Notas iniciais
admito que eu não gosto muito desse capítulo pq n tem mts dialogos ja que.... a inna ta sozinha. é só ela lidando com seus medos e com o fato de nao ter proteçao. nao que isso seja ruim, acho que eu nao consegui fazer a cena da melhor maneira hdbasdbh

Pata ante pata, Inna se deixava levar em direção ao breu e a neblina que surgia naquela parte da floresta. Andava cautelosamente, as orelhas retesadas em constante busca por perigo. O medo fazia seu corpo tremer às vezes, mas sabia que precisava ser forte para encontrar sua mãe. Ela e seus irmãos estavam lhe esperando.

A filhote enfim teve algum relance de vida naquela área: algumas poucas corças pastavam, vigiando os arredores. Os sons que faziam soavam tão estranhos. Tudo parecia um pouco amedrontador sem Nora para guiá-la, especialmente naquela situação. Ao se aproximar um pouco mais, uma das fêmeas notou sua presença e correu, as outras quatro foram logo atrás. Elas eram rápidas, esguias e elegantes, e tinham ótimos reflexos. Suas pernas eram longas e seus cascos silenciosos. Inna nunca tinha visto algum cervídeo de perto, não haviam muitos próximos de sua antiga toca. Mas sua mãe já falara sobre eles. Eram difíceis de serem pegos, porém proporcionavam uma ótima fonte de alimento. Talvez a nova casa teria várias corças por perto. Ela queria poder ver.

Continuou caminhando até uma brisa cortante trazer o odor de sua mãe novamente. Por alguns segundos ela conseguiu captar o cheiro com perfeição, e ficou satisfeita de estar indo na direção certa. Porém, os rastros davam numa espécie de pântano, o que não a deixou muito animada. Ainda estava muito escuro, e havia mais neblina naquela região, devido à umidade. Simplesmente torceu para que fosse um trajeto curto.

Podia ouvir uma coruja chirriando de longe, mas não conseguiu visualizá-la. De repente, viu um ninho bem arrumado no chão. Achou curioso, pois já havia visto muitos ninhos em árvores ― às vezes Nora conseguia até mesmo derrubá-los para que comessem os ovos ―, contudo, nunca algum no chão. Era grande, e continha alguns ovos de tamanho modesto. Não viu ave alguma por perto, então a fome fez com que se arriscasse. Quebrando a casca com certa facilidade, deliciou-se com o conteúdo dourado que estava tão bem protegido. Com a quantidade de emoções que estava sentindo ao mesmo tempo naquela noite, nem percebera o tamanho da fome que sentia até finalmente comer alguma coisa.

Ao terminar o banquete, Inna buscou mais algum rastro de sua mãe, e conseguiu farejar seu cheiro novamente durante algum período. Sentia-se mais confiante, apesar da aura assustadora do pântano. Então, pôde notar uma ave enorme saindo da água. Possuía penas brancas, um longo pescoço e grasnava enfurecida para a filhote ― um cisne, e parecia muito incomodado com sua presença ali. A pequena lince ficou terrivelmente assustada, nunca havia visto aquele animal, ou uma ave tão grande assim. Com as duas asas completamente abertas, parecia ainda maior. O som que fazia era horrível às suas orelhas. Correu o mais rápido que conseguia durante alguns metros, até que o animal a deixou de lado.

“O que era aquilo? Será que há outros?!” Pensava, aterrorizada com a ideia de ter que lidar com mais cisnes.

Com a respiração ofegante após a curta perseguição, pensava no quão imponente era sua mãe. Tentou imaginar como acontecera a passagem dela e de seus irmãos por aquele local, e mesmo que o cisne tivesse a atacado, ela sabia que Nora era muito mais forte, e seus irmãos não tinham pelo o que temer. Inna sentia falta dessa segurança, da sensação de força e cuidado.

Enquanto andava, percebeu a existência de mais ninhos, e teve a certeza de que haviam outras aves daquela por ali. Pedia silenciosamente às estrelas para que não colocassem mais uma em seu caminho. Divertia-se, no entanto, com as pequenas rãs que pulavam para lá e para cá. Em outro momento até tentaria capturar alguma, mas agora estava cansada demais para pensar nisso. Tempo depois, acabou chegando num local com ainda mais água nos arredores, e, para sua infelicidade, alguns cisnes nadavam ali. Ela tinha que admitir que quando não estavam a perseguindo e grasnando de forma assustadora, eram até bem bonitos com seus grandes pescoços e plumas bem arrumadas. Mas vez ou outra soltavam um sibilo, gerando um incômodo instantâneo. Teria que passar pela parte de terra sem que os animais a percebessem. Felizmente, havia grama alta pelas margens, então Inna fez o possível para se agachar e se camuflar por ali. Não era uma distância longa até se afastar dali, porém parecia ser uma eternidade para ela. Cada movimento a deixava nervosa, apreensiva de as aves virem checar. Suas orelhas estavam completamente rentes ao corpo, e atentas a qualquer som mínimo. Era capaz de ouvir o som de seu próprio coração, que batia depressa, e tinha medo de que aquelas criaturas pudessem ouvir também.

Quando enfim se afastou o bastante, deixou sair uma lufada de ar. Olhou para a água, e os cisnes continuavam nadando tranquilos. Pôde encontrar mais rastros de sua família, e os seguiu firmemente. O caminho agora era até calmo, não se deparou com mais nenhuma criatura perigosa e irritadiça. De certa forma, sentia-se orgulhosa de si, e mal podia esperar para contar a sua mãe e irmãos do que acontecera, e de como fugira daquelas aves gigantes. A pequena lince se deslocava para regiões mais elevadas, se afastando do pântano. Deparou-se, de repente, com algumas borboletas castanho-avermelhadas. Sorriu, inevitavelmente se lembrando de quando estava caçando com seus irmãos, e do quando demorou para capturar uma ela mesma. Tudo acontecera há pouquíssimo tempo atrás. Tudo estava em paz. Como pôde dar tão errado? Como estava sozinha agora, perdida, com miúdas chances de sobrevivência?

Não conseguia entender como aquilo estava acontecendo, e quis chorar. Mas se manteve empenhada, e continuou seguindo os odores. Antes que notasse, levaram-na para uma pequena toca improvisada. Ali, os cheiros estavam fortíssimos, e podia, outra vez, praticamente visualizar sua mãe e irmãos. Eles haviam dormido ali, todos eles, juntos, como sempre faziam.

Porém, Inna não estava lá.

“Será que sentem minha falta? Será que acham que eu morri...?” Pensava consigo mesma ao entrar no pequeno espaço. O cheiro da mãe fez com que soltasse as lágrimas salgadas que com tanto esforço segurava, tudo que queria agora era sentir seus pelos a aquecendo e ouvir o ronronar de seus irmãos. Encolheu-se, torcendo para que pudesse encontrá-los quando acordasse, e quase pôde sentir Nora lamber sua testa enquanto finalmente fechava seus olhos, totalmente exaustos e tristes, e cheios d’água.

Pelo menos sabia que a encontraria em seus sonhos.

Notas finais
inna fica mt mais triste na caverna pq o cheiro tá tão forte que é quase como se a nora estivesse lá. ter que dormir sem a presença física da mãe e os irmãos, e ao mesmo tempo sentir seus cheiros, é torturante e horrível. faz a inna sentir que vai estar sempre tao perto, mas ainda sempre longe de achá-los. insira aqui emojis tristes also queria fazer os cisnes os mais CREEPY possiveis pq quando eu joguei eu fiquei MUITO tempo na parte do pantano e o sibilar dos cisnes me dava uma agonia sem fim. nunca tinha parado pra pensar mas esse jogo me fez perceber que sao basicamente gansos com um pescoço MAIOR AINDA