Em órbita
5 Pequenos conflitos
Notas iniciais
Ludwig havia passado quase o dia fora. Tinha ido ajudar seu vizinho, que é veterinário, com uma campanha de vacinação para cães e gatos, — o que já era de se imaginar, pois amava cães. Feliciano tinha ido junto… mas foi preciso paciência para retira-lo da veterinária. Não queria largar os filhotes de gatinhos.
— Sério que largaste o trabalho ontem para ajudar a vacinar animais? — Undie olhou-o desconfiado.
— Sim. — estava sentado em sua cadeira e mantinha as enormes mãos por cima dos olhos. Eles ardiam, pois tinha tido um sono ruim. Feliciano costumava falar enquanto dormia, além de roubar comida da geladeira pela madrugada.
— Sério que Berwald aceita esse tipo de desculpa?
— Undie, tu não tens mais nada o que fazer? — passou os dedos pela testa que dava leves pontadas — Estou com dor de cabeça e ainda me vem querendo saber o que faço da minha vida. Seu fofoqueiro! — resmungou o alemão.
— Percebi que estás de mau humor. — deu uma leve risadinha — Deve ser porque ontem não teve né?
Ludwig alcançou a primeira coisa que estava perto de sua mão — no caso um saco de jujubas no formato de coração — e o atirou no outro. Undie gargalhava como se não houvesse amanhã, mas pegou os doces.
— Ah, obrigado pelo presente. — abriu a porta — Mas creio que não posso concordar com seus sentimentos. — e mordeu uma jujuba de morango. —Até mais! — e logo sumiu porta afora.
— Maldito seja.
.x.
Ciel havia acordado de mau humor e ficou assim durante todo o dia, só abriu a boca para conversar um pouco com Liza e Lovino, mas mesmo eles puderam perceber a diferença de seu comportamento.
— O que droga está acontecendo contigo? — resmungou o italiano que mordia um pedaço de banana desidratada.
— Nada que possa ser da sua conta.
— Entendo-te.
Lovino sabia que algo havia acontecido antes de ele acordar, mas o que? Era um italiano curioso, gostava de saber o que se passava, mesmo que fosse apenas combustível para uma onda de xingamentos. Considerava Ciel como um amigo, já que eram assim tão semelhantes no pavio curto — “No cu doce tsunderista também” como afirmava Elizabeta.
Mas vejamos o que realmente se passou pela manhã.
Ciel havia acordado mais cedo, pois se sentia estranho e muito leve para quem dorme preso em um saco de dormir. Ao tomar consciência de que estava flutuando, suspirou. Só não queria ter passado a noite se batendo em tudo ao redor, muito menos nos colegas. Tinha visto que Antônio era sonâmbulo e estava tentando desprender o saco de dormir de Lovino. Logo a pergunta sobre como foi acordar solto fora respondida.
— Bom dia jovem lady.
Aquela voz o fez arrepiar-se todo — tão perto!
— Quem chamaste de “jovem lady”? — resmungou baixinho, a vontade de lhe dar um murro era maior que respeitar o sono dos colegas.
— A princesa que acordou dando lindas cambalhotas. — soltou um sorriso cínico. Parece que Sebastian havia acordado com vontade de encher o — pouco — saco de Ciel.
— Só acho que temos um E.T a bordo da nave. Só acho!
— Não precisa ficar com raivinha querido. — estendeu uma barra de cereal — Vamos aceite um.
— Não preciso de nada que venha de ti!
Bateu na mão do maior fazendo com que a barrinha flutuasse em direção da cabeça de Gilbert.
— Calma, olha a agressão. Se não queria o que custava dizer? — o moreno tomou impulso e saiu do cômodo.
— Aquele idiota. — resmungou Ciel.
— Sério que foi só por isso? — Elizabeta estava do seu lado — Não me olhe assim eu ouvir tudo. Não acho que seja motivo para se zangar, foi somente uma brincadeira.
— Mas eu não gosto dessas brincadeiras.
— Sim, não gosta. Mas tu acabas se importando com isso e ele tira ainda mais proveito. Apenas ignore ok? — passou a mão em seus cabelos — Só espero que não aprontes nada que possa botar a nave em risco de explosão ou em rota de colisão com algum meteoro, por favor.
Ouviu-se um resmungo irritado do inglês, a moça se afastou.
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