preocupe querida, não será por muito tempo. — ele diz convicto.
Um policial algema Emma e sai da sala sendo seguido pelos outros.
No instante em que eles saem da sala, um homem loiro, cabelos cacheados e olhos verdes, além de alto e forte chega desesperado.
— O que estão fazendo? Pra onde vão levar minha fil... — ele para ao notar a morena a sua frente — Sara?
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