Notas iniciais
Foi preguiça sim, e alguns problemas pessoais. Desculpe a demora, acontece com qualquer um. Beijos

Ludwig adentrou a sala de Undie com uma cara amassada, até mesmo o cabelo, que sempre está bem penteado, parecia agora mais um ninho de tão desarrumado. Yekaterina virou sua cadeira para observar o colega e já pensando em inúmeras possibilidades para aquele resultado desastroso do loiro.

— Lud, o que aconteceu?

— Digamos que…

— Só há três saídas, Katia. — Undie o interrompeu; puxou sua cadeira mais para perto da moça. Passou o dedo pela cobertura de chantilly de um cupcake que ela tinha em mãos e lambeu — Ou ele teve uma péssima noite de sexo ou o contrário. — gargalhou — Ou levou aquele belíssimo fora do amiguinho italiano.

O loiro fez uma careta e passou rapidamente a mão os cabelos. Tinha que ter muita paciência com Undie ou seria capaz de virar a mesa na cara dele. Já não bastasse a noite mal dormida por causa do gato de Feliciano que não parava de miar.

— Que tal ficar com a quarta possibilidade? — fechou os olhos, mentalmente contando de um a dez. Passou os dedos nos cabelos para dar o máximo de comportamento aos fios — Ter um felino arruinando meu sono de noite? Vá trabalhar!

Katia abriu um sorriso e empurrou Undie de volta para a mesa e lhe retirou os doces. Viu o bico que este fez e lhe apertou as bochechas.

— Ande logo com isso ou não lhe devolvo os doces.

.x.

Ciel observava suas as anotações que Elizabeta tinha feito em um pequeno caderno cheio de florzinhas que intitulou de “Pequeno diário das alfaces”. Ali eram escritos tudo sobre o experimento, desde o horário em que davam água, luz até as primeiras folhas que apareciam. Mordeu a tampa da caneta e pendeu um pouco sua cabeça. Resolvera ler alguns trechos da primeira página.

“Hoje, oito (8) de julho, aciono as lindas sementes de alface vermelha que estão na caixinha. Seu nome será Nina”.

“Hoje, nove (9) de julho, Lovino veio querer comer Nina, mas Antônio o agarrou antes de pegar a caixa. Ele gritava dizendo ‘Blasfêmia para com os tomates, morte ao alface!’

“Hoje, onze (11) de julho, Sebastian veio conversar com Nina, choramingava dizendo que Ciel havia-lhe dado um toco e que sentia vontade de apertar-lhe as bochechas, pois ele parecia um gatinho arisco”.

Ciel sentiu sua garganta fechar e o rosto ficar quente. Folheou a página seguinte, já que eram poucas as que tinham anotações.

Hoje, vinte de julho (20), Lovino veio querer gritar ‘Herege’ para Nina. Sebastian apareceu mais tarde para conversar com ela novamente. Disse que andava meio carente e com medo de certa coisa que não consegui descobrir o que é. Mas me pareceu apaixonado. Suspeito”.

O jovem fez uma leve careta, não conseguia imaginar o porquê da carência do outro.

“Hoje, vinte e um de julho (21), Sebastian veio de novo conversar com Nina e disse-lhe quão belas estavam ficando suas folhinhas. Disse que cada vez mais sentia aquela palpitação característica no peito e que não queria sentir-se assim. Pediu conselhos e saiu sorrindo”.

Ciel fechou o caderninho e o deixou enroscado em um elástico que fora preso na caixa das alfaces. Bem grande de letra bem caprichada estava escrita “Nina”. Passou a mão pela franja e resmungou baixinho:

— O que diabo Liza tinha na cabeça para fazer isso? — e saiu do cômodo rapidamente. Estava com fome e torcia para ninguém ter comido suas bananas secas.

.x.

Já era nove da noite e o italiano estava no sofá ao lado de Ludwig. O alemão estava sentado e em suas mãos uma caneca com café; vestia apenas uma regata, mostrando seus belos músculos, uma calça moletom verde e pantufas pretas de gatinho; fora presente de Feliciano. Este olhava no seu netbook as fotos que recebera de Lovino no espaço. Uma das que mais gostou era uma da lua vista da nave e outra da Terra. Depois de olha-las por alguns segundos tivera a ideia de pintar um quadro. Sorriu, fazia alguns dias que não tinha inspiração para pintar e ali surgiu uma.

O italiano estava passando a noite no apartamento do amigo, pois teria uma prova na universidade e como morava sozinho, na realidade com o irmão, mas este estava no espaço, não se sentia seguro e precisava se distrair um pouco da pressão que sentia. Ele estava estudando Artes na universidade de Huntsville.

— Feli, algum problema?

— Nenhum… — disse do quarto — Onde colocaste aquele quadro novo que comprei semana passada?

— Está em cima da cama do quarto de hóspedes. — deu um gole no café e fechou os olhos. Sabia que quando dava aqueles surtos artísticos no italiano era para valer e nada o parava, a não ser por macarrão.

Viu o moreno voltar para a sala com o quadro e logo em seguida arrastar o cavalete. Estava mais que acostumado com aquele tipo de comportamento do outro. Feliciano se sentia muito só em seu apartamento sem Lovino e estava praticamente mudado para o de Ludwig, tanto que a maioria de seus materiais de artes estava no quarto de hóspedes dele. Como ali havia três quartos, sendo um do loiro e outro ele já havia se apossado, o de hóspedes estava mais para armário de material ou quartinho de coisas, como ele chamava.

Assim que pegou sua maleta com as tintas que usaria, o moreno posicionou o pincel e começou os traços. Lud apenas o observava como se movimentava rapidamente. Ao ver sua caneca vazia, levantou-se do sofá. Foi até o amigo e deu-lhe um beijo em sua bochecha.

Amo-te, Feli.

O moreno deslizou o pincel pelo lado errado.