Em meus sonhos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eram quase 12:00 do dia numa segunda-feira, haviam carros na rua fazendo muito barulho, pessoas andando rapidamente de um lado para o outro e eu era apenas mais uma delas. Meu Deus! Eu estava tão chateada comigo mesma, tão irritada por não conseguir colocar um fim naquilo tudo, e caramba! Já fazia tanto tempo que eu estava naquela situação, tantas pessoas me alertaram, mas eu como sempre não tinha coragem suficiente, na verdade , o que eu tinha mesmo era medo, muito medo. Medo não do que ele poderia fazer comigo, mas sim do que ele poderia fazer com a minha família.
Em meio a todo aquele movimento, estava prestes a atravessar a rua, mas um turbilhão de pensamentos me distraiam, de modo que permanecia tão perdida em meus próprios devaneios que nem, ao menos, notei o sinal em vermelho pra mim. Sem demora, atravessei com pressa, quando escutei apenas o barulho de uma buzina muito perto de mim, porém já era tarde demais...
No momento em que abri os olhos, não enxerguei mais nada além daqueles belos olhos azuis olhando fixamente para mim com um ar de alegria e ao mesmo tempo raiva. De impeto, não consegui compreender o motivo de tanta confusão em apenas uma troca de olhar, então tentei dizer alguma, mas antes mesmo de conseguir dizer algo, ele me impediu pedindo para que eu ficasse quieta e não falasse nada. Obedeci, pois havia muita dor em minha perna para que eu conseguisse raciocinar qualquer outra coisa.
Sendo assim, olhei para os lados e várias pessoas paradas ao meu redor me observavam, porém eu só podia ver os pés delas, foi ai que percebi que estava deitada no chão, eu havia sido bruscamente atropelada por algum idiota que eu não sabia quem era, logo senti uma dor muito forte na cabeça, ao ponto em que ouvi ele me pedir pra aguentar firme e ficar acordada, mas não pude, uma vez que era mais forte do que eu, então, apaguei completamente.
(...)
Haviam flores na cabeceira da minha cama, a luz do sol invadia o quarto com um clarão estonteante, não conseguia mexer minha perna e minha cabeça doía muito, escutei um barulho de algum aparelho estranho, então me vi como em um daqueles filmes clichês, onde a mocinha está entre a vida e a morte. Rapidamente vejo a porta do quarto sendo aberta e minha Tia Jhenna entrando com um grande sorriso no rosto, eu já conhecia aquele sorriso, após a morte dos meus pais ele era raro de surgir no rosto dela, mas quando surgia era simplesmente encantador...
— Oi, querida, que bom que você acordou. Eu já estava a ponto de enlouquecer, Elena. Como está se sentindo?
—Bom... -pensei um pouco, respirei profundamente e sorri com o canto dos lábios. _Meio que confusa e minha cabeça dói, mas acho que estou bem. Tia, o que houve comigo? Não consigo me lembrar ao certo... Está tudo muito estranho e turvo em minha mente. Acho que só lembro da briga que tive com o Matt e de estar atravessando a rua, daí não lembro mais de muita coisa.
— A senhorita sofreu um acidente, meu bem. Mas não precisa se preocupar com nada, você está se recuperando bem e só vai ficar aqui por mais alguns dias.
— Mas que acidente, tia? Como assim? Como isso foi acontecer comigo?
— Você estava muito distraída, Elena, ao atravessar a rua e não percebeu que o sinal estava fechado, então um carro bateu em você. Assim, o garoto que estava dirigindo tentou desviar, ele até buzinou, mas já estava muito próximo a você, então...
— Entendo. O garoto me prestou socorro? Não acredito que ele foi embora como se nada houvesse acontecido. -seria o cúmulo do absurdo alguém cometer algo tão grave e ir embora.
Não deu tempo da minha tia responder, pois a porta abriu novamente e , então, pude notar a presença de um rapaz alto, com os cabelos pretos, a pele branca, e com um buquê de rosas lilases nas mãos. Ele foi caminhando em direção a poltrona onde Tia Jenna estava, ainda não conseguia ver seu rosto, visto que ele estava de lado para mim e de frente para minha tia, logo ele falou com ela apertando sua mão e lhe entregou o lindo buquê. Minha tia sorriu pra ele, não entendi muito bem, pois podia jurar que ele estava flertando com ela quando se virou e veio em minha direção.
— Oi, você não deve lembrar de mim, me chamo Damon, infelizmente eu atropelei você, mas que fique claro que a culpa não foi minha, você estava atravessando a rua desesperadamente e parecia estar em outro mundo. -a voz rouca preencheu todos os ambientes do quarto. Ele mantinha em seu rosto um sorriso de canto de lábios que, apenas, o deixava ainda mais atraente. "Calma aí, Elena! Mas o que é que você está pensando?"
Olhei pra ele e quase não acreditei no que vi, era ele , aqueles olhos eram inconfundíveis e me olhavam de uma maneira diferente, meu Deus! Damon, como acabou de dizer que se chamava, era lindo e seu sorriso acentuava lindamente seus traços marcantes e os cabelos negros com aquele penteado meio bagunçado lhe dava um charme incrível e único, sem falar do seu perfume, que como não poderia deixar de ser, era extremamente diferente . Só para melhorar minha situação de hipnose, eu nunca havia sentido um perfume como aquele, o que acabou me fazendo perder um pouco a linha de raciocínio, uma vez que sou completamente apaixonada por cheiros.
— Eelena, você está bem? Tá sentindo alguma coisa? -ele perguntou com uma voz preocupada e doce ao mesmo tempo, trazendo-me de volta do tranze em que havia me metido sem nem notar.
—Desculpe. Eu, eu... Ei, espera ai! Você é maluco ou oque, hein? Não viu que eu estava atravessando aquela bendita rua? Não tinha mesmo como desviar ou você não sabe dirigir direito? E a culpa é sua sim, é por sua bela maneira de dirigir que estou aqui! -era óbvio que ele poderia ter desviado ou freado a droga do carro que estava dirigindo. Isso eu não iria deixar passar. Nem se ele fosse o Liam Hemsworth.
Uma raiva me tomou de uma maneira que não soube como explicar, sinto que até vermelha fiquei e quando olhei para o Damon ele estava com um belo sorriso de lado. Ele estava gostando daquela situação. Me senti uma descontrolada, porque, no fundo, sabia que a culpa não era dele e nem minha, mais uma vez a culpa era apenas de uma pessoa, era por culpa dele que eu estava andando na rua daquela forma, era por culpa dele que minha cabeça doía e meu braço e perna estavam imobilizados...
— Helena, calma, tá!? Como eu já disse a culpa não foi minha, o sinal estava aberto para mim e eu estava atrasado pro trabalho, e outra, você apareceu do nada na frente do meu carro, buzinei, mas você não ouviu. Então, por favor! O maluco da história aqui não sou eu eu.
Merda! Ele disse isso com uma convicção... Eu até ia me desculpar realmente, mas não podia dar esse gostinho a ele, afinal de contas ele havia me atropelado e, poxa! Independente de ser culpa dele ou não, algo mexia comigo, não sei como, mas as palavras pareciam sumir de minha mente, não! isso definitivamente não pode estar acontecendo!
— Olha, sabe de uma coisa!? Minha cabeça está doendo, ok? e não estou muito diposta pra ficar discutindo se a culpa foi sua ou não, mas de qualquer forma, Damon, eu perdoou você,tudo bem? -Bom, essa era a deixa para ele, como um bom moço que dizia ser, reconhecer seu "erro" e me pedir desculpas, amenizando toda aquela situação. Porém, estava muito cedo para julgar a personalidade do Damon bonitão.
— Tudo bem, tudo bem, Eelena. Eu vou indo, mas, por favor, da próxima vez, tenha mais cuidado ao atravessar a rua.-ele continuou sorrindo ao olhar profundamente em meus olhos. O que que esse cara quer de mim? Me ver implorar um beijo ou algo do tipo? _ e prometa que vai se cuidar e ficar bem, ok?
Eu não respondi, apenas dei um sorriso meio forçado e olhei para ele, então ele se aproximou do meu rosto -Mas que diabos está acontecendo aqui? Nossa! estávamos tão perto um do outro que, diante de tanta bosta acumulada que eu estava vivendo, receber o beijo de um belo e arrogante estranho naquele momento não seria nada ruim. Porém, como nada nessa vida é fácil, ele me deu um beijo na testa e olhou fixamente nos meus olhos, mas por algum motivo não disse nada, apenas deu um sorriso tímido e se afastou de mim, mudando completamente de expressão ao me encarar por alguns minutos. "Ele é lindo demais!" Se despedindo da minha tia com um aperto de mão, ele abriu a porta, mas antes de ir, nossos olhares se encontraram novamente, então agradeci pelas flores e ele sorriu.
— Não são para você, Elena. Até mais! — com uma piscadela para minha tia, Damon deixou o quarto me fazendo bufar extremamente frustrada com aquele furacão de emoções que se instalara dentro de mim.
Com certeza ele mexia comigo, talvez fosse por aqueles olhos e aquele perfume e todo aquele jeito de lidar comigo, ou, talvez, fosse apenas toda aquela raiva que eu estava sentindo do Matt, Nossa, como eu o odiava!
Tia Jenna se aproximou dizendo que iria sair pra pegar uma xícara de café, daí perguntei se ela conhecia o Damon de algum lugar, então, para minha surpresa, ela disse que sim, pois ele era filho de um casal muito amigo da nossa família, os Salvatore.
"E mais essa, agora o Damon conhecia minha família, mas por qual eu não o conhecia?"
Enfim, eu só queria que o resto do dia acabasse logo, mas como a vida é realmente generosa com as pobres orfãs recém saídas de um acidente de trânsito...
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