Emboscada de Natal | Flash Book
11 Ponto de Colisão
Subi a escada de dois em dois degraus. O corredor estava escuro. A porta do quarto estava encostada, mas não fechada. Empurrei devagar.
O quarto estava iluminado apenas pela luz azulada da neve que entrava pela janela. Noah estava sentado na beira da cama dele. Cotovelos nos joelhos, rosto escondido nas mãos. A postura da derrota.
Ele ouviu meus passos e levantou a cabeça rápido. Quando viu que era eu, ele travou. A máscara de frieza tentou voltar, mas estava rachada. Ele parecia apavorado.
— Oliver, esquece — ele disse, rápido, levantando da cama como se precisasse fugir de novo. — Eu bebi demais. Falei merda. Só... vai dormir. Finge que eu não disse nada.
Entrei e fechei a porta atrás de mim. O clique da fechadura soou alto no silêncio.
— Não — minha voz saiu firme, o que me surpreendeu. — Não vou esquecer.
Noah parou no meio do quarto. Ele passou a mão pelo cabelo, nervoso. — Por favor. Não torna isso estranho. A gente é amigo. Eu não quero que você fique pensando que eu... que eu estava dando em cima de você ou algo assim.
Dei um passo na direção dele. — E se eu quiser que você esteja?
Noah congelou. Ele piscou, confuso, como se eu tivesse falado em outra língua. — O quê?
Dei mais um passo. Agora eu estava na "Zona de Segurança" de trinta centímetros. Aquela que a gente respeitou a viagem inteira. Invadi.
— Eu fiquei quieto lá embaixo — falei, sentindo minha garganta secar — não porque eu achei ruim. Mas porque eu sou lerdo. Porque eu precisei de um minuto pra entender que... talvez eu não estivesse imaginando coisas.
Noah me encarava. A respiração dele estava pesada, visível no ar frio do quarto. Ele parecia que ia desmaiar ou correr.
— Você não tá imaginando coisas — ele sussurrou. A voz dele quebrou.
— Então o banheiro... — comecei.
— Foi de propósito.
— E a foto?
— Eu queria ter ficado abraçado.
— E o meu engasgo…
— Pensei que você era um homofóbico idiota.
O ar saiu dos meus pulmões. A distância entre nós era ridícula agora. Eu podia sentir o calor que irradiava dele. Olhei para os olhos dele, escuros e intensos, e depois para a boca. A mesma boca que estava sorrindo no Minecraft e travada de raiva no jantar.
— Hum…
— Oliver — ele avisou, num tom que parecia um aviso de perigo. — Se você não sair daqui agora, eu vou fazer uma coisa que vai estragar nossa amizade pra sempre.
Sorri. Um sorriso nervoso, mas real.
— A nossa amizade já era, Noah.
Ele não esperou mais nada. Noah avançou o último passo e segurou meu rosto com as duas mãos. O beijo não foi suave. Foi desesperado. Foi o choque de duas pessoas que estavam correndo em direção uma da outra há cinco anos e finalmente colidiram.
A boca dele era quente, exigente. Minhas mãos foram para a nuca dele, puxando ele para mais perto, se é que isso era possível. Senti as costas dele baterem na parede, ou talvez tenham sido as minhas, não sei. O mundo girou. Não tinha técnica, não tinha calma. Tinha dentes, tinha fôlego curto e tinha a sensação avassaladora de alívio.
Nos afastamos por um segundo, apenas para respirar. Nossas testas encostadas. Ele estava ofegante, de olhos fechados, segurando minha cintura como se eu fosse sumir.
— Você não tem noção — ele sussurrou contra a minha boca — do quanto eu queria fazer isso.
Abri os olhos, vendo o rosto dele tão perto, sem nenhuma barreira, sem nenhum muro. — Eu tenho uma ideia — respondi, e puxei ele de volta.
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