Emma
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Sara decidiu que ela precisa tirar a história sobre sua filha a limpo, ela precisa descobrir o que aconteceu há dezessete anos. Ela sabe que após anos e por nunca haver tido ocorrência de sequestro pelo crime justamente por ela não ter conhecimento do fato, que ela não pode fazer nada contra quem quer que esteja por trás dessa farsa, mas ela precisa saber, durante dias seus pensamentos estiveram nublados com toda a emoção da descoberta da filha e em seguida sua rejeição, mas agora, após pensar com calma, ela percebeu que esta apesar de dolorosa é uma parte importante de sua vida e ela precisa fechar esse ciclo. Pensando nisso ela resolve procurar a pessoa que ela acredita que tem as respostas que ela precisa. Thomas. Ansiosa e com receio pelo que poderá descobrir. Ela respira fundo antes de entrar em seu escritório após ser anunciada por sua secretária. Será que Tomas sabia de tudo? Não ele não teria coragem! Se bem que ele simplesmente desapareceu na época. Ela pensa relembrando os momentos difíceis pelos quais passou após a perda de seu bebê e o sumiço de seu namorado na época.
— Sara, que surpresa! A que devo a honra? – Thomas fica de pé para cumprimentá-la com um largo sorriso.
— Não vim para uma conversa de amigos e sim atrás de respostas. O que você sabe sobre o que aconteceu em nosso passado? – ela resolve ser direta, ter qualquer tipo de ligação com Thomas, além da filha que inevitavelmente a prende a ele pelo resto da vida, lhe causa certo desconforto. Não. Por ela nunca teria o reencontrado. Não depois do que ele a fez passar. Desfazendo o sorriso Thomas senta-se, Sara faz o mesmo.
— É claro é seu direito saber. – ele recosta-se no encosto da cadeira demonstrando desconforto e tristeza – Sinceramente é triste e vergonhosa pra mim toda essa situação. – diz sem encará-la. Sara estreita os olhos em desconfiança.
— Por um acaso você teve particip... – antes que Sara termine Thomas alarma-se se defendendo.
— Não, não, jamais, eu fui tão vítima quanto a você e nossa filha. Juro Sara que eu nunca soube de nada até que a própria Emma me procurasse. – ele olha para as mãos e em seguida para Sara pedindo permissão para continuar – Há poucos meses Emma e o tio me procuraram com uma procuração em nome dos pais adotivos, eles já estavam mortos e também contaram que ficaram surpresos com toda a história, quero dizer Emma sempre soube que era adotada, porém acreditava que os pais biológicos estivessem mortos e só descobriu a verdade após a morte dos adotivos. – ele suspira consternado sabendo que agora teria que contar a parte mais desonesta da história – Junto com a procuração havia uma carta onde eles contavam como adotaram Emma. – ele desvia o olhar, ela pode ver o suor escorrendo por sua nuca, ele está nervoso – Como já disse essa é a parte mais vergonhosa. – a olha novamente, as pupilas dilatadas – A ideia toda foi de meus pais juntamente com o médico encarregado do seu parto. Tramaram de quando Emma nascesse dopassem você e aproveitando que eu estava fora da cidade venderam a criança para o senhor e a senhora Murrie, nunca pensei que meus próprios pais fossem capazes de uma barbaridade dessas Sara – ele levanta-se e dá a volta, vendo a aproximação dele, ela levanta-se rapidamente e se afasta –, juro a você – ele a olha suplicante querendo aproximar-se – e o que mais me dói é que eles viam nosso sofrimento e simplesmente fingiam que tudo era normal que o que havia acontecido era apenas uma fatalidade. – ele conclui, os olhos brilhando por lágrimas não derramadas. Sara chora silenciosamente.
— Sua mãe nunca negou que não gostava de mim – ela o encara, enxuga as lágrimas rapidamente –, mas dai a vender nossa filha é crueldade demais. Eu sofri tanto, primeiro com a indiferença dela, depois com a perda, não só a de Emma, mas a sua, você me abandou justo na hora que mais precisei. – Thomas aproxima-se dela novamente.
— Por favor, Sara me perdoa – pega as mãos dela suplicante –, juro que nunca foi minha intenção, eu também sofri muito e na época era muito jovem e minha mãe aproveitou da minha fragilidade para por coisas em minha cabeça, na época eu não percebi, mas agora eu vejo que tudo o que ela me dizia era para me afastar de você, por favor, me perdoa, sei que fui um fraco e deveria ter lutado mais por nós dois... Me perdoa. – implora desesperado.
Ela solta-se dele e recompõe-se – Não há mais o que perdoar, é passado, nós reconstruímos nossas vidas e seguimos em frente não? – afirma sem demonstrar qualquer emoção na voz.
— Sim, sim, mas se eu tivesse lutado mais hoje nós poderíamos estar juntos...
— Não diga isso, por favor, nada acontece por acaso. – ela o corta e afasta-se não querendo ouvir qualquer lamento dele. Ela pensa em Grissom, apesar de Emma, ela não sabe o que seria de sua vida se não tivesse ele e ela não o teria se as coisas tivessem funcionado com Thomas.
— Tem razão – ele assente e volta a sentar-se – nada acontece por acaso, veja o destino fez com que nossos caminhos se cruzassem e encontrássemos nossa filha, é uma segunda chance que estamos tendo... – entendendo o raciocínio de Thomas, Sara o corta.
— Não! É uma segunda chance que a Emma está tendo para conosco, não confunda as coisas, eu amo meu marido e sou feliz no meu casamento. – os dois ficam silêncio até Sara quebrá-lo – Acho melhor eu ir indo, tudo o que eu precisava saber eu já sei. – ela direciona-se a porta, mas para quando ele pronuncia-se.
— Você não quer saber como Anne eu nos conhecemos? – ela vira-se para ele.
— Com-com-como... – gagueja voltando a sentar-se.
— Como eu sei que vocês eram amigas? – Sara afirma com a cabeça, afinal ela e Annelise se conhecerem após o sumiço repentino de Thomas – Depois que Emma apareceu em nossas vidas eu contei toda a história a ela e acabamos descobrindo que a mesma Sara que ela conhecera na faculdade e a que eu namorei eram a mesma pessoa — ele suspira claramente lembrando-se da esposa –, na verdade ela nunca me falou sobre você, assim como eu nunca falei também. Mas só pra você saber ela realmente era sua amiga, mesmo depois de anos ela ainda me odiava, mesmo sem saber que era eu, antes que pudesse explicar a real história e de como minha mãe me manipulou fiquei uma semana dormindo no sofá. – ele dá um pequeno sorriso, o qual Sara também não se contém e sorrir, apenas um levantar de lábios, mas que não passa despercebido por ele.
— Eu só não entendo por que ela não aceitou a Emma, a Anne que eu conheci nunca impediria uma criança de conviver com a família. – ela pondera lembrando-se de como Emma chegou a ser suspeita do assassinato de Annelise.
— Ela não rejeitou a Emma, o dia que elas discutiram Anne estava sob pressão e estresse, nós havíamos falado mais cedo, não foi um bom dia para ela e você já viu como é a Emma – ele faz uma careta lembrando-se das pirraças da menina – ela não aceita ser contrariada, quer tudo na hora, ela queria ver Samantha, mas já estava tarde e Anne precisava descansar para o tribunal no dia seguinte.
Sara assente, sim, ela pode visualizar muito bem a cena. Emma não é uma garota fácil de lidar, é muito fácil para alguém sob estresse perder a cabeça com ela.
~.~
O sábado chegou e Samantha não via a hora de ir encontrar Grissom e Sara, ela havia apegado-se a Sara, já que além de Emma, Sara era a presença feminina mais próxima que tinha, a que mais a fazia lembrar-se da mãe com a forma protetora e amável com a qual a tratava. Adentrou o quarto da irmã eufórica.
— EMMA, EMMA ESTOU PRONTA E VOCÊ JÁ SE APRONTOU? – grita deixando transparecer toda sua euforia.
— Sam, calma também não precisa gritar.
— Tá, tá desculpa! – senta-se na cama – Mas e aí vamos? – dia animada, Emma revira os olhos, entediada, tudo o que ela queria era que Sam desistisse. Terminou de passar o batom café e olhou para a irmã que mesmo vendo Emma com roupas e assessórios diferentes não se acostumara com seu novo estilo e sempre a olhava feio.
— O que foi?
— Você é estranha, e não deveria se vestir assim, não parece você. Além do mais acho que sua mãe não vai gostar.
— Ela não é minha mãe, não repita isso. – Emma rebate irritando-se com a menção a Sara. Sam levanta-se e vai em direção à porta, abre-a, mas antes de sair murmura.
— Eu queria ainda ter uma mãe.
Emma abre a boca para responder, porém não consegue, as palavras da irmã acabam mexendo com ela.
~.~
Grissom e Sara estão na entrada do parque, com uma Sara extremamente nervosa, andando de um lado ao outro tentando ver se via as meninas por entre as pessoas que iam e viam. Quando Grissom as avista.
— Uou! – Sara o olha e depois na direção em que ele está olhando.
— Filha da mãe! Ela está fazendo de propósito. – ela estala irritada.
Grissom fica de boca aberta olhando para Emma, definitivamente, para ele aquela garota iria dar trabalho a Sara. Ela está com uma microssaia branca, meia-calça preta e uma regata também preta e com muitas lantejoulas, além dos piercings no nariz e no lábio inferior e vários na orelha, um batom o qual ele não conseguia distinguir a cor, rímel e sobras escuras ao redor dos olhos e all star também branco com detalhes em preto. Estava uma rebelde nata.
Sara fica vermelha não sabendo se por raiva ou vergonha de verem ela com a garota vestida daquela forma. Não é que ela tenha preconceito, mas ela vê muitos tipos de garotas no meio em que trabalha e no geral as piores são as que se vestem como sua filha está agora. Ela respira fundo, tentando acalmar-se, afinal, a roupa não diz nada sobre a pessoa, não é nada demais.
— Sara! – Samantha alegre como sempre é a primeira a se manifestar e correr para abraçar Sara. Sara retribui o abraço, porém sem deixar de olhar para Emma.
— Oi princesa. – ela força um sorriso e olha rapidamente para Samantha, desvia novamente o olhar para Emma o que Samantha não deixa de notar.
— Eu disse a ela para não vir assim, mas ela não quis me ouvir. – a menina se desfaz do abraço e Sara e abraça Grissom – Oi Gil.
— Oi pequena. – ele a abraça para logo em seguida puxar Hank pela coleira – Olha só quem eu trouxe!
— Ele é lindo. Veja Emma ele é um fofo. – Samantha fala com a irmã que até o momento não se manifestara.
Ela permanece calada imaginando o que Sara estaria pensando, ela realmente fez de propósito, queria deixar Sara constrangida, mas não imaginava que ela tivesse aquela reação. Ou seja, nenhuma! Pelo menos é o que Emma pensa, já que Sara não dissera nada.
Sara entendendo o joguinho da garota resolve não dizer nada, iria mostrar a Emma que não importava o que ela fizesse, ela não cairia.
— Olá, Samantha! Você está, hum – Grissom olha para a garota encabulado – diferente. – Emma o olha, desconfiada.
Mas uma coisa ela já tinha percebido, Grissom não é apenas diferente, ele é estranho. Como é que um cara pode se dá tão bem com a filha do ex da sua esposa? E ainda vivia falando de insetos e gente morta para uma criança de dez anos? Ela pensa ao lembrar-se das coisas que ele havia conversado com Samantha na primeira vez que se encontraram. Grissom, definitivamente, para Emma não era desse mundo!
— Olá Grissom, Sara. – cumprimentou os dois e se aproximou de Hank fazendo carinho no cão – Ele é muito fofo mesmo Sam.
O ambiente torna-se tenso com o silêncio que se instala entre eles. Sara não consegue falar nada, apesar das tentativas, só consegue dar falsos sorrisos, Grissom pra quebrar a tensão se manifesta.
— E então vamos entrar, aqui estão seus bilhetes. – entrega os bilhetes as garotas – Não percam, com eles vocês podem ir a qualquer brinquedo do parque.
Entram e os olhos de Samantha brilham, Grissom abaixa-se até a altura dela e sorrindo diz.
— Gostou? – ela afirma com a cabeça – Então vamos aproveitar. – começa a levanta-se quando ela o impede.
— Espera – o segura pelo braço –, obrigada! – agarra-se a ele – é a primeira vez que venho ao parque, papai e mamãe nunca tinham tempo para me trazer. – Grissom sorri ainda mais, ergue-se com ela ainda em seu colo, aquela garotinha, realmente ganhou o coração daquele dele, ele não sabe como nem quando, mas o sorriso inocente dela lhe transmite paz.
— Então já que é a sua primeira vez que tal você escolher o primeiro brinquedo! – ele pisca para ela.
— Hum! – ela murmura com a mão no queixo – Que tal a roda-gigante, assim podemos ir em pares e eu quero ir com você Grissom.
Emma a olha com desgosto. Bem conveniente.
— Por mim tudo bem. – Sara diz dando de ombros.
— Por mim também. – Emma sorrir sarcástica. Grissom e Samantha riem das duas e seguem na frente para deixar Hank em um local seguro.
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