Em órbita

9 Amor não correspondido


Notas iniciais
Hmmm~ Eu havia até esquecido qual era o carinha que formaria meu triângulo amoroso na fic...mas ele veio em boa hora ♥

— Lud… — o italiano passou o pincel por cima do traço errado para tentar dar uma contornada no erro — Eu já disse para parar com essas declarações do nada.

Ludwig levantou-se e deu-lhe um beijo na testa.

— Eu sei, mas eu gosto de dizer.

Em passos lentos caminhou até a cozinha para buscar mais café. O loiro sempre amou Feliciano, mas desde que ele passou a morar ali foi que decidiu abrir seu coração de vez. Mesmo com tantos abraços, declarações mais íntimas de amizade, tudo que pudesse indicar que seu amor por ele pudesse ser correspondido, receber um não na primeira oportunidade abalou seu ego de uma forma inimaginável.

Afinal, era seu primeiro amor.

Lud havia tido várias namoradas e alguns namorados, mas o que sentia por Feliciano não podia ser comparado com nada. Todas as noites ele deita na cama tentando pensar em algo que pudesse afastar aquela mágoa. Entendia o lado do italiano, entendia que a forma nervosa com que lhe foi dada a resposta negativa foi porque Feli não queria machucar o coração do amigo, sim amigo. Pois a amizade verdadeira e o companheirismo do alemão eram preciosos demais para si.

Feliciano era fraco para lidar com tudo aquilo, Ludwig era seu melhor amigo, e ter que rejeitá-lo lhe desceu amargo pela garganta. Mas prometeu ao loiro que assim que sentisse que poderia corresponder, ele o diria. Ele faria de Lud um companheiro feliz, queria corresponder. Mas tinha de ser aos poucos, já que o italiano não funcionava direito sob muita pressão.

— Estou com um pouco de dor de cabeça.

Virou o rosto e largou de imediato o pincel na aquarela. Levantou-se e foi até o outro.

— Precisa que eu te ajude em alguma coisa?

— Não, obrigado. Só irei dormir um pouco.

Dirigiu-se até seu quarto, sabia que o amigo ainda lhe observava preocupado com sua dor. Não era muito paciente, mas se fosse esperar para que tudo corresse bem, Ludwig o faria.

Queria ser apenas de Feliciano.

E fazer de Feliciano, seu.

.x.

— Que patético.

Ciel resmungou ao ver Sebastian flutuando de cabeça para baixo e conversando com Nina. Ultimamente ele percebera que o moreno havia parado de lhe chatear e estava ficando cada vez mais distante de si. De alguma forma aquilo o fez parar para analisar o que estava acontecendo. O Michaelis praticamente vivia grudado com as caixas de Nina, sussurrando confissões como se ela fosse sua confidente pessoal.

Sebastian virou para o jovem, olhou-o de cima abaixo e voltou para a planta. Uma as coisas que Ciel odiava — e provavelmente o moreno sabia muito bem — era ser ignorado. Com a ponta do pé, Ciel tomou impulso na primeira coisa que tocasse.

E foi na cara de Gilbert que dormia por ali.

— O que tanto conversa com esse vegetal? — disse rudemente.

— E desde quando nossos assuntos pessoais lhe interessam jovem Phantomhive?

Com o pé, tomou impulso no peito do Michaelis, flutuou para o lado oposto. Queria distância daquele tipo. Foi resmungando.

Sorriu. Não sabia que Ciel tinha interesse em saber sobre si, e isso era bom. Apesar de ser arisco, rude e mal-humorado em 95% de seu ser, sabia que 5% era apenas amor, fofura e carinho.

Mas só 5% mesmo.

Elizabeta acalentava um choroso Gilbert, este estava já com um esparadrapo em cima da ponte do nariz, o local atingido pelo pé de Ciel.

— Vejo que ainda teremos muitas emoções.

— Liza, por que não casa comigo? — fez um bico.

— Pare de bobagens, só quando deixar toda essa manha de lado.

Deu-lhe um peteleco na testa e foi procurar Lovino e Antônio.

Gilbert havia dito a Liza que a amava, mas fora dito de uma maneira tão banal que para a moça soava como se fosse uma brincadeira. Então não deu tanto valor. Até mesmo Gil o fazia.

.x.

Pela noite, Yekaterina chamou Undie para jantar em sua casa. Assim que seus turnos terminaram, Katia pegou as chaves de seu carro e foi até o elevador arrastando o outro. Estava alegre, sua irmã iria sair com o irmão ao cinema e teria o apartamento só para ela. Pretendia cozinhar sua especialidade.

— Oh, esqueci-me de lhe perguntar. — virou o rosto para ela. Katia não podia lhe olhar, pois estava dirigindo. Logo a frente tinha um farol no vermelho.

— Diga querido?

— Sabe aquele seu vizinho que estava de mudança e indicou o apartamento para um amigo meu?

— Sim.

— Pois então, eles fizeram o negócio e creio que ainda esta noite ele esteja de mudança. — sorriu e jogou os braços para o alto.

— Que bom, então tenho de me apresentar, já que será meu vizinho.

Katia se empolgava muito quando ia conhecer pessoas novas, adorava fazer amizades. Agora tinha mais um ótimo motivo para preparar esse jantar.

Assim que chegaram ao condomínio, subiram rapidamente pelo elevador e foram até o apartamento da moça. E como Undie havia dito seu amigo já fizera toda a mudança.

— Undie?

Antes mesmo de Katia abrir a porta, a do vizinho já estava escancarada, e dela saiu um jovem de pele pálida e cabelos brancos — provavelmente pintados, já que suas sobrancelhas eram de um loiro claro —, lembrava muito o Gilbert; a não ser pelo seu jeito mais reservado. Os olhos de um tom avelã tão claro que pareciam amarelos.

— Este é o Noah, meu amigo. — disse Undie indo abraçar o outro.

— Mas pode me chamar de Snake.

A voz dele saíra tão baixa que ela quase não entende. Yekaterina sorriu, achou-o tão delicado e fofo que poderia coloca-lo em um pote e deixar na mesa de sua sala de enfeite.

— O apelido Snake vem do trabalho. — Undie vasculhou algo em um das caixas que estavam perto da porta, tirando uma pelúcia em formato de cobra.

— Eu sou veterinário e especialista em animais silvestres. — disse após Undie lhe soltar — Gosto de cobras e cuido de muitas no laboratório de vacinas em que trabalho. — sorriu — Prazer em conhecê-la, Yekaterina.

Notas finais
Quem não ama o Snake?