Notas iniciais
gente esse capitulo eh lindo e eu adoro ele pq conhecemos um novo personagem :'''') vou falar mais nas notas finais, espero que gostem! <3

O dia amanhecia calmamente, o Sol dando os primeiros sinais de sua aparição, tornando o céu dourado. Enquanto isso, Inna acordava num susto com um som alto que estava muito perto de si. Despertando, pôde perceber que era uma perseguição: uma alcateia de lobos cinzentos corria atrás de alguns cervos. A filhote nunca havia visto lobos tão de perto, talvez já tivesse avistado algum ao longe, mas sua mãe já havia dado alertas a ela e seus irmãos de que deveriam ter cuidado com eles. Eles eram bonitos, porém perigosos, e poderiam matá-los se os encontrassem vagando sozinhos por aí. E ao vê-los correndo, entendia perfeitamente. Eram grandes, maiores que sua mãe, e até mesmo graciosos, porém seus rosnados agressivos não deixavam dúvidas de que sabiam matar sem problemas.

Inna ficou apreensiva, sem saber se deveria permanecer onde estava ou seguir em frente. Os lobos provavelmente estavam indo para longe, suas presas corriam rápido. Então, as chances de encontrar com um eram pequenas. Mas e se aparecessem mais e vissem-na ali, escondida na pequena caverna? Confusa em como proceder, resolveu se arriscar e continuar seu caminho, seguindo a trilha que os canídeos deixaram. Ouviu um uivo já distante, e se abismou com a velocidade que se afastaram. Eles eram muito mais rápidos do que pensara.

Permaneceu andando, e tudo parecia realmente seguro. A alcateia já estava mesmo longe. Porém, detectou um pequeno corpo a sua frente. Farejou o ar, numa tentativa de identificar o que poderia ser, mas sem sucesso. Era pequeno demais para ser um dos grandes lobos que tinha visto. Cautelosamente se aproximou mais, e viu o que parecia ser um... filhote de urso pardo? Estava com dúvidas. Também nunca havia tido encontros próximos com ursos, somente à distância, e sabia que deveria ter mais cuidado com eles ― eram maiores que lobos! Possuíam patas enormes, com garras também grandes e afiadas, que não serviam só de enfeite. Entretanto, aquele era só um filhote, assim como ela, não lhe faria mal, certo?

“Mas um filhote sozinho, aqui?” Inna indagou-se. “Mamãe disse que mamães ursas são muito cuidadosas com seus bebês, e atacam qualquer um que se aproximar. Será que ela está perto?!” Sentiu um calafrio subir pela espinha, mas não conseguia encontrar nenhum odor similar ao do filhote, que estava caído no chão.

― Hum... oi, está tudo bem com você? ― Ela se arriscou a perguntar, atenta a qualquer movimento.

― Sim, eu só... estou muito cansado. ― O pequeno urso falou. Sua voz era bem baixa e não representava ameaça. Ele parecia mesmo cansado. Até mesmo triste. O que aconteceu? Onde estava sua mãe?

Por alguma razão, Inna quis ajudar. Ela resolveu buscar algumas frutinhas encontrou em arbustos próximos. Torceu para que ele gostasse de frutinhas. Talvez se sentisse melhor depois de comer. O filhote notou a presença do alimento e deu um olhar de questionamento à Inna.

― São para você. Espero que você goste. Posso buscar mais.

― Oh, obrigado. Não precisava. ― Ele se sentou, e logo comeu algumas frutinhas. ― Estão muito gostosas. ― Enquanto terminava de falar, Inna trazia mais algumas.

Ela o observava comer atentamente. Sua mãe não parecia estar em lugar algum. Seria feio de sua parte perguntar? Estava ansiosa por finalmente ter a oportunidade de dialogar com alguém após tanto tempo, e era outro filhote!

― Você é bem legal. Obrigado pelas frutas. ― O urso disse, seu tom de voz parecia mais feliz agora. ― Qual o seu nome?

― Não tem problema. Sou a Inna.

― Meu nome é Fen. Por que você está sozinha? É uma filhote, não é? De lince?

Inna ronronou com a perspicácia do colega, que facilmente identificou sua espécie, e assentiu. Mas como iria responder àquela pergunta? Deveria ser sincera ou mentir? Falar qualquer outra coisa? Porém, pra quê mentiria? Não levaria a lugar algum naquele momento.

― Eu me perdi da minha família ontem. Nós íamos para um novo lugar, mas eu fui arrastada pelo rio, para longe deles. Agora estou tentando encontrar minha mãe, às vezes consigo encontrar o rastro dela. Eu preciso achá-la... ― Choramingou, pensando na possibilidade de ficar perdida para sempre.

― Entendi... Puxa, isso é muito triste. Posso acompanhar você até que você encontre eles, o que acha?

― Como assim? E sua mãe?

― Ah... Ela morreu há algum tempo... ― Seus olhos escuros nublaram na mesma hora, e suas pequenas orelhas se encolheram. ― Ela ficou muito doente e não conseguiu se curar, então me ensinou muitas coisas sobre a floresta, para que eu... conseguisse sobreviver sozinho...

Inna ficou muito surpresa e sentida. Pobre Fen! Estava vivendo sozinho por sabe-se lá quanto tempo. Deveria ser muito difícil, ela não conseguia imaginar ter que permanecer assim, sem a esperança de poder se reencontrar com a mãe. Simplesmente ter que viver solitária, ainda filhote, e fazer tudo por si mesma. Sem segurança, sem afago, sem nada.

― Eu sinto muito, Fen. Deve ser muito complicado...

― É. Pelo menos sou um urso. Grande demais para raposas, e lobos normalmente não se aproximam muito, fico longe deles também. Mas logo já vou estar bem maior. Eu cresço rápido! ― Ele tentou sorrir, enquanto se levantava nas duas patas traseiras. ― Só que sinto a falta dela... Bastante. Às vezes fico tão triste que apenas fico deitado, lembrando dela.

― Eu nem consigo imaginar... ― A lince fitou o chão, cabisbaixa.

Fen soltou um suspiro e tentou recompor sua postura. Queria ajudar a felina, e não deixá-la ainda mais nervosa. Então, sorriu para ela:

― Vou ficar bem. E você também vai, Inna. Vamos encontrar sua mãe.

Os dois se puseram a andar. Porém, agora Inna estava mais contente. Tinha alguém ao seu lado, alguém para conversar e para ajudá-la. Fen iria ser um bom amigo, e com a ajuda dele ela tinha certeza que encontraria sua mãe. Ele encontrou mais arbustos de frutinhas, e dessa vez Inna decidiu experimentar. Realmente, até que eram gostosas para alguém com a dieta baseada em carne.

Conversavam bastante enquanto caminhavam. Falavam de suas diferentes vidas e modos de viver, das coisas que já haviam visto. E Fen também sabia das estrelas! Ele admirava muito sua mãe, Katja, que fora uma enorme ursa parda. Ela lhe ensinou sobre as estrelas guias, e o urso disse que numa noite escura, pouco após sua morte, conseguiu vê-la. Ela o aninhava e cantava uma canção de ninar. A que cantava em momentos turbulentos.

“Oh, pequeno urso, já não precisa temer

Descanse agora, deixe seu fogo acender

Tem um forte e grande coração

Logo vai entender

Oh, pequeno urso, vou sempre estar aqui

Sussurrando, para você ouvir

Tem um forte e grande coração

Logo vai entender”

Era linda. Ele disse que nunca conseguiria cantar como Katja, então a filhote só poderia imaginar como sua voz deveria ser bela. Mas Fen disse que não a viu desde então. Inna o assegurou, dizendo que com certeza a estrela voltaria. Katja era sua guia agora.

Inna reparava com atenção em Fen, e em como eles dois eram tão diferentes. Mesmo sendo um filhote, ele era bem maior. Seu pelo era escuro e espesso, e suas orelhas redondas, o oposto de suas orelhinhas triangulares. Ela nunca imaginou que um dia falaria com um urso, muito menos que um urso a ajudaria na busca por sua família. Porém, ficava aliviada de ter encontrado Fen. O caminho que seguiam começava a ficar mais estreito e tortuoso, as árvores muito próximas umas das outras. Mas ela não sentia mais tanto medo assim.

Após muito tempo, Inna finalmente conseguiu captar um rastro. Estava logo antes de um enorme lago. Era bem extenso, e parecia ser fundo também. Ao que tudo indicava, Nora agora estava na parte de terra do outro lado.

― Mamãe nadou até lá?! ― A filhote estava muito chocada. Era uma distância considerável, e vai saber que tipo de animal se escondia nas profundezas daquela água escura.

― Não dá pra ter certeza. Ela pode ter usado algo pra boiar. Tipo esse tronco. ― Fen apontou para um tronco de árvore caído. Era meio pequeno, mas o suficiente para abrigar os dois e continuar flutuando.

― É seguro?

― Não sei. Mas é o único jeito, Inna. Não vamos conseguir ir nadando.

Ele estava certo. Ficariam exaustos na metade do caminho. Teriam que usar o tronco a seu favor. Apesar do medo, a lince o ajudou a arrastar o pedaço de madeira para a água, e assim, subiu nele. Os dois estavam apreensivos, mas o tronco realmente não afundou. Agora só precisavam chegar ao outro lado. Usando as patas dianteiras como pequenos remos, seguiram. O ritmo não era muito veloz, contudo, era o suficiente. A água era bem parada, facilitando a locomoção.

Inna não conseguiu evitar de ter alguns flashbacks do dia anterior. O rio, a chuva, a água forte. Engoliu em seco. Fen era capaz de farejar seu medo, e sabia as razões. Grunhiu baixo, numa tentativa de assegurá-la que tudo ficaria bem. Mesmo com o silêncio que havia se formado, devido a intensa concentração dos filhotes, não era de todo desconfortável. Ela tentava focar na terra firme, que estava logo ali. Eles iriam chegar. Nada de ruim aconteceria. Iriam chegar.

E antes que percebesse, chegaram. A lince cambaleou um pouco ao descer do tronco. Suas patinhas tremiam de nervosismo, e Fen lambeu suas orelhas, tentando acalmá-la.

― Estamos bem, Inna. Chegamos. Você consegue sentir algum cheiro? ― Fen questionou com cautela.

― Obrigada, Fen. ― Ela farejou o ar atentamente. ― Consigo! Mamãe esteve aqui!

― Isso é ótimo. Mas precisamos achar algum lugar para descansar. O Sol já vai se pôr.

― Já?! O tempo passou depressa. ― A filhote ponderou, olhando para o céu, que começava a ficar alaranjado.

― Muitas coisas aconteceram hoje. Andamos muito pela floresta.

Ela concordou e voltou a seguir os rastros da mãe lince. Fen ia atrás dela, observando a paisagem. Aquela parte da floresta também era muito bonita. As folhas das árvores caíam vagarosamente, numa lenta dança e bem ensaiada até chegar ao chão. Aos poucos, um tapete de folhas escuras se formava no chão. Dava uma sensação esquisita de passar em cima, mas ele gostava.

Ele achava estar fazendo o certo ao ajudar a pequena lince. Ela era sua amiga agora, não é? Sua mãe aprovaria suas ações. Apesar da aparência que poderia ser amedrontadora para quem não fosse habituado a ursos, Katja era muito gentil, com olhar muito doce e sensível. Ela iria gostar de Inna, Fen tinha certeza.

― Ei, Inna, podemos dormir por aqui. ― Ele indicou um pequeno local próximo a uma árvore enorme. Era como se uma de suas raízes tivesse sido arrancada, formando um buraco.

― Parece bom. ― A fêmea assentiu, cansada e com um pouco de fome. Mas aquilo teria de esperar pelo próximo dia.

Com a leve brisa batendo em seus pelos, deitou-se ao junto a Fen, que lhe aquecia. Ele era realmente um ótimo amigo. Teve uma sorte gigantesca ao encontrá-lo. Eles conversaram tanto, e havia sido tão bom! Suas patas ainda estavam um pouco doloridas de tanto remar, porém tinha esperança de que quando acordasse já teria passado.

― Boa noite, Inna.

― Boa noite, Fen.

Amanhã seria um novo dia.

Notas finais
CONHECEMOS O FEN!!!!! eu estava tao ansiosa pra isso! tenho mtas coisas para dizer, espero que leiam hbdhsdbddb. caso não saiba, o único nome canon é o da inna, o resto eu tive que inventar. como o jogo é baseado em algumas coisas nordicas se não me engano, dei nomes nordicos pra todos os personagens, nora, anika, katja, etc. o unico "diferente" foi o fen! o nome dele na verdade vem de fenris, que é um urso gigante de um livro que eu li uma vez (o clã dos dragões). fenris é muito devoto à sua dona e melhor amiga, então resolvi homenageá-lo aqui hehehe. a parte da cançao de ninar ficou horrivel i know mas foi meio de ultima hora enquanto eu revisava o capitulo eu SENTI que precisava fazer então cá estamos. katja provavelmente morreu faz meio que 1 mes, e fen ainda está devastado. porém, ele precisa viver. sua mãe ensinou tudo que ele tem que saber, e ele quer continuar vivo para fazer jus a seus ensinamentos. foi dificil conseguir moldar uma personalidade e uma historia pra ele, ja que nao sabemos nada no jogo, mas acho que fiz um trabalho decente, e ate mesmo me apeguei ao fen :''( hes BABY nos vemos no proximo uhu