Emboscada

1 Desfazendo as malas.


Notas iniciais
Estou com frio na barriga de mostrar pra vocês meus capítulos, então por favor, bonzinhos comigo. Reviews com críticas construtivas e elogios são sempre bem vindos.

Eu não pisava naquele prédio há exatos quatro meses. Saudades? Não, obrigada.

Apertei o botão do elevador e percebi a presença da Sra. Hill.

– Quanto tempo, querida! Onde esteve? — perguntou-me com um sorriso que quase fazia seus enormes dentes de coelho saltarem pra fora da boca. Eca!

– Desculpe-me, mas eu não te devo satisfações. Da sua vida cuide, Sra. Hill. Tenha um bom dia. — desejei adentrando-me no elevador com o pé esquerdo, devido ao clima entediante rotineiro neste lugar.

Pressionei o dedo indicador sobre o interruptor do meu apartamento e ouvi um barulho vindo de dentro da minha bolsa, o qual reconheci ser o toque do meu celular:

– Alô? — murmurou a voz do outro lado da linha.

– Quem fala?

– Oi, Brittany, é a Ellie. Preciso me encontrar com você o mais rápido possível. Fiquei sabendo que já está na cidade.

– Sim, estou. Espera.. Como sabe?

– As notícias aqui correm rápido, pequena B. Ainda mais se for algo sobre alguém como você.

– Certo.

– Na Rua 7, às nove e meia.

– Até lá. — me despedi, desligando enquanto me atirava na cama.

Olhei pra minha cabeceira e espiei o retrato de Jeremy. Uma das poucas pessoas por quem consegui criar uma relação de afeto em toda minha vida. Ele era meu herói. Eu daria tudo pra ter ele comigo novamente. Mas ele se foi. De alguma forma, isso me corroia aos poucos.

E eu juro que se eu encontrar o filho da puta responsável pelo acontecido, eu vou tirar até a última gota de seu sangue e pisotear a cara dele. Se for homem, pior ainda. Vou torturar até o último segundo e vou arrancar o pênis fora.. Talvez se for homem eu nem mate. Ser homem e não ter pênis já é vergonha e motivo o suficiente pra se matar sozinho! Risos

Desviei o meu olhar para o meu relógio de bolso, que marcava 15 horas.

Eu precisava de um banho, pra ontem.

– Abigail, prepare um banho quente com sais, rosas e muita espuma. — desejei.

– É pra já, Srta. Davies. — reverenciou, e saiu.

Abigail é outro anjo da minha vida que eu não abro mão. Que benção de mulher. Nunca abre a boca para reclamar de nada, nem para falar, nem para me importunar. Ela nunca fala nada, praticamente, a menos que eu peça. Eu sou a rainha, e ela é a súdita. Gente assim que é bom, concordam?

A campainha.

– Quer que eu atenda Srta. Davies? — veio como um furacão para me servir.

– Não, volte a preparar o meu banho, por gentileza. Eu mesma vou atender.

Levantei-me depressa e me espreguicei. Corri até a porta de madeira e abri-a com cuidado.

Meu queixo caiu.

– Conor, o que faz aqui? — perguntei. Antes você estava por todo lugar, depois você some do mapa. Só faltou eu te procurar no inferno. Mas não fui, porque já estava farta e tinha convicção de que lá te encontraria. Aliás, é lá onde deveria estar até agora.

– Vê o jeito que fala comigo, vadia.

Em primeiro, eu estava no xadrez e a razão não importa. Segundo, eu soube do seu irmão, e não sinto muito. Sabe bem que eu odiava aquele moleque.

– Mede o jeito que fala dele na minha frente, Conor.

– Eu sei quem o matou, porém.. Só conto com uma condição.

– Não, você vai me contar de qualquer jeito! — murmurei, atirando-o contra parede.

– Me beija, Brittany Davies. — sussurrou em pedido, percorrendo as mãos pelas minhas coxas e depois as parando em minha cintura.

Não recusei o pedido, Conor era um canalha irresistível.

Conhecemos-nos no ano retrasado, numa noite em que eu estava podre de bêbada jogada pelas ruas de Geórgia, uma cidade vizinha. Ele estava dirigindo um carro de luxo e naquela época eu era vagabunda que, nossa.. Não preciso falar mais nada, não é? É. Isso aí; valeu.

– Chega Conor, chega.. Eu não posso mais.

– Ah, vai dizer que a minha princesinha tá comprometida? — indagou pressionando o meu corpo no dele.

Assenti.

– Como? — gritou. Você é minha e nós dois sabemos disso. Escuta aqui, ó, quem é o otário? Diz que eu arrebento com um tiro só! Diz!

– Não é "otário". O nome é Ellie Powell e você não vai encostar um dedo nela. Agora me deixe entrar, eu tenho compromisso a algumas horas.

Tranquei com a chave e pude ouvir seus berros e súplicas pra vir comigo. Ignorei-o e fui até o banheiro.

Despi-me e entrei na banheira.

Relaxei os músculos e acariciei meu corpo lentamente. Cerrei os olhos.

Enfim paz.

Por um lado, eu gostava da solidão. Sempre gostei. Pensar faz bem, pensar faz a gente errar menos. Mas o meu pensar me fez criar uma enorme armadura de ferro que me poupa do carinho alheio de todas as outras pessoas. Já diziam os fortes, que é melhor ser temido. Mas tem que ser forte pra dizer isso e mais forte ainda pra cumprir.

Ninguém precisa de muito amor pra ser feliz. E ninguém precisa ser feliz também. Só pelo fato de ser, participar da aventura que é essa vida.. Isso já é a grande satisfação.

O importante é não se importar e mandar todo mundo se foder quando for necessário.

Senti um cheiro forte vindo do outro canto do banheiro.

Virei-me de bruço na banheira o que me fez ter visão do espelho. Meu coração começou a bater mais forte. Tinha uma mensagem escrita no espelho em.. sangue.


“Can you feel me? If the answer is no, go to the breakfast hall and meet me at eight in the second table on the right.”


Continua…



Notas finais
Gostou? Que tal um review, baby?