Emma
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Emma entra e bate a porta do escritório de Thomas com fúria.
— Me diz que é mentira. – ela apoia-se com as duas mãos em cima da mesa do pai, enquanto ele a olha incrédulo ao ver sua aparência.
— Mas que diabos é isso? – ele esbraveja apontando para o rosto da menina, o horror tomando conta de si, incrédulo ao ver a maquilagem borrada no rosto da garota por conta do choro e seus diversos piercings.
— Por que você não me disse antes? Por que me escondeu sobre a Sara? – ela grita, não dando a mínima importância ao que ele falara anteriormente.
Thomas imediatamente levanta-se e a encara.
— Vejo que já conversaram e...
— Porque me escondeu algo tão importante? – ela o corta, muito mais irritada.
— Foi Sara quem me pediu, disse que queria conversar com você pessoalmente. Eu só fiz o que achei justo e o justo seria ela a conversar com você e eu jamais me intrometeria entre vocês. – explica tentando manter a calma
— Por que vocês adultos gostam de fazer tudo pelas nossas costas hem? – ela senta-se na cadeira em frente à mesa dele, os braços cruzados, na defensiva. Ele continua a olhá-la, avaliando a garota.
— Qual o problema, por que me olha assim?
— Não me lembro de hoje mais cedo você estar com esses diversos brincos.
— Não são brincos, são piercings. – explica com desdém.
— Ó e você me diz assim, na maior naturalidade, são piercings. – ele tenta imitá-la.
Emma ergue a sobrancelha e começa a rir.
— Essa voz não combina com você e você ficou bem engraçado.
— Eu não falei pra ser engraçado se quer saber. – ela para de rir e o fita – Vá tirar essa roupa e-e-e essas coisas. – diz sério.
~.~
Sara chega em casa exausta, joga a bolsa na mesinha ao lado do sofá e se joga no mesmo. Hank logo aparece cheirando-a e a lambendo pedindo por carinho.
— Ei garoto estava com saudades. – ela acaricia a cabeça do cachorro quando Grissom aparece.
— Oi. – ele senta-se ao lado dela e beija-lhe rapidamente – E então como foi? – pergunta com cautela, referindo-se a conversa com Emma.
— Péssimo, ela não quis me ouvir. – fala com voz e olhar tristes.
— Ei, não fique assim – ele a abraça – vai ficar tudo bem, tenho certeza que foi uma reação de momento e em breve vocês vão se acertar. – diz confiante, puxando-a para seu colo.
— Assim eu espero, por que eu não quero perdê-la assim Gil, não depois de tudo o que passei. – ela aconchega-se no peito dele o abraçando também – Eu tenho tanto amor pra dar a ela, quero recuperar o tempo perdido, poder abraçá-la, beijá-la e chamar de minha filha.
— Você vai querida, você vai. Mas me responde uma coisa. – ele afasta-se um pouco a fazendo ficar de frente para ele – Você já pensou em como tudo isso ocorreu? – ela o olha, confusa – Quero dizer, como conseguiram enganar vocês dizendo que ela havia morrido? Bolar tudo isso, foi algo muito bem planejado.
— Realmente eu ainda não pensei nisso, na verdade nem tive tempo. Você acha que o Thomas sabe como fizeram para que isso fosse acontecer, ou melhor, que ele soubesse desde o início?
— Não creio que ele soubesse, mas ele com certeza já deve saber.
— Será que eu devo procurá-lo? – pergunta mordendo os lábios, duvidosa.
— Se for importante pra você. – ela acena afirmativamente e volta a aconchegar-se em seus braços, sentindo-se mais leve com o apoio dele.
~.~
Sara chega à sala de descanso e todos já estão lá, quando ela adentra a sala, a olham-na com curiosidade.
— Algum problema? – ela senta-se e fita-os intrigada.
— Não... Hã... é que... – Nick tenta falar, mas se atrapalha. O assunto – Sara tem uma filha – ainda muito estranho para ele, mas Catherine resolve perguntar.
— Na verdade nós queremos saber como foi sua conversa com a Emma. – Sara olha de um a um, pensando em como a fofoca voa pelo laboratório tal como areia no deserto.
— Ah isso, bem, não foi fácil.
— Sinto muito. – Greg se manifesta e toca a mão de Sara tentando passar conforto.
— Tudo bem Greg, não é nada demais comparado a tudo que já passei... – tenta amenizar a situação, os outros assentem em silêncio, solidarizando-se ao problema da amiga.
~.~
— Eu não vou procurá-la. – Emma grita de dentro quarto para Thomas que está do lado de fora tentando convencê-la a ir falar com Sara.
— Emma pensa bem, não tem nada a ver essa birra, Sara não tem culpa de nada. Você não acha que ela merece uma chance.
— Uma chance pra quê, você acha mesmo que ela sendo fria do jeito que é, quer saber mesmo de mim? Você acha que ela me quer? É claro que não, ela só está fazendo pose de boazinha e eu também não a quero perto de mim. – ela abre a porta – Ela foi capaz de me colocar na prisão, ela nem me conhecia e me prendeu sem motivos. – grito, seu rosto chega ficar vermelho de raiva.
— De novo essa história, quantas vezes vou ter que dizer...
— Que ela estava fazendo o trabalho dela. – Emma completa a frase em deboche – Ah me poupe, isso não é desculpa ela deveria ter investigado melhor antes de fazer o que fez, afinal, ela não é uma ótima profissional como ela se diz ser? – Thomas suspira, dá meia volta e retorna para a sala, derrotado.
~.~
Durante a semana seguinte Sara não obteve notícias de Emma. Ela teve uma enorme vontade de procurá-la, mas não o fazia por medo que a garota a repelisse ainda mais. Tentava manter-se firme e sempre que estava com Grissom mantinha um sorriso nitidamente falso, porém não queria que ele percebesse sua tristeza.
Grissom por outro lado tentava a todo custo animá-la, percebia a sua tristeza, mas nada dizia, em uma de suas tentativas a chama para passear no shopping, não era muito seu feitio esse tipo de passeio, no entanto era a última das opções de tudo o que já tentara.
Sara não se sentiu tão entusiasmada, porém para satisfazer-lhe a vontade aceitou.
Caminhando em um dos imensos corredores com lojas em ambos os lados Sara teve uma surpresa ao ouvir uma voz conhecida chamar por seu nome.
— Sara! – a pequena garota corre em sua direção e a abraça não dando tempo para que a morena proteste. Surpresa e envergonhada com a atitude de Samantha, Sara olha para Grissom sem qualquer reação.
— Samantha, que surpresa. – olha para os lados, imaginado ter que encontrar com Thomas – Não me diga que está só? – pergunta afastando-se um pouco da garota.
— Vim com Emma. – ao ouvir o nome da filha o coração de Sara dispara. Afinal aquele passeio já estava valendo a pena e essa era a oportunidade perfeita de aproximar-se da filha.
Samantha olha para Grissom depois para Sara em uma expressão interrogativa.
— Olá! – Grissom manifesta-se percebendo a confusão da menina – Eu sou o Gil. – abaixa-se a altura da menina e estende-lhe a mão. Samantha abre um enorme sorriso e cumprimenta-o.
— Eu sou Samantha. Sara não falou de você. – ela olha novamente para Sara seriamente fazendo Grissom sorrir ao perceber o quanto a menina era esperta.
— Sam. – ao ouvir Emma chamando por Samantha Sara olha na direção da voz da garota, emocionada – Você! – Emma diz deixando claro sua insatisfação ao encontrar a mãe.
Grissom levanta-se e encara a garota não vendo semelhança física com Sara, provavelmente teria mais do pai, pensa ele.
— Olá pra você também Emma. – apesar da emoção Sara não gosta do modo como a garota a trata.
— Sam, é melhor irmos já tá tarde. – afirma ignorando Sara.
— A não Emma, nós ainda nem tomamos o sorvete que você disse que íamos tomar. – a menina diz com um muxoxo.
— Sam...
— Ei por que não vamos os quatro tomar sorvete? – Grissom propõe notando o desapontamento de Sara por sido ignorada.
— E quem é você? – Emma pergunta com a sobrancelha franzida.
— Ele se chama Gil, ele é o... O que ele é mesmo seu Sara? – Samantha indaga curiosa.
— Eu sou o marido da Sara. – ele responde olhando para Emma, sobrancelha levemente levantada.
~.~
Estavam na sorveteria, Samantha conseguiu convencer Emma. O clima estava tenso, Emma não dava o braço a torcer. Sara muito menos e Grissom estava começando a enxergar muitas semelhanças entre as duas, o mesmo gênio, mesmo mau humor.
Olhava de uma para outra, curioso.
— Algum problema senhor? – Emma indaga-lhe e Sara que leva a colher de sorvete a boca, para e olhando-a incrédula.
Mas de onde essa garota tirou tanta arrogância? Ela pensa.
Grissom olha para a garota um tanto atônito.
— Vocês são tão parecidas. – as duas olham-no indignadas.
— Eu não me pareço com ela. – falam as duas ao mesmo tempo. Samantha desata a rir, para logo em seguida Grissom acompanhá-la.
Após o sorvete a contragosto de Emma e a pedido e insistência de Samantha eles vão ao espaço de games. Estavam divertindo-se apesar de Emma estar sempre contra a opinião de Sara.
— Nós poderíamos marcar de sairmos, que tal o parque? – diz Sara à Emma e Samantha enquanto dirigiam-se a saída do shopping.
— Eba! Eu adoraria. – Samantha grita e pula de tanta animação – E você também vai não é Grissom?
— Mas é claro que não Sam. Isso por que nós não vamos. – Emma adianta-se fazendo Samantha entristecer-se.
— Mas Emma! – a menina murmura baixando a cabeça.
— Seria muito bom, assim vocês poderiam conhecer-se mais e você veria que Sara não é nenhum monstro. – Grissom olha diretamente nos olhos de Emma.
— Por favor, Emma? E também o Grissom disse que ia me apresentar ao Hank.
— E quem é Hank? – Emma indaga levemente enciumada.
— É o nosso cachorro.
— Oh! Ok, tudo bem a gente marca. – ao ouvir Emma, Samantha e Grissom se entreolham sorridentes.
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