Subi a escada de dois em dois degraus. O corredor estava escuro. A porta do quarto estava encostada, mas não fechada. Empurrei devagar.

O quarto estava iluminado apenas pela luz azulada da neve que entrava pela janela. Noah estava sentado na beira da cama dele. Cotovelos nos joelhos, rosto escondido nas mãos. A postura da derrota.

Ele ouviu meus passos e levantou a cabeça rápido. Quando viu que era eu, ele travou. A máscara de frieza tentou voltar, mas estava rachada. Ele parecia apavorado.

— Oliver, esquece — ele disse, rápido, levantando da cama como se precisasse fugir de novo. — Eu bebi demais. Falei merda. Só... vai dormir. Finge que eu não disse nada.

Entrei e fechei a porta atrás de mim. O clique da fechadura soou alto no silêncio.

— Não — minha voz saiu firme, o que me surpreendeu. — Não vou esquecer.

Noah parou no meio do quarto. Ele passou a mão pelo cabelo, nervoso. — Por favor. Não torna isso estranho. A gente é amigo. Eu não quero que você fique pensando que eu... que eu estava dando em cima de você ou algo assim.

Dei um passo na direção dele. — E se eu quiser que você esteja?

Noah congelou. Ele piscou, confuso, como se eu tivesse falado em outra língua. — O quê?

Dei mais um passo. Agora eu estava na "Zona de Segurança" de trinta centímetros. Aquela que a gente respeitou a viagem inteira. Invadi.

— Eu fiquei quieto lá embaixo — falei, sentindo minha garganta secar — não porque eu achei ruim. Mas porque eu sou lerdo. Porque eu precisei de um minuto pra entender que... talvez eu não estivesse imaginando coisas.

Noah me encarava. A respiração dele estava pesada, visível no ar frio do quarto. Ele parecia que ia desmaiar ou correr.

— Você não tá imaginando coisas — ele sussurrou. A voz dele quebrou.

— Então o banheiro... — comecei.

— Foi de propósito.

— E a foto?

— Eu queria ter ficado abraçado.

— E o meu engasgo…

— Pensei que você era um homofóbico idiota.

O ar saiu dos meus pulmões. A distância entre nós era ridícula agora. Eu podia sentir o calor que irradiava dele. Olhei para os olhos dele, escuros e intensos, e depois para a boca. A mesma boca que estava sorrindo no Minecraft e travada de raiva no jantar.

— Hum…

— Oliver — ele avisou, num tom que parecia um aviso de perigo. — Se você não sair daqui agora, eu vou fazer uma coisa que vai estragar nossa amizade pra sempre.

Sorri. Um sorriso nervoso, mas real.

— A nossa amizade já era, Noah.

Ele não esperou mais nada. Noah avançou o último passo e segurou meu rosto com as duas mãos. O beijo não foi suave. Foi desesperado. Foi o choque de duas pessoas que estavam correndo em direção uma da outra há cinco anos e finalmente colidiram.

A boca dele era quente, exigente. Minhas mãos foram para a nuca dele, puxando ele para mais perto, se é que isso era possível. Senti as costas dele baterem na parede, ou talvez tenham sido as minhas, não sei. O mundo girou. Não tinha técnica, não tinha calma. Tinha dentes, tinha fôlego curto e tinha a sensação avassaladora de alívio.

Nos afastamos por um segundo, apenas para respirar. Nossas testas encostadas. Ele estava ofegante, de olhos fechados, segurando minha cintura como se eu fosse sumir.

— Você não tem noção — ele sussurrou contra a minha boca — do quanto eu queria fazer isso.

Abri os olhos, vendo o rosto dele tão perto, sem nenhuma barreira, sem nenhum muro. — Eu tenho uma ideia — respondi, e puxei ele de volta.