Emboscada de Natal | Flash Book

5 Lenhadores Profissionais


O café da manhã foi um funeral servido com panquecas. Ninguém falou sobre o encontro na cozinha. Noah agiu como se eu não existisse, focado em afogar seu bacon em xarope.

Até que minha mãe teve A Grande Ideia.

— A lareira vai apagar logo logo — ela anunciou, olhando pela janela. — Meninos, por que vocês não vão buscar lenha no galpão lá fora? Faz bem pegar um ar fresco e gelado.

— É — Tia Sarah completou, sorrindo. — Criem um pouco de caráter e cavalheirismo.

Cinco minutos depois, estávamos lá fora. O mundo era branco e hostil. A neve batia na altura da canela. Noah caminhava na frente, abrindo a trilha com facilidade. Ele vestia aquele casaco enorme e luvas de couro, parecendo que tinha nascido numa floresta.

Eu vinha atrás, tropeçando nos buracos que ele deixava, tentando não morrer.

Chegamos ao galpão de madeira. — Pega as menores — Noah ordenou, apontando para a pilha. Foi a primeira coisa que ele me disse o dia todo. — As grandes tão úmidas.

Ele começou a empilhar toras no braço esquerdo com uma facilidade irritante. Uma, duas, três. Parecia isopor. Eu peguei uma. Pesava uma tonelada. A madeira era áspera e gelada, mesmo com as luvas.

Peguei a segunda. Me desequilibrei. Tentei a terceira. A pilha no meu braço começou a escorregar. Tentei ajeitar com o queixo, fiz um malabarismo ridículo e... Pum. Pum. Pum. Todas caíram na neve.

Fechei os olhos. Maldita gravidade.

Ouvi o suspiro. Aquele mesmo suspiro cansado da cozinha. Noah parou. Ele já estava com umas cinco toras no braço. Ele se virou lentamente.

— Deixa aí — ele disse.

— Eu consigo — retruquei, me abaixando rápido. O orgulho era a única coisa que me restava. — Escorregou.

Peguei as toras de novo. Dessa vez, abracei a madeira como se fosse minha vida. A casca arranhou meu pescoço. Levantei, triunfante. Olhei para o Noah.

Ele estava me observando. Não com raiva dessa vez. Mas com uma sobrancelha arqueada, analisando minha postura torta. Ele deu um passo em minha direção. Recuei, achando que ele ia me bater com um pedaço de pinho.

Mas ele só esticou a mão e ajeitou a tora de cima, que estava prestes a cair na minha cara.

— Segura embaixo — ele murmurou. — Perto do centro de gravidade. Senão você vai cair de cara na neve.

Ele se afastou antes que eu pudesse agradecer. — Vamos. Tá frio.

Voltamos para a cabana em fila indiana. Meus braços queimavam. Meus dedos estavam congelados. Mas, por algum motivo, o silêncio na volta parecia um pouco menos pesado do que na ida.

Só um pouco.