Em órbita
4 Aleatórios
Notas iniciais
Antônio parecia uma criança flutuando de um lado para o outro como quem brinca em uma pula-pula. Lovino mordia seu tomate de borracha de tanta raiva. Ainda não sabia o que caralho havia aprontado de tão ruim na vida anterior; se teve realmente uma vida anterior, porque era castigo demais aquilo tudo. Sebastian estava com uma prancheta desenhando algo e de vez em quando olhava discretamente para Ciel que dormia enquanto flutuava por um canto perto de Elizabeta.
— Achei que fosse nova demais para ter um filho da idade de Ciel. — provocou o moreno.
— Ele não é meu filho. — pegou-o pelo pé e o puxou para seu colo — Apenas o vejo como um irmão. — de repente seus olhos pareciam querer fulminar o inglês — Já está avisado! Se fizer algum mal ao meu garoto, quebro-lhe a coluna. Não sou de avisar duas vezes.
Após toda aquela delicadeza, Sebastian se afastou como quem não quer nada.
— Liza, quando começaremos a preparação para a alface? — resmungou o italiano, todo birrento — Ao menos poderemos comer algo que não seja desidratado nesta porra de Estação. Antes que eu frite um espanhol para o jantar.
— É pedir muito que consigas ser mais amigável, Lovi? — suspirou a morena. Largou Ciel por ali e foi até o outro.
— Não! Já é pedir o impossível! — gritou.
Elizabeta não havia dormido direito, teve que lidar praticamente a noite inteira com os chiliques dos novos ocupantes. Ainda mais com os roncos ensurdecedores de Gilbert que não se deu o trabalho de procurar a sua própria cama e dormiu flutuando por ali mesmo. Acordou com dores na cabeça. Também, ficou batendo em tudo, já que se mexia demais.
A sua paciência estava longe de estourar, mas sentia que teria enxaquecas com toda aquela desorganização.
Tinha de por um fim nesse atrito.
— Às vezes tenho vontade de amarrar os dois e joga-los daqui.
— Nunca que eu iria vagar pela merda do espaço com esse…
Virou-se lentamente. Mesmo flutuando o italiano sentiu a gravidade de leve o puxar para baixo. Corria perigo.
— Preserve a sua vida querido!
— Adoraria ser amarrado com ele.
Tomou impulso e foi se esconder.
.x.
— Fico me perguntando o que diabo o Lud estava pensando ao enviar sementes de alface para a experiência na Estação? — mordeu um biscoito — Por que ele não enviou biscoitos? Poderia nascer um pé de biscoitos. Seríamos ricos. Uma fábrica de biscoitos no espaço. — gargalhou e caiu da cadeira de rodinhas — Seria muita viagem!
Yekaterina entrou na sala e lhe estendeu um prato com macarrão a bolonhesa — havia aprendido algumas receitas italianas com Feliciano.
— Tem certeza de que todos aqueles doces que comeste no caminho não lhe deixou hiperativo? — ela fez uma cara estranha e olhou para um pacote de balas em formato de ursinhos jogado nas pernas do outro.
— Claro que sim.
.x.
Ciel e Lovino estavam calados e olhavam para a janela; a vista da Terra era o que mais gostavam ali no espaço. Cansados de terem que se acostumar com aqueles intrusos, ambos resolveram dormir. O italiano já tinham em mãos dois sacos de dormir. Rapidamente pegou o seu e prendeu ao lado da janela, entrou e acomodou-se rapidamente. Seus olhos pesavam muito. Lovino logo também o fez.
O sono dos dois era instantâneo.
Liz e Sebastian já estavam dormindo há meia hora. Passaram parte do tempo planejando a data certa para começar a experiência da alface e acabaram por quase não comer nada.
Gilbert e Antônio…
Bem… digamos que estes estavam tão à vontade que nem mesmo se importaram em prender seus sacos de dormir. Aliás, nem o pegaram. Dormiram por ali mesmo, flutuando. O alemão agarrado em um pássaro de pelúcia e um gorrinho com um desenho da bandeira alemã. O espanhol de cueca e um blusão com um enorme desenho de um tomate. Os braços e pernas abertos; dava pequenas cambalhotas involuntárias.
Vez ou outra batiam nas paredes e nos outros.
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