Emma

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Oi, oi, dez dias se passaram e aqui estamos novamente. Obrigada amores por cada acompanhamento, favorito e comentário, vocês são incríveis. Boa Leitura.

De repente ele estava ali à sua frente, era como voltar no tempo. Os olhares se cruzaram e toda a dor e mágoa do passado que imaginava não mais existirem reapareceu com intensidade.

Thomas desviou o olhar e olhou para Emma, ela realmente era a cópia de Sara com exceção da cor dos olhos e cabelos, e foi por isso que no momento que ela apareceu em sua vida dizendo-lhe ser sua filha, ele não teve dúvidas, a acolheu de braços abertos, ela era a sua lembrança, uma parte da única mulher que ele já amou.

— Senhor! Nos dê licença. — Vartann pede passagem ao homem para levar Emma tirando-o de seu torpor.

— Por que a estão levando? Ela não fez nada. — Thomas diz atordoado.

— A senhorita Murrie está sendo levada sob custódia pelo assassinato da senhora Jhonson. — Vartann anuncia impassível.

— O que? Mas isso não está certo, ela é só uma criança, não faria mal nenhum a ninguém muito menos a Anne. — tenta argumentar, transtornado com a situação.

— Senhor, por favor, nos dê licença, temos provas contra ela, a CSI Sidle irá falar com o senhor. — e assim Vartann se afasta com Emma, deixando os dois parados e sem ação. Thomas olha para Sara com tristeza, vê nos olhos da morena que ela tem conhecimento sobre sua ligação com Emma.

— Você vai deixar que levem sua filha presa sem fazer nada? — pergunta com decepção na voz.

— Filha? — Catherine que acaba de chegar, ouve o que Thomas pergunta olhando para Sara, curiosa e uma leve irritação tomando conta de si — Você tem uma filha Sara? — pergunta em descrença.

— Cath, eu... Eu não sabia. — Sara começa a argumentar, mas não aguentar o olhar da loira para si. Angustiada com toda a situação ela sai apressadamente.

Catherine olha para Thomas como quem pede explicações. Ele encara a loira. Esse não é um assunto que diz respeito somente a ele para falar qualquer coisa.

— Nenhum de nós dois sabíamos. — são as únicas palavras que é capaz de proferir e sai deixando-a intrigada.

~.~

Por detrás da porta Catherine pode ouvir seu choro. Ela havia procurado por Sara por exatamente uma hora e agora que a encontrara sentiu-se perdida, sem saber o que fazer ao ouvi-la chorar. Atravessou a porta que dava para o terraço.

— Sara! — aproxima-se e senta-se ao lado de Sara, no chão de concreto gelado. Sara está de cabeça baixa, os joelhos dobrados protegendo o corpo e os braços apoiados sobre os mesmos.

Catherine a observa por alguns instantes, confusa, irritada e triste. Há tempos que ela e Sara deixaram de ser apenas colegas de trabalho que estavam sempre em uma competição para ver quem seria a melhor e ganharia a atenção do chefe para serem companheiras e cúmplices. Talvez seja por isso sua irritação. Ela achou que ela e Sara haviam chegado a um entendimento, que contavam tudo uma a outra. Ela contou seus segredos, seus medos, sua dor pela perda de Warrick, um amigo que ela só percebeu nutrir um sentimento maior após sua perda, depois ela aproximou-se de Vartann, apaixonou-se novamente e Sara foi a primeira para quem ela confidenciou, nem Grissom, seu amigo de anos, seu melhor amigo teve esse privilégio. Ou talvez seja por Grissom. Oh Grissom! Ela tem certeza que esse é um segredo que Sara esconde até do marido. Grissom nunca escondeu nada dela, a não ser é claro seu envolvimento secreto com a morena, mas... Bem. Ela decide espantar tais pensamentos, conviver com Grissom há anos não o torna um livro aberto para ela, ele ainda continua sendo um mistério. Portanto, ela decide esquecer tais pensamentos confusos e focar na morena ao seu lado. Esta ainda chora, e vê-la chorar a faz sentir-se impotente. Ela não está entendendo nada, como poder ajudá-la? Se pelo menos Sara tivesse confiado nela. Suspirando, ela faz a única coisa que acredita ser suficiente no momento, segura a mão da amiga carinhosamente.

— É tudo tão confuso Cath. Eu... Eu só queria que tudo isso fosse um pesadelo. — Sara diz ao levantar a cabeça. Seu olhar fixo em nada em específico.

Catherine continua a segurar sua mão. Sem reação, pois a única coisa que sabe é que Sara tem uma filha e aparentemente não sabia.

— Eu só quero que saiba que eu estou aqui e quando estiver pronta a ouvirei com prazer. — afirma, deixando de lado seu lado egoísta. Sara, apenas ela e sua dor é importante nesse momento.

— Obrigada. — a morena a olha — Você é uma grande amiga. Vou para casa agora, preciso respirar um pouco, pensar e criar coragem pra... — vacila momentaneamente e respira fundo — Pra falar com o Gil. — ela abaixa a cabeça — Ele nunca vai me perdoar. — sente uma nova crise de choro chegar e levanta-se, saindo em seguida.

~.~

Ela entra cuidadosamente, não querendo chamar a atenção de Grissom para si, sabendo que uma hora tem que encará-lo, porém não se sente preparada ainda. Durante o trajeto para casa pensou em inúmeras maneiras de lhe contar sobre a filha e em todas elas, ela o via a hostilizando e deixando-a. Respira aliviada quando não o encontra em casa, Hank também não está o que significava que teriam ido passear e ele sempre demora a voltar de seus passeios com cão.

Entra em baixo do chuveiro e mais uma vez uma onda de choro a abate, seus soluços são altos, altos o suficiente para serem ouvidos por Grissom se acaso ele chegasse, mas era incontrolável. Ela pensa no marido, não sabe o que fazer, ou melhor, sabe sim, contar a ele e seja o que Deus quiser, mas a realidade é que ela não quer contar, quer apenas dormir e acordar descobrindo que tudo não passa de um grande pesadelo. E ainda por cima tinha outro problema, a menina, está sendo acusada de assassinato, eles não tem muitas provas, mas a que tem é suficiente para incriminá-la, caso não encontrem indícios de uma outra pessoa na casa.

— Oh Deus! — ela realmente estava com problemas, grandes problemas. Fecha os olhos e seu primeiro pensamento é a daqueles lindos olhos verdes. O segundo pensamento são lembranças, lembranças que ela demorou a esquecer.

Ela abriu os olhos lentamente, a claridade do local machucando seus olhos. Seu corpo estava dolorido, uma sensação de desconforto a invadia. Sentiu uma mão apertar a sua suavemente. A mão estava trêmula. O que há de errado? Perguntou-se.

Ela sentiu a angustia e o medo tomar conta de si, passou a mão em sua barriga. Ela não estava mais ali! Pensa desesperando-se.

— Como está se sentindo? — ela podia ver os olhos da pessoa marejados, sentiu o coração apertar.

— Onde ela está? — perguntou em um fio de voz.

— Você dormiu por quarenta horas seguidas. — ele ignorou sua pergunta.

— Onde ela está Thomas? — pergunta tentando mante firmeza na voz.

Ele a encarou por alguns segundos, mas não conseguiu sustentar o olhar. As mãos dele tremiam muito mais agora e o que eram poucas lágrimas tornou-se um choro doloroso.

A mente de Sara vagou ao último acontecimento de que se lembrava.

Flashback

Ela estava caminhando despreocupadamente, chegou à faixa de pedestre e esperou até que os motoristas a notassem e dessem passagem a ela, quando sentiu segurança começou a fazer seu trajeto até o outro lado da rua. Depois disso a última coisa de que lembrava era da dor aguda, o medo por sua filha e o alvoroço de pessoas aglomerando-se a sua volta.

Fim do Flashback

Seus olhos ardiam com as lágrimas que começavam a brotar, não era preciso que ele continuasse para saber o que tinha acontecido.

— Eu sinto muito. — foram as únicas palavras que ele conseguiu proferir.

— Não sinta, não foi sua culpa. — afirma olhando para o espaço vazio a sua frente, não conseguia encará-lo ainda.

— Sim, foi se eu tive... — ele suspirou — Se eu tivesse lá com vocês nada disso teria acontecido.

Ela não disse mais nada, mas sabia que ele não poderia ter ajudado e a única coisa que ela queria agora era fechar os olhos e pensar que tudo não passava de um pesadelo, terrível pesadelo.

Balançando a cabeça querendo esquecer novamente o passado. Ela termina o banho, veste um pijama e deita-se, o cansaço a alcançando e em segundos adormece.

~.~

— Catherine! — a loira olha por cima dos óculos e volta a analisar os papeis à sua frente — Catherine? — ele aproxima-se e ela resolve deixar os papeis de lado.

— Algum problema detetive. — sua voz sai mais áspera do que desejou.

— Sim. — ela continua a fitá-lo — Você. — afirma e ela estreita os olhos.

— Oh, agora eu sou um problema, me diga quando eu me tornei um problema, quando você dormiu comigo há três dias? Ou hoje mais cedo quando eu o peguei em uma situação comprometedora a minha melhor amiga? — ela ironiza visivelmente irritada e enciumada.

— Tá bom me desculpe, eu me expressei mal. — ele ao contrário dela, está calmo e não se deixa irritar com suas palavras — Você não é um problema, sua atitude é que está sendo... — ele dá uma pausa pensando na melhor palavra a ser dita e que não a irrite ainda mais — Egoísta. — sacode os braços em sua direção.

Catherine o olha por alguns segundos, pupilas dilatadas demonstrando a fúria em seu olhar, levanta-se. Não sabendo seu próximo passo ele a olha curioso. Ela vai até a porta, tranca-a, abaixa as persianas e vai em sua direção. Ele se afasta já na defensiva e antes que possa fazer qualquer coisa, sente os dedos finos e firmes da loira em seu rosto.

— Quem é você para me chamar de egoísta? — ela fala baixo para não chamar a atenção dos outros, ao mesmo tempo em que dá socos em seu peito, enquanto ele tenta pegar seus pulsos para controlá-la — Você é um idiota, como ousa me chamar de egoísta? — ela continua a debater-se contra ele — Você não me conhece, não sabe dos meus sentimentos. — ele quer fazê-la parar, fazê-la calar-se e então num impulso a beija, o beijo é forte, ela tenta afastá-lo e cada vez ele a puxa mais para perto de si até que ela se entrega ao beijo.

Quando percebe a desistência dela, ele solta seus pulsos e leva as mãos para sua nuca. Quando o ar se faz necessário eles afastam seus lábios. Ele não a deixa afastar-se e encosta sua testa a dela.

— Como você pode pensar que eu tenha algo com Sara, eu a consolei sim, mas foi somente na tentativa de acalmá-la, ela estava nervosa, chorando e eu não sabia o que fazer.

— Aí você achou que a melhor solução era abraçá-la?

— Eu não a estava abraçando-a Catherine- revira os olhos com o exagero da mulher — Apenas segurei sua mão e não foi com segundas intenções. Além do mais Sara é casada e eu jamais me aproveitaria da fraqueza de uma mulher.

— Não é? — pergunta maliciosa, ela se pergunta como ele podia fazê-la passar de um estado de irritação ao desejo em segundos — Tudo bem eu acredito em você, mas que isso não se repita.

— Sinceramente, acho que a Sara precisa de muito mais que um aperto de mão. — ele diz com pesar e a abraça ternamente.

~.~

Ao adentrar o quarto Grissom se depara com uma visão que a muito não via, sua esposa dormindo angelicalmente. Aproxima-se da cama e senta-se a admirando, pensando em como a cada vez que a vê ela está mais bela, acaricia seu rosto, gesto que a faz acordar. Ele gosta de vê-la dormir, mas desde que chegara não tiveram tempo para conversarem.

— Bom dia! — seu sorriso está radiante e mesmo com toda a preocupação Sara não pode deixar de sorrir.

Ele a beija e logo ela o retribui. Grissom deita sobre Sara aprofundando o beijo, mas acabam sendo interrompidos pelo toque do celular dela.

— Hum... Grissom. — ela corta o beijo — O telefone.

— Deixa tocar. — ele continua a beijá-la, mas ela se sai do beijo novamente.

— Pode ser importante. — olha-o de canto de olho enquanto pega o telefone — Desculpa.

— Sidle [...] Tem certeza? [...] Ok! Já estou indo. — olha para Grissom que continua deitado observando-a.

Ela o olha, aliviada e envergonhada de si por sentir assim, mas ainda não se sente a vontade para estar com ele, não antes de contar a verdade.

— É do laboratório, uma pista nova.

— Tudo bem vai lá, eu entendo. — ele levanta-se e a beija.

~.~

Ela estava extremamente nervosa, as mãos suando, o coração palpitando descontroladamente, aliás, estar nervosa parecia seu estado natural nas últimas trinta e seis horas. Só em pensar que talvez Emma fosse inocente, já se sentia mais aliviada. Parou ao meio do corredor ao ver Vartann e Thomas conversando. Vartann é o primeiro a perceber sua presença e pede que ela se aproxime com um aceno de mãos.

— E então, pelo que me disse ao telefone foi encontrado indícios de que mais alguém esteve na casa. — ela pronuncia, em seu olhar a esperança, um pedido silencioso por uma confirmação.

— Sim, o senhor Jhonson estava verificando sua papelada e deu por falta de um CD.

— CD? — pergunta direcionando o olhar a Thomas em busca de mais explicações.

— Sim, alguém roubou um CD o qual eu iria usar em tribunal.- o loiro se endireita, encarando-a, gesto que a deixa desconfortável.

— Explique-se melhor. — pede após desviar o olhar ligeiramente.

— Bem, é que estou trabalhando em um processo de divórcio e nesse CD contém imagens em que prova que o marido está cometendo adultério, é uma prova relevante para a indenização que minha cliente pede por danos morais e a audiência de apresentação da mesma será daqui a dois dias. — Vartann e Sara se entreolham.

— Ok, senhor Jhonson, essa nova informação nos leva a um novo suspeito, nos passe o nome do marido de sua cliente e averiguaremos. — Vartann se adianta.

Sara e Vartann imediatamente procuram pelo novo suspeito após Thomas informar seu nome e endereço.

Seu nome: Josef Stivens, e com um mandato de busca, Sara e Vartann puderam procurar pelo CD o que não foi difícil encontrar, o homem não era muito esperto e cometeu o ato em um momento de impulso, só não deixou digitais, pois usava luvas para não comprometer-se quando percebem a falta do CD, ele apenas não contava com a intervenção de Annelise, também não foi difícil fazê-lo confessar o crime, além de não ser muito esperto também não é muito corajoso, bastou um pouco de pressão por parte de Vartann e ele estava confessando.

Havia ido a casa na intenção de somente roubar o CD, mas não imaginou que Annelise estivesse acordada, numa reação de momento e nervosismo acabou ferindo-a, fugiu sem prestar socorro, achando que alguém a encontraria a tempo, pois, sabia que a perfuração não foi tão profunda a ponto de matá-la de imediato.

Sara sentiu-se mais aliviada, mesmo tendo descoberto a filha há pouco tempo, estivera aflita com a possibilidade dela ser uma assassina, todavia no fim tudo se resolveu, agora só faltava falar com Grissom e tentar uma aproximação com Emma e ela no momento tem uma certeza, que esses dois problemas não se resolveriam tão facilmente.

Notas finais
Como já sabem, capítulo novo em dez dias.